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História sobre as férias de verão 9 a 10 anos Leitura 10 min.

O mapa do limoeiro e o segredo da enseada

Dois amigos seguem um mapa de pistas na casa da avó, explorando o jardim, o tanque e uma enseada escondida e descobrindo sinais da história do lugar.

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Três personagens: um menino de 9 anos, cabelo castanho curto, camiseta listrada azul, agachado à esquerda abrindo um pequeno caderno creme sobre uma pedra; uma menina de 9 anos, cabelo castanho em tranças, vestido amarelo, em pé à direita segurando um pedaço de madeira liso como um tesouro e olhando o mar; uma avó de ~65 anos, cabelo grisalho preso, blusa florida, sentada ao fundo numa rocha baixa, sorrindo e descascando um pêssego vermelho. Local: uma pequena enseada rochosa à beira-mar com água turquesa calma, algas, conchas quebradas e areia clara. Situação: as crianças descobrem um caderno "do tesouro" numa grande pedra junto à água, concentradas e maravilhadas, enquanto a avó as observa com ternura; atmosfera de verão luminosa, sombras suaves e paleta quente. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Mapa na Mesa da Cozinha

O sol de verão entrava pela janela e fazia riscos dourados na mesa da cozinha. O Tomás, de 9 anos, estava com uma folha branca, um lápis e uma régua. Ele gostava de planear tudo. Até as férias.

A Inês, também com 9, apareceu com um copo de limonada na mão e a cara curiosa.

“O que é isso, Tomás? Um plano para conquistar o mundo?”

“Quase,” ele respondeu, sem levantar muito a cabeça. “Um jogo de pista. Mas tem de fazer sentido. Sem pistas tontas.”

A avó tinha contado, na noite anterior, que a casa onde estavam de férias já fora de um guarda da costa, há muitos anos. E que, perto dali, havia uma pequena enseada escondida, uma “prainha” discreta, onde os pescadores antigamente deixavam as redes a secar.

“Quero que as pistas falem do lugar,” disse o Tomás. “Assim aprendemos alguma coisa. E não nos perdemos.”

A Inês riu-se. “Tu és mesmo… prático.”

Ele desenhou um mapa simples: o jardim, o portão velho, o limoeiro, o tanque pequeno com rãs, e a porta da despensa. Depois escreveu, com letra caprichada: PISTA 1, PISTA 2, PISTA 3…

“A primeira pista vai estar no sítio mais óbvio,” decidiu ele. “Mas a solução não.”

“Gosto,” disse a Inês. “Como aqueles enigmas que parecem fáceis e depois… pumba!”

O Tomás levantou finalmente os olhos. “Prometes seguir as regras?”

“Prometo,” disse a Inês, fazendo um gesto sério demais para o calor do dia. “Mas se houver aranhas gigantes, eu desisto.”

“Não há aranhas gigantes,” garantiu ele. “No máximo, uma formiga que se acha importante.”

Capítulo 2: A Sombra do Limoeiro

O jardim cheirava a terra quente e a folhas esmagadas. As cigarras faziam um barulho que parecia uma panela a ferver. O Tomás colocou um papel dobrado debaixo de uma pedra, mesmo ao lado do limoeiro.

“Aí está a Pista 1,” disse ele, com orgulho.

A Inês cruzou os braços. “Então eu começo! Onde é que se procura primeiro?”

“Não posso dizer. Regras.”

Ela procurou perto do banco, atrás do regador, dentro do vaso vazio. Depois, viu a pedra e levantou-a.

“Ahá! Encontrei!”

A pista dizia: “Onde a água dorme e as rãs fazem coro, procura o número gravado.”

“Água que dorme… isso é o tanque!” disse a Inês, já a correr.

O tanque era pequeno e redondo. A água brilhava com um verde calmo. Uma rã saltou e fez “ploc”, como se também quisesse participar no jogo.

A Inês ajoelhou-se e olhou para a borda de pedra. Havia um número antigo gravado: 1932.

“O que é que isto quer dizer?” perguntou ela.

O Tomás chegou e leu em voz alta. “1932… Pode ser o ano em que fizeram o tanque.”

“Uau,” disse a Inês, tocando no número com a ponta do dedo. “Isto é mesmo velho.”

“E agora?” perguntou ela.

O Tomás entregou-lhe a Pista 2, que estava escondida num buraco da pedra (ele tinha treinado antes, para não cair na água).

A Inês abriu o papel: “Vai ao portão de ferro. Procura a marca de quem passava por aqui antes de ti.”

O portão rangia quando mexiam nele. Era alto, com pontas redondas e manchas de ferrugem que pareciam sardas.

“A marca… será uma inicial?” a Inês perguntou.

“Ou um sinal,” disse o Tomás. “Como nos lugares antigos.”

Eles olharam com atenção. No canto de baixo, quase escondida, havia uma pequena placa com letras gastas: G.C.

“Inês… isto pode ser ‘Guarda da Costa'!” disse o Tomás, animado.

A Inês arregalou os olhos. “Então a história da avó era a sério!”

Ela encontrou a Pista 3 presa com um íman atrás da placa (o Tomás adorava ímanes). E leu: “Segue o caminho das pedras até onde o mar fala baixinho.”

O Tomás sorriu. “A enseada.”

Capítulo 3: A Pequena Enseada Discreta

O caminho até à enseada era estreito e tinha pedras claras que aqueciam os pés mesmo através das sandálias. O ar cheirava a sal e a alecrim. O mar, ao longe, brilhava como uma folha de alumínio ao sol.

A enseada era pequena, escondida entre rochas. A água era tranquila e fazia um som de sussurro, como se contasse segredos. Havia algas na beira e conchinhas partidas, e um pedaço de madeira liso que parecia ter viajado muito.

A Inês respirou fundo. “Aqui é tão… calmo. Parece que o tempo anda mais devagar.”

“O mar fala baixinho,” disse o Tomás, repetindo a pista como se fosse uma frase importante.

Ele apontou para uma pedra grande, com uma mancha escura.

“Ali! Vês aqueles riscos?”

A Inês aproximou-se. Na pedra, havia linhas gravadas, quase apagadas, como se alguém tivesse tentado desenhar um peixe há muito tempo.

“Será um desenho de pescador?” ela perguntou.

“Ou uma marca,” disse o Tomás. “Como se fosse ‘aqui é o nosso lugar'.”

Debaixo da pedra, preso num saco pequeno de pano, estava o “tesouro”: um caderno fino e um lápis, com uma nota: “Escreve uma coisa que aprendeste sobre este lugar.”

A Inês olhou para o Tomás. “O teu tesouro é… trabalhos de casa?”

“Não,” ele defendeu-se, corando. “É um caderno de exploradores. É diferente.”

Ela riu-se. “Está bem, senhor explorador pragmático.”

Sentaram-se numa rocha à sombra. O Tomás escreveu: “Aprendi que aqui havia pescadores e que a casa teve um guarda da costa.”

A Inês pensou um pouco e escreveu: “Aprendi que as marcas ficam, mesmo quando as pessoas vão embora.”

Depois ficaram em silêncio, só a ouvir a água e a ver um caranguejo pequeno a andar de lado, como se estivesse atrasado para algum compromisso.

“Ele anda como eu quando me chamam para jantar,” disse a Inês.

O Tomás soltou uma gargalhada curta. “Pelo menos não foges para trás.”

Capítulo 4: O Regresso e a Última Pista

No caminho de volta, o sol estava mais alto e o calor fazia o ar tremer um pouco. A Inês abanava o caderno como se fosse um leque.

“Próxima vez, o jogo de pista tem de ter prémio com gelado,” anunciou ela.

“O gelado derrete,” respondeu o Tomás. “É pouco prático.”

“Lá estás tu…”

Quando chegaram à casa, o Tomás tinha guardado uma última pista na despensa. Era o lugar mais fresco, com cheiro a madeira e a maçãs.

A Inês encontrou o papel preso ao frasco do arroz. Leu: “O verdadeiro tesouro é contar a alguém o que descobriste. Vai à avó.”

A Inês fez uma careta brincalhona. “Isto é claramente uma missão.”

“Sim,” disse o Tomás. “E é importante.”

Foram até à varanda, onde a avó estava a descascar pêssegos. O sumo escorria devagar e brilhava.

“Avó,” disse a Inês, “fizemos um jogo de pista e fomos à enseada!”

O Tomás acrescentou: “Encontrámos a placa ‘G.C.' no portão. E na pedra da enseada havia marcas antigas.”

A avó sorriu, com olhos de quem guardava muitas histórias.

“Sabem,” disse ela, “as pessoas deixam sinais. Alguns são placas, outros são riscos na pedra, outros são histórias contadas na varanda. E vocês também deixaram um sinal hoje: escreveram no caderno.”

A Inês folheou o caderno. “Então… nós fazemos parte da história do lugar?”

“Claro,” respondeu a avó. “Com respeito, com curiosidade, e com cuidado.”

O Tomás olhou para o jardim, para o limoeiro, para o tanque com o número antigo.

“Eu pensava que as férias eram só descansar,” disse ele, baixinho. “Mas afinal…”

“Mas afinal cada dia ensina alguma coisa,” completou a Inês, orgulhosa, como se tivesse encontrado a última pista do verão.

O Tomás assentiu. E, naquele fim de tarde quente, com cheiro a pêssego e a limão, ele percebeu que aprender podia ser leve como uma brisa. E que o mundo, mesmo pequeno como um jardim e uma enseada escondida, tinha sempre mais um detalhe para descobrir no dia seguinte.

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Enseada
Pequena baía ou recanto junto ao mar, geralmente protegido por rochas.
Regador
Recipiente com bico usado para molhar plantas no jardim.
Tanque
Recipiente grande de pedra ou cimento onde se guarda água.
Cigarras
Insetos que fazem um som alto e contínuo no verão.
Algas
Plantas que crescem na água ou nas pedras do mar.
Conchinhas
Pequenas cascas de moluscos que se encontram na areia.
Pêssegos
Frutas redondas, suculentas e com pele aveludada.
Despensa
Sala pequena ou armário onde se guardam alimentos.
Limoeiro
Árvore que dá limões, com folhas e frutos aromáticos.
Placa
Pequeno sinal ou tabuleta com escrita fixada num lugar.
Ferrugem
Camada castanha que aparece no metal quando fica molhado.
Caderno
Conjunto de folhas presas onde se escreve notas ou desenhos.

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