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História sobre as férias de verão 7 a 8 anos Leitura 8 min.

O lago das pequenas coisas

Dois amigos, Tomás e Leo exploram o campo durante as férias de verão e, numa caminhada até um lago, descobrem como momentos simples podem equilibrar a pressa e a calma.

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Dois meninos: Tomás, 8 anos, cabelo castanho desgrenhado, camiseta vermelha e calção de ganga, sentado numa pedra à direita junto à água, segurando uma pedrinha entre polegar e indicador e uma pinha na outra mão, olhar curioso para o lago; Leo, 8 anos, cabelo loiro curto, camiseta verde-clara e calças bege, sentado numa pedra à esquerda, um pouco recuado, segurando meia maçã e sorrindo calmamente para a água. Local: pequeno lago de montanha ao pôr do sol, água lisa refletindo céu laranja e rosa, margens de pedras arredondadas e tufos de erva, pinheiros escuros e montanhas azuladas ao fundo, luz dourada rasante. Cena: pôr do sol sereno, Tomás atira suavemente uma pedrinha criando finas ondas circulares, Leo partilha uma maçã, atmosfera doce, silenciosa e tátil. Estilo e enquadramento: chibi kawaii, traços arredondados e olhos grandes expressivos, cores pastel quentes, luz suave e baixo contraste, plano médio amplo centrado e equilibrado, ambiente infantil e acolhedor. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Nas férias de verão, o Tomás e o Leo acordavam cedo sem despertador. A luz entrava pela janela como um lençol dourado. Lá fora, as cigarras faziam um som que parecia uma risada comprida. A casa de férias ficava numa aldeia pequena, com cheiro a pão quente de manhã e a pinheiros à tarde.

Tomás tinha oito anos e uma vontade grande de fazer tudo ao mesmo tempo. Queria nadar, correr, comer gelado, construir uma cabana, ver estrelas, e ainda sobrar tempo. Leo, também com oito, gostava de ir com calma. Observava as coisas e reparava em detalhes, como a forma das nuvens ou o desenho das pedras.

Nesse dia, depois de um almoço simples, Tomás sentiu-se cheio de energia, mas também um pouco confuso. As férias eram tão boas que ele tinha medo de as “gastar” mal, como se escolhesse o jogo errado e depois ficasse a pensar nisso.

Leo percebeu o amigo inquieto. Não disse muito. Só olhou para o céu azul e sugeriu uma ideia que parecia fácil: “Vamos dar uma volta no fim da tarde.”

Tomás gostou. Uma volta não era uma coisa enorme. Não precisava de planos perfeitos. Era só andar, respirar, ver o que acontecia. Mesmo assim, ele pensou: e se eu me aborrecer? E se for longe demais? Mas o calor suave e o som distante de água a correr deixaram-no curioso.

Capítulo 2

Quando o sol começou a baixar, os dois rapazes calçaram ténis, encheram uma garrafa de água e levaram uma maçã para partilhar. O caminho saía da aldeia e subia devagar. A sombra das árvores fazia manchas frescas no chão. O ar cheirava a erva seca e a terra quente.

Tomás começou a andar depressa, como se estivesse numa corrida. Leo ficou ao lado, sem pressa. O passo deles foi encontrando um meio-termo, nem demasiado rápido, nem demasiado lento. Tomás ainda queria acelerar, mas escutou os seus próprios pulmões e achou engraçado o barulho que fazia quando respirava com força.

Pelo caminho, viram um gato a espreguiçar-se numa pedra, com os olhos quase fechados. Um sino distante tocou na aldeia, e o som foi ficando pequenino. Tomás apanhou uma pinha e rodou-a na mão. Era áspera e ao mesmo tempo bonita. Leo reparou numa formiga que carregava uma migalha muito maior do que ela. Tomás inclinou-se para ver melhor e ficou impressionado.

À medida que subiam, o ar tornou-se mais fresco. Tomás sentiu um arrepio agradável, como quando se entra na água de um lago. E então, depois de uma curva, apareceu uma placa de madeira: “Trilho do Lago”.

Tomás sorriu sem perceber bem porquê. Um lago de montanha parecia uma coisa importante, como num livro. Mas ali estava, real, à espera deles, no fim de um caminho.

Capítulo 3

O lago surgiu entre as árvores como um segredo. A água era lisa e brilhava com a luz do fim do dia. Havia pedras à beira, algumas redondas, outras com cantos. As montanhas ao fundo pareciam grandes guardas silenciosos, mas não assustavam. Só davam vontade de ficar quieto por um momento.

Tomás aproximou-se depressa e depois parou, como se o lago pedisse respeito. Leo sentou-se numa pedra e tirou a garrafa de água. Tomás sentou-se também, a sentir o calor da pedra nas pernas. O silêncio ali não era vazio. Tinha sons pequenos: um pássaro a chamar, a água a mexer de leve, folhas a roçar.

“É bonito,” disse Tomás, baixinho, como se falasse com o próprio lago.

Leo concordou com a cabeça. Os dois ficaram a olhar para a água. Tomás reparou que o reflexo das nuvens se mexia devagar, como se o céu também estivesse a tomar banho.

Tomás teve vontade de fazer alguma coisa grandiosa. Pensou em atirar uma pedra grande para fazer um “ploc” enorme. Mas depois viu um círculo pequeno a formar-se na água, perto da margem. Um inseto tinha tocado na superfície e criado ondas fininhas, que se espalhavam com calma.

Ele apanhou uma pedrinha bem pequena, quase do tamanho de uma unha. Ficou a olhar para ela. Era simples, mas tinha manchas brilhantes. Tomás lançou-a com cuidado. “Plip.” A pedrinha entrou e fez círculos delicados, que foram crescendo.

Tomás observou aquelas ondas até desaparecerem. Sentiu uma coisa boa no peito, como se a sua pressa tivesse aprendido a respirar.

Leo tirou a maçã e partiu-a ao meio com as mãos. Deu metade a Tomás. A maçã estava fresca e doce, e o sumo escorreu um pouco pelos dedos. Tomás lambeu a ponta do dedo e riu-se em silêncio.

Eles inventaram um jogo calmo: encontrar três coisas. Uma coisa que cheirasse bem, uma coisa que tivesse uma cor bonita, e uma coisa que fizesse um som agradável. Tomás escolheu o cheiro das folhas de pinheiro. Leo escolheu a cor verde-escura da água perto das pedras. Tomás escolheu o som leve do vento, que parecia uma música de fundo.

Por um momento, Tomás quis falar muito, contar tudo o que estava a sentir. Mas bastou-lhe ficar ali. A alegria não precisava de barulho.

Capítulo 4

Quando o sol ficou cor de laranja, eles levantaram-se. Tomás sentiu as pernas um pouco cansadas, mas era um cansaço bom, como depois de brincar. No caminho de volta, as sombras alongaram-se e o ar ficou ainda mais fresco. Leo caminhava ao lado dele, e dessa vez Tomás não apressou tanto.

Ao passarem por um campo, viram uma senhora a regar um pequeno jardim. A água caía devagar e brilhava como fios de prata. Tomás pensou que aquilo era parecido com as ondas do lago: uma coisa pequena a fazer um efeito bonito.

Já perto da casa de férias, as primeiras estrelas começaram a aparecer. Tomás parou um instante e olhou para cima. Não precisava de fazer tudo num só dia. As férias tinham muitos fins de tarde. E mesmo que fossem poucas, ele tinha aprendido uma coisa simples: o dia ficava mais completo quando havia um pouco de corrida e um pouco de calma.

Na varanda, depois do jantar, Tomás e Leo ficaram a ouvir os grilos. Tomás segurava a pinha que tinha apanhado. Passou o dedo pelas escamas ásperas e lembrou-se do “plip” da pedrinha no lago.

Ele pensou que, às vezes, a melhor maneira de encontrar a sua própria forma de fazer as coisas era experimentar e sentir. Nem sempre precisava escolher o maior plano ou a aventura mais barulhenta. Uma caminhada, uma maçã partilhada, um som leve de água, um pôr do sol: eram coisas pequenas, mas ficavam guardadas como tesouros.

Tomás olhou para Leo, que bocejava com um sorriso. E, sem dizer muito, Tomás sentiu uma certeza tranquila: nas férias de verão, até as pequenas coisas contam, porque são elas que enchem o coração devagarinho.

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Aldeia
Uma pequena vila com poucas casas e pessoas, mais calma que uma cidade.
Cigarras
Insetos que fazem um som alto e contínuo, especialmente no verão.
Lençol dourado
Descrição poética da luz que entra pela janela, como um tecido amarelo e brilhante.
Espreguiçar-se
Esticar o corpo devagar para acordar ou ficar mais confortável.
Pinheiros
Árvores altas e verdes, com folhas em forma de agulha.
Pinha
Fruto do pinheiro, duro por fora e com escamas.
Meio-termo
Uma solução ou passo que não é nem muito nem pouco, um equilíbrio.
Trilho do Lago
Caminho sinalizado que leva até o lago, usado para passear.
Reflexo
Imagem que aparece na água ou num espelho quando algo é refletido.
Arrepio
Sensação de frio ou emoção que faz a pele arrepiar, como quando se entra na água fria.
Migalha
Pedaço muito pequeno de pão ou de comida.
áspera
Que tem superfície rugosa ou rude ao toque.
Pôr do sol
Momento em que o sol desce no fim do dia e o céu fica colorido.

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