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História de viagem no tempo 5 a 6 anos Leitura 6 min.

O ratinho e o relógio das canções

Tico, um ratinho inventor, encontra um relógio mágico que o transporta para uma praça musical onde vive aventuras e aprende sobre partilha, coragem e o respeito pelo tempo.

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Ratozinho antropomórfico de olhos grandes e pelagem cinza clara, com colete azul e lenço vermelho, pula e salva uma gaita de madeira com a cauda enquanto uma menina de tranças loiras em vestido amarelo às bolinhas aplaude à esquerda e um menino triste de roupas listradas dos anos 1930 se ajoelha perto de uma boca de esgoto; praça de pedras coloridas, músicos ao fundo (piano, violino, trompete), balões e barracas de festa, luz quente de fim de tarde; cena dinâmica e congelada com poeira e notas musicais desenhadas, cores vivas (azul, amarelo, vermelho), traço nítido, texturas suaves, atmosfera alegre e mágica. reportar um problema com esta imagem

Primeira Parte: O Relógio Misterioso

Num cantinho sossegado de uma casa antiga vivia Tico, um ratinho curioso de bigodes compridos e olhos brilhantes. Tico não era um rato qualquer: adorava invenções, mapas velhos e tudo o que tivesse ponteiros ou engrenagens. No sótão, onde morava, havia uma caixa de papelão cheia de relógios partidos, molas douradas e chaves pequeninas.

Certa manhã, Tico encontrou uma coisa diferente. Era um relógio de bolso antigo, com tampa dourada e desenhos de notas musicais. Abriu-o com cuidado e, de repente, ouviu um TICTAC diferente, como se o tempo dançasse.

— O que será isto? — perguntou Tico, com o coração a bater rápido.

Pôs o relógio junto do ouvido e ouviu uma vozinha, baixinha, quase um sussurro:

— Se queres conhecer o passado, vira a chave e abre a porta ao lado!

Tico olhou à sua volta. No fundo do sótão, uma porta estreita e poeirenta que nunca tinha visto antes brilhava como ouro ao sol.

— Que mistério! — murmurou Tico, sentindo um friozinho bom na barriga.

Rodou a chave do relógio e empurrou a porta. Um vento suave cheirando a pão quente e música invadiu o sótão. Tico respirou fundo, encheu-se de coragem e atravessou a porta.

Segunda Parte: A Praça das Canções

Do outro lado, Tico apareceu numa praça mágica. O chão era de pedras redondinhas e, no meio, músicos tocavam violinos, trompetes e um piano preto reluzente. Pessoas dançavam com roupas engraçadas e chapéus altos. O ano era 1930, mas Tico ainda não sabia.

— Oh! Que lugar animado! — exclamou Tico.

Viu crianças a saltar à corda, vendedores de balões coloridos e um senhor a vender gelados de sabores desconhecidos. Uma menina de tranças douradas aproximou-se:

— Olá, eu sou a Lídia. Nunca te vi por aqui. De onde vens?

— Eu... venho de um sótão — respondeu Tico, um pouco atrapalhado.

Lídia sorriu.

— Queres brincar connosco? Hoje temos um concurso de música!

Tico ficou entusiasmado, mas ao mesmo tempo, viu algo estranho: dois meninos discutiam perto de uma caixa de música prateada.

— É minha! — disse um.

— Não, é minha! — respondeu o outro.

A discussão ficou mais alta. Tico sentiu vontade de ajudar.

— Esperem! — chamou ele, correndo com os bigodes a tremer.

Chegou perto dos meninos e, com jeitinho, perguntou:

— Por que não tocam juntos? A música fica mais bonita partilhada!

Os meninos olharam um para o outro, pensaram e sorriram. Deram as mãos e giraram a manivela da caixa de música. Uma melodia doce encheu a praça.

Todos começaram a dançar: crianças, adultos e até Tico, que nunca tinha dançado valsa, rodopiou feliz.

Terceira Parte: O Paradoxo da Gaita

Enquanto todos dançavam, Tico reparou numa coisa estranha: o relógio de bolso começou a brilhar e a vibrar. Sentiu-se puxado para trás e para a frente ao mesmo tempo, como se o tempo desse cambalhotas.

No meio da praça, um menino perdeu a sua gaita de foles. Tico viu a gaita rolar até uma boca de esgoto. O menino ficou triste.

— Minha gaita! Vou ficar sem música — choramingou ele.

Tico pensou rápido. Se ajudasse o menino, talvez mudasse alguma coisa no tempo. Lembrou-se do que ouvira: “respeita as regras do tempo”.

— Espera! — disse Tico, olhando para o relógio. — Se eu for rápido, posso apanhar a gaita antes que caia!

Tico correu como nunca. Saltou por cima de um sapato, desviou-se de um chapéu voador e, com a pontinha da cauda, agarrou a gaita mesmo antes de ela desaparecer no esgoto.

O menino ficou radiante.

— Obrigado, ratinho corajoso!

Mas, nesse momento, o relógio de bolso apitou e a praça começou a ficar desfocada. As pessoas pareciam sombras a balançar ao som da música. Tico percebeu que era hora de voltar.

Quarta Parte: De Volta ao Sótão

Tico segurou firme o relógio e fechou os olhos. O som da música foi desaparecendo e, de repente, sentiu-se leve, como uma pena ao vento.

Quando abriu os olhos, estava de novo no sótão, rodeado de relógios e peças. O relógio de bolso estava ao seu lado, quieto, mas brilhava com uma luz suave.

Tico sorriu. Lembrava-se de tudo: da praça cheia de música, dos amigos novos e do valor de partilhar e ajudar.

Correu até à janela do sótão e olhou para a rua. Agora, cada som — o sino da igreja, os risos das crianças, até o miar de um gato — parecia-lhe uma pequena canção.

Tico percebeu que cada momento tem uma música especial. E se escutarmos com atenção, podemos guardar as melhores canções do passado no nosso coração.

O ratinho ajeitou os bigodes, sentou-se junto aos seus relógios e prometeu nunca esquecer as lições do tempo: que partilhar é melhor do que discutir, que ajudar faz bem, e que as memórias são tesouros que nos fazem sorrir, mesmo quando o tempo passa.

E, sempre que sentia saudades da música da praça, Tico rodava devagarinho a chave do seu relógio mágico, fechava os olhos e deixava-se embalar pelas recordações, sabendo que o presente é feito de pequenas aventuras e grandes memórias.

Fim.

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Sótão
Um lugar no topo da casa, junto ao telhado, onde se guardam coisas velhas.
Engrenagens
Peças com dentes que se encaixam e fazem máquinas movimentarem-se.
Ponteiros
As partes do relógio que se movem e mostram as horas.
Molas douradas
Pequenas tiras de metal enroladas que guardam energia e são de cor dourada.
TICTAC
O som que um relógio faz quando o tempo passa, tic-tac, tic-tac.
Poeirenta
Que tem muita poeira, chão e objetos ficam sujos e secos.
Manivela
Uma peça que se gira com a mão para fazer algo funcionar.
Gaita de foles
Um instrumento que faz som quando se sopra e se aperta a parte que abre.
Rodopiou
Girou muitas vezes em círculo, como numa dança rápida.
Valsa
Um tipo de dança lenta e rodopiante, em que as pessoas se movem juntas.
Radiante
Que está muito feliz e com o rosto a brilhar de alegria.

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