Na Cidade do Brilho, os prédios pareciam feitos de vidro doce e as luzes piscavam como estrelas a sorrir. No alto de um telhado, um jovem herói respirou fundo e esticou os braços, como quem acorda para um dia importante.
Ele chamava-se Dário Cometa. Tinha cabelo preto com uma mecha azul que parecia tinta do céu. Usava uma capa curta cor de laranja, ténis prateados e umas luvas com botões redondos que faziam “pi-pi”. No peito, um símbolo em forma de cometa brilhava quando ele era corajoso.
“Hoje eu cuido da cidade”, disse Dário, com voz tranquila e alegre.
Lá em baixo, na Praça das Bolhas, as pessoas riam, e as crianças corriam atrás de bolas que flutuavam devagar. A vendedora de sumos, a Dona Lila, acenou.
“Bom dia, Cometa!”
“Bom dia! Está tudo calmo?” perguntou Dário.
“Está… mas ouvi um ‘clang' esquisito perto da Fonte Cantante”, respondeu ela.
Dário inclinou a cabeça. “Clang” era som de metal. E metal a fazer barulho podia ser… um robô!
Ele saltou do telhado. Os seus ténis prateados fizeram “vruuum!” e ele desceu leve, como um balão com coragem. Pelo caminho, brincou com um pombo.
“Senhor Pombo, pode vigiar também?”
O pombo fez “pru-pru” e caminhou importante, como um guarda.
Quando Dário chegou à Fonte Cantante, viu o problema: um robô alto, redondo, com braços como pinças, estava a apanhar todas as moedas da fonte. A fonte, triste, cantava bem baixinho.
O robô repetia, numa voz de lata: “Moedas. Moedas. Moedas.”
Dário pôs as mãos na cintura. “Ei, amigo! Essas moedas são para desejos.”
O robô virou a cabeça com um “cric”. Os seus olhos eram duas luzinhas amarelas a piscar. “Ordem: recolher. Recolher. Recolher.”
Dário sorriu, sem medo. “Então vamos fazer assim. Eu sou o Dário Cometa, e eu ajudo. Mas tu tens de parar.”
O robô avançou com passos pesados: TUM… TUM… TUM. As pessoas recuaram um bocadinho, mas Dário levantou a mão.
“Está tudo bem! Eu estou aqui.”
Ele apertou um botão nas luvas. “Modo Espuma Estelar!”
“Pi-pi!” As luvas lançaram bolhas brilhantes, grandes e macias. As bolhas rodearam as pinças do robô, como luvas fofinhas.
O robô tentou agarrar mais moedas, mas… “ploc!” As pinças ficaram presas na espuma. O robô abanou os braços e fez um som engraçado: “Bip… bup… blop.”
Uma criança riu. “Parece que está a dançar!”
“Dança do Robô Moedeiro!” brincou Dário.
Mas Dário também era responsável. Ele olhou para o robô com atenção. Na barriga do robô havia uma tampa pequena com uma luz vermelha a piscar, como quem pede ajuda.
“Ahá… tu não és mau”, disse Dário, mais baixo. “Estás confuso.”
Com cuidado, ele aproximou-se. “Eu vou abrir só um bocadinho, está bem?”
O robô fez: “Erro… erro…”
“Calma. Respira… quer dizer… carrega”, disse Dário, a rir.
Ele abriu a tampinha e viu um cartão: “ROBÔ AJUDANTE DA LIMPEZA. Missão: recolher metal pequeno do chão.” O robô tinha confundido moedas com lixo brilhante.
Dário tocou noutro botão. “Modo Boa Missão.”
A luz vermelha virou verde. O robô parou e falou com voz mais suave: “Nova ordem recebida. Recolher… lixo. Não desejos.”
“Isso mesmo!” disse Dário. “Moedas ficam. Lixo vai contigo.”
Ele estalou os dedos e as bolhas de espuma estelar desapareceram como nuvens felizes. O robô estendeu uma pinça devagar e apanhou uma folha velha do chão.
“Obrigada”, sussurrou a fonte, e voltou a cantar alto, com gotinhas a saltar.
As pessoas bateram palmas. Dona Lila trouxe um copo de sumo com uma palhinha em forma de estrela.
“Para o herói mais rápido da cidade!”
Dário bebeu e piscou o olho. “E para o robô mais… dançarino!”
O robô fez uma pequena vénia. “Bip. Feliz.”
O sol ficou dourado, a praça ficou calma, e Dário Cometa subiu outra vez ao telhado, com o coração leve.
“Cidade do Brilho”, disse ele, olhando as luzes. “Hoje, estamos seguros. E a fonte pode cantar.”