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História sobre as férias de verão 9 a 10 anos Leitura 11 min.

O verão do Tomás: o acampamento das escolhas e da coragem

Tomás vive um verão de aventuras no quintal e num acampamento, onde aprende a trabalhar em equipa, a cuidar da natureza e a enfrentar os seus medos.

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Um rapaz de 10 anos, expressão alegre e orgulhosa, cabelo castanho despenteado e sardas no nariz, veste camisola listrada azul e calções caqui, segura uma pequena moeda de prata entre polegar e indicador como se a colocasse num frasco de vidro; a irmã de cerca de 12 anos, rosto sorridente e calmo, cabelo preso em rabo de cavalo, veste um vestido de verão amarelo, segura um frasco de vidro com a etiqueta Para mais tarde e fica ligeiramente atrás do rapaz com olhar benevolente; um amigo de cerca de 9 anos, com ar malicioso e boné vermelho, aponta com uma pequena carta do tesouro amarelada em papel para o parque; cenário num parque de fim de tarde de verão com relva verde, árvores detalhadas, caminho de cascalho claro, uma gelataria ao fundo com vitrina às riscas e tendas coloridas mais além; a cena mostra o rapaz a depositar a moeda no frasco sobre uma mesa de madeira ao ar livre, luz dourada do pôr do sol criando sombras compridas e reflexos quentes no vidro, folhas no chão e uma garrafa de plástico recolhida ao lado a indicar cuidado; estilo visual 3D cartoon cel‑shading, cores saturadas, texturas simples, linhas nítidas, expressões exageradas e atmosfera veranil suave e otimista. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Verão Começa no Quintal

O Tomás tinha 9 anos e um sorriso que parecia uma fatia de melancia: grande, vermelho de alegria, e difícil de segurar. Era o primeiro dia de férias de verão. O ar cheirava a protetor solar e a relva quente.

“Hoje faço planos!”, anunciou ele, com a mochila às costas, mesmo sem sair de casa.

A mãe riu. “Planos para quê?”

“Para tudo! Para jogar à bola com a turma, para ir à piscina, para o grande acampamento… e para não ficar parado.”

No bolso, o Tomás tinha moedas que tilintavam como pequenos sinos. Tinha recebido algum dinheiro da avó para “um gelado aqui e ali”. Ele já imaginava um gelado enorme, com chantilly a cair pelos dedos.

Mas, ao lado da porta, viu um frasco de vidro com uma etiqueta escrita a marcador: “Para mais tarde”.

A irmã mais velha, a Clara, apareceu e disse: “Estou a juntar para comprar um livro. Pouco a pouco.”

O Tomás franziu o nariz. “Mas… e se eu quiser uma coisa agora?”

A mãe deu-lhe um beijo na testa. “Guardar um bocadinho também é uma aventura. Ajuda-te a escolher melhor.”

O Tomás olhou para as moedas. Guardou duas no frasco. “Só duas… por enquanto”, murmurou, como se estivesse a negociar com elas.

Quando saiu para se encontrar com os amigos no parque, sentiu-se importante. Como se tivesse feito uma escolha de gente crescida. E o verão, brilhante e lento, parecia dizer: há tempo para tudo.

Capítulo 2: Jogos em Grupo e Um Pequeno Desafio

No parque, o grupo já estava a organizar uma caça ao tesouro. A Sofia segurava um mapa desenhado em papel amarelo. O Bruno trazia uma bússola de plástico e fazia cara de explorador.

“Tomás! Precisamos de ti na equipa!”, gritou a Sofia.

O Tomás correu, feliz. Ele adorava atividades em grupo. Gostava de ouvir ideias diferentes e de sentir que, juntos, resolviam tudo mais depressa.

O primeiro “tesouro” era simples: encontrar três folhas diferentes sem arrancar nada das árvores.

“Sem arrancar!”, repetiu a Sofia, séria. “É regra. Respeito pela natureza.”

O Tomás olhou para um ramo baixo e, por um segundo, a mão quase foi. Depois parou.

“Podemos apanhar as que já caíram”, sugeriu ele. “Assim não magoamos a árvore.”

“Boa!”, disse o Bruno.

Agacharam-se. O chão estava quente. Havia folhas secas que estalavam como bolachas e outras verdes, frescas, que tinham caído com o vento. O Tomás encontrou uma folha com cheiro a limão quando a esfregou entre os dedos.

Mais à frente, viram um pacote de batatas fritas no meio da relva.

“Que nojo…”, disse a Sofia.

O Tomás pegou nele com cuidado. “Vamos pôr no lixo. A relva não é caixote.”

O Bruno fez uma careta. “Mas isso é trabalho.”

“É trabalho de equipa”, respondeu o Tomás, e piscou o olho.

Todos riram. E, quando terminaram a caça ao tesouro, o “prémio” foi uma jarra de água fresca e laranjas. O Tomás bebeu e sentiu a garganta agradecer.

Na volta para casa, passou pela gelataria. O cheiro a bolacha e baunilha puxou por ele.

“Hoje podia…”, pensou.

Depois lembrou-se do frasco. Tirou uma moeda e guardou-a no bolso. “Um gelado pequeno chega”, decidiu.

E, pela primeira vez, a palavra “mais tarde” não pareceu tão longe.

Capítulo 3: O Campo de Tendas

Chegou o dia do grande acampamento. O autocarro deixou as crianças perto de um prado enorme, cheio de tendas coloridas. Pareciam cogumelos depois da chuva: azuis, verdes, laranjas, às riscas.

O Tomás ficou de boca aberta. “Uau… isto é uma cidade de pano!”

O monitor, o Tiago, bateu palmas. “Pessoal, primeiro: cada grupo monta a tenda. Segundo: nada de lixo no chão. Terceiro: respeitar o silêncio à noite, porque a natureza também dorme.”

O Tomás ficou no grupo da Sofia e do Bruno. A tenda deles era verde e cheirava a plástico novo.

“Eu seguro aqui!”, disse o Tomás, agarrando uma vareta.

O Bruno puxou demais e a tenda quase saltou.

“Eh lá! Queres lançar um foguete?”, brincou o Tomás.

“Quero lançar é a tenda inteira”, resmungou o Bruno, mas a rir.

Trabalharam juntos. O Tomás gostava daquela confusão organizada: mãos a segurar, vozes a combinar, risos quando algo dobrava ao contrário.

Quando a tenda ficou de pé, todos deram um passo atrás, como artistas a ver o quadro pronto.

“Conseguimos!”, disse a Sofia, e bateu palmas.

À tarde, foram buscar água a um ponto de abastecimento. O monitor explicou: “Poupar água também é cuidar do lugar.”

O Tomás encheu a garrafa sem deixar transbordar. O sol batia no pescoço, e o som das cigarras fazia um zumbido constante, como um rádio muito baixinho.

À noite, no meio do campo de tendas, acenderam lanternas. Pontinhos de luz mexiam-se como pirilampos humanos.

Quando se deitou no saco-cama, o Tomás ouviu o vento a bater na tenda: “fuf… fuf…”. O coração dele bateu um pouco mais depressa.

“Sofia… e se aparecer um animal?”, sussurrou.

A Sofia respondeu, tranquila: “Os animais têm mais medo de nós. E estamos todos aqui.”

O Tomás apertou o fecho do saco-cama até ao queixo. “Eu sei… mas a noite parece maior aqui.”

Do lado de fora, alguém riu. Alguém contou uma piada baixinho. O Tomás respirou devagar, como a mãe lhe ensinara: inspira… expira…

E adormeceu com a sensação de estar seguro no meio de uma pequena aldeia de amigos.

Capítulo 4: Um Susto, Um Pedido e Um Pequeno Tesouro

No dia seguinte, houve uma caminhada curta até um riacho. O caminho tinha cheiro a terra molhada e a pinheiros.

O monitor Tiago avisou: “Andem em fila, sem pisar as plantas. Cada pegada conta.”

O Tomás seguia atento. De repente, ouviu um “ploc!” e viu um sapo saltar para dentro de uma poça. Foi tão rápido que ele deu um salto para trás.

“Ah!”

O Bruno riu-se. “Era só um sapo, Tomás. Um sapo pequenino!”

O Tomás ficou vermelho. “Eu sei… só me assustei.”

A Sofia falou com cuidado: “Assustar não é vergonha. É só o corpo a avisar.”

O Tomás respirou fundo. “Então o meu corpo é muito conversador.”

Os três riram. E o susto virou história para contar.

Na pausa, o monitor distribuiu limonada. O Tomás viu uma lojinha simples do acampamento, com postais e pulseiras feitas de fio.

Uma pulseira de corda tinha uma pequena folha desenhada. Ele quis comprá-la para se lembrar do verão. Meter a mão no bolso fez o tilintar das moedas.

Depois lembrou-se do frasco. Do “mais tarde”.

Ele pensou: “Se eu gastar tudo agora, depois não tenho para algo mesmo importante.”

Foi até ao monitor Tiago. “Posso comprar só um postal? É mais barato. E quero guardar algum dinheiro.”

O Tiago sorriu. “Boa escolha. Guardar também é cuidar de ti.”

O Tomás comprou o postal e escreveu: “Eu consegui dormir numa tenda.” Dobrou-o com cuidado, como se fosse um segredo.

No regresso, viu outra vez lixo no chão, uma garrafa de plástico.

Sem fazer grande barulho, apanhou-a e colocou-a no saco do grupo. A garrafa era leve, mas pareceu-lhe um gesto pesado de significado.

“Obrigado”, disse a Sofia, ao ver. “A natureza não tem mãos para apanhar isto.”

O Tomás olhou para as árvores, altas e quietas. “Mas nós temos”, respondeu.

Capítulo 5: A Noite Mais Calma e o Regresso a Casa

Na última noite, o campo de tendas parecia ainda mais bonito. Talvez porque o Tomás já o conhecia. As lanternas desenhavam círculos de luz no chão. O ar estava morno, com cheiro a sopa e a madeira.

Fizeram uma roda e cada um contou uma coisa boa do acampamento.

A Sofia disse: “Gostei de montar a tenda sem desistir.”

O Bruno disse: “Gostei do riacho… e de não escorregar, o que é um milagre.”

Quando chegou a vez do Tomás, ele engoliu em seco e falou:

“Eu gostei de estar em grupo. E… gostei de perceber que posso ter medo e mesmo assim continuar. O sapo assustou-me. A noite também. Mas hoje… sinto que o medo ficou mais pequeno.”

O monitor Tiago assentiu. “Coragem não é não ter medo. É dar um passo com ele ao lado.”

Depois, antes de dormir, o Tomás foi até à mochila e contou as moedas que ainda tinha. Não eram muitas, mas eram dele, guardadas com intenção. Sentiu um orgulho tranquilo, como quando se termina um puzzle.

Na tenda, o vento voltou a soprar. “Fuf… fuf…”. O Tomás ouviu, mas o coração ficou mais calmo.

“Boa noite”, disse ele ao escuro, como se o escuro fosse um colega novo.

De manhã, o autocarro levou-os de volta. O verão continuava lá fora, brilhante, com cheiro a estrada quente.

Em casa, o Tomás foi direto ao frasco “Para mais tarde” e deixou lá mais duas moedas. O som do vidro fez-lhe cócegas nos ouvidos.

A mãe perguntou: “Então, como foi?”

O Tomás respondeu: “Foi como o verão. Quente, um bocadinho assustador às vezes… mas bom. E eu aprendi a cuidar do lugar onde estou. E a cuidar de mim.”

Depois abriu a janela. Lá fora, uma folha mexeu-se ao vento. O Tomás sorriu. Sentia que, por dentro, também tinha mexido um pouco — para melhor.

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Protetor solar
Creme que se passa na pele para evitar queimaduras do sol.
Relva
Plantas verdes e baixas que crescem no chão, também chamada grama.
Frasco de vidro
Recipiente feito de vidro usado para guardar coisas dentro.
Tilintavam
Faziam um som agudo e leve, como pequenos sinos a tocar.
Chantilly
Creme doce batido, usado em gelados e bolos.
Acampamento
Lugar onde se monta tendas e se dorme ao ar livre por alguns dias.
Bússola
Instrumento que mostra a direção norte e ajuda a orientar-se.
Transbordar
Quando algo passa do limite e derrama para fora.
Cigarras
Insetos que fazem um som forte e contínuo no verão.
Saco-cama
Saco acolchoado onde se dorme dentro da tenda, como uma cama portátil.
Riacho
Pequeno curso de água que corre pela terra, menor que um rio.
Pinheiros
Árvores altas com folhas em forma de agulha e tronco direito.
Poça
Pequena acumulação de água no chão, feita pela chuva ou por um salto.
Pirilampos
Insetos que produzem luz no escuro, parecendo pequenas lanternas.
Abastecimento
Ação de levar ou encher coisas necessárias, como água.
Postais
Cartões com imagem que se enviam para contar sobre uma viagem.
Pulseiras
Objetos usados no pulso, feitos de corda ou outro material.

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