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História do Lutin Farceur de Natal 5 a 6 anos Leitura 12 min.

O duende travesso e a caixa dos biscoitos

Na véspera de Natal, quatro crianças encontram um duende travesso que fecha uma caixa cheia de biscoitos, mas juntas decidem usar a magia da amizade e da partilha para abrir a caixa e descobrir o que há dentro. A história ensina sobre a importância de dividir e a verdadeira essência do Natal.

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Há 4 crianças: - Sofia: uma menina de 6 anos com longos cabelos castanhos e olhos brilhantes. Ela usa um suéter vermelho com um padrão de rena e está em pé, com os braços levantados, maravilhada com as decorações. - Miguel: um menino de 6 anos com cabelos pretos bagunçados e um grande sorriso. Ele está em uma escada, tentando pendurar uma estrela dourada no topo da árvore de Natal. - Lucas: um menino de 6 anos com óculos redondos e cabelos loiros. Ele está sentado no chão, cercado por bolas de Natal coloridas, escolhendo as que quer pendurar. - Beatriz: uma menina de 5 anos com cabelos cacheados e um vestido verde com bolinhas. Ela está pulando de alegria, segurando uma guirlanda brilhante nas mãos. O local é uma aconchegante casa amarela, decorada com luzes brilhantes e guirlandas de Natal. A árvore, majestosa, está cheia de bolas brilhantes e guirlandas douradas. Flocos de neve caem suavemente do lado de fora, criando uma atmosfera mágica. A cena principal mostra as crianças decorando a árvore de Natal, rindo e se divertindo, enquanto um pequeno duende travesso, escondido em um canto, as observa com um sorriso travesso, pronto para fazer uma de suas famosas brincadeiras. reportar um problema com esta imagem

O Duende Travesso

Era véspera de Natal e a rua cheirava a canela e madeira queimada. Na casa amarela da esquina, quatro crianças arrumavam as coisas para a festa. Sofia, Miguel e Lucas tinham quase seis anos. A Beatriz tinha cinco, mas pulava tão alto como os outros.

— Olhem as luzes! — disse Sofia, com os olhos brilhando.

— Quero pendurar a estrela — disse Miguel, já com a escada nas mãos.

— Eu ponho as bolas vermelhas — disse Lucas.

— E eu as fitas — falou Beatriz, soprando uma mecha de cabelo do rosto.

Eles abriram uma grande caixa de papelão. Dentro, havia enfeites, meias de lã, sinos e um pacotão de biscoitos de gengibre escondido numa caixa menor. A caixa menor estava bem cheia. Cheia de cheiros doces e promessas de merenda.

Mas naquela casa também morava alguém que só aparecia quando as luzes pisca-pisca começavam a dançar: o Duende Travesso de Natal. Tinha orelhas pontudas, sapatos com guizos e um sorriso de travessura. Morava no sótão entre meias e papéis coloridos.

Quando ouviu as risadas, desceu num fio de luz como quem escorrega numa cachoeira de estrelas. Sentou-se em cima da caixa grande e olhou para a caixa cheia de biscoitos.

— Hmmm — murmurou o duende. — Fechar uma caixa cheia é minha tarefa de hoje!

Ele gostava de fechar caixas. Era um segredo seu. Fechar uma caixa fazia um clique mágico que soltava risadinhas pelo ar. Mas o duende também gostava de brincar, e às vezes suas travessuras eram como bolinhas de neve que crescem rolando.

Antes que as crianças percebesse, o duende empurrou o pacote de biscoitos para dentro da caixa menor e puxou a tampa com um pulo. A tampa bateu forte e a caixa... não abriu mais.

— Ei! — gritou Sofia. — A caixa de biscoitos fechou-se sozinha!

Miguel tentou levantar a tampa. Lucas puxou. Beatriz deu uma boa sacudida. A tampa travou e fez um som de "clac" bem alto.

Do sótão, o duende estalou os dedos e escondeu-se atrás de uma guirlanda com careta orgulhosa. Lá no chão, as crianças se entreolharam. Estavam desapontadas, mas também curiosas.

— Vamos pedir ajuda aos pais — disse Lucas.

— Ainda não é hora do lanche — explicou Beatriz com sabedoria. — Mas nós podemos consertar!

Os quatro juntaram as cabeças. A caixa era pesada. A tampa estava bem presa. Parecia que um trancador invisível fazia cócegas nas suas mãos.

— Talvez seja magia — sugeriu Miguel, com voz baixa.

— Ou um duende travesso — sussurrou Sofia, lembrando-se de histórias do avô.

Do lado de fora da janela, uma estrela piscou mais forte, como se também estivesse ouvindo. Dentro, o duende ria baixinho: era tão engraçado ver as crianças a tentar. Ele queria fechar a caixa cheia, e agora era claro: ele queria que ninguém a abrisse.

A Caixa que Não Ficava Fechada

A noite caiu suave. As crianças decidiram fazer um plano. Se alguém tinha fechado a caixa, era justo que alguém tentasse abrir com jeitinho, sem raiva. Seguraram-se pelas mãos e sentiram o calor um do outro.

— Vamos bater palmas — sugeriu Sofia. — Talvez outra risada abra!

Eles bateram palmas uma, duas, três vezes. Feitas as palmas, Miguel falou um truque que ouviu num livro: — Vamos dizer "por favor" bem alto!

— Por favor, caixa, abra! — pediram juntos. A caixa quis que todos tivessem voz. Nada. Nem um suspiro.

Então Lucas teve uma ideia: — Vamos fingir que já é hora do lanche e cantar uma canção de Natal!

Eles cantaram torto, mas cantaram com o coração: "Lu-ces no céu, sinos a tocar..." E a tampa apenas se mexeu um pouquinho, como se a caixa estivesse dançando. Beatriz bateu mais uma vez nas pernas da caixa e falou com ela como se fosse um amigo:

— Está tudo bem, caixa? Não queremos te magoar. Só queremos partilhar.

A caixa respondeu com um estalo como se dissesse: "Não confio em todo mundo." Era uma caixa cheia, mas também parecia cheia de expectativas. O duende, do seu esconderijo, sentiu os olhos das crianças cheios de ternura. A dúvida deu lugar a uma vontade de ver o que havia dentro. Ele não tinha pensado nisso.

De repente, algo curioso aconteceu. Um dos enfeites caiu e rolou até o canto. O guizo do sapato do duende fez "tilim" e soltou-se, caindo pela beirada da guirlanda. O duende, ao tentar apanhar o guizo, arrancou um pedacinho do papel que segurava a caixa. A fita soltou-se. A tampa abriu só um pouquinho.

— Já! — exclamou Miguel. — Está a abrir!

Mas quando abriram um pouco mais, a caixa soltou uma nuvem de pó de neve artificial que fez todos tossirem. O pó brilhava como poeira de fada e começou a formar pequenos círculos no ar. As crianças tossiram, mas riram também, porque o pó fazia cócegas no nariz.

— Aô! — disse Beatriz, tapando o nariz. — Está soltando um feitiço de cócegas!

O duende, agora visível, tentou escapar. Ele pensava: fechei a caixa! Missão cumprida! Mas as crianças o viram e não gritaram. Olharam-no com olhos grandes e perguntaram:

— Por que fechaste a caixa?

O duende coçou a cabeça. Era pequeno e vulnerável. Não era malvado. Só se sentia importante quando fazia coisas secretas.

— Eu queria fechar porque gosto de fechar caixas — sussurrou ele. — E também porque achei que assim guardaria uma surpresa para depois. Mas não queria magoar ninguém.

Sofia aproximou a mão devagar.

— Tu queres ficar com o segredo? — perguntou ela. — Ou tu queres brincar connosco?

O duende hesitou. Nunca tinha sido convidado assim. Seus olhos ficaram molhados de silêncio. Então sorriu e fez um pulo que derrubou um pouco de neve artificial na barba.

— Brincar! — disse ele, com voz miúda. — Mas eu sei fechar bem. Posso mostrar, se prometem partilhar.

Os quatro trocaram sorrisos rápidos e concordaram. Afinal, promessa era coisa séria, mesmo feita por crianças de quase seis anos.

Agora começaram a trabalhar juntos. O duende ensinou a colocar a fita com um nó que fazia um som "pop". As crianças mostraram como usar dois dedos para abrir sem forcejar. Sentiuse como um jogo de encaixe: cada mão tinha seu lugar.

Havia mini-reviravoltas: a fita arrebentava, uma bola caía, o gato da vizinha pulava na janela e quase roubava um laço. Mas a cada problema, riam mais alto. O duende, que antes fechava para ter poder, aprendeu que ajudar era mais divertido.

Quando finalmente a tampinha se abriu do jeito certo, a caixa menor ficou só semicoberta. Dentro, os biscoitos de gengibre brilhavam com açúcar. Havia também uma carta enrolada em papel vermelho. As crianças olharam e o duende fez reverência.

— Abre tu, Miguel — disse Sofia. — És o mais velho da turma.

Miguel desenrolou a carta. Ela dizia, com letras redondas: "Para os queridos que sabem partilhar. Um lanche de Natal é feito para unir."

— É uma mensagem — falou Beatriz, tão feliz que quase dançou. — Alguém quis que fossemos amigos.

O duende segurou um dos biscoitos com cuidado. Não o comeu. Sorriu e ofereceu ao grupo.

— Primeiro partilhemos — sugeriu ele.

O Lanche de Natal

Assim começou o lanche. Puseram uma toalha no chão, sopraram um pouco de pó de neve para fazer efeito brilhante e colocaram os biscoitos sobre um prato. Missões de travessura transformaram-se em pequenos gestos de carinho: Sofia partiu um biscoito ao meio, Miguel molhou um pouco num copinho de chocolate quente, Lucas fez caretas para divertir Beatriz e o duende contou uma história sobre como aprendeu a fechar caixas, mas não sobre como não dividir.

Eles provaram um biscoito. Depois outro. Riram das migalhas que pareciam mini-nevascas nas mãos. O duende contou histórias de outras caixas que fechou e de sinos que ele colocou nas janelas sem que ninguém visse. As crianças ouviram com olhos arregalados.

— E quando eu fecho uma caixa, eu penso no que ela guarda — disse o duende. — Às vezes são brinquedos, outras vezes são lembranças. Hoje aprendi que o importante é abrir com quem a gente gosta.

Sofia abraçou o duende. Miguel deu-lhe um pedaço de chocolate quente. Lucas desenhou com um palito um rostinho no açúcar que parecia sorrir. E Beatriz, com a doçura de cinco anos, colocou um guizo do sapato do duende na borda da caixa como se fosse um enfeite novo.

Lá fora, as luzes piscavam como se estivessem aplaudindo. A estrela da janela olhava contente. A casa cheirava a canela e a biscoitos e a amizade. Ninguém lembrava mais do susto da tampa travada nem das risadinhas escondidas.

Antes de irem dormir, o duende fez uma última travessura: deixou um bilhete em cima do prato. Nele, escreveu com caligrafia miúda:

"Prometo fechar só quando for preciso. Prometo partilhar sempre um biscoito. Volto na próxima luz."

As crianças riram e prometeram também. Prometeram cuidar do duende, partilhar lanches e fechar caixas juntas. Eram quase seis anos e já sabiam que promessas pequenas aquecem corações.

Quando a noite ficou mais quieta, cada criança foi para a sua cama com a boca ainda doce. O duende subiu ao sótão, mas antes de se deitar nas meias, escutou uma vozinha:

— A festa foi mais bonita porque estavas connosco.

Ele sorriu. Fechou os olhos. E pela primeira vez fez uma travessura que não era para atrapalhar, mas para arrumar: colocou um laço no próprio chapéu e dormiu com o riso guardado no bolso.

Na manhã de Natal, os quatro amigos encontraram um pequeno presente perto da caixa: um guizo e um bilhete que dizia apenas "Obrigado por partilhar". E um novo laço na tampa da caixa, bem arrumado, como quando termina um conto bem contado.

Assim, o Duende Travesso aprendeu que fechar caixas é divertido, mas que abrir o coração e dividir um lanche é ainda melhor. E a merenda de Natal ficou guardada nas lembranças como um calor pequenino que dura muito tempo.

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Véspera
O dia anterior a um evento importante, como o Natal.
Enfeites
Objetos decorativos usados para enfeitar algo, como árvores de Natal.
Travesso
Alguém que gosta de fazer travessuras ou que é um pouco brincalhão.
Mistério
Algo que é difícil de entender ou explicar, que causa curiosidade.
Promessa
Um compromisso de fazer ou não fazer algo no futuro.
Merenda
Uma refeição leve, geralmente feita de lanches, consumida entre as refeições principais.

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