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História de Aniversário 11 a 12 anos Leitura 22 min.

O coelho Lupi e a caça às estrelas do aniversário

Lupi, o coelho aniversariante, parte com os amigos Tuca e Zico pela Floresta dos Sussurros para recolher estrelas e superar desafios que só se vencem com amizade, coragem e criatividade.

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O personagem principal é um coelho antropomórfico chamado Coelho Lupi, orelhas erguidas, pelagem creme, pequeno laço azul na cauda, sorriso de olhos em meia-lua, mãos estendidas sobre um bolo de cenoura redondo com estrelas como velas que ele apaga, formando um nuvem dourada de brilhos e confetes; à esquerda, a tartaruga sábia Tuca, carapaça verde e sacola de onde saem estrelas, está um pouco atrás; à direita, o esquilo brincalhão Zico, pelagem ruiva, com uma colher pronto para aplaudir; convidados em semicírculo: uma coruja de óculos, um texugo e uma lontra, todos simples e sorridentes; cena numa clareira com chão coberto de folhas, lanternas de vaga-lumes, troncos arredondados e céu crepuscular violeta-rosa; momento mágico, atmosfera calorosa e festiva, cores pastéis, traços nítidos e formas arredondadas. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O laço no rabo e o mapa escondido

No dia do seu aniversário, o Coelho Lupi acordou com o sol a fazer cócegas nas orelhas. Tinha um laço azul amarrado no rabo (ideia dele, claro) e um sorriso tão grande que parecia querer saltar para fora da cara.

— Hoje vou espalhar confetes como se fossem sementes de alegria! — anunciou ao espelho do lago.

A Tartaruga Tuca já o esperava à porta do toco-casa, com uma lista pendurada no pescoço.

— Aniversário dá trabalho — disse ela, séria. — Falta encher as lanternas de pirilampos, pendurar as fitas e… impedir o Esquilo Zico de comer metade do bolo antes da hora.

Como se fosse invocado pelo nome, o Zico apareceu com a boca cheia de migalhas invisíveis.

— Eu? Comer o bolo? Que ideia. Só vim… cheirar a farinha do ar — disse, com um ar inocente que não convencia nem uma pedra.

O Lupi riu, aquele riso que aquece por dentro.

Foi então que um vento leve virou a página da lista da Tuca e fez cair um papel dobrado, amarelo e brilhante, como se tivesse sido guardado dentro de um raio de lua. O Lupi apanhou e abriu. Era um mapa, desenhado a lápis e purpurina, com uma frase escrita em letras tortas:

“Para o aniversariante corajoso: recolhe estrelas antes do pôr do sol. Cada estrela vai acender uma vela.”

— Estrelas? Mas… as estrelas estão no céu! — o Zico arregalou os olhos.

— Ou talvez não todas — murmurou a Tuca, a testar a ideia com a ponta do casco.

O mapa apontava para a Floresta dos Sussurros e marcava um caminho com pequenos pontos que pareciam… confetes.

O Lupi endireitou o laço no rabo, respirou fundo e sorriu ainda mais.

— Se é para acender velas e fazer festa, vamos trabalhar em equipa. E depressa! — disse. — Eu levo os confetes. Vocês levam… coragem extra.

— Eu levo uma mochila — disse a Tuca. — Coragem extra ocupa espaço.

— Eu levo um apetite de emergência — completou o Zico, e todos fingiram que não ouviram.

E lá foram, com o mapa a brilhar entre as patas do Lupi como uma promessa bem embrulhada.

Capítulo 2 — Confetes que não caem, dançam

A Floresta dos Sussurros era fresca e cheirava a pinho e a aventura. As árvores pareciam inclinar-se para ouvir melhor, e o chão tinha folhas tão secas que faziam “cric-cric” como pipocas.

O Lupi abriu o seu saco de confetes. Eram confetes especiais, cortados em formas de cenouras, estrelas e pequenos chapéus de festa. Ele adorava espalhá-los porque, por um instante, o mundo ficava mais leve.

— Agora! — disse ele, e atirou um punhado para o ar.

Mas os confetes não caíram. Ficaram a flutuar como se tivessem decidido aprender a nadar no vento. Formaram uma seta brilhante, apontando para a esquerda.

— Olhem! — a Tuca aproximou-se, desconfiada. — Confetes com sentido de orientação?

— Os meus confetes são muito educados — disse o Lupi. — Sabem o caminho para a diversão.

O Zico tentou apanhar um confete com a língua, por pura curiosidade científica.

— Não são comestíveis — avisou a Tuca.

— Eu não ia comer! Ia… provar o vento — respondeu o Zico, de repente muito interessado num tronco qualquer.

Seguiram a seta de confetes até uma clareira onde uma pedra grande parecia ter olhos. Na verdade, tinha mesmo: dois riscos escuros que se abriram devagar.

— Quem espalha confetes no meu caminho? — perguntou a pedra, com voz de quem acordou de uma sesta de cem anos.

O Lupi deu um passo à frente, sem perder o sorriso.

— Eu! Sou o Lupi. É o meu aniversário. Preciso de recolher estrelas para acender velas.

A pedra piscou. Um musgo caiu-lhe do queixo.

— Hm. Estrelas… faz tempo que não vejo uma a passear por aqui. Mas talvez… — A pedra inclinou-se e, no chão, apareceu uma pequena fenda como uma boca a sorrir. — Só passam se resolverem o meu desafio: atravessar a Ponte do Riso sem cair no “plof”.

— Plof? — repetiu o Zico, já a imaginar água fria no rabo.

Do lado da clareira havia uma ponte de cipós finos por cima de um charco. A ponte balançava como uma ideia mal presa.

— O truque — disse a pedra — é atravessar sem deixar o medo falar mais alto. E sem empurrões. A floresta não gosta de gente apressada.

— Não há gente aqui — resmungou o Zico.

— Há apressados — corrigiu a pedra.

O Lupi olhou para os amigos.

— Em equipa. Um de cada vez, mas juntos.

A Tuca foi primeiro, devagar e firme, a mochila a fazer “toc-toc” no casco. O Lupi seguiu, espalhando confetes a cada passo, como se marcasse um ritmo alegre: plim, plim, plim. Os confetes dançavam ao lado deles, como um coro.

O Zico foi o último e, para se acalmar, começou a contar piadas baixinho.

— O que é um bolo que conta segredos? Um… bolo fofoqueiro! — disse ele, e riu sozinho, quase escorregando com o próprio riso.

— Menos teatro, mais pata — chamou a Tuca.

Chegaram ao outro lado sem um único “plof”. A pedra fechou os olhos, satisfeita.

— Podem passar. E levem isto: um Frasco de Brilho de Risada. Pode ser útil quando o céu estiver emburrado.

O Lupi pegou no frasco. Dentro, luzinhas saltavam como gargalhadas engarrafadas.

— Obrigado! — disse ele. — Prometo espalhar confetes… com respeito.

— Espalha com alegria — respondeu a pedra. — É o que a floresta mais precisa.

E o mapa, entre as patas do Lupi, brilhou mais uma vez.

Capítulo 3 — A primeira estrela e o saco teimoso

O caminho ficou mais estreito, cheio de raízes que pareciam braços a querer fazer rasteiras simpáticas. O mapa indicava um ponto perto de um carvalho velho.

Quando chegaram, viram algo impossível e, ao mesmo tempo, muito claro: uma estrela pequena estava presa num ramo baixo, como se tivesse caído do céu e ficado envergonhada.

Brilhava, mas tremia.

— Olá… — disse o Lupi, com voz suave. — Viemos buscar-te para uma festa. Não para te prender.

A estrela piscou, desconfiada. Um brilho caiu como poeira dourada.

A Tuca aproximou-se.

— Se puxarmos com força, partimos o ramo. Se abanarmos, ela pode cair no chão e apagar.

— E se eu subir? — sugeriu o Zico, já a pensar na glória. — Eu subo rápido.

— Rápido demais — disse a Tuca. — Isto pede cuidado.

O Lupi abriu o saco de confetes e atirou um punhado para cima, bem devagar. Os confetes subiram e, em vez de se espalharem, formaram uma pequena rede brilhante, como um lençol de festa no ar.

— Boa! — disse o Zico. — Confetes a fazer trabalho de equipa. Quem diria.

O Lupi colocou-se debaixo da estrela e falou com ela como se falasse com um convidado tímido.

— Podes cair aqui, está bem? É macio. É confete de aniversário, não é confete de segunda-feira.

A estrela pareceu rir em silêncio. Depois, soltou-se do ramo e desceu, balançando, até pousar na rede de confetes. O brilho aumentou, como se tivesse tomado coragem.

— Consegui! — o Lupi pegou nela com cuidado. Era leve e morna, como pão acabado de fazer.

Ele colocou a estrela dentro da mochila da Tuca, num bolso forrado com folhas.

E aí começou o problema.

A mochila… decidiu não abrir mais.

A Tuca puxou o fecho. Nada. Bateu de leve. Nada. Falou com voz de autoridade.

— Mochila, abre.

A mochila fez um som que parecia “hmph”.

— Está com atitude — disse o Zico, ofendido, como se só ele tivesse direito a isso.

O Lupi abanou as orelhas, pensativo.

— Talvez a mochila esteja a proteger a estrela. Ou… está a pedir uma palavra mágica.

— Palavra mágica? — a Tuca suspirou. — Não temos tempo para adivinhas.

O Lupi lembrou-se do Frasco de Brilho de Risada. Abriu-o um bocadinho. Uma risadinha saltou e fez cócegas no ar.

O Zico começou a rir sem querer.

— Parem! — disse ele, a rir mais. — Estou a rir e nem sei porquê!

A Tuca tentou manter a postura, mas o casco tremia.

O Lupi deixou as risadas passearem à volta da mochila.

— Estamos a pedir, por favor… com alegria — disse ele.

A mochila, como se não aguentasse a boa disposição, abriu-se de repente. “Ziiiip!”

— Vês? — disse o Lupi. — Até as coisas teimosas cedem quando a equipa fala a mesma língua.

— A língua do riso — disse o Zico, limpando uma lágrima de tanto rir. — Gosto dessa.

A primeira estrela estava segura. No mapa, o próximo ponto apareceu sozinho, como se alguém estivesse a desenhar por dentro do papel.

E o sol, lá em cima, começou a descer devagar, lembrando-os de que a festa não espera… mas também não corre.

Capítulo 4 — O vento roubador e o plano de três passos

Mais à frente, o ar mudou. Ficou frio e apressado, como um vento que não sabe brincar. As folhas rodopiavam de um lado para o outro, e os confetes do Lupi começaram a fugir do saco, puxados por uma corrente invisível.

— Ei! Voltem aqui! — o Lupi tentou segurar, mas o vento era atrevido.

Um redemoinho formou-se à frente deles, com um assobio desafinado.

— Uuuuh! Confetes! Brilho! Estrelas! Tudo meu! — disse o vento, com voz de travessura.

— Um vento que fala… — o Zico sussurrou. — Isto está a ficar oficialmente estranho.

O redemoinho deu uma volta e tentou puxar a mochila da Tuca.

— Nem penses! — a Tuca agarrou as alças com força. — Já levo uma estrela e uma responsabilidade.

O Lupi respirou fundo. O sorriso continuava lá, mas agora era um sorriso de coragem.

— Senhor Vento — disse ele, com educação. — Os confetes são para a minha festa. E as estrelas são para as velas. Pode brincar connosco, mas não pode roubar.

— Roubar? Eu só… recolho o que o ar me dá! — o vento respondeu, ofendido, e aumentou a força.

Os confetes começaram a voar como pássaros assustados.

O Lupi virou-se para os amigos.

— Plano de equipa. Três passos. Tuca, âncora. Zico, distração. Eu, confetes.

— Eu gosto quando o meu papel é “distração” — disse o Zico, já a aquecer as bochechas.

A Tuca plantou-se no chão como uma rocha com patas.

— Podem contar comigo. Literalmente: um, dois, três… — disse ela, pronta.

O Zico deu um salto e começou a cantar, alto e ridículo, uma canção inventada:

“Ó vento, ó vento, tens nariz de pimento! Se sopras demais, vais fazer… atchim!”

O vento parou um instante, confuso.

— Eu… eu não tenho nariz — disse ele, indignado.

— Tens sim, em forma de assobio! — insistiu o Zico, e fez cócegas no ar com uma folha.

Enquanto o vento discutia sobre o próprio nariz, o Lupi atirou confetes para o chão, em círculo, criando uma espécie de pista brilhante. Depois, abriu o Frasco de Brilho de Risada e libertou só um pouco.

As risadas misturaram-se com os confetes e começaram a girar… mas para dentro, como se chamassem o vento para dançar numa roda.

— O quê? Não! Eu não danço roda! Eu sou… eu sou livre! — protestou o vento, mas já estava preso numa dança que ele próprio alimentava.

A Tuca, firme, segurou a mochila e estendeu a pata.

— Agora, Lupi!

O Lupi falou com voz clara:

— Vento, se queres brincar, vem à festa. Mas para isso precisas de aprender uma regra: partilhar.

O vento desacelerou. O redemoinho ficou menor, como um caracol a encolher.

— Festa? Com… comida? — perguntou, de repente tímido.

O Zico abriu os braços.

— Comida e piadas. Mas nada de roubar o bolo antes de cantar parabéns. Isso é o meu… quer dizer, é proibido.

O vento soltou um “pfff” que parecia um suspiro.

— Eu… posso ajudar a levar confetes para o alto? Só um bocadinho? — pediu ele.

O Lupi sorriu.

— Pode. Em troca, devolve os confetes e promete soprar as velas no fim… quer dizer, ajudar a soprar, quando eu pedir.

— Combinado! — disse o vento, agora mais brisa do que tempestade.

Os confetes voltaram ao saco, obedientes, e um caminho de folhas levantadas apontou para o próximo ponto do mapa.

— Vês? — a Tuca disse baixinho. — Trabalho em equipa até com o vento.

— Principalmente com o vento — completou o Lupi. — Ele espalha as coisas… mas também pode espalhar a alegria.

Capítulo 5 — A chuva de estrelas e a escada impossível

O mapa levou-os até ao Campo do Espelho, uma lagoa tão lisa que parecia uma página de vidro. O céu estava a ficar cor-de-laranja, e o tempo começava a apertar como um nó.

No meio do campo havia uma colina baixa e, no topo, uma velha escada de corda pendurada… sem árvore, sem poste, sem nada.

— Escada para onde? — perguntou o Zico.

— Para cima — disse a Tuca, como se isso explicasse tudo.

O Lupi aproximou-se da escada. No primeiro degrau, havia uma inscrição brilhante: “Só sobe quem sobe junto.”

— Quer dizer que não dá para subir um de cada vez? — o Zico fez uma careta. — Isso parece… exercício.

— Parece equipa — corrigiu o Lupi.

Eles seguraram a escada: a Tuca de um lado, o Zico do outro, o Lupi no meio. Quando puxaram ao mesmo tempo, a escada esticou-se e ficou firme, como se tivesse esperado por três forças diferentes.

— Agora! — disse o Lupi.

Subiram juntos, degrau a degrau, sincronizados. Se um acelerava, a escada abanava. Se um hesitava, ela amolecia.

— Ritmo, Zico — avisou a Tuca.

— Eu tenho ritmo! Só que o meu ritmo é… criativo — respondeu ele, tentando não olhar para baixo.

No alto, a escada não levava a um lugar comum, mas a uma espécie de varanda de ar, onde pequenas luzes flutuavam, como vaga-lumes com sonho de estrela.

E então aconteceu: uma chuva suave de estrelas pequenas começou a cair do céu… mas devagar, como folhas luminosas.

O Lupi abriu o saco de confetes e atirou-os para cima. Os confetes transformaram-se em mini-guarda-chuvas brilhantes, segurando as estrelas para que não se apagassem ao tocar no chão.

— Rápido, recolham! — disse ele, animado.

A Tuca abriu a mochila, agora obediente, e o Zico, com as patas ágeis, apanhava estrelas no ar.

— Esta tem cara de quem acordou tarde — disse o Zico, segurando uma estrela que piscava preguiçosa.

— E esta parece muito séria — disse a Tuca, guardando outra.

O vento-brisa, que os tinha seguido, soprou com cuidado, empurrando as estrelas na direção deles como quem passa bolas num jogo.

— Estou a ajudar! Estou a ajudar! — assobiou o vento, orgulhoso.

— Está a ajudar, sim — disse o Lupi. — Mas sem fazer penteados malucos nas nossas orelhas, por favor.

O vento fez um sopro tímido, e as orelhas do Lupi ficaram só… um pouco mais espetadas.

Quando a chuva de estrelas parou, eles contaram: tinham o suficiente para todas as velas do bolo — e mais duas, “para o caso de alguém fazer desejos repetidos”, segundo o Zico.

Desceram a escada juntos, mais seguros, como se cada degrau tivesse treinado a amizade.

Lá em baixo, o céu já estava quase roxo. Era hora de voltar para a clareira da festa.

Capítulo 6 — A festa, os desejos e as velas sopradinhas

A clareira do aniversário estava enfeitada com fitas de folhas, lanternas de pirilampos e um bolo enorme de cenoura com cobertura de mel silvestre. Os convidados — Coruja Ada, Texugo Téo, Lontra Lina e até a Pedra Sonolenta (que tinha rolado um bocadinho para mais perto) — esperavam com olhos curiosos.

Quando o Lupi apareceu, a floresta inteira pareceu sorrir com ele.

— Encontraste as estrelas? — perguntou a Coruja Ada, ajustando os óculos feitos de duas gotas de resina.

A Tuca abriu a mochila, e as estrelas saíram em fila, como se soubessem que tinham uma missão importante. Flutuaram até ao bolo e pousaram, uma por uma, em cima das velas apagadas.

E as velas acenderam-se sozinhas, com chamas pequenas e douradas, como se cada uma guardasse um pedacinho de céu.

— Uau… — disse a Lontra Lina. — Isto é melhor do que fogo de artifício. E não molha.

— Ainda bem — murmurou o Zico, que não gostava de ficar com o pelo colado.

O vento-brisa deu uma voltinha por cima da mesa, espalhando confetes com delicadeza, como um garçom invisível. O Lupi pegou no saco e, com gesto largo, repartiu confetes por todos: um punhado para a Coruja, outro para o Texugo, um para a Pedra (que ficou com confete no “nariz” e pareceu satisfeita).

— Para a equipa toda — disse o Lupi. — Sem vocês, eu não tinha conseguido.

A Tuca cruzou os braços, mas os olhos brilhavam.

— A equipa funciona quando cada um faz a sua parte. Até o Zico.

— Ei! Eu fui fundamental! Eu cantei para um vento e não morri de vergonha — disse o Zico, e isso arrancou risos.

O Lupi subiu num tronco baixo para falar, com as orelhas bem altas, como bandeiras de alegria.

— Hoje aprendi que coragem não é ir sozinho. É ir com amigos, ouvir, esperar, ajudar e pedir ajuda. E que até um vento pode aprender a partilhar.

O vento assobiou, vaidoso, e alguém disse:

— Bravo!

Chegou o momento. Todos se juntaram em volta do bolo. As velas-estrelas tremeluziam, esperando.

— Faz um desejo, Lupi! — pediu a Lontra.

O Lupi fechou os olhos. Pensou na equipa, nos confetes que dançavam, nas estrelas que confiaram neles, na mochila teimosa que afinal só queria proteção, e na brisa que agora era amiga.

Ele abriu os olhos, sorrindo.

— O meu desejo é simples: que a nossa floresta tenha sempre festas onde ninguém fica de fora.

— E onde o bolo não desaparece misteriosamente — acrescentou a Tuca, olhando para o Zico.

— Eu nem sei o que é “misteriosamente” — respondeu o Zico, muito depressa, escondendo uma colher.

O Lupi inclinou-se para o bolo.

— Um… dois… três!

E soprou.

O vento ajudou com um sopro pequenino, comportado, só o necessário. As chamas douradas apagaram-se ao mesmo tempo, como se tivessem entendido a regra do jogo.

Por um segundo, o escuro ficou doce. Depois, as estrelas subiram do bolo e foram para o céu, voltando ao lugar delas, deixando um rasto brilhante como uma assinatura de aniversário.

E a clareira encheu-se de confetes, risos e abraços de animais, numa festa quente e segura — daquelas que ficam guardadas, muito tempo, no bolso secreto da memória.

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Aniversariante
A pessoa que faz anos e é o centro da festa nesse dia.
Purpurina
Pó brilhante usado para enfeitar, que brilha com pequenas luzes.
Clareira
Lugar aberto numa floresta onde não há muitas árvores.
Charco
Pequena poça de água no chão, muitas vezes lamacenta.
Cipós
Ramos finos e flexíveis que crescem em árvores e podem pendurar.
Musgo
Planta macia e verde que cresce em pedras e troncos úmidos.
Fenda
Rachadura ou abertura estreita numa pedra ou no chão.
Redemoinho
Movimento giratório de vento ou água que forma um turbilhão.
Vento-brisa
Vento leve e suave, aqui descrito como uma brisa amiga.
Pirilampos
Insetos que brilham à noite e parecem lâmpadas pequenas.

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