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História de viagem no tempo 3 a 4 anos Leitura 6 min.

O relógio do tempo e a estrelinha da Lila

Lila encontra o Relógio do Tempo no quarto do avô e, seguindo regras, faz uma pequena viagem onde aprende a observar, não alterar o passado e registrar suas descobertas.

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Menina de 4 anos, olhos curiosos, cabelos castanhos em pequenas tranças, expressão surpresa e atenta, segurando um botão vermelho como se fosse colocá‑lo de volta numa caixa; homem jovem (versão jovem do avô), 25–30 anos, sorriso tímido e olhar benevolente, em pé junto a uma cadeira; objeto importante: pequeno despertador prateado no pulso da menina com um botão verde a piscar e um leve halo azul pálido; cenário: quarto acolhedor com tapete de padrão suave, mesa de madeira com caixa aberta de botões coloridos, foto antiga emoldurada numa prateleira e luz dourada de fim de tarde criando sombras longas; situação: momento suspenso, calmo e curioso, cores pastéis quentes e detalhes delicados (veios da madeira, reflexos no despertador, migalhas na mesa). reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O relógio que fazia “tic-tac” diferente

A Lila tinha 4 anos. Ela gostava de contar passos e guardar pedrinhas brilhantes no bolso.

Num fim de tarde, ela viu uma coisa nova no quarto do avô: uma caixa redonda, prateada, com um botão verde. Parecia uma lancheira do espaço.

O avô sorriu e disse: “É o Relógio do Tempo. Ele só funciona com regras.”

Lila abriu bem os olhos. “Regras?”

“Sim,” disse o avô, calmo. “Primeiro: não mexer em coisas importantes do passado. Segundo: observar com atenção. Terceiro: anotar, para não esquecer.”

Lila tinha um caderninho com capa azul. Ela adorava fazer bolinhas e risquinhos. O avô deu um lápis bem curtinho.

Ele falou: “Vamos juntos. Eu fico aqui. Você vai e volta rapidinho.”

Lila tocou no botão verde. O relógio fez “tic-tac… tic-tac…”, e a luz ficou macia, como sol por trás da cortina.

No caderno, Lila escreveu do seu jeito:

“Diário da Lila:

1) Olhar.

2) Não pegar.

3) Voltar.”

A luz girou como um carrossel lento. E, de repente, o quarto mudou.

Parte 2: Ontem, amanhã e um pequeno paradoxo brincalhão

Lila estava no mesmo quarto… mas tudo parecia mais novo. O tapete tinha outra cor. O avô tinha um bigode mais grande na foto da parede.

Na mesa havia um avião de papel. Lila adorava aviões de papel.

Ela ouviu passos. A porta abriu. Era o avô… só que mais jovem, com um sorriso surpreso.

Ele disse: “Olá, pequenina. Você está perdida?”

Lila sentiu um quentinho no peito. Não era medo. Era só espanto.

Ela lembrou das regras. “Eu… eu só vou olhar.”

O avô jovem riu baixinho. “Boa ideia.”

Lila viu, em cima da cadeira, um casaco com um botão caído. Ao lado, uma caixinha com botões coloridos.

Ela pensou: “Eu posso ajudar!” E pegou um botão vermelho para colocar no casaco.

Nesse momento, o Relógio do Tempo, no pulso dela, fez “tic!” bem forte. Uma luz pequenina piscou.

Uma voz suave saiu do relógio, como um sussurro de brinquedo: “Regra um: não mexer.”

Lila parou. O botão ficou na sua mão.

Ela olhou para o avô jovem e disse: “Desculpa. É regra.”

Ele assentiu, sério e gentil. “Regras protegem as histórias.”

Lila colocou o botão vermelho de volta na caixinha. Ufa.

De repente, ela viu uma coisa engraçada: perto da janela havia um desenho na parede. Era um desenho de uma menina com maria-chiquinhas… e parecia com ela!

No caderno, Lila escreveu:

“Vi eu na parede? Talvez.”

Ela ficou pensando. “Se eu estou aqui, eu desenho na parede? Mas eu não posso.”

O Relógio do Tempo fez “tic-tac” bem baixinho, como se estivesse rindo.

Então Lila teve uma ideia metódica. Ela falou baixinho: “Eu vou fazer do jeito certo.”

Ela pegou o lápis do caderno e desenhou uma estrelinha pequena… no próprio caderno, não na parede. Depois mostrou ao avô jovem.

“Uma estrela para lembrar,” ela disse.

O avô jovem sorriu. “Boa memória. Boa regra.”

A luz do relógio ficou azul-clara, como piscina no sol. A voz suave disse: “Hora de voltar.”

Lila apertou o botão verde outra vez. A sala girou, devagarinho, e ela sentiu um cheirinho de biscoito, como se o tempo fosse uma cozinha.

Parte 3: De volta ao agora, com um sorriso e um plano

Puf. Lila estava no quarto de sempre. O avô estava ali, sentado, com chá na caneca.

“Voltou!” ele disse, feliz. “Tudo bem?”

“Tudo bem,” disse Lila. “Eu quase mexi. Mas eu parei.”

O avô fez um carinho na cabeça dela. “Isso é método. Parar, pensar, seguir a regra.”

Lila abriu o caderno e mostrou a anotação e a estrelinha.

O avô leu e riu baixinho. “Uma estrela no lugar certo. Muito bem.”

Lila perguntou: “E o desenho na parede?”

O avô apontou. O desenho ainda estava lá. Mas agora Lila percebeu: era antigo, bem apagadinho. E tinha, bem no cantinho, uma estrelinha pequenina… igual à do caderno.

Lila arregalou os olhos. “O tempo faz truques!”

“Faz,” disse o avô. “Truques gentis. Quando cuidamos do tempo, ele cuida da gente.”

Lila bocejou, tranquila. “Posso viajar de novo outro dia?”

“Pode,” disse o avô. “Com regras, com calma e com o seu caderno.”

Lila abraçou o caderninho. Ela se sentiu segura. O agora parecia brilhante.

E, naquela noite, ela dormiu sorrindo, como quem guardou uma estrelinha no bolso do tempo.

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Lancheira
Caixa que se usa para levar comida no passeio ou na escola.
Carrossel
Brinquedo que gira em círculo, com cavalinhos ou bancos para sentar.
Paradoxo
Situação estranha que junta duas ideias que parecem não combinar.
Sussurro
Voz bem baixa, que quase não se escuta.
Metódica
Fazer algo com ordem e cuidado, passo a passo.
Anotar
Escrever num caderno para guardar uma lembrança ou ideia.
Apagadinho
Que está um pouco fraco, com cor ou desenho pouco visível.
Tic-tac
Som que o relógio faz, como dois barulhos repetidos: tic e tac.

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