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História sobre as férias de verão 7 a 8 anos Leitura 12 min.

A aventura das pausas na sala polivalente

Quatro amigos vivem um dia de verão entre jogos e desen- tros, aprendendo a desacelerar, partilhar recursos e resolver pequenos conflitos com calma.

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Quatro crianças: Tomás (c. 8 anos, cabelo castanho curto, rosto com sardas, t-shirt azul claro, short caqui) sentado centro-esquerda desenhando ondas e respirando calmamente; Leonor (c. 8 anos, cabelo castanho em trança, sorriso tímido, vestido com padrão de melancia) à direita de Tomás, segurando uma lata de limonada e colorindo uma grande melancia; Gui (c. 8 anos, cabelo negro despenteado, expressão viva, t-shirt amarelo, short cinza) em pé atrás da mesa à esquerda com uma peça de puzzle de um farol, olhando Tomás; Marta (c. 9 anos, cabelo loiro sob um grande chapéu de palha, vestido azul-claro) à direita, sorrindo e oferecendo uma lata laranja‑vermelha a Leonor. Local: sala polivalente luminosa com janelas de madeira, chão em parquet claro, mesa longa de madeira coberta de folhas, caixas de lápis e um puzzle aberto mostrando um farol e gaivotas; do lado de fora, uma figueira e uma rua banhada pelo sol da tarde. Situação: tarde de verão calma após brincadeira ao ar livre — as crianças desenham e montam o puzzle juntas; atmosfera suave com cores em tons pastéis, luz dourada filtrando pelas janelas e sombras longas. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: Manhã quente e planos simples

O sol já aquecia a rua quando o Tomás abriu a janela. O ar cheirava a pão acabado de fazer e a creme protetor. As férias de verão tinham começado e, mesmo assim, o Tomás sentia as pernas cheias de energia, como se fossem molas.

No portão, a Leonor apareceu com uma garrafa de água na mão. Atrás dela vinha o Gui, com uma bola de borracha, e a Marta, com um chapéu de palha quase do tamanho da cabeça.

“Hoje vamos fazer mil coisas!”, disse o Gui, a saltar no lugar.

A Marta riu. “Mil? Eu só trouxe um chapéu. Dá para umas… cinco coisas.”

O Tomás sorriu, mas por dentro sentiu um apertinho. Ele gostava de brincar, claro. Só que, às vezes, o barulho e a pressa deixavam-no cansado sem ele perceber.

A mãe do Tomás apareceu à porta com uma toalha dobrada. “Bom dia, exploradores. Lembrem-se: hoje à tarde há atividades na sala polivalente do village. É fresquinho lá dentro.”

“A sala polivalente!”, repetiu a Leonor. “A do teto alto e das janelas grandes!”

“Sim,” disse a mãe. “E podem levar um jogo para partilhar. Mas também podem aprender a fazer pausas. O verão não é só correr.”

O Gui fez uma careta divertida. “Pausas? Isso come-se?”

A mãe riu. “Come-se com os olhos. Olhar para as coisas com calma.”

O Tomás pensou nisso. Olhar com calma. Talvez fosse uma aventura diferente.

Eles passaram a manhã na rua. Jogaram à macaca com uma pedra lisa, fizeram uma corrida até à sombra da figueira e beberam água bem devagar. O chão estava quente, mas a sombra era fresca, como um abraço.

Mesmo assim, quando o Gui gritou “Mais uma corrida!”, o Tomás sentiu o peito a bater depressa demais.

A Leonor reparou. “Tomás, estás bem?”

“Estou… só um bocadinho cansado,” respondeu ele, meio envergonhado.

A Marta pôs a mão no chapéu, como se tivesse uma ideia guardada lá dentro. “Então vamos fazer uma coisa de férias: sentar e ouvir as cigarras.”

O Gui abriu muito os olhos. “Ouvir? Mas as cigarras não têm botão de volume!”

Todos riram. E, por uns minutos, eles sentaram-se na calçada, a ouvir o zzzzz suave das cigarras, como se o verão estivesse a cantar baixinho.

Capítulo 2: A sala polivalente e o calor lá fora

À tarde, caminharam até à sala polivalente do village. O sol fazia o ar tremer um pouco por cima da estrada. Quando entraram, foi como mergulhar numa sombra fresca. Lá dentro cheirava a madeira e a limpeza, e havia mesas compridas com folhas, lápis de cor e uma caixa cheia de jogos.

A senhora Ana, que organizava as atividades, acenou. “Olá, crianças! Hoje temos desenho, um canto de leitura e um espaço para jogos calmos.”

O Gui apontou para a caixa. “Jogos calmos? A minha bola é calma. Quando está parada.”

A senhora Ana sorriu. “Ótimo. Mas hoje vamos experimentar coisas que não precisam de correr. O corpo também gosta de descanso.”

O Tomás sentiu-se aliviado. Ele gostava de desenhar. Sentou-se com a Leonor e a Marta numa mesa perto da janela. A luz entrava em quadrados no chão.

“Vou desenhar o verão,” disse a Leonor. “Com limonada e melancia!”

A Marta começou a pintar um chapéu gigante a flutuar no céu. “O meu chapéu vai ser um balão. Para não perder a cabeça.”

O Tomás pegou num lápis azul e desenhou ondas pequenas, como as do rio onde tinham ido no ano passado. Enquanto desenhava, respirava mais devagar.

O Gui, ao lado, tentou ficar no canto de jogos calmos. Escolheu um puzzle, mas as peças pareciam fugir-lhe das mãos. “Isto é impossível,” resmungou. “Eu prefiro coisas que saltam.”

O Tomás olhou para ele e teve vontade de ajudar. Só que também queria continuar o desenho. Sentiu-se dividido, como um sanduíche com dois recheios.

A Leonor inclinou-se. “Podemos ajudar todos um bocadinho. Sem pressa.”

“Sem pressa,” repetiu o Tomás, como se fosse uma senha secreta.

Eles foram até ao Gui. O puzzle era de um farol com gaivotas. Algumas peças estavam ao contrário.

A Marta falou com cuidado. “Gui, vamos fazer assim: tu procuras as peças das bordas. Eu e o Tomás procuramos as do céu. A Leonor procura as do farol.”

O Gui cruzou os braços. “Mas eu queria ser o do farol.”

A Leonor encolheu os ombros, simpática. “Podemos trocar a meio.”

O Gui fez uma pausa. Os olhos dele olharam para o chão, depois para os amigos. “Está bem. Mas eu quero trocar mesmo, hein.”

“Combinado,” disse o Tomás.

Trabalharam em silêncio por um tempo. Só se ouvia o som das peças a baterem na mesa e uma ventoinha a soprar ao longe. O Tomás reparou como aquele silêncio não era vazio. Era um silêncio cheio de atenção.

Quando o puzzle ficou quase pronto, o Gui sorriu, mesmo tentando parecer sério. “Ok… isto até é fixe.”

A Marta apontou para uma gaivota no céu. “Vês? Até as gaivotas descansam a planar.”

O Tomás sentiu uma alegria calma. Como uma bola que, desta vez, não precisava de saltar para ser divertida.

Capítulo 3: O pequeno conflito das canetas

Depois do puzzle, voltaram às mesas de desenho. A senhora Ana trouxe uma caixa nova de canetas coloridas e pôs no meio.

“Podem partilhar,” disse ela. “E lembrem-se: aqui falamos com respeito.”

O Gui esticou a mão e pegou na caneta vermelha, a mais brilhante. A Leonor também queria o vermelho para desenhar uma melancia.

“Gui, posso usar a vermelha só um bocadinho?” perguntou a Leonor.

“Mas eu preciso dela,” respondeu o Gui, segurando com força. “O meu farol vai ter uma porta vermelha. Uma porta muito importante!”

A Leonor franziu a testa. “A minha melancia também é importante…”

O Tomás sentiu o calor subir, não do sol, mas da tensão. Ele não queria que discutissem. O verão era para estar leve, como o chapéu da Marta no desenho.

A Marta, com voz suave, disse: “Podemos resolver. Sem puxar, sem gritar.”

O Gui mordeu o lábio. “Mas eu… eu peguei primeiro.”

A Leonor olhou para a caneta e depois para o Gui. “Eu não quero brigar. Só não sei como fazer a melancia sem vermelho.”

O Tomás respirou fundo, lembrando-se do “olhar com calma”. Ele olhou para a caixa: havia um lápis cor-de-rosa escuro e uma caneta laranja-avermelhada.

“Leonor,” disse ele, “podes fazer a melancia com o rosa escuro e depois sombrear com o laranja. Fica diferente, mas bonito. E, Gui, podes usar a vermelha primeiro e depois emprestas por dois minutos. A senhora Ana tem um relógio ali.”

O Gui olhou para o relógio de parede, que fazia tic-tac como um coração. “Dois minutos?”

“Sim,” disse a Marta. “Podemos contar juntos. E depois trocam.”

A Leonor concordou com a cabeça. “Está bem. Eu posso experimentar o rosa.”

O Gui soltou um pouco a mão. “Ok. Mas prometem que me avisam quando acabar?”

“Prometemos,” disseram os três.

Enquanto o Gui desenhava a porta do farol, o Tomás observou. O Gui fazia um traço bem cuidadoso, como se a porta fosse de verdade. A Leonor, com o rosa e o laranja, fez uma melancia diferente, com um brilho engraçado.

“Parece uma melancia ao pôr do sol!” brincou a Marta.

A Leonor riu. “Melancia de férias!”

Quando o tempo passou, o Tomás disse com voz tranquila: “Gui, os dois minutos.”

O Gui entregou a caneta vermelha sem reclamar. “Pronto. Até é justo.”

A Leonor usou a vermelha para as sementes e devolveu logo. “Obrigada.”

O Tomás sentiu o corpo leve outra vez. Eles não precisaram de empurrões nem de zangas. Só precisaram de palavras e de tempo.

Capítulo 4: O fim do dia e um abraço fresco

No final da tarde, a senhora Ana juntou os desenhos numa parede. A sala polivalente parecia uma pequena exposição de verão: faróis, melancias, ondas, chapéus voadores. As cores brilhavam como gelados.

“Vocês trabalharam muito bem,” disse ela. “E resolveram problemas com calma. Isso também é aprender.”

Ao sair, o calor lá fora já estava mais suave. O céu tinha uma cor dourada, e o ar cheirava a relva regada. Eles caminharam devagar, sem correr, como se quisessem guardar aquele pedaço de tarde no bolso.

O Gui chutou uma pedrinha, mas sem força. “Acho que até gosto de jogos calmos… às vezes.”

A Marta levantou o chapéu e abanou-se. “O segredo é alternar. Um pouco de correr, um pouco de parar.”

A Leonor olhou para o Tomás. “E tu, Tomás? Gostaste de fazer pausas?”

O Tomás pensou nas cigarras, no puzzle, no tic-tac do relógio, e no silêncio cheio. “Gostei. Descobri que, quando eu paro um bocadinho, eu ouço melhor… e fico mais feliz.”

Chegaram à casa do Tomás. A mãe estava à porta. “Então? Como correu?”

O Tomás mostrou o desenho das ondas. “Correu bem. Tivemos um problema com uma caneta, mas resolvemos a falar.”

A mãe pegou no desenho com cuidado. “Que orgulho. E o teu corpo, como se sente?”

“Calmo,” disse o Tomás, e foi verdade. “Como sombra numa tarde quente.”

A mãe abriu os braços. “Então vem cá.”

O Tomás entrou no abraço dela. Era um abraço fresco, como a sala polivalente, e seguro, como a sombra da figueira. Atrás dele, ouviu os amigos a despedirem-se com risos baixos.

“Até amanhã!” gritou o Gui.

“Até amanhã,” respondeu o Tomás, ainda abraçado.

E a noite começou a chegar devagar, sem pressa, como as melhores coisas do verão.

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Toalha dobrada
Peça de tecido dobrada para secar ou proteger algo.
Sala polivalente
Sala grande onde se fazem várias atividades diferentes.
Ventoinha
Aparelho que sopra ar para refrescar num dia quente.
Tic-tac
Som do relógio a cada segundo, como um bater pequeno.
Exposição
Coleção de desenhos ou objetos mostrada para outras pessoas verem.
Alternar
Mudar entre uma coisa e outra, fazendo as duas em vez de só uma.
Tensão
Sentimento de nervosismo ou preocupação entre pessoas.
Resolver
Encontrar uma solução para um problema ou discutir algo difícil.

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