Capítulo 1: O Pijama que Dança Sozinho
Numa manhã como outra qualquer, Joana, Mariana e Lili estavam a brincar de saltar do tapete para o sofá, fingindo que o chão era feito de gelatina. Joana, que era conhecida por tropeçar até nas suas próprias sombras, decidiu dar o salto mais maluco do mundo. Mas, quando ia tomar balanço, algo estranho aconteceu: o seu pijama, de repente, começou a dançar sozinho!
— Ai, ai! O meu pijama está a mexer-se! — gritou a Joana, rindo sem parar.
O pijama azul às riscas dava voltas e mais voltas, como se tivesse aprendido a dançar numa escola de pirilampos. As amigas ficaram de boca aberta, mas logo se riram e começaram a bater palmas para o pijama bailarino.
— Espera, Joana! Talvez o teu pijama queria mostrar-nos um novo passo de dança! — disse Mariana.
Lili, que tinha sempre ideias às cores, sugeriu:
— E se nós também fizéssemos um passo atrás? Talvez o pijama se junte a nós!
As três deram um passo atrás ao mesmo tempo. O pijama, de repente, saltou do corpo de Joana, enrolou-se como um caracol e deslizou pela sala fora, fazendo piruetas junto ao tapete.
— Uau! — gritaram as três, sem saberem se deviam apanhar o pijama ou pedir-lhe um autógrafo.
Capítulo 2: Aventuras com o Pijama Saltitão
O pijama rolou até à porta da cozinha e, trrrr, atravessou por baixo sem pedir licença. As meninas correram atrás dele, mas ao atravessarem a porta sentiram uma coisa esquisita: de repente, estavam todas… de pantufas de coelho brilhantes!
— Mas… Antes eu tinha meias! — disse Mariana, espantada, olhando para as suas novas pantufas.
— Estas pantufas fazem cócegas! — riu Lili, saltando sem parar.
O pijama, agora do outro lado da cozinha, tinha parado ao lado do frigorífico. As meninas aproximaram-se devagarinho, como quem vai falar com uma sanduíche que pode responder.
— Sr. Pijama, quer brincar connosco? — perguntou Joana, numa voz baixinha e divertida.
Para surpresa de todas, o pijama fez um nó no ar, desenrolou-se e os botões começaram a piscar como luzes de Natal.
— Ele está a responder! — disse Mariana.
O pijama pulou para cima de um tabuleiro e de repente… POF! O tabuleiro transformou-se numa prancha de surf de manteiga! O pijama saltou para cima dela e deslizou pela cozinha, deixando um rasto escorregadio.
— E se nós também tentássemos deslizar? — perguntou Lili, já com olhos de quem vai fazer asneiras pequenas e divertidas.
Cada uma pegou numa pega de cozinha e, num piscar de olhos, estavam a deslizar atrás do pijama, como se estivessem a nadar num mar dourado e macio.
Capítulo 3: O Degrau que Foge e a Porta que Ri
Depois de tanto deslizar, chegaram até à porta do corredor, que estava cheia de autocolantes de dinossauros a sorrir. Quando tentaram abrir a porta, ouviram um “hihihi” muito baixinho.
— Foram vocês? — perguntou Joana.
— Não! — responderam Mariana e Lili, ao mesmo tempo.
A porta gargalhou outra vez e, de repente, um degrau debaixo dos pés cresceu e saiu a correr corredor fora, como um cãozinho animado.
— Mas que degrau mais engraçado! — disse Mariana, tentando agarrá-lo.
O degrau ziguezagueou, fugiu, voltou para trás, depois para a frente, e acabou por parar debaixo do pijama, que ainda estava a surfar na manteiga.
As meninas tentaram apanhar o degrau, mas cada vez que se aproximavam, o degrau dava um pulinho para trás.
— Vamos fazer igual ao degrau! — sugeriu Lili, dando um passo atrás e depois outro e… puff! O degrau saltou para o sítio certo e a porta abriu-se, a rir-se tanto que os autocolantes começaram a saltar.
Atrás da porta, estavam montes de travesseiros coloridos empilhados até ao teto.
Capítulo 4: O Travesseiro que Conta Segredos
Joana, Mariana e Lili deram pulos nos travesseiros, fazendo nuvens de penas voarem pelo ar. No meio da confusão, um travesseiro cor-de-rosa com olhos desenhados piscou-lhes o olho.
— Olá! — disse o travesseiro com uma voz pequenina, parecida com bolhas de sabão a estalar.
— Um travesseiro falante! — exclamou Joana, surpresa mas sem medo.
— Sim, mas só conto segredos a quem souber dar um passo atrás como os caranguejos! — disse o travesseiro, divertido.
As meninas riram-se muito e começaram a andar para trás, cada uma mais trapalhona que a outra. Joana tropeçou, Mariana sentou-se sem querer na perna de Lili, e Lili quase deu um nó nas pernas, mas nenhuma parou de rir.
O travesseiro ficou tão contente que saltou para cima do pijama dançarino, fez-lhe cócegas e de lá saiu uma risada enorme, tão grande que encheu a sala de alegria.
— O segredo é: nunca tenhas medo de dar um passo atrás, porque às vezes é preciso para dar um grande salto à frente! — disse o travesseiro, piscando-lhes o olho.
As meninas olharam umas para as outras, ainda a rir-se, enquanto as penas dançavam no ar à volta delas como flocos de neve coloridos.
Capítulo 5: O Regresso ao Tapete Gelatina
De repente, ouviram um tic-tac muito baixinho. Olharam para trás e viram o pijama, agora cansado das danças, a enrolar-se devagarinho junto ao tapete. Era como se dissesse: “Hora de voltar!”.
Cada uma pegou na mão da outra, deram três passos para trás — um, dois, três! — e POF! Tudo voltou ao normal: o tapete estava de novo no chão, as pantufas tinham desaparecido, e o pijama voltava a vestir Joana, certinho e direitinho, como se nada tivesse acontecido.
Mariana olhou para as amigas e disse:
— O meu coração está a saltar como um coelho de alegria!
Lili acrescentou:
— E eu quero sempre dar mais um passo atrás, só para ver se o pijama volta a dançar!
Joana piscou o olho e disse baixinho:
— Se o pijama quiser dançar outra vez, eu prometo não tropeçar. Ou então tropeço, mas com um grande sorriso!
As três sentaram-se no tapete, abraçaram-se e fecharam os olhos. Lá fora, o sol começava a pôr-se, pintando as nuvens de pêssego e morango. Dentro da sala, havia o silêncio doce das risadas guardadas e dos sonhos que sabem dançar.
E assim, naquela tarde meio mágica e meio trapalhona, Joana, Mariana e Lili aprenderam que, por vezes, um passo atrás pode ser o início de uma aventura cheia de gargalhadas — e que tudo acaba melhor quando estamos juntos, prontos para tropeçar, rir e… talvez dançar com um pijama maluco.
Fim.