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Fantasia espacial 11 a 12 anos Leitura 21 min.

O arco rúnico e o mapa vivo

Duarte, especialista do Alvéolo, atravessa uma rutura subespacial e, no outro lado, junta-se a Kiro para aprender a usar runas e tentar estabilizar as rotas que ligam os seus mundos.

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Homem adulto (Duarte) determinado e maravilhado, cabelo curto castanho, jaqueta aço com talismãs no cinto, segura um globo luminoso flutuante (Mapa Vivo) que projeta uma linha de luz; menino (Kiro), ~12 anos, curioso e orgulhoso, cabelo preto preso em coque, túnica curta com bracelete luminoso, traça runas douradas no ar; mulher idosa (Anciã Maela), ~60 anos, vestido cobre com gravuras rituais, gentil e surpresa, observa ao fundo junto a um guarda; local: grande praça circular pavimentada com circuitos rúnicos azuis e dourados, colunas metálicas e cristais, teto de vidro com estrelas passando lentamente; ao centro um grande arco rúnico de metal e cristal pulsando luz violeta e dourada; cena: Duarte e Kiro ativam o arco para abrir uma passarela luminosa entre mundos projetada pelo Mapa Vivo em direção ao Corredor das Docas, atmosfera de tensão alegre com poeira estelar e faíscas; estilo: cores vivas, traços nítidos e contornos suaves, expressões calorosas e ligeiramente exageradas, luz brilhante nos cristais, ambientação space-fantasy acolhedora. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O mapa que sussurrava

A Nave-Habitat Alvéolo girava devagar no escuro, como um favo de mel feito de metal e luz. Cada módulo encaixava no outro com estalos suaves, e por baixo das placas, circuitos rúnicos brilhavam em linhas finas, como veias de um gigante adormecido.

Duarte Sarmento, especialista em reconhecimento subespacial, caminhava pelo Corredor das Janelas com a prancheta luminosa encostada ao peito. Falava sozinho — e com a nave, e com o próprio mapa — porque o silêncio do espaço era bom, mas uma conversa era melhor.

“Vamos lá, minha beleza… mostra-me o que escondes hoje.”

O Mapa Vivo pairou diante dele, uma esfera de vidro azulada cheia de pontos, fios e marés invisíveis. Duarte mexeu os dedos e o mapa respondeu com um zumbido, desenhando rotas em espirais. A cada atualização, os circuitos rúnicos das paredes tremeluziam, como se ficassem com ciúmes de não serem o centro das atenções.

— Duarte! — chamou uma voz pelo comunicador preso à gola. — O Conselho de Módulos quer a tua presença. Agora.

Duarte fez uma careta para o mapa.

“Desculpa, amigo. Dever cívico. Prometo que voltamos à parte divertida.”

No caminho, passou por um jardim pressurizado onde algas brilhantes faziam bolhas de ar. Uma criança tentava apanhar uma delas com uma rede e falhava sempre, rindo. Duarte acenou e seguiu, sentindo aquela mistura de maravilha e responsabilidade que só uma casa nas estrelas conseguia dar.

Na Sala do Núcleo, os anciãos do Alvéolo estavam reunidos em torno de um monólito de cobre. A superfície do monólito tinha runas e pequenos painéis digitais, como se um feiticeiro e um engenheiro tivessem construído o mesmo objeto sem discutir.

— Há uma anomalia subespacial — disse a Anciã Maela, olhos atentos. — Está a nascer perto do setor das Docas, na rota do corredor de abastecimento. Se crescer, pode distorcer as nossas ligações.

Duarte endireitou-se, animado e preocupado ao mesmo tempo.

— Uma anomalia a nascer aqui? Isso é… raro. E um bocadinho mal-educado.

Maela não sorriu, mas os outros quase. Ela apontou para o monólito, que projetou um redemoinho escuro no ar.

— Precisamos que atualizes o mapa e descubras a origem. Leva o teu kit rúnico. E, Duarte… tem cuidado. Há coisas no subespaço que não gostam de ser observadas.

Duarte piscou.

— Observadas? Eu sou literalmente pago para observar. Mas sim, cuidado. Prometido.

Quando saiu, o Mapa Vivo vibrou como se tivesse ouvido tudo. E, por um segundo, Duarte jurou que o redemoinho projetado tinha piscado para ele.

Capítulo 2 — A ferida no corredor de luz

As Docas eram uma boca aberta para o nada. Dali saíam cápsulas, drones e, às vezes, corajosos em missões rápidas. A anomalia aparecia no visor de Duarte como uma mancha de tinta numa folha perfeita.

Ele prendeu o arnês, encaixou o kit de reconhecimento no cinto e tocou na parede. As runas acenderam-se sob a sua mão, reconhecendo-o como alguém de casa.

— Então, Alvéolo, vamos ver onde estás com comichão — murmurou.

O corredor de manutenção até ao ponto exato era estreito, cheio de cabos e placas com símbolos antigos. Ao aproximar-se, o ar ficou mais frio, como se a temperatura tivesse decidido fazer uma birra. O som também mudou: um assobio baixo, quase como uma flauta muito distante.

Duarte ativou o Mapa Vivo. A esfera projetou linhas que tremiam.

— Estás nervoso? Eu também.

E então viu: uma fenda no espaço, do tamanho de uma porta, flutuando entre dois suportes metálicos. Não era um buraco normal. Era como se alguém tivesse rasgado um pano invisível e, por trás, houvesse um mar roxo, cheio de faíscas.

Duarte aproximou a mão… e parou.

— Regra número um do Duarte: não tocar em coisas que parecem morder.

Mesmo assim, o kit rúnico no cinto vibrou. As runas gravadas nas peças metálicas começaram a girar, como engrenagens encantadas. Um painel digital apitou, confuso, como se não soubesse se estava a medir magia ou radiação.

Do outro lado da fenda, uma sombra passou. Não uma sombra de alguém. Uma sombra como a de um pássaro feito de névoa.

Duarte engoliu em seco.

— Ok. Regra número dois: se a coisa olhar para ti, finge que estás só a passear.

Ele recuou e falou para o comunicador:

— Anciã Maela, encontrei a “ferida”. Não é só distorção. Parece… um portal. E tem movimento do outro lado.

A resposta veio com estática.

— Duarte, afasta-te imediatamente.

Mas o Mapa Vivo fez algo estranho. Uma linha de luz saiu da esfera e apontou para a fenda, traçando um símbolo no ar — uma runa que Duarte não tinha desenhado.

— Ei! — Duarte sussurrou para o mapa. — Isso não estava no plano.

A fenda respondeu com um puxão invisível. O chão pareceu inclinar-se, e Duarte sentiu o corpo a deslizar como se estivesse num tapete rolante feito de vento.

— Ah. Claro. O universo adora improvisar.

E antes que pudesse agarrar-se a algo, a fenda abriu-se mais, como um olho arregalado, e Duarte caiu para dentro.

Capítulo 3 — O outro lado das estrelas

A queda não doeu. Foi como mergulhar num lago morno onde a água era luz. Duarte rodopiou, viu cores que não tinham nome e ouviu um coro distante, como se planetas cantassem.

Quando aterrou, foi num chão de pedra lisa, coberta por circuitos rúnicos que brilhavam em azul e dourado. Acima dele não havia teto, mas sim um céu de vidro onde estrelas passavam devagar, como peixes num aquário imenso.

Ele levantou-se, atordoado.

— Certo. Eu devia ter sido padeiro.

À sua frente, erguia-se uma praça circular com colunas feitas de metal antigo e cristal. Drones minúsculos voavam, mas em vez de hélices tinham asas de luz. Havia tecnologia por todo o lado — e, ao mesmo tempo, uma sensação de templo.

— Não és daqui — disse uma voz.

Duarte virou-se rápido. Um rapaz da idade dos pré-adolescentes, com cabelo escuro preso num nó alto, observava-o com olhos atentos. Vestia uma túnica curta por cima de calças práticas e tinha um bracelete que projetava pequenos símbolos flutuantes.

— Depende — respondeu Duarte, recuperando a coragem com a fala. — Se “aqui” for “um lugar onde o céu parece uma vitrina de joalharia”, então não. Eu sou do Alvéolo.

O rapaz franziu o nariz.

— Alvéolo… isso soa a colmeia.

— É uma colmeia espacial, basicamente. Com menos mel e mais reuniões.

O rapaz soltou um riso curto, desconfiado.

— Eu sou Kiro. Guardião-aprendiz do Arco Rúnico. E tu acabaste de sair dele como um meteorito educado.

Duarte apontou para trás. No centro da praça, um arco alto pulsava com a mesma cor roxa da fenda.

— Então isso é o… Arco.

Kiro aproximou-se, curioso.

— A última vez que abriu, trouxe uma chuva de parafusos. Achámos que era uma oferta. Agora percebo que era só lixo a viajar.

— Ei! — Duarte levou a mão ao peito, ofendido de brincadeira. — Os nossos parafusos são de ótima qualidade.

Kiro olhou para o kit de Duarte, para o Mapa Vivo que ainda flutuava ao seu lado.

— Tens um mapa encantado.

— Vivo, sim. Encantado… depende do humor dele.

Como se respondesse, o Mapa Vivo projetou a imagem do Alvéolo, mas as linhas estavam emaranhadas, como uma teia com nós.

— Não consigo voltar assim — murmurou Duarte. — Preciso de estabilizar a rota. E tu… — olhou para Kiro — pareces alguém que conhece este arco melhor do que eu.

Kiro hesitou. Depois apontou para uma torre ao fundo, onde luzes corriam como rios.

— Se a rutura está a crescer, o Arco vai ficar instável. E se ficar instável… pode puxar mais coisas. Ou pessoas. O meu mestre está fora, e eu… — engoliu em seco — eu não devia mexer nisso sozinho.

Duarte inclinou-se, baixando a voz como se contasse um segredo.

— Eu também não devia. Mas aqui estamos. Queres fazer uma coisa imprudente com estilo e boas intenções?

Kiro sorriu, finalmente.

— Quero.

Capítulo 4 — A biblioteca que respirava

A Torre das Linhas era, segundo Kiro, uma biblioteca e um laboratório ao mesmo tempo. A entrada reconheceu o bracelete dele com um brilho e abriu-se com um suspiro, como se o edifício estivesse vivo.

Dentro, estantes altas flutuavam, cheias de rolos de metal, livros com capas de escamas e placas de cristal que mostravam constelações em movimento. Havia também terminais digitais antigos, com teclas gastas, ligados a pedras rúnicas por fios finos.

— Aqui guardamos os Traçados — explicou Kiro. — Mapas de caminhos entre lugares. Alguns são tecnologia. Outros… são promessa.

Duarte passou a mão por uma placa de cristal e viu linhas luminosas surgirem.

— No meu trabalho, a promessa costuma vir com relatórios. Menos poético.

— O teu mapa precisa de um Traçado para casa? — perguntou Kiro.

— Precisa de um caminho estável pelo subespaço. Uma espécie de… ponte. — Duarte apontou para o Mapa Vivo, que tremia como um cão a sentir trovão.

Kiro levou-o até uma mesa onde um círculo rúnico estava gravado na pedra. No centro, uma cavidade em forma de estrela.

— O Arco liga-se a este círculo. Se colocarmos um Traçado aqui e alinharmos com o teu mapa, talvez consigamos fechar a rutura e abrir uma passagem segura.

Duarte assobiou.

“Talvez” é uma palavra que adoro e odeio ao mesmo tempo.

Kiro puxou uma gaveta e tirou um cristal escuro, com faíscas dentro.

— Isto é um Traçado incompleto. O mestre disse que não estava pronto. Mas… se a rutura está a ameaçar o teu Alvéolo, não temos muito tempo.

Duarte olhou para o cristal, depois para Kiro.

— Não quero que te metas em sarilhos por minha causa.

Kiro encolheu os ombros, tentando parecer corajoso.

— Eu já estava em sarilhos. Ser aprendiz é basicamente isso: fazer asneiras em nome do conhecimento.

Duarte riu.

— No meu caso, chama-se “experiência de campo”.

Colocaram o cristal na cavidade. O círculo rúnico acendeu-se, e a biblioteca inteira pareceu inspirar. As estantes vibraram. Páginas viraram sozinhas. Um terminal apitou como um pássaro irritado.

O Mapa Vivo aproximou-se, projetando a imagem do Alvéolo e do Arco. As linhas tentaram encaixar, mas algo resistiu. Uma sombra roxa escorreu pelo chão, saindo do círculo como tinta viva.

— Isso não estava no manual! — exclamou Duarte.

A sombra subiu, formando a silhueta de um pássaro enorme, feito de névoa e faíscas.

Kiro recuou.

— É um Voraz de Traçados. Alimenta-se de rotas. Se devorar o caminho, ficamos presos… e a rutura cresce.

Duarte apertou o kit rúnico. As peças metálicas abriram-se como uma flor mecânica, revelando pequenos talismãs com runas.

— Ok. Hora de usar a parte “especialista” e não só a parte “falador”.

Ele atirou um talismã no ar. A runa explodiu em luz azul, formando uma rede brilhante. O Voraz bateu asas de névoa e rasgou a rede como se fosse teia de aranha.

— Ele está a brincar comigo — disse Duarte, ofendido. — Isso é pessoal.

Kiro fechou os olhos e tocou no bracelete. Símbolos dourados apareceram, rodando em volta das mãos.

— Se ele gosta de rotas… vamos dar-lhe uma rota que não queira.

— Como assim? — Duarte perguntou, desviando-se quando o Voraz passou, gelando o ar.

Kiro abriu os olhos.

— Uma rota para um lugar vazio. Um caminho sem histórias.

Duarte entendeu. O Mapa Vivo tinha rotas. Mas também tinha… espaços em branco.

— Eu tenho um setor não cartografado. Um vazio subespacial que ninguém gosta de explorar porque… bem, é aborrecido.

Kiro sorriu.

— Perfeito.

Capítulo 5 — O truque do vazio

Duarte ajustou o Mapa Vivo, ampliando uma região onde só havia cinza e silêncio. No visor, aparecia como uma mancha calma no meio de tempestades de linhas.

— Atenção, Voraz — disse Duarte, em tom de apresentador. — Temos aqui um destino exclusivo: Nada. Sem filas, sem turistas, sem… — olhou para Kiro — sem mestres zangados.

Kiro riu, apesar do medo.

— Faz a ligação agora!

Duarte colocou a mão sobre o mapa e outra sobre o círculo rúnico. Sentiu a vibração das runas, como um tambor distante. O kit rúnico projetou um símbolo de ancoragem, e Kiro desenhou no ar uma sequência dourada que parecia caligrafia feita de luz.

A biblioteca escureceu. O Voraz inclinou a cabeça, curioso, farejando com o corpo inteiro. As faíscas dentro dele dançaram.

— Ele mordeu o anzol — sussurrou Kiro.

Duarte puxou a rota do vazio como se fosse uma corda e lançou-a ao Voraz. A criatura abriu o bico de névoa e engoliu a linha luminosa com um som de sucção.

Por um instante, nada aconteceu. Depois, o Voraz tremeu, confuso, como alguém que dá uma dentada num pão e descobre que é só ar.

Ele bateu as asas, tentando agarrar outras rotas, mas Duarte e Kiro já estavam a selar o círculo. As runas brilharam com força, e o Voraz foi puxado para dentro do Traçado vazio, esticando-se como fumo levado por uma ventoinha gigante.

— Adeus, comedor de caminhos! — gritou Duarte. — Manda lembranças ao tédio!

Com um último estremecimento, a criatura desapareceu. A biblioteca voltou a respirar normalmente. As estantes pararam de tremer. O terminal soltou um bip tímido, como se pedisse desculpa por ter entrado em pânico.

Kiro caiu sentado no chão, ofegante.

— Fizemos… fizemos mesmo isso?

Duarte sentou ao lado dele, também a recuperar.

— Fizemos. E se alguém perguntar, foi tudo planeado ao milímetro.

Kiro levantou uma sobrancelha.

— Ao milímetro?

— Ao milímetro emocional. — Duarte apontou para o Traçado na cavidade. Agora brilhava com um azul estável. — Olha. Está alinhado.

O Mapa Vivo projetou uma linha clara do Arco até ao Alvéolo. A rota parecia uma ponte de luz sobre um abismo.

Kiro olhou para Duarte, mais sério.

— Se abrires essa passagem, voltas para casa. E eu fico aqui… a explicar ao meu mestre porque é que usei um Traçado incompleto para prender um Voraz num vazio.

Duarte fez uma careta.

— Isso soa a uma conversa horrível.

— É.

Duarte pensou por um segundo e depois sorriu.

— Então vamos garantir que vale a pena. Vou levar uma prova de que isto não foi só loucura. Vou atualizar o meu mapa com o teu Arco e com a existência de Vorazes. E… — hesitou — posso dizer que tive ajuda.

Kiro baixou o olhar, mas parecia contente.

— Podes.

Capítulo 6 — Uma ponte e um começo

Voltaram à praça. O Arco Rúnico pulsava, agora mais calmo, como um coração que encontrou o ritmo certo. Duarte posicionou o Mapa Vivo diante do Arco e ajustou os parâmetros no kit. Kiro, ao lado, traçou runas no ar com gestos firmes.

— Pronto? — perguntou Duarte.

— Pronto. — Kiro engoliu em seco. — E tu?

— Eu nasci pronto e só percebi isso uns minutos depois. Vamos.

Quando ativaram a passagem, o Arco abriu-se como uma cortina de luz. Do outro lado, Duarte viu o Corredor das Docas do Alvéolo, as placas familiares, as runas da sua casa a brilhar em resposta.

O comunicador de Duarte chiou.

— Duarte? Estás vivo? — era a Anciã Maela, a voz tensa.

Duarte falou com alívio.

— Vivo, sim. E com uma história que vai dar trabalho aos teus relatórios.

Ele olhou para Kiro.

— Vens?

Kiro arregalou os olhos.

— Eu?

— Só até à entrada. Para veres que a ponte funciona. E… — Duarte baixou a voz — para eu não ter de fingir que fiz tudo sozinho. Eu detesto mentir. Dá-me azia cósmica.

Kiro riu e deu um passo. O Arco não resistiu. Aceitou-o.

Do lado do Alvéolo, o ar tinha cheiro de metal quente e plantas do jardim pressurizado. As runas nas paredes cintilaram quando Kiro passou, curiosas, como se estivessem a cheirar um visitante.

Maela apareceu com dois guardas, pronta para ralhar… e parou ao ver Kiro.

— Quem é este?

Duarte ergueu as mãos, como quem apresenta um amigo numa festa.

— Este é Kiro, guardião-aprendiz do Arco Rúnico. Ajudou-me a estabilizar a rutura e a salvar as nossas ligações. E, tecnicamente, evitou que um Voraz comesse o nosso corredor de abastecimento.

Um dos guardas piscou.

— Um… Voraz?

— Explico depois — disse Duarte depressa. — Com desenhos. Talvez com um lanche.

Maela observou Kiro por um longo momento. Depois, a dureza dos seus olhos amoleceu um pouco.

— Obrigada, Kiro. O Alvéolo lembra quem protege o seu lar, mesmo vindo de longe.

Kiro parecia surpreendido, mas endireitou-se.

— Eu… eu só fiz o que era necessário.

Duarte inclinou-se para ele e sussurrou:

— Viste? Já tens uma frase heroica. Estás a evoluir.

Kiro deu-lhe um empurrão leve no ombro.

— Cala-te.

Duarte riu e, antes que o Arco se fechasse, tirou do bolso um pequeno marcador rúnico — uma peça simples, com o símbolo do Alvéolo gravado.

— Leva. Para lembrares a rota. E… para me lembrares de que não sou o único maluco a falar com mapas.

Kiro pegou no marcador com cuidado, como se fosse uma estrela pequena.

— E tu leva isto. — Tirou do bracelete um fio de luz solidificada, um pequeno selo dourado. — Para o teu mapa reconhecer o Arco sem se perder.

Duarte fechou os dedos em torno do selo.

— Negócio feito.

O Arco começou a pulsar mais rápido, a indicar que a passagem ia fechar. Kiro recuou, ficando do lado do seu mundo. Duarte ficou do lado do Alvéolo. Por um instante, os dois ficaram separados por uma janela de luz.

— Duarte! — chamou Kiro, rápido. — Se… se algum dia quiseres atualizar essa zona cinzenta do teu mapa… talvez possas voltar. Com tempo. Sem cair como meteorito.

Duarte sorriu, sentindo algo novo no peito, como um ponto de luz a acender-se.

— Combinado. E se o teu mestre ralhar… diz que foi culpa de um especialista muito falador.

Kiro sorriu de volta.

— Vou dizer que foi culpa de um amigo.

A ponte fechou-se com um suspiro. O corredor voltou ao normal, mas o Mapa Vivo de Duarte agora brilhava com uma linha dourada a ligar dois lugares impossíveis.

Duarte olhou para aquela linha e, pela primeira vez naquele dia, ficou em silêncio — não por falta de palavras, mas porque algumas coisas, como o começo de uma amizade entre estrelas, falavam sozinhas.

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Subespacial
Relativo ao espaço entre lugares do espaço ou às rotas que ligam esses lugares.
Prancheta luminosa
Uma tábua pequena que brilha e serve para escrever ou ver mapas e notas.
Circuitos rúnicos
Fios elétricos ou trilhas que têm símbolos antigos que parecem magia.
Anomalia subespacial
Uma estranheza ou problema no espaço entre rotas, que altera o normal.
Arnês
Cinta ou correia que se prende ao corpo para segurança em trabalho ou viagem.
Kit rúnico
Conjunto de ferramentas com símbolos antigos usado para medir ou consertar rotas.
Traçados
Mapas ou caminhos desenhados que mostram como ligar lugares difíceis de alcançar.
Rutura
Rasgo ou abertura numa ligação ou superfície, que pode deixar passar outras coisas.
Runa
Símbolo antigo com significado mágico ou técnico, usado para proteger ou ligar.
Símbolo de ancoragem
Desenho usado para fixar um caminho no espaço, como um ponto seguro.

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