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História para dormir 3 a 4 anos Leitura 6 min.

A luz pequenina do sono da Luísa

Luísa prepara-se para dormir com a mãe e o pai, entre rituais ternos, respirações e recordações do dia. A história mostra como calma, carinho e pequenos rituais ajudam a encontrar descanso.

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Uma menina de 4 anos, sorridente e serena, olhos semicerrados, cabelo castanho em coques, de pijama azul com pequenas estrelas brancas, deitada sob um cobertor às riscas com a mão sobre um grande ursinho de peluche bege; a mãe (c. 30 anos), rosto amável, cabelo solto, sentada à beira da cama a ler um livrinho aberto, olhar terno; o pai (c. 35 anos), expressão afetuosa, beijando a bochecha da filha junto à porta entreaberta; o ursinho ao lado da menina no travesseiro; quarto pequeno e arrumado, parede creme pastel, luz de presença dourada a projetar um brilho quente num canto, mesa de madeira clara com um copo de água e um livro, cortina leve meio aberta a revelar uma noite estrelada; cena de hora de dormir tranquila e acolhedora, luzes suaves, atmosfera segura, composição centrada na menina com a mãe à direita e o pai ao fundo. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A casa fica calma

A Luísa tem 3 anos. Ela toma banho com água morna. A toalha é macia e cheira a sabonete. A mamã penteia o cabelo devagar, devagar.

“Pronta para o pijama?” pergunta a mamã.

“Sim,” diz a Luísa, com voz pequenina.

O pijama é azul e tem estrelas. A Luísa gosta de tocar numa estrela e tocar noutra. Uma, duas, três. Ela sorri. O quarto está arrumado. O urso de peluche está na cama. O livro está na mesinha. A luz é baixinha, como uma lua dentro de casa.

A papá fecha a janela com cuidado. Lá fora, a rua está quieta. Dentro, só há sons suaves: um relógio a fazer “tic-tac” e o vento a dizer “shhh” nas folhas.

“Boa noite, casa,” sussurra a Luísa.

Ela dá uma volta lenta pelo quarto. Põe os chinelos no lugar. Encosta o copo de água na mesinha. Faz tudo com calma, como se estivesse a ensinar o corpo a abrandar.

A mamã senta-se na beira da cama.

“Vamos respirar?” pergunta ela.

A Luísa acena com a cabeça. A mamã mostra: inspira pelo nariz… e solta o ar devagar.

A Luísa tenta também. O peito sobe. O peito desce. Sobe… desce… O corpo fica mais leve, como uma almofada fofa.

“Estou a ficar quentinha,” diz a Luísa.

“Isso é o sono a chegar,” diz a mamã, baixinho.

Parte 2: O sono chega como uma canção

A Luísa deita-se. A manta cobre os pés, depois as pernas, depois a barriga. É uma manta com riscas suaves. Parece um abraço comprido.

O urso de peluche fica encostado ao lado dela.

“Boa noite, urso,” diz a Luísa.

O urso não responde, mas parece ouvir. A Luísa põe a mão na barriga do urso e sente o tecido macio. Macio, macio. Isso dá vontade de fechar os olhos.

A mamã pega no livro. Lê duas páginas. A história é simples. Tem um gato que boceja e uma janela com estrelas. A Luísa boceja também. Um bocejo grande, redondo, como uma bolha.

“Luísa, queres contar três coisas boas do teu dia?” pergunta a mamã.

A Luísa pensa com calma. Ela gosta de pensar assim, devagar.

“Eu brinquei no parque,” diz ela. “Eu comi banana.” Ela faz uma pausa e depois sorri. “E eu abracei a mamã.”

A mamã beija a testa da Luísa.

“Três coisas boas. O teu coração guarda alegria,” diz a mamã.

A Luísa fecha os olhos um pouco. Abre. Fecha. Abre. Como uma borboleta a descansar as asas.

O papá entra de mansinho.

“Posso dar um beijo também?” pergunta ele.

“Sim,” diz a Luísa.

O papá dá um beijo na bochecha. Depois fala baixo, como quem canta sem música.

“O teu corpo trabalhou hoje. Agora ele pode repousar. Está tudo bem.”

A Luísa ouve essas palavras e sente que são verdade. Tudo bem. Tudo bem.

A mamã apaga a luz forte e deixa só a luz de presença. Um pontinho dourado no canto. Não assusta. Só brilha.

“Se ouvires algum barulhinho,” diz a mamã, “é a casa a dormir também.”

A Luísa imagina a casa a bocejar. A cadeira a ficar quieta. A mesa a ficar quieta. O corredor a ficar quieto. Ela gosta desta ideia.

Parte 3: Um silêncio com alegria

A mamã põe a mão na mão da Luísa. A mão é quente.

“Vamos fazer o jogo do corpo relaxado,” diz a mamã.

“Sim,” sussurra a Luísa.

“Os pés descansam,” diz a mamã.

A Luísa pensa nos pés. Eles ficam molinhos.

“As pernas descansam.”

As pernas ficam pesadas e boas.

“A barriga descansa.”

A barriga sobe e desce com a respiração. Sobe… desce…

“Os ombros descansam.”

A Luísa deixa os ombros cair. Ela não precisa segurar nada agora.

“E a cara descansa.”

A testa alisa. A boca fica tranquila. Os olhos fecham, fecham, fecham.

A mamã fala bem baixinho: “A alegria mora dentro de ti. Mesmo no escuro, ela acende uma luz pequenina.”

A Luísa sente essa luz por dentro. Não é uma luz que brilha forte. É uma luz mansa, como uma vela num copo.

Ela pensa no parque, na banana, no abraço. Pensa no urso. Pensa na cama. Tudo é simples. Tudo é seguro.

“Boa noite, mamã,” diz a Luísa, quase sem som.

“Boa noite, amor,” responde a mamã.

A mamã fica ali mais um pouco. Depois levanta-se sem pressa. A porta fica encostada. A luz de presença continua.

A Luísa respira. Inspira… solta. Inspira… solta. O sono chega como uma onda calma. Ela deixa a onda levar devagar.

Dentro do peito, há paz. Dentro do peito, há alegria quietinha. A Luísa adormece sorrindo, como quem guarda um segredo bom.

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Penteia
Passa um pente ou a mão no cabelo para ficar no sítio.
Devagar
Fazer algo sem pressa, com calma e atenção.
Pijama
Roupa confortável que se usa para dormir à noite.
Urso de peluche
Brinquedo macio que parece um urso para abraçar.
Luz de presença
Uma luz pequena que fica ligada para não ficar tudo escuro.
Sussurra
Falar muito baixinho, quase sem fazer barulho.
Inspira
Puxar o ar para dentro pelo nariz.
Solta
Deixar o ar sair do corpo devagar.
Bocejo
Abertura grande da boca quando se está com sono.
Almofada
Pequeno travesseiro macio para encostar ou apoiar.

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