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História de viagem no tempo 5 a 6 anos Leitura 13 min.

A máquina de latas e relógios e a canção do passado

Nilo, um pequeno consertador de memórias, constrói uma máquina do tempo para observar momentos do passado e aprende a cuidar delicadamente das lembranças sem alterá-las.

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Nilo, pequeno ser animal imaginário de pele azul-cinza, grandes orelhas flexíveis e cauda com leve halo dourado, expressão concentrada e ligeiramente preocupada, inclinado para apanhar um pote de mel antes que caia; o Nilo criança, menor, chapéu vermelho torto, olhos arredondados e curiosos, segura outro pote de mel e observa surpreso e divertido, posicionado atrás e à esquerda do Nilo adulto; a velha senhora, humana com cabelo grisalho preso em coque, vestida com vestido florido e segurando uma folha de canção, rosto terno e surpreso, em pé no degrau da pequena casa de madeira ao fundo; uma máquina do tempo improvisada entre arbustos verdes — caixas de conserva prateadas, uma cadeira com cinto de corda, um grande espelho redondo e um velho despertador rachado no centro, com uma pequena alavanca de madeira visível; local: clareira banhada por luz dourada, erva alta com trevos, uma casinha fumegante com pequena janela, uma grande pedra marcada por desenhos a lápis branco e galhos formando moldura natural; situação: momento delicado e suspenso — Nilo segura silenciosamente o pote de mel para impedir que bata na alavanca da máquina, tensão suave e atmosfera calorosa, cena rica em texturas (madeira, metal amassado, tecido) e cores quentes (amarelo, verde, azul-cinza). reportar um problema com esta imagem

Parte 1: A máquina de latas e relógios

Na beira de uma floresta muito verde, morava Nilo, um ser pequeno e quentinho, com orelhas compridas e macias, pele azul-acinzentada e um rabo que brilhava quando ele tinha uma boa ideia. Nilo gostava de duas coisas acima de tudo: colecionar memórias e consertar objetos achados.

Ele guardava memórias em caixas. Caixas de sapato, potes de vidro, envelopes coloridos. Em cada uma, ele colocava um bilhete: “Dia do bolo de amora”, “Primeiro voo do papagaio”, “Cheiro de chuva na terra”. Nilo dizia que memórias eram como estrelas: ajudam a gente a não se perder.

Numa manhã clara, Nilo encontrou um relógio velho preso num arbusto. O vidro estava rachado, mas os ponteiros ainda insistiam em andar, como dois peixinhos teimosos.

— Tic, tac… tic, tac… — fazia o relógio, como se contasse um segredo.

Nilo levou o relógio para a sua oficina, que era uma cabana cheia de luz, com prateleiras de parafusos e molas, e um caderno de bordo com capa amarela. Ele escreveu:

“Nota do caderno: Se o relógio não para, talvez o tempo também não pare. E se… eu pudesse dar um passeio nele?”

Ele juntou coisas simples: duas latas grandes de biscoito, um espelho redondo, uma cadeira com cinto feito de corda e uma alavanca feita de colher de pau. No meio, ele colocou o relógio velho, como coração da invenção.

Quando terminou, a máquina parecia uma panela espacial. Nilo pintou uma faixa vermelha na lateral e desenhou uma seta com tinta branca: “SÓ UM PASSEIO”.

Ele respirou fundo. O rabo brilhou.

— Regras — ele disse para si mesmo, com voz de quem se lembra de algo importante. — Vou ver, vou aprender, mas não vou bagunçar. Nada de pegar coisas grandes. Nada de mudar o que já aconteceu. E sempre volto.

Ele puxou a alavanca.

O relógio dentro da máquina fez “TAC!” tão alto que até a poeira pulou. O ar ficou com cheiro de limão, e a luz na cabana dançou, como se estivesse brincando de esconde-esconde.

No caderno, Nilo conseguiu escrever rápido:

“Nota do caderno: Estou indo. Se eu me esquecer do porquê, lembrar: eu vou para cuidar das memórias, não para roubar o passado.”

A máquina tremeu, depois ficou leve. E, num piscar de olhos, a cabana sumiu.

Parte 2: O passado com cheiro de pão

Quando a tremedeira parou, Nilo abriu a tampa da máquina e espiou.

Ele estava na mesma clareira, mas tudo parecia mais novo. A grama era mais alta, as árvores tinham troncos mais finos, e o sol brilhava como uma moeda recém-lavada. No ar, havia um cheiro delicioso de pão assando.

Perto dali, uma casinha de madeira soltava fumaça pela chaminé. Nilo andou com passos pequenos, sem fazer barulho. Ele queria observar, como um cientista gentil.

Na porta, uma senhora mexia uma cesta. Ela cantava baixinho. Nilo reconheceu algo que o deixou com um frio bom na barriga: aquela era a canção que ele ouvia na sua infância, quando alguém embalava ele para dormir.

“Então é aqui…” pensou Nilo. “Este é um tempo bem antigo.”

Ele viu uma pedra grande com marcas de giz. Em cima dela, havia um bilhete preso por uma pedrinha: “Volto já. Não mexa.”

Nilo riu baixinho. Era um recado tão claro, tão simples, que parecia feito para ele.

Ele se virou e deu de cara com… ele mesmo! Mas não era exatamente ele. Era um Nilo menor, com o rabo menos brilhante e um chapéu torto na cabeça. O Nilo pequeno carregava um pote de mel e parecia muito concentrado para não derramar.

Nilo ficou paralisado. Era estranho e engraçado ver as próprias orelhas mais curtas.

O Nilo pequeno parou, olhou para o bilhete na pedra e franziu a testa.

— Eu deixei um bilhete aqui? — murmurou o pequeno, confuso.

Nilo sentiu o coração bater rápido. Se o pequeno ficasse confuso demais, poderia mudar alguma coisa. E regra era regra.

Ele pensou depressa e pegou um pedaço de giz do chão. Sem aparecer, escreveu ao lado do bilhete, com letras simples:

“É do futuro. Só observar. Sorrir.”

O Nilo pequeno arregalou os olhos.

— Do futuro? — ele sussurrou, sem medo, mais curioso do que tudo. — Hm… então eu tenho que… observar.

E ele observou mesmo. Ficou quietinho, olhando a senhora na porta cantar, olhando o pão sair do forno, olhando um cachorro correr atrás da própria cauda. Depois, o pequeno deu uma risadinha, como quem guarda tudo no bolso.

Nilo, escondido atrás de uma árvore, sentiu um calor no peito. Ele entendeu: aquela canção, aquele cheiro de pão, aquele dia simples… eram memórias que o ajudavam no presente, quando ele se sentia sozinho.

Mas então veio um mini-problema, daqueles que o tempo gosta de pregar.

O pote de mel do Nilo pequeno escorregou. Ele tentou segurar, mas o pote caiu e rolou… direto na direção da máquina do tempo, que estava disfarçada entre arbustos.

Se o pote batesse na alavanca, a máquina poderia ligar sozinha! Nilo imaginou sua oficina virando sopa de relógio. Não era para assustar, mas era um pensamento bagunçado.

Ele correu, rápido como vento manso. Com uma mão, pegou o pote antes que ele batesse na máquina. Com a outra, ele segurou a alavanca.

— Ufa — soprou Nilo, bem baixinho, quase como um segredo para o tempo.

O Nilo pequeno viu um brilho atrás das folhas e piscou.

— Quem está aí? — perguntou, curioso.

Nilo não podia mostrar o rosto. Mas podia deixar uma pista boa. Ele colocou o pote de mel de volta no chão e, ao lado, deixou um botão azul que ele sempre carregava no bolso: um botão especial, costurado em sua primeira mochila de aventuras.

Era pequeno, não mudaria o mundo. Era só um lembrete.

No caderno, Nilo anotou:

“Nota do caderno: O passado é um livro. Não arranco páginas. Só marco com um sinalzinho para eu lembrar depois.”

O Nilo pequeno pegou o botão, sorriu e guardou.

— Obrigado, futuro — ele disse, como se falasse com uma estrela.

Nilo quase riu alto. O tempo, às vezes, tinha um humor leve.

Parte 3: O paradoxo da canção esquecida

Nilo voltou para perto da casinha, ainda escondido. A senhora começou a cantar a canção outra vez, só que desta vez ela parou no meio.

— Ai, onde foi que eu coloquei a letra? — ela falou, olhando para uma folha de papel.

O vento levantou a folha e levou, levando junto um pedaço da canção. A folha foi parar… bem ao lado da máquina do tempo.

Nilo engoliu em seco. Se aquela folha sumisse, talvez a canção não chegasse até ele no futuro. E ele amava aquela canção. Ela era uma das suas memórias mais antigas.

Mas ele lembrava das regras: não bagunçar. Ao mesmo tempo, ele sabia que o vento também faz parte do tempo. O que fazer?

Nilo abriu seu caderno de bordo e escreveu, com letras caprichadas:

“Nota do caderno: O tempo gosta de testar. Se eu pegar a folha, eu mudo. Se eu não pegar, eu perco. Mas… e se eu devolver do mesmo jeito?”

Ele teve uma ideia simples: não pegar para ficar. Só ajudar a folha a voltar.

Nilo pegou um fio de barbante do bolso e amarrou uma pedrinha pequena na ponta. Ele jogou com cuidado, como um pescador paciente. O fio tocou a folha e puxou devagar, sem rasgar. A folha voltou a voar, mas agora na direção certa.

A senhora viu e conseguiu pegar.

— Ah! Aqui está! — ela disse feliz, e recomeçou a cantar, do jeito certo, até o final.

O Nilo pequeno ouviu e fechou os olhos, como quem grava a música no coração.

Nilo, escondido, sentiu uma alegria calma. Ele não tinha mudado a história. Ele só tinha ajudado o vento a fazer o caminho de volta.

Mas o tempo ainda queria brincar um pouco. Quando Nilo se virou, viu que o botão azul que ele tinha deixado com o Nilo pequeno estava brilhando no bolso do pequeno, como se fosse uma luciérnaga.

E o brilho foi ficando mais forte.

— Opa… — sussurrou Nilo. — Isso não era para brilhar tanto.

Se o botão chamasse atenção demais, alguém poderia seguir o brilho e encontrar a máquina. Aí, pronto: confusão.

Nilo pensou rápido. Pegou um pedaço de pano escuro, daqueles que ele usava para limpar ferramentas, e deixou perto do caminho, como se tivesse caído “sem querer”. O Nilo pequeno viu o pano, achou útil e enrolou o botão dentro, guardando o brilho.

— Assim está melhor — o pequeno disse, satisfeito.

Nilo soltou o ar, aliviado. Um mini-rebote resolvido. Sem susto. Com cuidado.

Ele olhou para o céu. A luz tinha mudado um pouquinho. Era sinal de que o passeio estava chegando ao fim. A máquina de latas e relógios parecia chamar.

Nilo voltou para os arbustos e acariciou a lateral da máquina.

— Obrigado, passado — ele disse. — Você é mais bonito do que eu lembrava.

Ele puxou a alavanca.

O cheiro de limão voltou, a luz dançou, e o relógio fez “TIC!” como quem fecha um livro com delicadeza.

Parte 4: O presente, a caixa de memórias e a janela

A oficina apareceu de novo ao redor de Nilo. As prateleiras estavam no lugar. O banco de madeira rangeu do jeito conhecido. E o relógio velho, no centro da máquina, estava calmo, como se tivesse feito uma longa caminhada.

Nilo saiu da máquina e ficou alguns segundos parado, só ouvindo os sons do presente: um passarinho lá fora, o vento nas folhas, uma gotinha pingando num balde.

Ele abriu sua caixa de memórias e tirou um cartão em branco. Escreveu:

“Dia em que eu encontrei minha própria canção.”

Depois, ele procurou sua primeira mochila de aventuras, guardada numa gaveta. Dentro, bem no fundo, havia um botão azul enrolado em um paninho escuro.

Nilo arregalou os olhos e riu, um riso pequeno e brilhante.

— Então aconteceu mesmo — ele disse. — Eu não inventei na minha cabeça. Eu só… esqueci de lembrar direito.

Ele pegou o caderno e escreveu a última nota:

“Nota do caderno: O passado não é para consertar como um brinquedo quebrado. É para respeitar. As memórias são pontes. Quando eu cuido delas, eu cuido de mim.”

Nilo guardou o relógio velho numa prateleira, com carinho, como quem coloca uma estrela num lugar seguro.

Depois, ele foi até a janela da oficina. Abriu só um pouquinho, deixando uma fresta.

Uma brisa entrou, fresca e cheirosa, como pão recém-assado. Ela balançou as páginas do caderno, fez dançar um fio de poeira na luz e tocou o rabo de Nilo, que brilhou de leve.

Nilo fechou os olhos por um instante, guardando aquele momento também.

E ficou ali, no presente, sorrindo, com a janela entreaberta para a brisa.

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Clareira
Lugar aberto na floresta onde há mais sol e menos árvores.
Quentinho
Algo que está confortável e dá calor, não está frio.
Oficina
Lugar onde se consertam coisas e se faz trabalhos com as mãos.
Prateleiras
Pratos ou tábuas que ficam na parede para guardar objetos.
Caderno de bordo
Caderno onde se escreve notas importantes sobre uma viagem ou trabalho.
Alavanca
Pedaço comprido que se empurra ou puxa para fazer algo funcionar.
Tremedeira
Movimento que faz algo tremer, como um pequeno sacudir.
Chaminé
Canal na casa por onde sai a fumaça do fogo ou do forno.
Pedrinha
Pedra bem pequena, do tamanho que cabe na mão.
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Fio forte e grosso usado para amarrar ou pendurar coisas.

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