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História divertida de fraternidade 11 a 12 anos Leitura 16 min.

O corredor das corridas loucas e o pato que fazia “pouic

Dois irmãos transformam o corredor de casa numa pista de corridas com um almofadão barulhento, e o irmão mais velho tenta equilibrar diversão e responsabilidade para evitar desastres. A aventura revela como trabalho em equipa e criatividade enfrentam as consequências das travessuras.

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Um corredor doméstico com luz quente e parquet onde um menino de 12 anos de rosto redondo, sorriso terno, cabelo castanho claro desgrenhado e olhar concentrado segura um pequeno porta‑retrato enquanto o irmão mais novo de ~7 anos, cabelo preto bagunçado e expressão entusiasmada, segura um grande almofada amarelo em forma de pato; cena calma e cúmplice, tapete com franjas, quadros ligeiramente tortos na parede, algumas meias espalhadas e uma vassoura encostada; estilo chibi kawaii, contornos nítidos, cores pastel quentes (amarelos, azuis, madeira clara), texturas macias e sombras leves. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O Rei do Corredor

O Tomás tinha 11 anos e uma certeza muito séria: em casa, ele era o responsável oficial por evitar desastres. Não porque os adultos lhe tivessem dado um crachá (infelizmente), mas porque o irmão mais novo, o Dinis, tinha um talento natural para “acidentes criativos”.

Nesse sábado, a mãe saiu para ir buscar a avó e deixou um aviso bem claro, com voz de quem já imaginava o pior:

— Nada de corridas dentro de casa. E nada de… inventos.

Assim que a porta fechou, o Dinis apareceu no corredor com um olhar brilhante, o mesmo olhar que ele fazia quando tinha descoberto que uma colher podia ser um catapulta.

— Tomás… o corredor está a pedir uma pista.

O corredor era comprido, com o chão a brilhar e duas paredes cheias de fotografias tortas da família. Parecia mesmo uma “pista de aeroporto”, como o Tomás dizia quando empurrava o aspirador.

— Nem pensar — respondeu Tomás, cruzando os braços. — Corredor não é autódromo.

— É sim! Chama-se “Corredor das Corridas Loucas”. Eu dei-lhe esse nome agora. Pronto. Está oficial.

Tomás suspirou. Ser o mais velho era isto: tentar ser sério enquanto alguém pequeno transformava tudo em jogo.

— Podemos… andar. A passo rápido. Um “passeio energético”. — Tomás apontou para o chão como se estivesse a negociar um tratado de paz.

— Aceito, mas com efeitos sonoros — disse Dinis, já a fazer “vruuummm” baixinho.

Tomás revirou os olhos, mas sorriu. Pelo menos, “passeio energético” ainda não era desastre.

Ainda.

Capítulo 2 — A Ideia Mais Escorregadia

Tomás decidiu ocupar o irmão com uma missão que parecesse importante.

— Vais buscar… a fita-cola. Para… consertar aquela moldura que está sempre a cair.

Dinis correu até à arrecadação e voltou dois segundos depois com algo que não era fita-cola: era um almofadão velho, redondo, amarelo, com cara de pato. E quando apertou, fez:

— Pouic!

Tomás ficou a olhar como se o pato o tivesse insultado.

— Por que é que isso faz “pouic”?

— Porque é um pato com voz interior — explicou Dinis, muito convicto. — Olha! Se eu apertar rápido faz “POUIC-POUIC-POUIC!”

— Shhh! — Tomás pôs o dedo nos lábios. — Se a mãe ouve, acabou tudo.

— Então temos de usar para uma coisa útil — disse Dinis, apertando outra vez. — Tipo… travão.

Antes que Tomás dissesse “travão de quê?”, Dinis atirou o almofadão para o chão do corredor e deu um passo para cima dele, como se estivesse a testar gelo.

O almofadão deslizou um centímetro.

— Ui — fez Dinis, com olhos a brilhar ainda mais. — Tomás. Isto é uma prancha!

— Não é prancha nenhuma, é… uma almofada que faz barulho — disse Tomás, mas já era tarde. O corredor tinha sido oficialmente convocado para as Corridas Loucas.

Dinis puxou uma meia até ao joelho, como se fosse um atleta.

— Preparar… apontar… POUI—

— Nem acabes essa frase — interrompeu Tomás. — Vamos fazer isto direito. Se é para haver… seja… “brincadeira”, tem de ser segura.

Dinis fez cara de anjo, o que era sempre suspeito.

— Prometo que não faço nada perigoso. Só escorrego um bocadinho. Um bocadinho grande.

Tomás respirou fundo. O papel dele era proteger. Se ele dissesse “não” e virasse costas, Dinis fazia na mesma, só que com menos cuidado. Então, o Tomás fez o que fazia melhor: transformou a asneira numa coisa com regras.

— Está bem. Uma corrida. Mas com capacete.

— Não temos capacete.

— Temos… almofadas do sofá — disse Tomás, já a imaginar como. — Uma para a cabeça. Outra para… sei lá… o orgulho.

Capítulo 3 — O Corredor das Corridas Loucas

Em cinco minutos, o corredor parecia uma competição muito caseira: dois pares de meias a servir de “linha de partida”, uma vassoura encostada como “bandeira”, e o almofadão do pato no centro como o grande veículo oficial.

Tomás pôs uma almofada do sofá na cabeça do Dinis.

— Se caíres, caímos com estilo.

— Estou parecendo um hambúrguer — disse Dinis, com a voz abafada.

— Um hambúrguer rápido — corrigiu Tomás. — E eu sou o… fiscal da pista.

— Fiscal é chato.

— Fiscal evita ossos partidos. Portanto, é o herói silencioso.

Dinis apontou para o almofadão.

— Eu primeiro! Eu sou o piloto-pato!

Tomás levantou a vassoura como se fosse um árbitro.

— Três… dois… um…

Dinis subiu para cima do pato, empurrou com um pé e disparou pelo corredor com um “vruuum” e três “pouic” seguidos:

— POUIC! POUIC! POUIC!

O almofadão deslizou mais do que devia. As fotografias na parede pareceram inclinar-se para ver melhor. O Dinis, de braços abertos, gritava:

— Sou um foguete de pão!

Tomás correu atrás, não para competir, mas para apanhar o irmão se ele decidisse conhecer o chão de perto.

— Travão! Travão!

— O travão é o pato! — respondeu Dinis, apertando a almofada com os pés, o que só fez mais “pouic” e zero travão.

Tomás esticou os braços e conseguiu agarrar o irmão pelo casaco antes de ele chegar ao tapete da sala, que tinha uma franja traiçoeira.

Os dois cambalearam, e Tomás caiu sentado. Dinis caiu em cima dele, leve como um saco de pipocas.

Silêncio por um segundo.

Depois, o almofadão fez um último:

— Pouic.

Dinis começou a rir com um som de máquina de lavar descontrolada.

— O pato fez “pouic” de vitória!

Tomás tentou manter a cara séria, mas o riso escapou-lhe também.

— Vitória… ou aviso.

Foi então que eles ouviram um barulho pequenino, mas muito preocupante: “crac”.

Uma moldura, a mais torta de todas, tinha finalmente desistido e ficou pendurada por um canto, balançando como um dente solto.

Dinis apontou, a rir menos.

— Ups.

Tomás levantou-se devagar, como um guarda-costas em missão.

— Está bem. Agora a corrida acabou. Temos de resolver isto antes que a mãe volte.

Dinis fez cara de quem tinha acabado de engolir um limão.

— Mas eu… eu só queria divertir.

— E vais divertir — disse Tomás. — A parte divertida agora é: salvar o dia.

Capítulo 4 — O “Pouic” Complica Tudo

Tomás levou o Dinis para a cozinha, como se fosse um quartel-general.

— Plano A: fita-cola, prego, e fingimos que sempre esteve direito.

Dinis abriu a gaveta das coisas aleatórias (a gaveta que provavelmente nasceu para o caos) e começou a tirar coisas: elásticos, uma pilha sem par, uma colher de pau, um brinquedo que parecia uma girafa com rodas.

— Isto não é fita-cola — murmurou Tomás.

— A fita-cola fugiu — disse Dinis. — Mas olha, tenho… isto! — e levantou o almofadão do pato como se fosse uma ferramenta científica. — O pato pode segurar a moldura. Ele é… suporte emocional.

— Não encostes isso à parede — avisou Tomás, mas Dinis já estava a tentar equilibrar o almofadão debaixo da moldura, como um macaco em treino.

— Só um bocadinho… — Dinis apertou o pato sem querer. — POUIC!

O “pouic” ecoou pelo corredor, e a moldura balançou mais. Tomás saltou e apanhou-a mesmo a tempo.

— Dinis! O pato não é suporte, é sabotador sonoro!

Dinis encolheu os ombros.

— Ele só está a comentar.

Tomás fechou os olhos um instante para não virar uma chaleira a ferver.

— Escuta. Eu vou segurar a moldura. Tu vais buscar a fita-cola. A sério. Sem pato. Sem corridas.

Dinis levantou a mão, muito solene.

— Prometo. Sem corridas. Só… caminhada aerodinâmica.

Tomás abriu um olho.

— Vai.

Dinis saiu a passo… que durou exatamente três passos. No quarto, o Tomás ouviu um “vruuum” disfarçado, depois um “pouic” distante.

— DINIS! — gritou Tomás.

— Não é corrida! É… é o pato a tropeçar!

Tomás mordeu o lábio. O irmão era impossível, mas era o irmão dele. E a moldura continuava na mão, frágil e prestes a cair.

Então, Tomás teve uma ideia: em vez de lutar contra o “pouic”, ia usá-lo.

Quando o Dinis voltou finalmente com a fita-cola (e, claro, com o pato atrás, como um cão fiel), Tomás estava com um ar de chefe de equipa.

— Certo. Temos um problema e um pato barulhento. Vamos transformar isto numa missão de ajuda. E tu vais ser o meu assistente oficial.

Dinis endireitou-se.

— Assistente oficial? Com cargo?

— Com cargo. E com responsabilidades. Se fizeres bem, ganhas… duas voltas finais no corredor. A passo seguro.

Os olhos do Dinis brilharam como faróis.

— Fechado!

Capítulo 5 — A Missão Altruísta do Pato

Tomás explicou as tarefas como se estivesse num filme de assalto, mas versão familiar.

— Eu seguro a moldura. Tu limpas a parede com este pano. Depois passas a fita-cola. Sem “pouic” durante o trabalho.

Dinis fez um gesto de zíper na boca.

— Mmm.

O problema é que o pato não sabia fazer zíper. Quando Dinis o pousou no chão, o almofadão escorregou sozinho e encostou no rodapé com um:

— Pouic.

Tomás apontou para ele.

— Esse pato está a rir-se de nós.

— Não, está a incentivar — corrigiu Dinis, limpando a parede com muita dedicação. — Ele faz “pouic” tipo… aplauso.

Tomás tentou colocar a moldura no sítio, mas faltava uma coisa: o prego estava meio solto, e a moldura insistia em inclinar.

— Hm. Precisamos de apoio enquanto a fita-cola agarra.

Dinis, com um sorriso esperto, puxou o almofadão.

— Apoio emocional.

— Desta vez… pode ser apoio a sério — admitiu Tomás. — Mas sem apertar!

Com muito cuidado, Tomás encostou o almofadão por baixo da moldura, como um pequeno pedestal. Funcionou. A moldura parou de balançar.

Dinis ficou tão orgulhoso que esqueceu a regra mais importante: não apertar. De alegria, deu um aperto rápido no pato.

— POUIC!

O susto fez o Tomás perder o equilíbrio por meio segundo. A moldura deu um mini-salto.

— Dinis!

Dinis arregalou os olhos, congelado.

— Eu… eu só estava a celebrar.

Tomás respirou fundo. Queria ralhar, mas viu a cara do irmão: não era de gozo, era de quem queria ajudar e se atrapalhou.

— Ok. Celebramos no fim. Agora… concentra-te.

Para salvar a situação, Tomás fez uma coisa inesperada: baixou a voz e falou como se o pato fosse um colega de equipa.

— Senhor Pato, precisamos de silêncio operativo. Consegue?

Dinis mordeu o lábio para não rir.

— Ele diz que sim.

— Ótimo — disse Tomás. — Então, tu, Assistente Oficial, segura o pato sem apertar. Eu endireito. Depois fita-cola. E pronto.

Dinis segurou o almofadão como se fosse uma bomba muito sensível. Tomás endireitou a moldura com toda a precisão de quem está a desarmar um relógio. A fita-cola fez “trrrr” e ficou bem presa.

Quando terminaram, os dois deram um passo atrás. A moldura estava direita. Milagre.

Dinis abriu os braços.

— Conseguimos!

Tomás sorriu, aliviado.

— Conseguimos porque tu ajudaste. A sério.

Dinis ficou um bocadinho quieto. Depois disse, meio baixinho:

— Eu faço asneiras… mas não quero dar trabalho.

Tomás passou o braço pelo ombro dele.

— Asneiras acontecem. O importante é o que fazemos depois. E tu fizeste… o depois.

O pato, como se concordasse, fez um “pouic” bem pequenino, quase educado.

Capítulo 6 — Arrumação em Música

O corredor ainda estava com “provas” do campeonato: meias no chão, vassoura atravessada, almofadas fora do sofá. Tomás olhou à volta e imaginou a mãe a entrar e a ver aquilo. A imaginação dele não gostou nada.

— Falta a parte final da missão — disse Tomás. — Arrumar tudo.

Dinis fez uma careta dramática.

— A parte em que o herói sofre.

— Não. A parte em que o herói dança — corrigiu Tomás, pegando no telemóvel velho que usavam sem internet, só com músicas guardadas. — Se vamos arrumar, vai ser com banda sonora. Regra da casa: arrumação em música dá pontos de velocidade.

Dinis endireitou-se como um DJ.

— Eu escolho!

— Eu escolho a primeira, tu a segunda — negociou Tomás. — Porque eu sou o Fiscal-Herói Silencioso.

— Fiscal que dança não é silencioso — disse Dinis, mas já estava a abanar os ombros.

Tomás pôs uma música animada. Começaram a arrumar como se estivessem num videoclip: Tomás apanhava as meias e fazia um passe de basquete para o cesto da roupa; Dinis agarrava a vassoura e fingia que era uma guitarra, mas pelo menos encostava-a no sítio certo.

— Não vale fazer solo de guitarra com a vassoura durante dez anos! — disse Tomás.

— Estou a dar emoção ao trabalho! — respondeu Dinis, fazendo “tcham-tcham” com a boca.

O almofadão do pato foi o último. Dinis pegou nele com respeito.

— Senhor Pato, missão cumprida.

Tomás abriu o sofá e encaixou as almofadas no lugar. Depois apontou para o pato.

— Esse vai para o quarto. E sem “pouic” no corredor. A pista está encerrada.

Dinis assentiu muito sério, como se fosse um segurança de discoteca.

— Encerrada. Mas… podemos abrir amanhã?

Tomás pensou um segundo.

— Podemos abrir… uma versão segura. Com travões. E sem molduras perto.

Dinis sorriu.

— E com “pouic” só nas celebrações.

Tomás riu.

— Combinado.

Quando a mãe voltou, encontrou o corredor limpo, a moldura direita e dois irmãos sentados no chão, ofegantes, como se tivessem corrido uma maratona invisível.

— O que aconteceu aqui? — perguntou ela, desconfiada.

Tomás e Dinis olharam um para o outro. Tomás falou primeiro, firme e honesto:

— Aconteceu uma pequena… aventura. Mas arrumámos tudo. E o Dinis ajudou muito.

Dinis acenou, orgulhoso.

— Eu fui Assistente Oficial. E o pato… foi suporte. Mais ou menos.

A mãe olhou para os dois, depois para a moldura, e soltou um suspiro que parecia meio riso.

— Ainda bem que se ajudaram. Agora… lanche?

Dinis levantou-se num salto.

— Lanche em música?

Tomás puxou-o pelo braço, rindo.

— Devagar, foguete de pão. Devagar.

E o corredor, finalmente, ficou quieto. Quase. Lá ao fundo, do quarto, ouviu-se um “pouic” de leve, como se o pato também estivesse a rir.

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Responsável oficial
Pessoa que tem a tarefa ou dever de cuidar de algo importante.
Acidentes criativos
Acidentes que acontecem porque alguém inventa ou faz coisas novas e arriscadas.
Pista
Local plano por onde se corre ou por onde se passa com rapidez.
Autódromo
Lugar feito para carros correm; uma pista grande e fechada para corridas.
Almofadão
Uma almofada grande e macia, usada para sentar ou apoiar.
Arrecadação
Pequeno lugar em casa onde se guardam ferramentas ou coisas velhas.
Convicto
Que tem muita certeza sobre algo; muito seguro do que pensa.
Cambalearam
Andaram sem firmeza, quase a cair, por perder equilíbrio.
Franja traiçoeira
Parte do tapete que engana, porque prende os pés e pode fazer cair.
Quartel-general
Lugar onde se organizam planos e se dão instruções para uma tarefa.
Assistente oficial
Pessoa escolhida para ajudar alguém com responsabilidades importantes.

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