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História divertida de fraternidade 7 a 8 anos Leitura 25 min.

A missão da peça do chá e a regra das mãos ocupadas

Inês e os irmãos embarcam numa aventura para encontrar a peça perdida de um puzzle, descobrindo regras, imaginação e trabalho em equipa enquanto exploram o parque e aprendem a equilibrar diversão e atenção.

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Menina de 8 anos, rosto redondo, cabelos castanhos presos em rabos, olhos brilhantes e sorriso radiante, roupa colorida (suéter amarelo e saia azul), segura uma pequena peça de quebra-cabeça dourada sobre a mesa, orgulhosa e feliz, postura ereta, braços levantados; menino Tiago, ~6 anos, cabelos negros bagunçados, rosto travesso, camiseta verde, desliza na cadeira rindo, estende a mão para uma pipoca caída à direita da menina; Marta, ~13 anos, cabelos castanhos longos, expressão doce e atenta, camisa estampada, sentada à esquerda ajudando a montar peças, levemente inclinada; menino Léo, ~6 anos, cabelos loiros curtos, boné vermelho, segura um pequeno papagaio de papel, em pé perto da porta olhando maravilhado para a mesa; mãe adulta, cabelo preso, avental leve, sorrindo ao fundo perto do balcão oferecendo uma bandeja de bebidas; cozinha acolhedora com mesa de madeira clara coberta de peças coloridas, tigela branca de pipoca, luz suave pela janela com cortina xadrez, tapete listrado e foto na parede; momento festivo em que a família termina o quebra-cabeça do castelo e do dragão que toma chá, todas as peças montadas, risadas, pipoca rolada no chão, atmosfera alegre, cores vivas (amarelo, azul, vermelho) e sombras suaves em efeito recorte. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Puzzle e as Duas Mãos Muito Ocupadas

A Inês tinha sete anos e era a mais nova lá de casa. Isso queria dizer duas coisas importantes: primeiro, ela ganhava abraços extra quando fazia cara de “eu sou pequena”; segundo, às vezes ninguém a levava muito a sério quando ela dizia: “Eu tenho um plano GENIAL!”

Nessa tarde, o plano genial tinha a forma de um puzzle enorme, com mil pedacinhos que pareciam todos iguais. O puzzle era de um castelo com um dragão simpático a tomar chá. Pelo menos, era o que a caixa prometia.

A Inês sentou-se no chão da sala, de pernas cruzadas, com uma concentração tão grande que até a língua lhe ficou de fora. Pôs duas peças na mão esquerda e duas na mão direita, como se fosse uma máquina de montar castelos.

“Olhem para mim!” anunciou. “Vou fazer este puzzle a duas mãos. Sem parar. Plim!”

O Tiago, o irmão do meio, apareceu com uma meia na cabeça, como se fosse um chapéu de pirata.

“Plim? Isso é um alarme?” perguntou ele.

A Marta, a irmã mais velha, espreitou por cima do sofá, com um ar de quem já viu muitos planos “geniais” acabarem em confusão.

“Ela está a inventar regras outra vez,” disse a Marta. “Inês, puzzles fazem-se com… mãos. Normal.”

“Não, não!” A Inês abanou as duas mãos no ar, cada uma com uma peça. “É diferente. Eu não posso largar as peças. Tenho de encaixar sem pousar. É o desafio do ‘Duas Mãos Sempre Ocupadas'.”

O Tiago arregalou os olhos, muito impressionado por coisas que não deviam impressionar ninguém.

“Uau. E se te coçar o nariz?”

A Inês franziu o nariz, como se ele tivesse trazido uma ideia proibida.

“Não me vou coçar. Vou ser forte.”

Nesse momento, o nariz dela decidiu fazer cócegas sozinho.

“Ah-ahn… ah-ahn… atchim!”

As peças saltaram um bocadinho: toc-toc! Mas ela conseguiu segurar. Ficou de olhos muito abertos, vitoriosa.

“Ganhei!” disse, como se tivesse vencido um campeonato mundial.

A Marta riu-se.

“Isso não é ganhar. Isso é… sobreviver.”

A Inês fez um beicinho. Ela queria respeito. Queria aplausos. Queria uma fanfarra com trompetes e um cão a abanar a cauda.

A mãe passou pela sala com um cesto de roupa e olhou para o chão, cheio de peças.

“Que bonito. Só não espalhem as peças até à cozinha, está bem?”

A Inês assentiu com muita seriedade, enquanto tentava encaixar duas peças ao mesmo tempo. Uma na mão direita, outra na esquerda. Parecia um polvo pequenino a montar um castelo.

O Tiago sentou-se ao lado dela.

“Posso ajudar?”

“Podes,” disse a Inês. “Mas com uma regra.”

“Eu adoro regras!” disse ele, como se regras fossem gelado.

A Inês levantou um dedo.

“Regra número um: ninguém pode dizer que é difícil.”

A Marta soltou um “Pfff!”.

“Então não posso falar.”

A Inês ignorou. Ela estava a encaixar uma peça azul-céu com outra azul-céu. Ou talvez fosse azul-quase-céu. Ou azul-que-não-encaixa.

“Grrr,” fez ela, baixinho, só um bocadinho.

O Tiago apontou para a caixa do puzzle.

“Olha, aqui diz: ‘Montar em equipa é mais divertido!'”

A Inês apertou os lábios. “Equipa, sim. Mas eu sou… a capitã.

A Marta aproximou-se e, com cuidado, pegou numa peça. A Inês arregalou os olhos, alarmada.

“Ei! Eu disse que ninguém podia pegar!”

“Tu não disseste isso,” respondeu a Marta, calma. “Só disseste que ninguém podia dizer que é difícil.”

O Tiago deu uma gargalhada.

“Ahá! Apanhada pela tua própria regra!”

A Inês ficou vermelha como um tomate pequenino. E, como era a mais nova, fez o que os mais novos fazem muito bem: inventou uma regra nova, muito depressa.

“Regra número dois!” anunciou. “A capitã decide as regras. E a capitã diz: agora ninguém pega sem pedir permissão.”

A Marta levantou as mãos no ar, como se se rendesse.

“Está bem, capitã polvo.”

A Inês não sabia se era elogio ou gozo, mas decidiu que era elogio, porque o dia estava bom e ela queria rir.

Só que, ao tentar encaixar outra peça, ela percebeu uma coisa: havia uma peça muito importante que faltava. Uma peça com um pedacinho do dragão e… uma bolinha de chá.

“A peça do chá!” gritou ela. “Onde está a peça do chá?!”

Os três olharam para o chão, para o sofá, para o tapete. Nada.

O Tiago levantou a meia-pirata.

“Talvez esteja aqui dentro.”

Sacudiu. Caiu uma moeda e um botão. Peça de chá, não.

A Inês colocou as mãos na cintura, com o ar mais dramático que uma menina de sete anos consegue ter.

“Eu declaro… uma missão!”

A Marta suspirou, mas já estava a sorrir.

“Vai ser uma missão ao parque, aposto.”

A Inês piscou os olhos.

“Como é que sabes?”

“Porque tu achas que o parque resolve tudo,” respondeu a Marta.

“E resolve,” disse a Inês, muito convencida. “Além disso, no parque há vento. O vento encontra coisas.”

O Tiago saltou.

“Eu vou! Eu vou! Eu sou o… ajudante da capitã polvo!”

“E eu sou… a conselheira, disse a Marta, pegando numa garrafa de água. “Alguém tem de evitar que vocês investiguem dentro dos caixotes do lixo.”

A Inês apontou para a porta.

“Partida! Mas atenção: eu vou levar duas peças nas mãos, para treinar. Duas mãos sempre ocupadas!”

A Marta arqueou uma sobrancelha.

“Vais ao parque com peças de puzzle na mão?”

“Sim,” disse a Inês. “Para não perder o ritmo.”

E assim, a mais nova da família saiu em aventura, com duas peças apertadas nas mãos como se fossem tesouros. Toc-toc, toc-toc, as peças batiam uma na outra a cada passo, como se estivessem também entusiasmadas.

Capítulo 2: A Regra Mal Entendida e o Parque das Missões

O parque do bairro estava cheio de sons felizes: crianças a correr, um cão a ladrar “au-au!”, um baloiço a fazer “iiih… uuh…”, e um pardal atrevido a comentar tudo com “piu-piu-piu!”

A Inês entrou como uma exploradora.

“Equipa, olhos de águia! Procuramos a peça do chá do dragão!”

O Tiago pôs a mão na testa, como se o sol fosse muito forte.

“Vejo… um escorrega! Vejo… um senhor a ler! Vejo… um gelado!”

“Foco!” disse a Marta, mas sem conseguir não rir.

A Inês olhou para as duas peças que ainda tinha nas mãos. Lembrou-se da regra e apertou-as com força.

“Duas mãos sempre ocupadas,” murmurou. “Eu consigo.”

Foi então que ela viu a placa do parque. Era uma placa simples, com regras para toda a gente. A Inês aproximou-se e leu em voz alta, devagar, como quem descobre um segredo:

“‘Por favor, mantenha… as… mãos… ocupadas nos… equipamentos.'”

A Inês ficou a olhar, com os olhos a brilhar.

“Viram? O parque também tem a minha regra! Mãos ocupadas!”

O Tiago abriu a boca, maravilhado.

“Uau! O parque é fã da Inês!”

A Marta aproximou-se e leu a placa com mais atenção.

“Inês… isso diz para manter as mãos ocupadas nos equipamentos. Quer dizer: quando estás a subir ao escorrega, segura bem.”

Mas a Inês já estava a imaginar outra coisa. Na cabeça dela, “mãos ocupadas” era uma ordem oficial do parque para toda a gente andar com coisas nas mãos. Talvez para treinar para… sei lá… ser malabarista.

“Temos de obedecer!” declarou ela. “A placa manda!”

E pronto: de repente, a missão da peça do chá transformou-se numa missão ainda mais importante: obedecer à “Regra das Mãos Ocupadas do Parque”.

A Inês, com duas peças nas mãos, procurou mais coisas para ocupar ainda mais as mãos. O problema era que ela só tinha duas mãos.

“Tiago!” chamou. “Dá-me mais uma coisa.”

O Tiago apanhou uma folha grande do chão e entregou-lhe.

A Inês tentou segurar: duas peças e uma folha. A folha fugia com o vento: ffffiuuu!

“Ela está a escapar!” gritou a Inês, a correr atrás da folha sem largar as peças. Parecia uma corrida de patos: apressada, aos saltinhos, e muito engraçada.

A Marta veio atrás.

“Inês, larga a folha! Não precisas…”

“Preciso sim!” disse a Inês, ofegante. “A placa manda!”

A folha pousou na cabeça do Tiago. Ele ficou com cara de espantalho.

“Estou disfarçado! Sou o Homem-Folha!”

A Inês riu-se, mas continuou firme na sua missão. Olhou em volta e viu um banco. Em cima do banco, alguém tinha esquecido uma luva de criança, vermelha, pequenina.

“Uma luva!” disse ela. “Perfeita para ocupar mão!”

A Marta pegou na luva e olhou em volta.

“Não vamos levar isso. Deve ser de alguém.”

A Inês franziu o sobrolho.

“Mas… mãos ocupadas…”

A Marta agachou-se ao nível dela.

“Obedecer regras é bom, mas entender regras é melhor. A placa quer que a gente se segure bem no escorrega e nas escadas. Não quer que a gente colecione coisas do chão.”

O Tiago inclinou a cabeça.

“Então eu posso tirar a folha da cabeça?”

“Podes,” disse a Marta.

O Tiago tirou a folha e fez uma vénia.

“O Homem-Folha despede-se. Ploc!”

A Inês ficou calada por um segundo. Ela não gostava de estar errada, mas gostava muito de imaginar coisas. E, no fundo, ela estava a imaginar um parque mágico que falava com ela por placas.

“Está bem,” disse por fim, com um suspiro pequeno. “Talvez eu tenha lido com olhos de… imaginação.

A Marta sorriu.

“Isso é uma coisa boa. Só tens de juntar com olhos de atenção.”

A Inês levantou as duas peças.

“Então a regra verdadeira é: segurar bem quando subimos.”

“Exato,” disse a Marta. “E a tua regra do puzzle pode ser só… uma brincadeira.”

O Tiago bateu palmas.

“Brincadeira oficial! Posso inventar uma também?”

“Podes,” disse a Inês, já a recuperar a alegria. “Mas agora voltamos à missão original: a peça do chá!”

E foi aí que aconteceu uma coisa bem esquisita: um menino pequeno passou a correr com um papagaio de papel, e o fio do papagaio roçou na mão da Inês.

“Ui!” disse ela, apertando mais as peças, com medo de as deixar cair.

O menino parou, olhou para ela e perguntou:

“O que é isso?”

“Peças de puzzle,” respondeu a Inês, muito séria. “Estou à procura de uma peça perdida. A do chá do dragão.”

O menino arregalou os olhos.

“Eu vi uma peça no escorrega!”

A Inês quase saltou para o ar.

“No escorrega?!”

“Sim,” disse ele. “Estava ali na parte de baixo, perto da areia.”

A Marta deu um passo à frente.

“Obrigada. Como te chamas?”

“Eu sou o Léo,” disse ele. “E o meu papagaio chama-se… Senhor Ventania.”

O Tiago apontou para o céu.

“Claro que chama.”

A Inês fez um gesto de capitã.

“Léo, conduze-nos ao escorrega!”

O Léo correu, e os três seguiram, como uma equipa de detetives do bairro. A Inês ia com as duas peças bem agarradas, agora por escolha, não por confusão.

Chegaram ao escorrega. A Inês desceu devagar, segurando bem com as mãos, como a regra verdadeira. No fim, ajoelhou-se e procurou na areia.

E lá estava: uma pecinha pequenina com uma bolinha de chá e uma ponta de dragão.

“A peça do chá!” gritou a Inês. “Encontrei!”

Ela levantou a peça como se fosse um troféu. O Tiago fez sons de trompete:

“Pruuu-pruuu-pruuu!”

A Marta aplaudiu.

“Missão cumprida.”

A Inês olhou para o Léo.

“Obrigado! Tu és um ótimo… informador de parque.”

O Léo sorriu.

“De nada. Posso ver o puzzle quando ficar pronto?”

“Podes,” disse a Inês, e depois pensou: “Hmmm… e se…?”

A imaginação dela começou a correr outra vez, mas agora com o cinto de segurança da atenção.

Capítulo 3: Pequenas Chamas, Grandes Gargalhadas

De volta a casa, a Inês espalhou as peças na mesa da cozinha (na mesa, não no chão, porque a mãe tinha olhos de águia também). O puzzle já tinha uma parte do castelo e uma parte do céu. Faltava o dragão com o chá, claro.

“Agora,” disse a Inês, “vamos fazer em equipa. Mas… eu continuo a ser capitã.”

A Marta sentou-se com calma.

“Sim, capitã.”

O Tiago sentou-se tão depressa que a cadeira fez “crec!”.

“Eu sou o… ajudante oficial e malabarista de folhas!”

“Nada de folhas,” disse a Marta.

A Inês encaixou a peça do chá com um “clic!” perfeito. Ficou tão certinho que parecia que a peça tinha suspirado de alívio.

“Ahhh,” fez a Inês, feliz.

Mas aí começou a parte das pequenas chatices. O Tiago pegou numa peça e tentou encaixar, mas era do outro lado. A Inês arregalou os olhos.

“Tiago! Essa peça é do telhado! Estás a pôr no dragão!”

“Eu só estou a testar,” respondeu ele. “Talvez o dragão queira um chapéu.”

A Inês cruzou os braços.

“Dragões não usam telhados.”

“Ainda,” disse o Tiago.

A Marta riu-se.

“Inês, lembra-te: imaginação.”

A Inês hesitou. Pois… imaginação era a palavra mágica do dia. Ela olhou para o Tiago, que estava com um sorriso maroto, mas simpático.

“Está bem,” disse ela. “O dragão pode querer um chapéu… mas no fim tem de ficar certo.”

O Tiago fez uma careta feliz.

“Combinado.”

A Marta estava a separar peças por cores. O Tiago começou a imitar um aspirador:

“Vuuuuuum!” enquanto empurrava peças para um monte.

“Não!” gritou a Inês, rindo e zangando ao mesmo tempo. “Não baralhes!”

“Eu estou a aspirar o castelo,” disse o Tiago. “Está com pó de areia do parque.”

A Inês tentou manter-se séria, mas saiu-lhe uma gargalhada.

“Pó de areia do parque não existe! É… areia!”

A Marta apontou para a tigela de bolachas que a mãe tinha deixado.

“Pausa para bolachas. Antes que a capitã exploda.”

A Inês fez um som dramático:

“Eu não explodo. Eu só… faço ‘pfff'.”

“Pfff,” repetiu o Tiago, soprando uma bolacha como se fosse um barco. A bolacha deslizou na mesa e parou mesmo em cima de uma peça.

A Inês colocou as mãos na cabeça.

“Tiago!”

O Tiago levantou as mãos.

“Desculpa! Foi o vento. O Senhor Ventania.”

A Inês ia responder, mas de repente imaginou o papagaio do Léo a entrar pela janela para roubar bolachas. E, sem querer, começou a rir outra vez.

“Está bem,” disse ela, limpando lágrimas de riso. “Mas agora a sério: vamos terminar antes do jantar.”

O puzzle avançou. Clic, clic, clic. Cada peça era um passinho. A Inês sentia-se como se estivesse a construir uma porta para um lugar onde dragões tomavam chá e ninguém discutia por telhados.

Depois, a Marta disse:

“Inês, falta uma peça aqui no canto.”

A Inês congelou.

“Não. Não, não, não.”

O Tiago olhou para o canto. “Falta mesmo.”

A Inês apertou os punhos, mas não de raiva a sério. Era mais um “oh não!” de teatro.

“Outra missão? Eu não tenho pernas para tantas missões!”

A mãe entrou na cozinha e olhou para o puzzle.

“Que lindo. Está quase.”

A Inês apontou para o buraco vazio.

“Está quase… mas está com um buraco. Um buraco muito… buracado.”

A mãe aproximou-se e sorriu como quem sabe de alguma coisa.

“Talvez a peça esteja onde vocês menos esperam.”

O Tiago apontou para o próprio nariz.

“Aqui?”

A mãe riu.

“Não, não aí.”

A Inês estreitou os olhos.

“Mãe… tu sabes.”

A mãe fez cara de inocente.

“Eu? Eu só trago… surpresas.”

A Inês e os irmãos trocaram um olhar. Surpresas eram perigosas e maravilhosas ao mesmo tempo.

A Marta levantou-se.

“Vamos procurar juntos. Mas sem pânico. Nada de ‘missão dramática'.”

“Eu sou dramática só um bocadinho,” murmurou a Inês.

Procuraram na caixa, debaixo da mesa, no sofá, perto da porta. O Tiago até olhou dentro do sapato (não se sabe porquê).

“Não está!” disse a Inês, com um suspiro comprido.

Foi então que a campainha tocou: “Trim-trim!”

O Tiago correu e abriu a porta. Era o Léo, com o papagaio de papel enrolado e um sorriso.

“Olá! A minha mãe disse para eu trazer isto. Encontrámos no nosso carrinho de brinquedos no parque.”

E ele tirou do bolso… a peça que faltava. Era mesmo a do canto. Tinha um pedacinho do castelo e uma nuvem com cara de riso (ou a Inês imaginou que tinha, mas era uma nuvem simpática na mesma).

A Inês ficou de boca aberta.

“Como… como é que ela foi parar ao teu carrinho?”

O Léo encolheu os ombros.

“O Senhor Ventania gosta de brincar.”

O Tiago fez sons de vento:

“Fffffiuuu!”

A Marta sorriu para o Léo.

“Obrigado por trazeres.”

A Inês segurou a peça como se fosse feita de ouro.

“Tu és oficialmente… amigo da equipa.”

O Léo endireitou-se.

“Obrigad… eu aceito.”

Capítulo 4: A Surpresa Coletiva e o Castelo do Dragão

A mãe trouxe sumo para todos, incluindo para o Léo, e pôs uma travessa de pipocas na mesa. Pipocas faziam qualquer missão parecer uma festa.

“Agora,” disse a Inês, com voz de capitã importante, “toda a gente coloca uma peça. Uma de cada vez. E sem aspiradores.”

O Tiago fez um gesto de fechar a boca com um fecho imaginário: “Ziiiip!”

O Léo sentou-se com cuidado, como se estivesse num clube secreto.

“Eu nunca fiz um puzzle tão grande.”

A Inês piscou-lhe o olho.

“É fácil. Só tens de usar… imaginação e olhos de atenção.”

A Marta apontou para a peça final, a do canto.

“Capitã, a última é tua.”

A Inês sentiu o peito a ficar quentinho. Não por ser capitã, mas porque, de repente, estavam ali todos: ela, os irmãos, o Léo, a mãe por perto, e até o Senhor Ventania lá fora a abanar as árvores.

A Inês pegou na peça. As mãos dela, desta vez, estavam ocupadas com a coisa certa.

“Prontos?” perguntou.

“Prontos!” disseram todos.

Ela encaixou: “CLIC!”

E o castelo ficou completo. O dragão simpático estava mesmo a tomar chá, com uma chávena minúscula, e parecia estar a sorrir para eles, como se dissesse: “Boa, humanos! Conseguiram!”

O Tiago fez uma reverência para o puzzle.

“Senhor Dragão, eu ofereço-te… um telhado-chapéu imaginário.”

A Inês riu.

“Oferta aceite.”

A Marta apontou para o céu do puzzle.

“Olha, Inês. A nuvem parece que está a rir.”

A Inês aproximou o rosto.

“Está sim! Ou sou eu que estou a ver com olhos de imaginação.”

A mãe pousou a mão no ombro da Inês.

“É uma boa maneira de ver o mundo. Só lembra: imaginação para criar, atenção para cuidar.”

A Inês assentiu, muito séria por meio segundo… até uma pipoca saltar sozinha da travessa: “pop!”

O Tiago arregalou os olhos.

“A pipoca fugiu!”

A Inês apontou.

“Missão final: capturar a pipoca fugitiva!”

O Léo levantou-se como um soldado.

“Eu ajudo!”

A Marta riu-se.

“Vocês não têm emenda.”

A pipoca rolou pela mesa e caiu no chão: ploc. O Tiago atirou-se para a apanhar, mas escorregou um bocadinho e fez “whoops!” — nada de perigoso, só uma dança desajeitada. A Inês e a Marta começaram a rir tanto que quase não conseguiam respirar.

“Tiago!” conseguiu dizer a Inês entre risos. “Tu… tu és um escorrega humano!”

O Tiago levantou-se, fingindo dignidade.

“Eu fiz de propósito. Foi… treino de parque. Mãos ocupadas!”

Todos riram outra vez, incluindo a mãe, que abanou a cabeça.

“Está bem. Vocês ganharam o prémio de ‘família mais barulhenta e feliz da rua'.”

A Inês olhou para o puzzle completo, depois para os irmãos, e depois para o Léo.

“Sabe o que eu imagino agora?”

“O quê?” perguntou o Léo.

A Inês abriu os braços.

“Que o castelo é um portal. E cada peça era uma história pequena. E nós juntámos todas.”

A Marta fez um sorriso suave.

“E a história de hoje teve um dragão, um parque, uma regra confusa e uma pipoca fugitiva.”

O Tiago levantou um dedo.

“E o Homem-Folha!”

“E o Homem-Folha,” confirmou a Inês, a rir.

No fim, a mãe tirou uma fotografia do grupo com o puzzle, todos cheios de pipocas e gargalhadas. Foi uma surpresa coletiva bonita: o puzzle não era só um desenho completo. Era uma lembrança completa.

A Inês encostou a cabeça ao ombro da Marta por um segundo, depois deu um encontrãozinho carinhoso no Tiago.

“Desculpem as minhas regras malucas.”

O Tiago deu de ombros.

“Eu gostei. Amanhã inventamos outra.”

A Marta passou um braço pelos dois.

“Desde que a regra número um seja: rimos juntos.”

A Inês olhou para as próprias mãos, agora livres, e decidiu:

“Sim. E a regra número dois: a imaginação manda… mas a atenção ajuda.”

Lá fora, uma rajada de vento fez as folhas dançarem: ffffiuuu!

O Tiago apontou para a janela.

“O Senhor Ventania está a aplaudir.”

A Inês sorriu.

“Então… plim. Missão cumprida.”

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