Parte Um
O estegossauro sentia o sol quente nas placas das costas. Chamava-se Pedra. Pedrinha, disseram os amigos. Ele gostava de andar devagar. Gostava de cheirar as folhas e ouvir o vento.
Um dia, ouviu vozes altas na clareira. Eram rugidos que não eram brincadeira. Pedra foi até lá com passos suaves. Viu um tricerátopo vermelho e um braquiossauro azul. Eles falavam alto e batiam as caudas no chão. As folhas tremiam.
"Isso é meu lago!" disse o tricerátopo. "Você está molhando as minhas raízes!"
"Eu não queria," disse o braquiossauro, com a cabeça alta. "Só bebi um pouco e as folhas caíram."
Pedra inspirou fundo. Ele tinha um coração grande. Queria paz. Queria que as vozes voltassem a cantar suave. Pensou em algo calmo. Pediu aos dois que o ouvissem.
"Calma," disse Pedra, e sua voz soava como pedra que canta. "Vamos conversar."
Parte Dois
O tricerátopo bufou. O braquiossauro hesitou. Mas as palavras de Pedra eram doces. Eles sentaram-se nas pedras quentes. Pedra contou uma história pequena.
"Quando eu era filhote," começou Pedra, "achei um rio sem peixinhos. Fiquei triste. Então fiz amigos. Um estegossauro amigo me mostrou um canto. O rio voltou a cantar. O rio ficou feliz porque todos cuidaram dele."
"Como cuidar?" perguntou o tricerátopo, curioso.
"Com passos leves," disse Pedra. "Com ouvir e dividir. Com esperar a vez."
O braquiossauro olhou para o lago. Lembrou-se do som do vento nas folhas. "Eu não queria machucar," disse ele. "Só queria beber."
"Eu também fiquei com medo de perder," disse o tricerátopo. "Meu cantinho é pequeno."
Pedra sorriu. Ele sábia como as pedras. "E se fizermos um novo acordo?" propôs. "Você, tricerátopo, pode regar suas raízes com a água da manhã. Você, braquiossauro, pode beber quando a sombra for longa. Assim, o lago terá água para os dois."
As dúvidas ficaram mais pequenas. O som das vozes baixou. O vento trouxe uma canção.
"Podemos tentar," disse o tricerátopo. "Vamos esperar a manhã."
"Sim," disse o braquiossauro. "Eu prometo."
Parte Três
Nas manhãs seguintes, eles cuidaram do lago juntos. O braquiossauro bebia devagar. O tricerátopo regava as raízes com carinho. Pedra caminhava entre eles. Contava um verso simples quando o sol nascia.
"Compartilhar é cuidar," dizia ele. "Cuidar é amar."
Outros dinos ouviam e sorriram. A clareira ficou calma. O lago brilhou como vidro. As vozes ficaram músicas suaves. Pedra sentiu alegria grande no peito. Ele sabia que uma palavra calma pode mudar tudo.
No fim, todos deram as mãos — ou caudas, ou patas — e cantaram uma canção de paz. O lago cantou também. O sol sorriu. E a tarde caiu macia, como uma manta, sobre a floresta.