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História de Halloween 9 a 10 anos Leitura 12 min.

a menina e o fantasma do fim da rua

Leonor, uma menina corajosa, decide explorar a misteriosa casa no fim da rua na véspera de Halloween, onde conhece Baltazar, um pequeno fantasma que se torna seu amigo e a leva a uma noite cheia de aventuras mágicas e criaturas surpreendentes.

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Uma menina de 10 anos, chamada Leonor, com cabelos castanhos e cacheados, usa um traje de bruxa feito em casa, com uma capa preta e um chapéu pontudo. Ela tem um grande sorriso maravilhado no rosto, seus olhos brilham de excitação enquanto explora uma velha casa. Ao seu lado, um pequeno fantasma chamado Baltazar, flutuando alegremente, está vestido com um lençol branco e tem olhos redondos e brilhantes, segurando um pequeno chapéu de bruxo que escorrega de sua cabeça. O ambiente é uma velha sala misteriosa, cheia de teias de aranha cintilantes, livros voadores e móveis antigos cobertos de poeira, iluminada por uma luz azulada que entra por uma janela empoeirada. A cena principal mostra Leonor e Baltazar dançando alegremente no meio da sala, cercados por criaturas fantásticas como aranhas dançantes e livros animados, criando uma atmosfera festiva e mágica de Halloween. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Casa no Fim da Rua

Era uma vez uma menina chamada Leonor. Ela tinha 10 anos, um cabelo castanho encaracolado que parecia ter vida própria e uma curiosidade tão grande quanto a sua imaginação. Morava numa vila pequena, junto a uma floresta cheia de segredos, e todas as noites espreitava pela janela do seu quarto para tentar descobrir o que se escondia nas sombras.

Na véspera de Halloween, Leonor olhava para a velha casa no fim da rua. Diziam que era assombrada. Tinha janelas partidas, portas rangentes e um jardim selvagem onde cresciam plantas que ninguém conhecia. O telhado estava torto, os degraus eram irregulares e, à noite, luzes misteriosas dançavam atrás dos vidros sujos. As crianças da vila apostavam balas para ver quem conseguia chegar mais perto. Ninguém conseguia.

Até que, naquela noite, Leonor sentiu um arrepio diferente. Talvez fosse o vento, talvez fosse a coragem. Ou talvez fosse a máscara de bruxa que ela tinha acabado de terminar. Resolveu sair escondida, armada de uma lanterna, uma capa preta improvisada e muita, muita imaginação.

— Leonor, não te esqueças de voltar antes do jantar! — gritou a mãe.

— Não me vou atrasar! — respondeu, cruzando os dedos atrás das costas.

O portão da casa rangeu quando Leonor o empurrou. No jardim, as folhas secas faziam crack, crack debaixo dos seus pés. Um corvo empoleirado num arbusto olhou-a de lado, torceu a cabeça, e grasnou: “CRAAA!”. Leonor deu um salto, mas logo se riu de si mesma.

— Vá lá, Leonor… É só uma velha casa com má fama. Nada que uma bruxa destemida não consiga enfrentar! — sussurrou animada.

Subiu os degraus devagar, tentando não fazer barulho. A porta da frente abriu-se sozinha, como se estivesse à espera dela. Leonor deu meio passo atrás, mas a curiosidade venceu o medo.

— Olá? Tem alguém aí? — chamou, com a lanterna apontada para dentro.

Só o eco respondeu: “Aí… aí… aí...”.

Leonor respirou fundo, endireitou a capa e entrou.

Capítulo 2: O Pequeno Fantasma

O corredor cheirava a mofo e livros velhos. Quadros tortos pareciam seguir Leonor com os olhos. Ela olhava para cada porta, cada sombra, esperando que algo saltasse. Mas tudo estava silencioso, demasiado silencioso.

De repente, ouviu um estalido vindo da escada. A luz da lanterna tremelicou. Leonor subiu devagar, degrau a degrau, sentindo o coração bater acelerado.

No topo das escadas, uma porta entreaberta deixava sair uma luz azulada. Leonor aproximou-se, empurrou a porta com um dedo e espreitou lá para dentro.

No meio do quarto, levitava um pequeno fantasma. Não era do género assustador. Tinha um lençol branco, olhos redondos e brilhantes, e uns pés que quase pareciam flutuar. Estava a tentar pôr um chapéu de bruxo na cabeça, mas o chapéu não queria ficar.

Leonor soltou um gritinho. O fantasma também gritou, mas a sua voz parecia uma mola a saltar: “Aiiii!”

— Desculpa, desculpa! — disse Leonor, tapando a boca para não rir.

— Não faz mal — respondeu o fantasma, ajeitando o chapéu. — Eu é que me assustei contigo! Não costumo receber visitas…

Leonor ficou a olhar, espantada com o facto de estar a falar com… um fantasma!

— Como te chamas? — perguntou, ainda meio tímida.

— Eu sou o Baltazar. Mas podes chamar-me Balta. E tu?

— Leonor. Vim só… bem, queria ver como era cá dentro. Dizem que a casa está assombrada.

Baltazar riu-se com um som de bolhas a rebentar.

— Bem, não estão errados. Eu estou aqui! Mas não faço mal a ninguém. Só me sinto um bocadinho… sozinho.

Leonor sorriu, sentindo o medo desaparecer. Afinal, Balta era mais engraçado do que assustador.

— Queres brincar comigo esta noite? — perguntou Balta, pairando à volta dela.

— Claro! — respondeu Leonor, animada. — Mas só até à hora do jantar. Prometi à minha mãe.

— Então vamos! Tenho muitas coisas para te mostrar nesta casa!

Capítulo 3: O Baile dos Monstros Esquisitos

Balta levou Leonor por corredores que pareciam um labirinto. Cada porta escondia uma surpresa diferente.

Primeiro, entraram numa sala cheia de aranhas. Mas não eram aranhas normais: usavam laços coloridos e dançavam sobre teias bordadas com padrões arco-íris.

— Não tenhas medo! — disse Balta. — Elas só querem mostrar-te o seu bailado.

As aranhas começaram a rodopiar, saltar e até fazer acrobacias com as pernas fininhas. Leonor bateu palmas e até tentou dançar com elas, mas acabou presa numa teia muito pegajosa. Balta soltou uma gargalhada fantasmagórica e ajudou-a a soltar-se, passando-lhe um pano de renda transparente.

— Obrigada! — disse Leonor, a rir.

Seguiram para uma biblioteca onde os livros voavam como morcegos. Um livro saltou para os braços de Leonor, abriu-se e começou a contar-lhe anedotas sobre vampiros com medo de alho.

— Sabes como se chama um vampiro vegetariano? — perguntou o livro, numa voz rouca.

— Não faço ideia! — respondeu Leonor.

— Um “vegetariano”!

Leonor e Balta riram-se tanto que quase caíram para o chão, e o livro bateu as páginas, muito ofendido por não lhe darem mais atenção.

Depois, Balta levou-a ao salão principal. Lá, duendes, bruxas, esqueletos e até uma abóbora gigante estavam a preparar o grande baile de Halloween. Todos usavam fantasias estranhas: a bruxa ia vestida de bailarina, o esqueleto vestia um fato de palhaço com gravata de bolinhas, e a abóbora tinha uns óculos enormes e um bigode falso.

— Leonor, queres dançar connosco? — perguntou um duende de chapéu comprido.

Ela não resistiu. A música começou (tocada por um trio de ratos músicos), e todos saltaram para o meio do salão.

Leonor rodopiou com o esqueleto, saltitou com a bruxa e até fez uma competição de caretas com a abóbora bigoduda. Balta dançava no ar, a girar como um pião.

No final, todos bateram palmas. Leonor sentiu-se em casa, mesmo rodeada de criaturas tão diferentes.

— Esta é a melhor festa de Halloween de sempre! — disse.

Balta sorriu de orelha a orelha (se é que fantasmas têm orelhas).

Capítulo 4: O Sótão dos Arrepios

Quando o baile acabou, Balta puxou Leonor pelo braço transparente.

— Tenho de te mostrar o meu lugar preferido! — disse ele, entusiasmado.

Subiram uma escada estreita até ao sótão. No caminho, as tábuas rangiam tanto que Leonor pensou que iam acordar todos os fantasmas da vizinhança.

No sótão, não havia quase luz. Só uns raios de luar faziam desenhos estranhos nas paredes. Mas Balta acendeu umas lanternas em forma de morcego e o espaço ficou mais acolhedor.

No meio do sótão havia um espelho enorme, antigo, com pó e teias de aranha. Balta aproximou-se e murmurou:

— Este espelho é especial. Mostra-nos não aquilo que somos, mas aquilo em que podemos tornar-nos.

Curiosa, Leonor olhou para o espelho. Ao princípio, só viu a sua cara suja e despenteada. Mas, pouco a pouco, a imagem foi mudando. Viu-se vestida de bruxa corajosa, a ajudar Balta e os seus amigos em todas as aventuras possíveis.

— Uau… — sussurrou. — O espelho sabe mesmo quem eu sou…

Balta sorriu, pensativo.

— Às vezes, temos medo do que não conhecemos. Mas quando olhamos com o coração, descobrimos que até o mais estranho pode ser um amigo.

Leonor sentiu-se mais corajosa. Estava pronta para qualquer coisa.

Nesse momento, ouviu-se um barulho vindo debaixo do chão. Algo arrastava-se pelo corredor. Passos a arrastar, um respirar pesado. Leonor agarrou-se ao Balta.

— Não entres em pânico! — sussurrou o fantasma. — Provavelmente é só o Sr. Poeira, o zelador da casa. Ele tem um problema sério com espirros.

As tábuas estremeceram. Do escuro surgiu uma figura esfarrapada, toda coberta de pó dos pés à cabeça, espirrando como uma locomotiva.

— AAATCHIM!

Uma nuvem de pó encheu o sótão.

— Ah, desculpem! — disse a figura rouca. — Só queria ver se estava tudo em ordem para o Halloween. Não me assustem assim, crianças!

Leonor e Balta riram-se. O Sr. Poeira era, afinal, o zelador mais cómico e atrapalhado de sempre.

Capítulo 5: O Regresso à Luz

Ao descerem do sótão, Leonor olhou para o relógio do corredor e percebeu que já estava a ficar tarde.

— Tenho de ir! — disse, aflita. — Senão a minha mãe vai ficar preocupada.

Balta fez uma expressão triste.

— Vais embora? Mas… e se nunca mais voltares?

Leonor pensou por um momento. Gostava demais daquele lugar e dos novos amigos para nunca mais regressar.

— Não te preocupes! Vou voltar. Prometo! E podes visitar-me na vila, se quiseres. Ninguém vai notar um pequeno fantasma a voar entre as árvores.

Balta sorriu, a levitar até à porta.

Atravessaram juntos o jardim. As aranhas despediram-se, os livros voadores acenaram com as páginas, e até o Sr. Poeira fez uma vénia, provocando outra nuvem de pó.

Quando chegaram ao portão, Balta disse:

— Obrigado por me mostrares que posso ter uma amiga de verdade, Leonor. Esta foi a melhor noite de Halloween de sempre!

Leonor abraçou-o, sentindo um friozinho bom.

— Até breve, Balta. Não te esqueças de treinar os teus chapéus de bruxa!

Ela correu para casa, com o coração a bater de felicidade. Quando chegou à porta, parou, olhou para trás e viu Balta a acenar, a brilhar sob a luz da lua.

Entrou em casa a sorrir.

— Divertiste-te na brincadeira do Halloween? — perguntou a mãe.

— Muito! — respondeu Leonor, piscando o olho.

Naquela noite, Leonor adormeceu a pensar em aranhas bailarinas, livros faladores, espelhos mágicos e um pequeno fantasma. E, no fundo, sabia que não há nada mais mágico do que enfrentar os nossos medos e descobrir novos amigos, mesmo que eles sejam um bocadinho… assustadores.

E assim terminou uma noite de Halloween inesquecível, onde o medo deu lugar à amizade e à diversão. Leonor já só pensava na próxima aventura. Quem sabe quem iria encontrar na casa do fim da rua…

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Encaracolado
Cabelo que forma cachos ou ondas.
Assombrada
Diz-se de um lugar que é dito ter fantasmas ou espíritos.
Mofo
Uma substância que aparece em locais úmidos, geralmente de cor escura e com um cheiro desagradável.
Levitava
Flutuar no ar, não tocar o chão.
Acrobacias
Movimentos difíceis ou impressionantes feitos por pessoas, como saltos e giros.
Vénia
Um gesto de respeito que se faz curvando o corpo para frente.
Espirrando
A ação de expelir ar e pequenas gotas do nariz ou da boca, geralmente porque algo irrita as vias respiratórias.

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