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História divertida de fraternidade 11 a 12 anos Leitura 15 min.

A medalha da melhor partilha e o cais do silêncio

Tomás e Leonor juntam-se para fabricar uma medalha chamada “Melhor Partilha” e vivem uma aventura cheia de truques silenciosos e risos no cais que os desafia a trabalhar em equipa.

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Dois irmãos de 11 anos: o menino, cabelos castanhos curtos despenteados, camiseta azul-clara com manchas, calças bege, está à esquerda em um pequeno banco de madeira estendendo uma medalha feita de uma tampa velha de pote com sorriso tímido; a menina, cabelos castanhos médios presos com presilha, jaqueta verde, está à direita sentada na beirada do banco com a medalha a meio caminho no pescoço, uma mão segura um pacote de biscoitos e a outra brinca com um cordão preso no cabelo. Local: um antigo cais de madeira à beira-mar ao crepúsculo, tábuas gastas, cordas enroladas, postes pregados, uma gaivota solitária sobre um poste, mar calmo refletindo tons rosa e laranja, uma pequena placa caída com a palavra SILÊNCIO em letras desbotadas. Cena: entrega afetuosa e cômica de uma medalha artesanal, gesto silencioso de partilha, expressões quentes, plano médio, iluminação dourada suave, toques texturizados de pintura acrílica e cores quentes que acentuam a intimidade fraterna e o humor discreto. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

A mãe tinha dito “trabalhem em equipa” com aquela voz que significa “não transformem a sala num ringue”. O Tomás, o mais novo, assentiu com muita seriedade… durante exatamente três segundos.

Ele tinha onze anos, uma caixa de tralhas de bricolage e uma missão secreta: fabricar uma medalha chamada “Melhor Partilha”. Não era para ele, claro. Quer dizer… talvez um bocadinho. Mas principalmente para a Leonor, a irmã, que também tinha onze e achava que “partilhar” era uma palavra bonita para pendurar num dicionário e nunca mais usar.

Tomás abriu a gaveta das coisas importantes: tampas, botões, clipes, um íman torto e uma colher que ninguém sabia de onde veio.

— Preciso de algo brilhante — murmurou.

Leonor apareceu na porta, com os braços cruzados e o ar de quem já tinha decidido discordar.

— O que estás a tramar?

— Uma medalha. Para ti.

— Para mim? — Ela estreitou os olhos. — Isso soa a armadilha.

— Não é armadilha. É… uma homenagem ao teu espírito generoso.

— Hã. O meu espírito generoso chama-se “não mexas nas minhas coisas”.

Tomás levantou uma tampa de frasco como se fosse um tesouro.

— Esta tampa vai ser a base. E vou colar uma fita. E escrever “Melhor Partilha”.

Leonor soltou uma risadinha curta.

— Escreve antes “Melhor a fingir que partilha”.

— Shhh. Isto é uma obra de arte. Obras de arte não aguentam sarcasmo.

Ela deu um passo e, sem pedir licença, apanhou um rolo de fita dourada.

— Esta é minha.

— Então… partilha — disse Tomás, com um sorriso enorme.

Leonor abriu a boca para responder, fechou, e fez aquele barulho que é meio suspiro, meio “não acredito”.

— Dez centímetros. Só.

— Fechado! Equipa! — Tomás estendeu a mão.

Leonor bateu na mão dele como quem está a tirar pó. Mesmo assim, foi um começo.

Capítulo 2

A sala virou oficina. O Tomás colocou a tampa em cima da mesa. Leonor trouxe canetas, mas avisou:

— Se estragares a minha caneta de gel, eu transformo-te numa estátua.

— Com fita-cola?

— Com olhar.

Tomás recortou um pedaço de cartão. Tenta cortar reto, mas a tesoura parecia ter vontade própria: zzzip, zzzap, zzzup.

— Parece um mapa de ilha pirata — comentou Leonor.

— É um design moderno. Chama-se “corte com emoção”.

Eles colaram o cartão à tampa. A cola fez “ploc” e o dedo do Tomás ficou preso.

— Ai! Leonor! Estou oficialmente colado ao meu projeto!

— Isso é poético. Queres que te desenhe bigode enquanto estás aí?

— Ajuda, por favor.

Leonor puxou com cuidado. O dedo soltou com um “póp” que ecoou na sala.

— Pronto. Já podes voltar a ser humano — disse ela.

Tomás pegou na fita dourada e fez um laço. Só que o laço ficou com duas orelhas de tamanhos diferentes, como se a medalha estivesse a ouvir fofocas.

— Está… expressiva — avaliou Leonor, inclinando a cabeça.

— Está a ouvir o universo a dizer: “Partilha!”

Leonor revirou os olhos, mas depois pegou na caneta de gel e escreveu, devagar, letras caprichadas: MELHOR PARTILHA.

— Uau — disse Tomás. — A tua letra é… adulta.

— É a única coisa adulta que eu faço. Não te habitues.

Quando terminaram, a medalha brilhava mais do que devia para uma tampa de frasco. Tomás sentiu orgulho a crescer no peito como um balão.

— Agora precisamos de entregar isto com cerimónia — disse ele. — Uma cerimónia… épica.

Leonor apontou para a janela.

— O pai disse que o cais lá em baixo está vazio hoje. Dá para fazer uma entrada triunfal.

Tomás arregalou os olhos.

— Um cais vazio? Isso é basicamente um palco gigante!

Capítulo 3

No caminho, Tomás pendurou a medalha num cordão improvisado. Leonor carregava a caneta como se fosse um microfone. Desciam a rua e o vento cheirava a água e a algas, aquele cheiro que parece uma sopa do mar.

O cais estava mesmo vazio: tábuas de madeira estaladiças, postes com cordas enroladas e uma gaivota solitária a olhar para eles como se fosse a dona do lugar.

— Bem-vindos ao Teatro do Cais — anunciou Tomás, com voz de apresentador.

Leonor fez uma vénia exagerada.

— Senhoras e senhores inexistentes, preparem-se.

Tomás subiu a um banco baixo e pigarreou. “Ahem! AHEM!” A gaivota virou a cabeça, ofendida.

— Hoje — começou ele — vamos premiar a pessoa mais… mais… — ele hesitou, porque a frase estava a fugir — mais capaz de partilhar!

Leonor sussurrou:

— Diz “generosa”.

— Isso. Generosa! — Tomás ergueu a medalha. — A Leonor!

Leonor abriu os braços, como se esperasse aplausos de uma multidão invisível. Só se ouviu: “crrr” de um pedaço de madeira e “piu” da gaivota, que não parecia impressionada.

— Obrigada, obrigada — disse Leonor, com ar dramático. — Prometo partilhar… ocasionalmente.

Tomás desceu do banco e tentou pendurar a medalha no pescoço dela. Só que o nó do cordão ficou preso no cabelo.

— Ai! Tomás, estou a ser sequestrada por uma tampa de frasco!

— Calma! Eu tenho experiência em resgates… mais ou menos.

Ele puxou. O cabelo puxou de volta. Leonor fez uma careta.

— Isso dói!

Tomás parou, assustado.

— Desculpa! Ok, estratégia nova: tu ficas quieta e eu não entro em pânico.

— Boa sorte com a segunda parte.

Eles riram, baixinho, enquanto tentavam desembaraçar o cordão. Foi aí que uma rajada de vento passou pelo cais como um corredor apressado.

“FUUUUSH!”

Algo branco voou do alto de um poste e desceu em espiral, muito devagar, como uma folha com planos próprios.

— O que é aquilo? — perguntou Tomás.

A coisa branca caiu entre eles com um “PÁ!” seco.

Era uma placa de papel plastificado, presa por um fio partido, com letras grandes: SILÊNCIO.

Leonor leu em voz alta, mas logo tapou a boca como se a placa tivesse superpoderes.

— Silêncio… — sussurrou. — O cais quer que a gente… cale.

Tomás piscou.

— Mas nós estamos num cais vazio. Quem é que se queixa?

A gaivota respondeu com um “KRAAA”, como se dissesse: “eu”.

Capítulo 4

A placa de “SILÊNCIO” ficou no chão, a acusar os dois como um professor chato.

Tomás fez um gesto teatral e levou o dedo aos lábios.

— Shhh. A partir de agora, somos… ninjas do barulho.

Leonor tentou rir, mas lembrou-se da placa e transformou a risada num som esquisito, tipo “hihih—”.

— Isto vai ser impossível — sussurrou ela.

Tomás apontou para a medalha, ainda meio presa no cabelo dela.

— Missão: terminar a cerimónia sem fazer barulho. Se conseguirmos, és oficialmente a Melhor Partilha… e Melhor Silêncio.

Leonor lançou-lhe um olhar de desafio.

— Eu consigo. Tu é que não.

Tomás levantou as mãos como quem diz “eu sou a calma em pessoa”, mas o cotovelo bateu sem querer num poste. “TÓC!”

Os dois congelaram.

A gaivota inclinou a cabeça, julgadora.

Leonor apontou para a placa no chão e fez um gesto de “viu?”. Tomás encolheu os ombros e, sem falar, mimou “foi sem querer”.

Eles começaram a comunicar por gestos. Tomás fazia mímica de tesoura para pedir ajuda com o nó. Leonor respondeu com uma mímica de “não tenho tesoura aqui, génio”.

Tomás pegou então numa pontinha do cordão e tentou soltá-lo com dedos cuidadosos. A medalha balançou e fez “tlim”. Tomás arregalou os olhos, como se tivesse tocado numa campainha proibida.

Leonor abanou a cabeça, mas o sorriso escapou. Era difícil ficar zangada quando o irmão parecia um pinguim nervoso.

Para evitar o “tlim”, Tomás envolveu a medalha com a própria mão, como se estivesse a abafar um passarinho.

Leonor fez sinal de “espera” e apanhou a placa de “SILÊNCIO”.

Ela teve uma ideia. Escreveu no verso com a caneta de gel: “CERIMÓNIA EM MODO MUITO BAIXINHO”.

Mostrou ao Tomás.

Ele mordeu o lábio para não rir. Um “pffff” quase saiu.

Leonor fez cara de “aguenta” e apontou para o banco.

Tomás subiu outra vez, agora sem pigarrear, e começou a apresentar tudo em gestos: braços abertos, reverência, mão ao coração. Parecia um maestro a comandar uma orquestra imaginária de peixes.

Leonor respondeu com uma vénia ainda maior e… escorregou numa tábua húmida.

“OOP!”

Ela conseguiu recuperar o equilíbrio, mas a placa de “SILÊNCIO” voou da mão e aterrissou no banco com um “PÁ!” maior do que antes.

Os dois taparam a boca ao mesmo tempo. A gaivota deu um salto, escandalizada, e gritou:

— KRAAA!

Tomás e Leonor olharam um para o outro. E, apesar do “SILÊNCIO”, começaram a rir sem som, aqueles risos que fazem a barriga tremer e as lágrimas aparecerem.

Capítulo 5

Entre risos mudos, eles decidiram: a placa tinha sido promovida a “juíza oficial” da cerimónia.

Tomás pegou nela com respeito exagerado e colocou-a encostada ao banco, como se fosse uma pessoa séria a assistir.

Leonor, ainda com o cordão preso no cabelo, fez um gesto de “vamos acabar com isto antes que eu fique careca”.

Tomás finalmente encontrou o nó e, com um puxão delicado, soltou o cordão. O cabelo da Leonor ficou em pé num lado, como uma antena.

Ela apontou para a própria cabeça e fez cara de horror.

Tomás fez um gesto de “estás ótima”, mas os ombros dele começaram a tremer de riso.

Leonor aproximou-se, ameaçadora em silêncio, e deu-lhe um empurrãozinho.

Tomás tropeçou para trás e… caiu sentado.

“PLOF!”

Os dois congelaram outra vez. O som ecoou no cais vazio como um tambor.

A gaivota olhou, ultrajada, e foi embora com um bater de asas “flap-flap”, como quem diz “isto aqui já não tem nível”.

Leonor levou as mãos à cabeça e depois apontou para a placa, como se pedisse desculpa ao mundo. Tomás levantou-se devagar, sacudindo as calças, e fez um gesto de “ok, chega”.

Ele pegou na medalha, respirou fundo e, desta vez, colocou-a no pescoço da Leonor com cuidado. O cordão assentou direitinho.

Leonor olhou para a medalha. As letras brilhavam. Ela tocou na tampa, orgulhosa.

Tomás apontou para as palavras “Melhor Partilha” e depois apontou para eles dois.

— Equipa — sussurrou, tão baixinho que parecia segredo.

Leonor assentiu e, num gesto inesperado, tirou do bolso um pacote pequeno de bolachas.

Tomás arregalou os olhos, como se tivesse visto um unicórnio.

Leonor estendeu o pacote.

— Partilha — disse ela, com um sorriso.

Tomás pegou numa bolacha com cuidado, como se fosse um objeto sagrado.

— Uau. Isto merece… aplausos silenciosos.

Eles bateram palmas sem som, só com as mãos a encostar de leve: “tap… tap… tap…”.

Depois sentaram-se lado a lado no banco, a comer bolachas e a olhar a água a mexer-se lá em baixo, como um lençol azul a respirar.

Capítulo 6

No regresso a casa, o vento seguia atrás deles, curioso. A medalha pendia no peito da Leonor e fazia um “tlim” pequenino de vez em quando, como se não soubesse fazer silêncio.

— Se a placa pudesse falar, o que diria agora? — perguntou Tomás.

Leonor pensou.

“Finalmente.”

Tomás riu.

— Acho que diria “SILÊNCIO”… mas com mais drama.

Chegaram à porta do prédio. Leonor parou e olhou para a medalha.

— Sabes… ficou gira. Para uma tampa de frasco.

— Obrigado. Eu sou um artista incompreendido.

Leonor tirou a medalha e colocou-a no pescoço do Tomás.

— Hoje foste tu que partilhaste o teu tempo e a tua paciência comigo. Ficas com ela até amanhã.

Tomás piscou, surpreendido.

— A sério?

— A sério. Mas só até amanhã — acrescentou ela, a tentar manter a pose.

— Equipa — repetiu Tomás, satisfeito.

Dentro de casa, a mãe olhou para os dois, desconfiada do silêncio raro.

— Então? Correu bem lá fora?

Tomás e Leonor trocaram um olhar rápido. Ao mesmo tempo, levaram o dedo aos lábios.

— Shhh — disseram os dois.

A mãe arqueou uma sobrancelha.

— O que se passa?

Tomás apontou para a medalha e sussurrou:

— Estamos… em modo cais.

A mãe riu e falou baixo, a brincar:

— Ah, sim? Então vamos ver se conseguem manter esse “modo” enquanto arrumam os sapatos.

Tomás e Leonor olharam para os sapatos espalhados no corredor. A tarefa parecia impossível… mas eles eram uma equipa agora.

Começaram a arrumar em silêncio, concentrados. Só que, quando Tomás levantou um ténis, uma coisa caiu lá de dentro com um “plim”.

Era a caneta de gel da Leonor.

Ela arregalou os olhos, horrorizada, e sussurrou com intensidade:

— A MINHA caneta!

Tomás pegou nela com cuidado e devolveu, como se estivesse a entregar uma relíquia.

— Partilha? — sussurrou ele, tentando ser sério.

Leonor apertou a caneta contra o peito, fez uma pausa dramática e depois colocou-a, solenemente, no bolso dele.

— Dez minutos — disse ela. — Só dez.

Tomás ficou imóvel, como se tivesse acabado de ganhar um prémio ainda maior. E, sem querer, a medalha no pescoço fez um “tlim” baixinho.

Os dois taparam a boca e riram em silêncio outra vez, enquanto a mãe, lá do fundo, perguntava:

— Porque é que vocês estão a tremer?

Tomás respondeu o mais baixinho possível:

— É… espírito de equipa, mãe. Faz cócegas.

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"trabalhem em equipa"
Uma frase que significa trabalhar juntos, ajudando-se uns aos outros.
Bricolage
Trabalhos manuais para consertar ou fazer coisas em casa, com ferramentas simples.
Cordão improvisado
Um fio ou corda feito de forma rápida, com materiais que se têm à mão.
Vénia
Um gesto de respeito, curvar-se ou inclinar levemente o corpo.
Cerimónia
Um evento formal com regras, feito para celebrar algo importante.
Rajada
Uma forte e rápida passagem de vento por um curto momento.
Estaladiças
Que estala ou faz sons secos quando se pisa ou move, como madeira velha.
Mímica
Representar algo com gestos e expressões, sem falar, para explicar ou contar.

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