Manhã no Vale
No vale quente e clarinho, Tino, o Tiranossauro, acordou com um desejo no coração. Ele queria encontrar uma árvore muito especial. Era a Árvore dos Frutos-Estrela. Os frutos eram raros. Diziam que brilhavam como pequenas luas.
Tino cheirou o ar macio. O vento era doce. O vento dizia: “Vem, vem.” Tino sorriu. “Hoje eu vou achar.” Ele pisou devagar na terra morna. Suas patas faziam tum tum, tum tum.
No caminho, ele viu Lila, a Tricerátopo. Lila tinha três chifres gentis e um coração calmo.
“Bom dia, Lila”, disse Tino.
“Bom dia, Tino”, disse Lila. “Para onde você vai?”
“Quero a Árvore dos Frutos-Estrela. Você já viu?”
“Ouvi dizer que fica perto do Lago Brilhante”, falou Lila. “Posso ir com você?”
“Pode, sim. Vamos juntos.”
Eles foram em passos tranquilos. A grama sussurrava. As flores abriam sorrisos. O céu azul parecia cantar.
A Caminho da Árvore Rara
Logo encontraram Neco, o Estegossauro. Neco batia a cauda devagar, como quem marca o tempo de uma canção.
“Olá”, disse Neco. “Para onde o trio vai?” Ele já contava Lila junto, como amigo.
“Vamos achar a Árvore dos Frutos-Estrela”, disse Tino.
“Eu gosto desse nome”, disse Neco. “Também vou.”
O grupo caminhou mais um pouco e achou um pedaço de lama fofa. Tino pisou e afundou só um pouquinho. Ele parou. Lila falou: “Tudo bem. Pisamos onde a terra é mais firme.”
Neco encostou pedrinhas, uma a uma, com cuidado. “Aqui, aqui e aqui.” Ficou uma passarela. Tino atravessou. “Obrigado”, disse ele. “Juntos é mais fácil.”
Adiante, um riacho claro brilhava. A água fazia plim plim nas pedras. Lila provou com a pata. “É rasa.” Tino respirou. “Devagar.” Eles passaram devagar. A água fez cócegas. Todos riram.
Do outro lado, viram Bia, a Braquiossauro. Alta como um sonho bom.
“Olá, amigos”, disse Bia, com voz comprida e doce. “O que procuram?”
“A Árvore dos Frutos-Estrela”, falou Tino.
“Eu vi um brilho azul depois da colina redonda”, disse Bia. “Eu mostro o caminho.”
“Obrigada”, disse Lila. “Vamos.”
Subiram a colina. Não era alta. Era macia. No topo, o vento trouxe um cheiro novo. Doce, leve e azul.
“Cheiro de estrela”, sussurrou Neco.
“Cheiro de alegria”, disse Bia.
“Cheiro de casa”, sorriu Tino.
Frutos de Alegria
Atrás da colina, no meio de folhas que dançavam, estava a Árvore dos Frutos-Estrela. O tronco era liso. As folhas tinham pontas claras. E os frutos brilhavam, pouquinho, como piscas de lua.
Tino chegou perto. Ele era grande, mas seus olhos eram gentis. “Que bonita”, disse ele. “Quero pegar um fruto, mas não quero quebrar os galhos.”
Bia abaixou o pescoço. “Posso afastar as folhas com carinho.” Lila aproximou-se. “Eu protejo o galho com meu colar.” Neco mexeu a cauda bem devagar. “Eu apoio por baixo.”
Tino esticou os braços curtos, com muito cuidado. “Um, dois, três.” O fruto soltou, plim, nas patas de Tino. Cheirava a manhã doce. Parecia uma luz mansa.
Eles pegaram mais alguns, sem pressa. Sempre com carinho. Sem machucar a árvore. Tino sorriu grande. “Vamos dividir.”
“Sim, vamos”, disseram todos.
Cada um mordeu um pedacinho. O sabor era suave. Era como abraço de sol. Era como água fresquinha. Era como canção de nuvem.
Tino guardou uma semente brilhante. “Quero plantar perto do Lago Brilhante. Assim, teremos frutos outro dia.”
“Boa ideia”, disse Lila.
“Boa ideia”, disse Neco.
“Boa ideia”, cantou Bia.
Depois do lanche, eles descansaram na sombra. O vento fazia carinho. O coração de Tino ficou quentinho e calmo. Ele olhou para a árvore e disse baixinho: “Obrigado.”
Quando o sol ficou dourado, os amigos voltaram pelo mesmo caminho. Passos leves. Risos macios. O vale parecia sorrir de volta.
Na beira do lago, Tino plantou a semente. Cobriu com terra. Deu um toquinho com a pata. “Cresce bem, pequena estrela.”
E a tarde fechou os olhos, devagar. Todos estavam cheios de alegria. E tudo estava em paz.