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História de viagem no tempo 5 a 6 anos Leitura 8 min.

A mala do tempo e o plim de volta para casa

Tomás e Lino encontram uma mala que permite viajar no tempo e, guiados pela Dona Coruja e pelo robô Pipa, aprendem a escutar, seguir regras e a não mexer no passado.

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Tomás, um pequeno guaxinim prudente e meticuloso, ajeita os bigodes, segura um caderno castanho e toca delicadamente uma mala metálica aberta no chão; Lino, um jovem coelho de grandes orelhas e impaciente, fica na ponta das patas à direita de Tomás, pronto a alcançar uma cabine transparente que exibe uma imagem do “ontem” (a biblioteca); Pipa, um robô amigável com tela sorridente e corpo branco, pisca em azul-esverdeado atrás deles e aponta para uma caixa rotulada “Mensagens para Depois”; o ambiente é um salão futurista com paredes de vidro em degradê, cadeiras levitantes e uma grande relógio sem números, luz suave e cores vivas, tensão contida antes do “plim”. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: O Relógio que Faz “Tic-Tac, Zuum!”

O Tomás era um guaxinim muito cuidadoso. No mundo dos animais, ele era famoso por duas coisas: lavar as frutinhas antes de comer e arrumar as coisas em caixinhas bem direitas.

Naquela manhã, ele encontrou uma mala pequena, de metal brilhante, atrás da biblioteca da Dona Coruja. Na tampa havia um relógio desenhado e um botão vermelho.

Tomás abriu o seu caderninho de bordo e escreveu:

“Dia ensolarado. Achei uma mala estranha. Vou observar antes de tocar.”

A Dona Coruja piscou devagar.

— Tomás, lembra da regra número um: primeiro escutar, depois agir.

Tomás respirou fundo e escutou. A mala fazia um som baixinho:

— Tic… tac… zuum…

Ele chamou o seu amigo, o Coelho Lino, que era curioso e falava rápido.

— Olha isso! — disse Tomás. — Não vamos apertar sem pensar.

Lino pôs as orelhas bem em pé.

— Eu prometo… tentar!

Tomás leu uma plaquinha colada na alça: “VIAGEM NO TEMPO. Use com cuidado. Não mexa duas vezes no mesmo ‘antes'.”

“Antes”? — cochichou Lino.

Tomás abriu um pouco mais. Dentro havia um cartão com três regras bem simples, desenhadas com figuras:

1) Pergunte antes de mudar.

2) Não pegue nada que não seja seu.

3) Volte para casa quando o relógio fizer “plim”.

Tomás escreveu no caderno:

“Regras claras. Gostei.”

— Vamos só… espiar? — pediu Lino.

Tomás olhou para a Dona Coruja. Ela escutou o vento, pensou e falou:

— Podem ir, mas com calma. E escutem um ao outro.

Tomás então apertou o botão vermelho, uma única vez. A mala brilhou como vaga-lume. O chão ficou leve. E o mundo fez:

— ZUUUM!

Parte 2: O Salão do Futuro, Todo de Luz

Quando abriram os olhos, estavam num salão futurista luminoso. As paredes pareciam feitas de vidro de arco-íris. No teto, bolinhas de luz dançavam como estrelas mansas. Havia cadeiras redondas que flutuavam devagar, e uma mesa que mostrava desenhos quando alguém sorria.

— Uau… — disse Lino. — É como um sonho com lâmpadas!

Um robô pequeno, com cara simpática desenhada numa tela, aproximou-se.

— Bem-vindos ao Salão do Amanhã! Eu sou a Pipa, assistente do tempo. Por favor, falem baixinho com as regras.

Tomás levantou o caderno.

— Nós temos regras. Três.

Pipa fez um som de aprovação.

— Biiip! Excelente. Vocês vieram aprender e não bagunçar.

Tomás escreveu:

“O futuro é brilhante. Tem um robô educado. Estou calmo.”

Pipa apontou para um relógio grande na parede. Ele não tinha números, só cores.

— Quando a cor ficar azul bem escura, vocês vão ouvir “plim”. Aí é hora de voltar.

Lino já queria correr para apertar tudo, mas Tomás segurou sua patinha.

— Primeiro escutar.

— Tá… — Lino murmurou. — Eu escuto.

No meio do salão havia uma cabine transparente com um botão verde e uma etiqueta: “Mostrador do Ontem”.

Pipa avisou:

— Isso mostra o passado, mas não deixem o passado perceber vocês.

— Como assim, perceber? — perguntou Lino.

Pipa explicou, simples:

— Se o passado mudar por causa de vocês, o presente fica confuso, como uma sopa mexida demais.

Tomás pensou. E decidiu só olhar. Ele apertou o botão verde bem de leve. Dentro da cabine apareceu… a biblioteca da Dona Coruja, só que como era ontem. Tomás viu a si mesmo deixando cair uma bolinha de gude azul perto da porta.

— Ei! Minha bolinha! — Lino arregalou os olhos. — Ela sumiu ontem!

A bolinha brilhava no mostrador, bem ali, no “ontem”.

Lino esticou a pata para abrir a cabine.

— Eu posso pegar! Assim ela não some!

Tomás falou firme, mas doce:

— Regra dois: não pegue nada que não seja seu… e mesmo sendo seu, é do “ontem”. A gente não pode.

Lino fez bico.

— Mas eu quero!

Tomás então escutou, de verdade.

— Você está triste porque perdeu, né?

Lino baixou as orelhas.

— Sim.

Tomás olhou para Pipa.

— Tem outro jeito?

Pipa fez um “biiip” pensativo.

— Há um jeito seguro: deixar um recado para o futuro, não para o passado. Um recado que ajude vocês no presente quando voltarem.

Tomás sorriu.

— Isso eu gosto. Ajuda sem bagunçar.

No canto do salão havia uma “Caixa de Mensagens para Depois”. Tomás escreveu com letras bem redondas:

“LINO: OLHE PERTO DA PORTA DA BIBLIOTECA. SUA BOLINHA AZUL ESTÁ NO VASO VERMELHO.”

— Mas… eu não vi vaso vermelho ontem! — disse Lino.

Pipa piscou a tela.

— No futuro, o vaso existe. No presente, talvez ele já esteja lá e vocês só não notaram.

Lino riu.

— Então eu que estava distraído!

Mini-reviravolta: a mesa que mostrava desenhos, de repente, fez aparecer um desenho do próprio Tomás… segurando duas bolinhas azuis!

Tomás arregalou os olhos.

— Duas?

Pipa falou rápido:

— Ah! Isso é um pequeno paradoxo malicioso. Se alguém pega a bolinha no ontem, ela aparece duas vezes. Por isso, nada de pegar. Só olhar!

Tomás fechou a cabine.

— Sem pegar! Eu prometo.

Lino levantou a pata como se fosse juramento.

— Eu também.

Parte 3: O “Plim” e a Canção de Volta

O relógio de cores começou a escurecer. As luzes do salão ficaram mais macias, como fim de tarde.

Tomás escreveu:

“Hora de voltar. Estou contente. Aprendi a ouvir e a esperar.”

Pipa aproximou-se e entregou a Tomás um adesivo brilhante.

— Para lembrar: o tempo é um amigo, mas gosta de gentileza.

— Obrigado, Pipa — disse Tomás. — Eu vou cuidar bem do agora.

Lino olhou ao redor, um pouco com saudade.

— Futuro é legal… mas eu gosto da nossa floresta.

— Eu também — falou Tomás. — A gente tem a Dona Coruja, e o cheiro de folhas.

O relógio fez a cor azul bem escura.

E então, bem clarinho:

— Plim!

A mala de metal brilhou de novo. ZUUUM!

Quando chegaram, estavam atrás da biblioteca, no mesmo lugar. O sol estava igual. Como se nada tivesse acontecido, e ao mesmo tempo tudo tivesse.

Lino correu até a porta.

— Vaso vermelho… vaso vermelho…

E lá estava: um vaso pequeno, vermelho, com uma plantinha. Dentro, brilhava a bolinha de gude azul.

Lino deu um pulinho.

— Estava aqui o tempo todo!

Tomás riu.

— Às vezes, a gente não precisa voltar no tempo. Precisa olhar melhor e escutar.

A Dona Coruja apareceu na janela.

— E então?

Tomás respondeu:

— Seguimos as regras. E aprendemos que mexer no ontem pode bagunçar o hoje.

Lino completou:

— E que é melhor ouvir o amigo do que correr primeiro.

A Dona Coruja sorriu.

— Isso é sabedoria.

Tomás guardou a mala atrás de uma estante, bem segura. Depois, os dois sentaram na grama. O vento fez as folhas dançarem.

Lino perguntou baixinho:

— Tomás, você canta para eu ficar calmo?

Tomás começou a cantarolar uma canção suave, bem simples, e Lino acompanhou:

“Agora é meu lugar,

tic-tac sem pressa no ar,

eu ouço, eu cuido, eu sei,

o tempo passa, e eu também.

Plim-plim, volto a sorrir,

no presente eu vou dormir.”

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Guaxinim
Um animal pequeno que usa as patas como mãos e lava sua comida.
Biblioteca
Lugar com muitos livros onde as pessoas podem ler e pegar livros emprestados.
Vaga-lume
Inseto pequeno que brilha no escuro, parecido com uma lanterna viva.
Futurista
Algo que parece do futuro, com ideias e objetos muito modernos.
Luminoso
Que tem muita luz ou que dá luz para o lugar ficar claro.
Arco-íris
Curva colorida no céu que aparece depois da chuva com muitas cores.
Assistente
Alguém ou algo que ajuda outra pessoa em tarefas ou em um trabalho.
Paradoxo
Uma ideia que parece estranha porque junta coisas que não combinam bem.
Malicioso
Que quer causar problema ou confusão de brincadeira ou de propósito.
Etiqueta
Pequeno papel ou sinal preso a alguma coisa com informação.
Mostrador
Parte que mostra imagens ou sinais para que as pessoas entendam algo.
Cabine
Pequeno espaço fechado onde uma pessoa pode entrar ou olhar dentro.
Mensagem
Palavras escritas ou faladas que alguém deixa para outra pessoa ler.
Recado
Mensagem curta que alguém deixa para avisar ou lembrar outra pessoa.
Tic… tac… zuum…
Som que o relógio faz na história, como se marcasse o tempo estranho.
ZUUUM
Som forte e prolongado que acontece quando algo viaja no tempo.
Plim
Som curto e claro que indica que é hora de voltar para casa.

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