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História sobre as férias de verão 7 a 8 anos Leitura 7 min.

O verão em que aprendemos a cuidar

Miguel e Tomás passam férias no campo com os avós, onde aprendem sobre reciclagem, compostagem e a importância de cuidar da natureza em conjunto com a comunidade.

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Quatro personagens: Miguel, menino de 8 anos, cabelo castanho curto, camiseta verde e bermuda jeans, segura um saco de lona claro e apanha uma garrafa de plástico junto à água; Tomás, menino de 8 anos, cabelo loiro despenteado, boné de palha, camisa xadrez e short, empurra um pequeno barco de madeira na beira do lago; avô, cerca de 70 anos, cabelo e bigode brancos, suéter bege e luvas de jardinagem verdes, segura um par de luvas e um saco aberto, em pé atrás dos meninos, sorrindo e orientando-os; vizinha, menina de 8 anos, cabelo preto em trança, vestido amarelo com flores, recolhe papéis e os coloca num saco, colocada à frente à direita, olhando para os meninos. Local: pequeno lago campestre com margem herbosa, água calma refletindo o céu azul, nenúfares, juncos, algumas pedras na margem, árvore frutífera à esquerda fazendo sombra suave, casa de madeira ao fundo, cerca de madeira e flores silvestres. Situação: limpeza amistosa à beira do lago — crianças e avô recolhendo lixo, sacos cheios, gestos colaborativos e expressões alegres, luz de fim de tarde com cores quentes, composição clara em blocos de cor. reportar um problema com esta imagem

Chegada ao campo

O carro parou devagar diante do portão de madeira. O cheiro da relva cortada entrou na janela. Miguel e Tomás saltaram para fora com as mochilas às costas. Tinham quase oito anos e corações curiosos.

— Olha as flores! — disse Tomás, apontando para um canteiro cheio de malmequeres.

A avó abriu os braços e riu. O avô carregou as sacolas e mostrou a casa: chão de madeira, janela com cortina estampada e uma cozinha que cheirava a pão ainda morno. Tudo parecia maior e mais calmo do que na cidade.

À tarde, os dois meninos exploraram o quintal. Havia uma velha árvore de fruto, um lago pequeno onde sapos coaxavam e um monte de pedras para escalarem. Miguel parou perto da caixa de compostagem e observou.

— Por que há tanta casca de laranja ali? — perguntou ele, curioso.

O avô explicou devagar: — A casca vira terra para as plantas. Não é lixo que desaparece, é alimento que volta ao chão.

Miguel gostou da ideia. Tudo tinha um ciclo. Ele sentiu no peito uma pergunta que queria crescer: como proteger o lugar onde brincavam? Tomás apanhou um graveto e fez um barquinho de madeira. Juntos, empurraram-no até a margem do lago.

Pequenos problemas, grandes ideias

Na manhã seguinte, depois do pequeno-almoço, os meninos viram uma garrafa de plástico perto do cercado das galinhas. Estava vazia, meio amassada.

— Devia estar no caixote de reciclagem — falou Tomás, franzindo o rosto.

Miguel sentiu-se triste por ver aquilo ali. Não gostava de ver o campo com coisas que não pertenciam. O avô aproximou-se com um saco de pano.

— Às vezes, o vento traz lixo da estrada. Cada um pode ajudar a limpar — disse ele.

Os meninos juntaram as garrafas e papéis que encontraram. Foi uma tarefa simples, mas surpreendentemente feliz.quando uma folha caía na cabeça, discutiam se as bolachas deveriam ir ao saco orgânico ou ao reciclável, e aprenderam a separar. O avô explicou que algumas coisas voltam à terra e outras a fábricas novas. Miguel pensou no ciclo que já tinha visto na compostagem e sorriu.

Ao fim do dia, sentaram-se na relva. O sol estava morno e os grilos cantavam. Miguel perguntou:

— Avô, como fazemos para que menos lixo chegue aqui?

O avô olhou o horizonte e respondeu: — Podemos sempre levar um saco quando vamos à praia ou à floresta. E explicar aos amigos. A natureza é de todos.

Um plano com amigos

No dia seguinte, convidaram vizinhos da aldeia para uma pequena ação. Havia meninos e meninas da idade deles, e todos trouxeram sacos e mãos dispostas. Miguel, que gostava de pensar, dividiu as tarefas.

— Eu fico com as garrafas — disse ele. — Tomás pode recolher papéis.

“Talvez possamos fazer pinturas depois, com latas velhas,” sugeriu uma menina. O avô trouxe luvas para todos e mostrou como proteger as mãos. Trabalharam em equipa. Quando encontravam algo estranho, paravam e perguntavam ao avô: era perigoso? Era reciclável? Se sim, para onde ia?

O dia foi de sol, de cócegas na relva e de pequenas descobertas: um ninho vazio, uma pena brilhante, um caracol a atravessar uma folha. No fim, as pilhas de sacos eram muitas, mas o riso era maior. Os adultos juntaram os sacos e combinaram onde levariam o reciclável.

Miguel sentiu-se orgulhoso. Não só haviam limpo, como conversaram com os vizinhos e explicaram. Aprendeu que a cooperação multiplicava a força. Tomás ganhou um chapéu de palha emprestado do avô e fez poses engraçadas para todos.

Aprender a escutar

Numa tarde mais fresca, sentaram-se à sombra da árvore de fruto. O avô trouxe chá e bolachas. Miguel estava pensativo. Havia muitas perguntas na sua cabeça: sobre as árvores, os insetos, o que cada um podia fazer no dia a dia.

— Às vezes — disse o avô — ouvir é tão importante quanto agir. Ouvir a terra, ouvir as pessoas.

Miguel fechou os olhos por um momento. Escutou o vento nas folhas, o zumbido das abelhas, o distante som da ria. Depois, começou a ouvir também os outros: o que Tomás achava divertido? O que a vizinha sentia sobre a horta? O que a mãe dizia quando telefonou?

Fizeram um pequeno círculo e cada um contou uma ideia para ajudar o campo: plantar mais árvores, não arrancar flores, levar um saco quando iam ao lago, ensinar os amigos. Miguel aprendeu a não interromper, a perguntar com calma, a repetir o que o outro dizia para ter a certeza que entendeu.

No final, combinaram um compromisso simples: cada semana, alguém diferente cuidaria da compostagem e da pequena horta. Todos disseram sim. Sentiram-se importantes e parte de algo maior.

Voltar para a cidade com um novo olhar

Os últimos dias de férias passaram rápidos, cheios de brincadeiras, de bolos na cozinha da avó e de tardes a construir casas para as minhocas na terra da compostagem. Na véspera de partir, Miguel olhou o quintal iluminado pelo pôr do sol.

— Vou levar um bocadinho daqui comigo — disse ele, abrindo os braços como se abraçasse o campo.

Tomás sorriu e colocou a mão no ombro do amigo. Os dois sabiam que as ideias e os gestos que aprenderam podiam viajar com eles.

No caminho de regresso, Miguel ouviu a mãe falar ao telemóvel sobre trabalhar menos plástico em casa. Ele sorriu, segurou a mão de Tomás e sussurrou:

— Podemos começar já amanhã.

Tomás apertou a mão dele. Foram duas crianças quase oito anos, cheias de planos. Tinham aprendido a cooperar, a cuidar e, sobretudo, a ouvir. E essa escuta ficou com eles, suave e firme, como o calor de um verão que aquece sem pressa.

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Relva cortada
Relva que foi aparada; cheiro das plantas cortadas no chão.
Malmequeres
Flores pequenas e amarelas que aparecem em jardins e campos.
Caixa de compostagem
Recipiente onde se colocam restos de comida para virar terra rica.
Casca de laranja
Parte exterior da laranja que sobra depois de comer a fruta.
Ciclo
Sequência de coisas que se repetem, como comida que volta a ser terra.
Garrafa de plástico
Recipiente feito de plástico que guarda líquidos, como água.
Caixote de reciclagem
Contentor para pôr materiais que podem ser transformados em novos objetos.
Reciclável
Que pode ser transformado e usado de novo, sem virar lixo inútil.
Saco orgânico
Saco para pôr restos de comida e plantas que viram terra.
Cooperação
Trabalhar junto com outras pessoas para fazer algo melhor.
Ninho
Lugar onde as aves põem os ovos e cuidam dos filhotes.
Minhocas
Pequenos animais que vivem na terra e ajudam a deixá‑la fértil.
Zumbido
Som contínuo e ligeiro que insetos como abelhas fazem.
Ria.
Pequeno curso de água, semelhante a um rio reduzido e calmo.
Véspera
O dia antes de um acontecimento importante, como partir de férias.

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