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História de Halloween 9 a 10 anos Leitura 8 min.

A noite em que ouvimos a campainha da igreja

Clara e os seus amigos enfrentam mistérios e travessuras na noite de Halloween enquanto procuram o toque lendário da campainha da igreja, aprendendo sobre coragem e amizade. Ao longo do caminho, encontram surpresas inesperadas que os aproximam.

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Clara, 10 anos, rosto redondo com sardas, expressão corajosa e maravilhada, cabelos castanhos encaracolados, capa preta ligeiramente amassada, chapéu pontudo roxo com fita, segura uma vassourinha de palha e olha para a torre da igreja; Tomás, cerca de 10 anos, rosto malicioso, ataduras tipo múmia caindo, segura a mão direita de Clara, saco de doces quase vazio ao ombro; Sofia, cerca de 9 anos, cheinha e sorridente, fantasia de abóbora laranja com gorro grande, segura a mão esquerda de Clara e olha as lanternas; Tobias, gato preto de pelo lustroso e olhos amarelos, enrola-se no muro de pedra aos pés das crianças com um doce preso nas patas; local: pátio de igreja de pedra branca com torre ao fundo, chão de paralelepípedos coberto de folhas de outono laranja e marrons, fileira de jack-o'-lanterns iluminadas formando um caminho e lua cheia dourada num céu violeta; cena: três crianças de mãos dadas diante do portão de ferro forjado, rostos iluminados pelas lanternas ouvindo o sino ao longe, atmosfera noturna suave e misteriosa em tons quentes de laranja e violeta, com sombras longas e texturas na pedra e nos tecidos. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Fantasia Perfeita

Era uma vez uma menina chamada Clara, de cabelos castanhos encaracolados e olhos brilhantes de curiosidade. Clara tinha nove anos e vivia numa vila pequenina, daquelas em que todos se conhecem pelo nome e onde o Outono chegava sempre vestido de laranja, com folhas secas a dançarem nas ruas.

Na manhã do último dia de outubro, Clara acordou com o coração aos pulos. Era Halloween, o seu dia favorito do ano! Enquanto se vestia, pensava no desafio que fizera a si mesma: naquela noite, queria ouvir o toque da velha campainha da igreja, aquela que, segundo diziam, só tocava nas noites de Halloween... mas apenas para quem tivesse coragem suficiente de ir até lá.

— Mãe, onde está a minha capa preta? — perguntou Clara, mexendo no armário.

— Está atrás da porta, querida. Vais de bruxinha este ano? — respondeu a mãe, sorrindo, enquanto preparava panquecas.

— Vou sim! Mas não serei uma bruxa qualquer. Hoje sou a Bruxa dos Mistérios! — disse Clara, girando com a capa, fazendo os cabelos voarem.

Com o chapéu pontudo, a vassoura de palha enfeitada com fitas roxas, e um saco pronto para doces, Clara estava pronta para a grande aventura. Só faltava convencer os amigos a acompanhá-la até à igreja ao fundo da aldeia. O desafio era grande, mas Clara sabia que, juntos, seriam suficientemente corajosos.

Capítulo 2: O Mistério dos Doces Desaparecidos

Na tarde desse dia, Clara encontrou-se com os seus melhores amigos: Tomás, que vinha mascarado de múmia com ligaduras de papel higiénico a caírem, e Sofia, vestida de abóbora, com um gorro laranja quase maior que ela.

— Prontos para a noite mais assustadora do ano? — exclamou Clara.

— Só se houver muitos doces! — respondeu Tomás com um sorriso travesso.

Começaram a percorrer as ruas, batendo às portas da vizinhança. Em cada porta, ouviam-se gargalhadas e "doce ou travessura!" ecoava no ar. Mas, a dada altura, começaram a notar algo estranho: as casas onde passavam tinham menos doces do que o normal e, em algumas, não havia nenhum!

— Isto é sinistro! — cochichou Sofia. — Será que há fantasmas a roubar os nossos doces?

— Ou talvez seja alguém muito esfomeado... — brincou Tomás, olhando desconfiado para o seu próprio saco quase vazio.

Clara decidiu investigar. Reparou em pegadas de açúcar pelo chão, levando até ao parque. Os três seguiram as pegadas, rindo e apalpando os bolsos à procura de pistas. Ao chegarem ao parque, ouviram um ruído atrás do baloiço.

— Quem está aí? — perguntou Clara, tentando parecer destemida.

Um gatinho preto saltou de trás do baloiço, com um papel de rebuçado preso nas patas! Era o Gato Tobias, famoso pela sua fome e travessuras. O mistério estava resolvido! Todos riram muito, e decidiram que Tobias merecia uns doces só para ele.

Capítulo 3: O Caminho para a Igreja

Já com os sacos mais cheios e o mistério dos doces solucionado, o grupo sentou-se no muro do parque, entre risos e histórias. Mas Clara não se esqueceu do seu objetivo: ouvir a campainha da igreja.

— E agora? — perguntou Tomás, com um olhar nervoso para a torre distante — mesmo à luz do luar, a igreja parecia mais velha e misteriosa do que nunca.

— Quem vem comigo ouvir a campainha? — desafiou Clara, com os olhos cheios de brilho e a vassoura pronta.

Sofia hesitou, mas acenou com a cabeça. Tomás suspirou, fingindo coragem.

— Se formos todos juntos, nada pode acontecer! — disse Sofia, sorrindo. — E, além disso, a vila está iluminada com lanternas de abóbora por todo o lado.

Com as lanternas a piscar suavemente ao longo do caminho, os três amigos seguiram juntos. O vento soprava folhas secas aos seus pés e, de vez em quando, ouviam o miado do Gato Tobias, que parecia querer acompanhá-los.

No portão da igreja, pararam. O silêncio era tão espesso que parecia que até o ar se tinha escondido. Clara respirou fundo.

— Vamos, juntos. — disse, segurando a mão de Sofia de um lado e de Tomás do outro.

Capítulo 4: O Toque da Campainha

Dentro do pátio da igreja, as sombras dançavam nas paredes brancas. Clara sentiu um friozinho nas costas, mas não hesitou. Subiram pela lateral, até à pequena porta de madeira onde, segundo a tradição, se podia ouvir melhor a campainha.

— E agora? — sussurrou Sofia.

Clara fechou os olhos e escutou. O vento fazia os ramos das árvores baterem levemente nos vitrais. De repente, ouviram um DONG grave, bem baixinho, vindo do alto da torre.

— Ouviram? — exclamou Tomás, apertando as mãos dos amigos.

— Ouvi! — disse Clara, sorrindo com todo o rosto. — Conseguimos!

No mesmo instante, sentiram uma luz suave a iluminar o pátio. Viraram-se e viram as lanternas de abóbora do caminho a brilharem mais forte, como se sorrissem para eles. Todos abraçaram-se, aliviados e felizes.

— Foi assustador, mas foi incrível! — disse Sofia.

— E conseguimos porque ajudámos uns aos outros — acrescentou Tomás. — Assim não tivemos medo.

— Nada é impossível quando estamos juntos — concluiu Clara, contente por ter partilhado aquela aventura com os seus amigos.

Capítulo 5: Sonho de Lanternas

Mais tarde, já em casa, Clara preparou-se para dormir. A mãe entrou para lhe dar um beijo de boa noite.

— Então, como foi a noite das bruxas? — perguntou a mãe, ajeitando a manta.

— Foi mágica! — respondeu Clara, com um sorriso sonolento. Contou à mãe tudo sobre o Gato Tobias, os amigos e, claro, sobre o toque misterioso da campainha da igreja.

Quando fechou os olhos, Clara sentiu-se envolvida por uma sensação de calor e alegria. Sonhou que caminhava novamente até à igreja, mas agora o caminho estava cheio de lanternas voadoras, flutuando no ar como pequenos sóis. Algumas tinham formas engraçadas: uma era um morcego sorridente, outra parecia um balão cor-de-laranja.

No seu sonho, Clara viu os amigos ao seu lado, todos de mãos dadas, rindo e saltando entre as lanternas. A campainha da igreja tocava suavemente, como se desse as boas-vindas a todos os que tinham coragem de sonhar e de partilhar aventuras.

Quando acordou, Clara sabia que aquela noite de Halloween seria sempre especial, não só pelo mistério, mas porque a verdadeira magia estava em estar junto dos amigos, a ajudar e a partilhar cada momento, com o coração cheio de luzes e sorrisos.

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Encaracolados
Cabelos com muitos cachos ou curvas, formando pequenas espirais.
Vila
Uma pequena localidade onde vivem poucas pessoas e todos se conhecem.
Outono
Estação do ano entre o verão e o inverno, com folhas que caem das árvores.
Desafio
Uma tarefa difícil que alguém propõe para testar coragem ou habilidade.
Campainha
Objeto que faz som quando se toca, usado para chamar atenção ou avisar.
Igreja
Construção onde as pessoas se reúnem para rezar ou celebrar cerimónias religiosas.
Vassoura
Ferramenta com cerdas para varrer o chão e limpar a casa ou rua.
Lanternas
Objetos que servem para dar luz, muitas vezes com vela ou lâmpada dentro.
Pátio
Espaço aberto dentro ou ao lado de uma casa ou edifício.
Vitrais
Janelas decoradas com pedaços de vidro de cores diferentes.
Travessura
Uma brincadeira que pode ser travessa ou causar pequena confusão.
Múmia
Corpo antigo enrolado em ataduras, muitas vezes em histórias de medo.
Ligaduras
Tiras de pano usadas para envolver feridas ou para enrolar algo.
Panquecas
Comida feita numa frigideira, redonda e fina, geralmente doce ou salgada.

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