Parte 1
Luz da Rua era uma mulher forte e gentil. Ela tinha um cabelo azul que brilhava como o céu ao amanhecer. Seus olhos eram calmos e curiosos. Luz da Rua usava uma roupa prateada que lembrava estrelas. Ela tinha um sorriso grande. As crianças da cidade sorriam quando a viam.
Na cidade do Arco, tudo era colorido e vivo. Casas com janelas redondas. Árvores que dançavam com o vento. Carros que zumbiam como abelhas amigas. Luz da Rua cuidava da cidade. Ela era uma super-heroína que ajudava todo mundo.
Um dia, um vento bagunçou a praça. Brinquedos voaram. Um relógio gigante parou de bater. Luz da Rua correu. Ela ouviu um som estranho: "trriim… trriim…" Era o exosqueleto da cidade. O exosqueleto era um robô que ajudava a erguer coisas pesadas. Ele era feito de metal azul e tinha braços grandes e luzes verdes. O exosqueleto era amigo de todos. Mas agora ele estava triste. Ele não mexia as pernas. Ele não falava.
Luz da Rua sentou perto do exosqueleto. Ela tocou sua mão metálica. "Não tenha medo," disse ela. "Eu vou cuidar de você." O exosqueleto piscou uma luz pequena. Luz da Rua sorriu. Ela sabia remendar coisas. Ela sabia acender luzes. E ela sabia ser paciente.
Parte 2
Luz da Rua levou o exosqueleto até sua oficina. A oficina era cheia de canos que cantavam. Havia ferramentas penduradas, todas com nomes engraçados. A chave chamada Pipochi. O parafuso chamado Tic. A oficina cheirava a limão e óleo. Luz da Rua colocou o exosqueleto sobre um cobertor macio. Ela falou com calma. "Vamos consertar você, devagar e com cuidado."
Primeiro, ela abriu a tampa do peito do exosqueleto. Lá dentro havia luzes como pequenas estrelas. Havia fios como fitas coloridas. Luz da Rua tirou um fio solto. "Ahá," ela disse. "Este fio precisa de um nó de carinho." Ela usou uma fita azul e fez um nó simples. Fez um nó que piscava. O exosqueleto sorriu com uma luz verde.
Depois, Luz da Rua encontrou uma mola que havia caído. A mola era coisinha redonda, saltitante. "Vamos colocar você no lugar," disse Luz da Rua. Ela encaixou a mola. A mola fez um "plim" feliz. O exosqueleto deu um passo pequeno. Luz da Rua aplaudiu. "Muito bem!" ela disse. A cidade ouviu o passo e foi ficando contente.
Mas ainda faltava ajustar a perna de metal. A perna rangia como uma porta velha. Luz da Rua ouviu o rangido e sorriu. Ela pegou um óleo suave. O óleo cheirava a maçã. Com um paninho, ela passou o óleo devagar. "Assim," ela murmurou. "Assim vai ficar leve." A perna parou de ranger. O exosqueleto deu um giro de teste. Ele rodopiou como um pinguim feliz.
Enquanto luzes e fios eram arrumados, as crianças vinham observar. Elas batiam palmas baixinho. Um menino disse: "Luz da Rua é forte!" Uma menina tocou a mão do exosqueleto. "Ele é quente," disse ela. Luz da Rua riu. "Ele é amigo," disse ela. Tudo foi feito com cuidado. Tudo foi feito com amor.
Então, um apito soou lá fora. Era um aviso: a ponte do rio precisava de ajuda. Uma fila de canoas estava presa. As pessoas sorriam, mas não conseguiam sair. Luz da Rua olhou para o exosqueleto. Ele piscou, preparado. "Vamos juntos," disse Luz da Rua. Ela colocou uma luva no punho e ajudou o exosqueleto a se levantar.
No caminho, Luz da Rua falou. "Segure minha mão, amigo." O exosqueleto segurou. Eles caminharam como dois amigos, um de metal e uma de luz. As crianças os seguiram. O sol batia nas folhas e fazia manchas douradas no chão.
Quando chegaram à ponte, Luz da Rua viu que um pedaço do corrimão estava solto. Era um pedaço que precisava de carinho. O exosqueleto usou seus braços fortes para levantar a parte caída. Luz da Rua colocou o corrimão no lugar e apertou com uma chave doce. O rio voltou a correr calmo. As canoas deslizaram e as pessoas sorriram.
Parte 3
Depois da ponte, um gato quis subir numa árvore. A árvore era muito alta. Ninguém conseguia pegar o gato. Luz da Rua pensou. "Exosqueleto?" ela perguntou. O exosqueleto estendeu um braço longo. Com cuidado, ele ajudou o gato a descer. O gato miou baixinho, como um obrigado.
A cidade celebrou. Balões coloridos apareceram. Uma banda tocou uma música leve. Luz da Rua dançou um passo lento com o exosqueleto. Eles pareciam uma equipe. Eles pareciam uma festa. As crianças riram e bateram palmas. Todos disseram: "Obrigada, Luz da Rua!"
Quando a noite chegou, Luz da Rua levou o exosqueleto de volta à oficina. Ela checou tudo mais uma vez. Ajustou um parafuso que gostava de ficar quieto. Deu um abraço gentil no peito metálico. "Durma bem," disse ela. O exosqueleto piscou três vezes em azul. Era a cor do sono calmo.
Luz da Rua olhou pela janela. A cidade do Arco brilhava com pequenas luzes. As estrelas sorriam lá no alto. Ela sentiu o coração leve. Ela sabia que cuidar era uma aventura grande e doce. Ela sabia que ser forte era também ser gentil. O exosqueleto estava seguro. A cidade estava segura.
Antes de fechar a oficina, Luz da Rua deixou uma garrafinha de óleo e um paninho ao lado do exosqueleto. "Para amanhã," ela disse. Ela sussurrou uma canção curta. Era uma canção de boas-novas. A música dizia: "Durma, cidade. Durma, amigo. A luz vela por você."
No escuro brilhante, a oficina ficou calma. A lua olhou e sorriu. As crianças sonharam com heróis leves e engraçados. O exosqueleto sonhou com passos de dança. Luz da Rua sonhou com fios que se enlaçam em nó de carinho. Tudo ficou tranquilo. Tudo ficou feliz.
E assim a cidade viveu, com uma super-heroína de cabelo azul e um exosqueleto amigo. Eles consertavam, protegiam e brincavam. Sempre juntos. Sempre com coragem e gentileza. E sempre com um pouco de riso.