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História divertida de fraternidade 11 a 12 anos Leitura 23 min.

A medalha da melhor partilha e o pódio entusiasta

Quatro irmãos e um amigo transformam a cave numa aventura de partilha e invenções quando uma entrega surpresa traz um pódio entusiasta; entre balões, fita-cola e medalhas improvisadas, descobrem o valor da colaboração e da criatividade.

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Quatro crianças numa cerimónia alegre e desordenada numa sala: Tomás (11 anos), cabelo castanho desgrenhado, rosto redondo, t-shirt azul claro com mancha, segura uma pequena medalha feita de cápsula dourada à direita do pódio, olhar orgulhoso; Rafa (11 anos), cabelo curto preto, sorriso caloroso, sentado numa cadeira de rodas visível no topo do pódio insuflável, segura um saco de batatas para partilhar; Martim (11 anos), loiro, expressão cómica, t-shirt às riscas, pés ainda presos a uma fita no chão, na marcha do meio faz pose de herói falso; Inês (11 anos), cabelo castanho apanhado em rabo, olhar autoritário mas sorridente, colete verde, segura uma folha "REGRAS" e organiza pequenas caixas, à direita do pódio; ambiente familiar com sofá cinzento, mesa de centro com pratos vazios e restos de bolachas, guirlandas de balões coloridos (amarelo, verde, vermelho), caixa de cartão aberta no chão, chão em madeira clara e luz quente a entrar pela janela, atmosfera festiva de partilha e cumplicidade. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A ideia que brilhou (e fez “plim!”)

Naquela tarde, a sala cheirava a cola e a biscoitos. Eu, o Tomás (11 anos e especialista em ter ideias no momento menos adequado), estava esticado no tapete com uma tesoura numa mão e uma tampa de frasco na outra.

“O que estás a fazer com a tampa da compota?” perguntou o meu irmão, o Martim, com aquele ar de quem já está a preparar um “eu avisei”.

“Uma medalha.” Levantei a tampa como se fosse um tesouro. “A medalha ‘Melhor Partilha'.”

A Inês — sim, a Inês. Também tem 11 e é a nossa irmã. Em casa, dizemos que ela nasceu com um apito de árbitra no bolso, porque está sempre a decidir quem tem razão. Ela aproximou-se, cruzou os braços e avaliou-me como se eu fosse um projeto de feira de ciências.

“E quem é que vai ganhar?” perguntou ela.

“Eu, óbvio,” disse o Martim.

“Eu,” disse a Inês, ao mesmo tempo.

Eu pigarreei. “Na verdade… vai ser para quem provar que partilha melhor hoje. Uma competição oficial.

“O-ffii-cial,” repetiu o Martim, alongando as sílabas como se isso o tornasse mais importante.

A porta abriu-se com um “toc-toc” e apareceu o Rafa, o nosso amigo, também com 11, a empurrar a cadeira de rodas com uma mão e um saco de batatas fritas na outra, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

“Cheguei!” disse ele. “Trouxe reforços crocantes.”

“Excelente,” eu disse. “Precisamos de testemunhas e… batatas.”

O Rafa ergueu uma sobrancelha. “Isto cheira a traquinice.”

“Cheira a cola,” corrigiu a Inês.

Eu comecei a trabalhar: colei papel dourado na tampa, desenhei uma estrela torta, e escrevi com marcador: MELHOR PARTILHA (letras gigantes, um pouco a fugir). No verso, colei um alfinete de segurança.

“Pronto!” declarei, com orgulho. “Uma medalha digna de… de… de alguém com muita… partilha.”

O Martim inclinou-se. “Parece mais uma tampa com alergia a glitter.”

“E tu pareces alguém com alergia a elogios,” eu respondi.

A Inês deu um estalo com a língua. “Regras. Quem partilhar mais sem reclamar ganha. Quem reclamar perde pontos.”

O Rafa mastigou uma batata. “E se eu partilhar as batatas e vocês me derem a medalha só por isso?”

“Boa tentativa,” disse eu. “Mas é uma maratona de partilha, não um sprint de batatas.”

O Martim apontou para a minha medalha. “Vai ficar na parede do teu quarto, não vai?”

Eu fiz ar inocente. “Talvez… no corredor, para toda a gente admirar.”

“Ou para toda a gente gozar,” murmurou a Inês, mas tinha um sorriso a aparecer.

E foi aí que a nossa tarde tranquila decidiu transformar-se num filme de ação… só que com fita-cola e discussões sobre quem fica com o último biscoito.

Capítulo 2 — A cave arrumada (perigosamente tentadora)

A nossa mãe tinha uma regra sagrada: “A cave está segura e arrumada. Entrem, mas deixem-na como encontraram.” Ela dizia “segura e arrumada” com a mesma voz de quem diz “não mexam no botão vermelho”.

A cave era o nosso lugar preferido para “projetos”: prateleiras alinhadas, caixas etiquetadas, ferramentas penduradas como instrumentos numa orquestra muito séria. Havia até uma fita no chão a marcar a zona onde não devíamos pôr tralha. Parecia uma pista de aeroporto… para aviões de vassouras.

“Vamos descer,” disse eu, agarrando na medalha e num rolo de fita-cola. “Preciso de um cordão e de uma caixa bonita para o pódio.

“Pódio?” repetiu o Martim, já a imaginar-se no primeiro lugar.

“Claro,” disse a Inês. “Se há medalha, há pódio. É ciência.”

O Rafa entrou por último, a manobrar com destreza entre caixas. “Isto aqui é mais arrumado do que o meu estojo, e isso é ofensivo.”

Nós procurávamos um cordão quando começou a primeira prova de partilha sem ninguém combinar: uma tesoura boa, aquela que corta sem mastigar o papel.

“Eu vi primeiro,” disse o Martim.

“Eu estou a usar,” disse eu, com a tesoura na mão.

A Inês tossiu, a tossir-de-árbitra. “Lembrem-se: reclamar perde pontos.”

O Martim fechou a boca tão depressa que fez “clac” com os dentes. “Estou a… a partilhar. Generosamente. Com… muita maturidade.”

“Uau,” disse o Rafa. “Quase ouvi a tua maturidade a chorar.”

Eu encontrei um cordão vermelho numa caixa de costura. “Perfeito! A medalha vai parecer importante, tipo… de campeão.”

“De campeões da confusão,” corrigiu a Inês, mas ajudou a dar um nó.

Depois, para o pódio, achámos três caixas de fruta vazias. Colocámo-las lado a lado no chão, como degraus.

“Primeiro, segundo, terceiro,” anunciou o Martim, já em cima da caixa do meio.

“Desce daí,” disse a Inês. “Ainda nem começou e já estás a ocupar o lugar.”

“É treino,” ele respondeu. “Atletas treinam.”

Eu bati palmas baixinho. “Muito bem. Agora, desafio: quem consegue partilhar algo nesta cave sem ninguém pedir?”

Silêncio.

O Rafa abriu o saco de batatas e estendeu-o. “Comecem por isto. Estou a partilhar a minha felicidade.”

O Martim pegou numa batata… e por um segundo pareceu que ia agarrar metade do saco. Mas respirou fundo e tirou só uma.

“Autocontrolo,” murmurou ele, como se fosse uma palavra de feitiço.

A Inês tirou uma batata, fez uma vénia. “Obrigada, ó grande partilhador.”

Eu tirei uma também. “Isto está a correr bem demais. Suspeito.”

Foi quando ouvimos um som em cima, na porta da entrada: “DING-DONG!”

O Rafa congelou com uma batata a meio caminho. “Quem é que toca à campainha como se fosse a música de suspense?”

Capítulo 3 — A entrega surpresa (e o mistério da caixa gigante)

Subimos as escadas como uma equipa de… de detetives sem licença. Eu levava a medalha escondida atrás das costas, como se fosse contrabando de glitter.

Na porta estava um estafeta com um boné e uma caixa enorme. Enorme mesmo. Daquelas que fazem a gente pensar: “Ou é um sofá, ou é um dinossauro desmontado.”

“Entrega para… família Sousa?” perguntou ele.

A nossa mãe apareceu, assinou, agradeceu. “Eu não me lembro de ter encomendado isto.”

O estafeta encolheu os ombros com um sorriso de quem já viu de tudo. “É uma ‘surpresa'. Diz aqui.”

A caixa tinha um autocolante grande: “FRÁGIL — NÃO ABANAR — CONTEÚDO MUITO… ENTUSIASTA”.

“Entusiasta?” leu o Martim. “Isto é o quê, uma caixa com energia própria?”

A nossa mãe olhou para nós com aquela cara de “nem pensem”. “Eu vou abrir depois. Agora, nada de confusões.”

“Confusões?” repetiu a Inês, ofendida. “Nós somos a definição de organização.”

A nossa mãe ergueu uma sobrancelha. “Então organizem-se a não mexer.”

Ela levou a caixa para a sala, mas não tinha espaço. Acabou por a pousar no sítio mais “seguro e arrumado” da casa: a cave.

Nós descemos atrás, em fila, como quem vai ver um meteorito cair.

A caixa ocupava metade do corredor da cave. Parecia um monstro de cartão a dormir.

“Só um bocadinho de curiosidade,” sussurrou o Martim, já a esticar o dedo.

“Curiosidade perde pontos?” perguntei à Inês.

“Depende se a curiosidade for acompanhada de barulho,” respondeu ela.

O Rafa aproximou-se e leu outro autocolante pequenino: “ABRIR COM CALMA.”

“Eu consigo abrir com calma,” disse o Martim. A sua calma durou exatamente três segundos.

Ele puxou uma aba e a caixa fez “PFFFT”, como se soltasse um suspiro preso.

Lá dentro havia… outra caixa. Mais pequena. E dentro dessa, outra. E outra. Era um conjunto de caixas como bonecas russas, só que de cartão e com uma promessa de caos.

“É uma caixa em modo cebola,” disse o Rafa. “Camadas e mais camadas.”

Quando chegámos à última, ouvimos um “pim-pim” abafado, como um sininho tímido.

Eu engoli em seco. “Alguém encomendou um… sino?”

A Inês apontou para um papel dobrado. “Uma nota!”

Ela leu em voz alta: “Surpresa para os ‘Pequenos Inventores' — Prémio de Participação da Feira da Escola. Abrir com supervisão.

“FEIRA?” eu quase gritei. “A feira é só para a semana!”

O Martim abriu mais um pouco e… “BOING!”

Um monte de balões saltou para fora, enchendo a cave de cores. Balões verdes, amarelos, um com cara desenhada que parecia estar a rir-se de nós.

E, no meio, um boneco insuflável de pódio (sim, um pódio!) que começou a encher sozinho, fazendo “fffffsssshhh” como um dragão a espirrar ar.

O Rafa recuou um bocadinho. “Ok. Isto é oficialmente entusiasta.”

A Inês tapou a boca para não rir. “A mãe vai adorar… ou vai transformar-nos em estátuas.”

O Martim agarrou num balão e sussurrou: “Se isto é um prémio de participação, imaginem o prémio de primeiro lugar.”

Eu olhei para a minha medalha caseira, pequenina e brilhante. E depois olhei para aquele pódio insuflável, majestoso, quase a tocar nas prateleiras.

“Pessoal,” eu disse. “A competição de ‘Melhor Partilha' acabou de ganhar… cenário.”

Capítulo 4 — Operação: salvar a cave (sem perder a graça)

“Temos de arrumar isto antes que a mãe veja,” disse a Inês, já em modo comandante.

O Martim segurava o pódio insuflável como se fosse um animal de estimação gigante. “Ele escolheu-me.”

“Ele não escolheu ninguém,” eu disse. “Ele é ar. Literalmente.”

O Rafa apanhou balões, um por um, com a calma de quem está a apanhar borboletas. “Se partilharmos o trabalho, ganhamos todos.”

A Inês apontou para mim. “Tomás, tu és o dono da medalha. Organiza a ‘equipa de partilha'.”

Eu endireitei as costas, importante. “Muito bem. Rafa, ficas com os balões. Martim, esvazia o pódio devagar. Inês, recolhe as caixas e a nota. Eu… eu supervisiono.”

“Supervisionas?” repetiram os três, em coro.

“E faço nós,” corrigi, apressado. “Nós importantes.”

O Martim tentou encontrar a válvula do pódio. “Onde é que se desliga um pódio?”

“Talvez com um discurso,” sugeriu o Rafa.

A Inês abriu a nota outra vez e encontrou instruções: “Para esvaziar, rodar a válvula e pressionar.”

O Martim rodou… e o pódio soltou um “PFFFFF” tão dramático que um balão fugiu assustado e foi bater numa caixa com “ploc”.

Nós congelámos.

Da caixa caiu um rolo de fita adesiva e desenrolou-se pelo chão como uma língua comprida.

“Não,” eu murmurei. “Não, não, não.”

O Martim pôs o pé… e “ZZZIIIP!” A fita colou-se à sola e ele começou a andar sem querer, arrastando-a, como um patinador azarado.

“Estou preso!” disse ele, a rir e a lutar ao mesmo tempo.

A Inês tentou agarrar a fita, mas colou ao dedo. “Ai! Isto é uma armadilha pegajosa!”

O Rafa, muito prático, encostou a roda da cadeira à fita para a segurar. “Eu prendo a fita. Vocês descolam o Martim.”

Eu peguei na tesoura boa e parei. A tesoura era a estrela da nossa prova de partilha. Eu olhei para o Martim.

“Preciso da tesoura,” disse eu. “Mas prometo devolver.”

O Martim, preso e a rir, olhou para mim como se eu lhe estivesse a pedir um rim. Depois suspirou teatralmente. “Partilha… com maturidade.” E entregou-me a tesoura com dois dedos, como se fosse um objeto sagrado.

“Ponto para ti,” disse a Inês, mesmo com o dedo colado.

Eu cortei a fita, libertei o Martim, e o Rafa soltou a roda.

“Equipa,” disse o Rafa. “Isto foi… estranhamente eficiente.”

O Martim sacudiu o sapato. “Eu quase fui engolido por fita-cola. A minha história de herói começa aqui.”

A Inês olhou para as prateleiras, para as caixas, para os balões que ainda escapavam. “Ok. Última fase: esconder o pódio e os balões numa caixa e pôr tudo como estava.”

Eu peguei na minha medalha. “E a competição? Continua.”

A Inês apontou para o caos meio resolvido. “Isto tudo conta como prova de partilha. E de… engenho, já agora.”

Eu sorri. “Engenho é o meu segundo nome.”

“Não é,” disse o Martim.

“Podia ser,” disse o Rafa.

E nós voltámos a trabalhar, com “poc-poc” de balões a serem apertados, “shhh” do ar a sair do pódio e “clac” das caixas a fecharem, até a cave voltar a parecer… quase inocente.

Capítulo 5 — A medalha entra em jogo (e ninguém consegue ficar sério)

Com tudo arrumado, ficámos a olhar para o pódio insuflável agora dobrado, escondido numa caixa maior. Parecia um segredo a dormir.

A Inês limpou as mãos. “Agora sim: competição oficial. Sem desastres.”

Nesse exato segundo, o Martim encontrou o saco de batatas do Rafa.

“Ora bem,” disse ele, com voz angelical. “Vou partilhar.”

Ele pegou no saco e ofereceu a mim… mas mantendo o polegar por dentro, a bloquear metade das batatas.

Eu estreitei os olhos. “Isso é partilha… ou é controlo de inventário?”

“É partilha estratégica,” disse ele.

O Rafa riu. “Partilha estratégica é quando tu comes as batatas e depois ofereces o saco vazio.”

A Inês tirou o saco das mãos do Martim e entregou-o ao Rafa. “A partilha não pode ser um truque de magia.”

O Martim pôs a mão no peito. “Feriste os meus sentimentos de empreendedor.”

Eu peguei na medalha e prendi-a no meu casaco. “A medalha vai para… quem fizer uma partilha criativa agora. Criativa e útil.”

O Rafa levantou a mão. “Eu partilho uma ideia. Vamos fazer um pódio verdadeiro na sala com as caixas? Assim, quando a mãe vir o pódio insuflável, parece… planeado.”

A Inês arregalou os olhos. “Isso é… genial.”

O Martim apontou para mim. “Ele está a roubar o teu trabalho de invento.”

“Ele partilhou uma ideia boa,” eu admiti, com algum esforço, porque a ideia era mesmo boa. “Ponto para o Rafa.”

Subimos para a sala e, em silêncio de ninja, montámos um pódio de caixas (as nossas, não as da cave). Três degraus, alinhados. Eu pus uma folha a dizer “CERIMÓNIA DE PARTILHA — NÃO TROPEÇAR”.

Quando a mãe apareceu, olhou para o pódio de caixas e depois para nós.

“O que é isto?”

A Inês sorriu com doçura. “Uma… atividade educativa.”

A mãe respirou fundo, mas havia um cantinho do sorriso a aparecer. “Desde que ninguém se magoe e ninguém cole fita-cola no gato.”

O Martim sussurrou: “Ainda bem que não temos gato.”

O Rafa sussurrou de volta: “Não lhe dês ideias.”

Eu toquei na medalha. “Chegou a hora. Vamos buscar… o prémio surpresa.”

Descemos à cave com a solenidade de uma expedição, abrimos a caixa grande, e puxámos o pódio insuflável dobrado e um saco de balões que parecia um polvo colorido.

O Martim segurou uma ponta. “Isto é enorme. Vai parecer que a sala vai ter um parque de diversões.”

“É esse o objetivo,” eu disse.

No caminho, o pódio escorregou um pouco. O Martim quase o largava, mas o Rafa apanhou do lado dele.

“Obrigado,” disse o Martim, surpreendido.

“Partilha de força,” respondeu o Rafa.

A Inês piscou o olho para mim. “Isso vale pontos.”

Eu fiz uma anotação imaginária no ar. “Ponto.”

Capítulo 6 — O pódio mais ridículo da história (e a vitória mais esperta)

Na sala, o pódio insuflável começou a encher com um “fffffsssshhh” animado. Ficou maior do que o pódio de caixas e tinha números gigantes: 1, 2 e 3. Parecia pronto para receber campeões de… qualquer coisa.

A nossa mãe apareceu outra vez e parou, boquiaberta. “Então… era isto.”

A Inês falou depressa, como quem apresenta um trabalho: “Foi uma entrega surpresa para os ‘Pequenos Inventores' e nós… montámos uma cerimónia. Na cave estava tudo seguro e arrumado. Quase.”

“Quase?” repetiu a mãe.

O Martim tossiu. “Houve… uma fita-cola rebelde.”

O Rafa completou: “Mas foi neutralizada com tesoura e cooperação.”

A mãe olhou para nós, para o pódio, para os balões com caras desenhadas. Depois soltou uma gargalhada curta, daquelas que começam sérias e acabam a tremer.

“Vocês são impossíveis,” disse ela. “Mas admito: isto está divertido.”

Eu ergui a medalha “Melhor Partilha”, a minha tampa brilhante. “Hora da premiação!”

Nós quatro subimos ao pódio insuflável. O Martim tentou subir direto ao número 1, claro.

“Ei!” disse a Inês, puxando-o para o 2. “Ainda não.”

Eu fiquei no 3, só para mostrar que eu era humilde. (Também porque o 3 estava mais perto do sofá, por segurança.)

O Rafa ficou no 1 por engano, porque estava no meio a segurar um balão e, quando deu por isso, já lá estava.

“Olha,” disse ele. “Foi sem querer.”

“Sem querer é a melhor forma de ganhar,” murmurou o Martim.

Eu levantei a medalha como um apresentador. “Critérios: partilha sem reclamação, partilha criativa, e partilha em situação de fita-cola assassina.”

A mãe cruzou os braços, divertida. “E quem decide?”

“A comissão,” disse a Inês, apontando para nós e para a mãe. “Com direito a voto… e a risos.”

O Rafa levantou a mão. “Eu voto que o Martim merece um prémio por não ter chorado quando ficou preso.”

“Eu não ia chorar,” disse o Martim. “Eu ia… suar pelos olhos.”

A Inês riu. “Eu voto que o Rafa merece por ter partilhado batatas e ideias.”

O Martim apontou para mim. “Eu voto no Tomás, porque ele fez a medalha. Mesmo parecendo uma tampa com… entusiasmo.”

“Eu voto…” eu comecei, olhando para todos. E foi aí que me lembrei: eu tinha feito a medalha para ganhar, sim… mas a tarde tinha sido melhor porque ninguém tentou ficar com tudo.

Eu respirei e disse: “Eu voto… em todos. Porque cada um partilhou alguma coisa: o Rafa partilhou comida e calma, a Inês partilhou organização e regras, o Martim partilhou a tesoura e… sobreviveu à fita.”

O Martim abriu a boca para reclamar, mas fechou. “Isso foi… surpreendentemente simpático.”

A mãe bateu palmas. “Então façam assim: um pódio ridículo com três prémios diferentes.”

A Inês brilhou. “Sim! Medalhas por categorias!”

Eu olhei para a minha única medalha e tive uma ideia rápida, daquelas que fazem “plim!” de novo.

Corri à cozinha, voltei com três tampas: uma de compota, uma de chocolate em pó e uma de mel. Peguei em papel, marcadores, fita, e em cinco minutos — PÁPÁPÁ — fiz três medalhas novas: “Partilha Mais Criativa”, “Partilha Mais Corajosa” e “Partilha Mais Organizada”.

O Rafa assobiou. “Isso é engenhoso.”

“É a nossa especialidade,” disse eu, entregando uma a cada um.

O Martim leu a dele: “Mais Corajosa.” Endireitou o peito. “Sim. Herói da fita-cola.”

A Inês prendeu a dela: “Mais Organizada.” “Finalmente, reconhecimento.”

O Rafa ficou com “Mais Criativa” e sorriu. “Eu aceito, em nome das batatas.”

E eu fiquei… sem medalha.

A mãe inclinou-se e prendeu no meu casaco a medalha original, a primeira, a torta e brilhante: “Melhor Partilha”.

“Tu partilhaste a vitória,” disse ela. “Isso é a melhor parte.”

O Martim fez uma careta que virou sorriso. “Ok. Isso foi fixe.”

A Inês atirou um balão ao ar. “Cerimónia encerrada! Sem tropeçar!”

O Rafa fez “tlim-tlim” com um sininho de balão imaginário. E nós, no pódio insuflável, começámos a rir de novo — um riso de irmãos e amigos, daqueles que fazem a casa parecer maior, mesmo que a sala esteja cheia de balões entusiastas e tampas com glitter.

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Estafeta
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Autocolante
Pedaço de papel ou plástico com cola, que se pega em superfícies.
FRÁGIL
Algo que se parte ou estraga com facilidade, deve ser tratado com cuidado.
Supervisão
Ato de vigiar ou acompanhar uma tarefa para garantir que corre bem.
Insuflável
Objeto que se enche com ar para ficar grande, como um brinquedo ou pódio.
Pódio
Plataforma com degraus onde se põem os vencedores numa cerimónia.
Vénia
Pequeno gesto de respeito, inclinar o corpo ou curvar a cabeça ligeiramente.
Autocontrolo
Capacidade de controlar desejos ou impulsos, antes de agir ou falar.
Prateleiras
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