No dia do aniversário, o sol entrou pela janela com um sorriso. Leo e Tomás pularam da cama. Eles tinham quatro anos e muitas ideias. Hoje era festa. Hoje era alegria.
Na cozinha, a mesa estava sendo arrumada. Toalha colorida. Pratos azuis e amarelos. Copos com estrelinhas. Um bolo dormia no centro, coberto de glacê branco e confetes brilhantes. Velas pequenas esperavam para acender. Leo olhou a mesa. Seus olhos ficaram grandes. "Que linda mesa!", ele disse. Tomás sorriu também. "Está como um barco de festa", disse ele.
A mamãe colocou bandejas com frutas. Papai trouxe sanduíches cortados em forma de coração. Há um canto com chapéus de papel. Outro canto com serpentinas que fazem cócegas no ar. Tudo cheira a baunilha e frutas. Tudo brilha quando a luz bate.
Os amigos chegaram devagar. Uns riram. Outros traziam desenhos. Um ursinho de pelúcia veio abraçado por um pequeno convidado. No fim, apareceu o amigo novo da turma, o Miguel. Miguel era tímido. Ele segurava firme a mão da mãe. Os olhos dele mexiam como borboletas. Miguel tinha um sorriso pequeno e uma mochila com adesivos de estrelas.
Leo e Tomás correram para abraçar os amigos. Eles queriam que todos se sentissem bem. Eles também queriam soprar as velas. A festa era para todo mundo. A mamãe sussurrou: "Vocês podem sentar perto do bolo." Leo e Tomás olharam a mesa. A mesa parecia um jardim. Flores de papel, guardanapos dobrados como leques. Havia um lugar vazio ao lado do bolo.
Miguel olhou a mesa e olhou para a porta. Ele parecia querer entrar, mas as mãos tremiam um pouco. Leo viu isso. Tomás viu também. Leo estava prestes a sentar onde aquele lugar brilhava. Seus dedinhos tocaram a cadeira. Mas então ele viu o rostinho de Miguel.
Leo falou baixinho com Tomás. "Vamos dividir?" Tomás pensou. Dividir era uma palavra que soava macia. "Sim", disse Tomás. Eles trocaram um sorriso. Tomás pegou a cadeira azul e colocou ao lado do bolo. Leo fez um gesto e cedeu o lugar brilhante para Miguel. Miguel arregalou os olhos. Um sorriso nasceu tímido, como uma flor que abre.
"Vem, Miguel", disse Leo. "Aqui é bom." Miguel caminhou devagar. A mamãe ajudou e segurou sua mão por um instante. Miguel sentou. A cadeira gostou de ter companhia. A mesa pareceu suspirar de felicidade.
Todos cantaram parabéns baixinho, para não assustar os pingos de glacê. As vozinhas se juntaram como um coro de passarinhos. "Parabéns pra você", cantaram. Miguel segurou o guardanapo com dois dedos. Ele bateu palmas pequenas. Leo bateu junto, bem perto. Tomás fez uma dancinha engraçada e todos riram. O bolo brilhou com as velas acesas. O fogo era pequeno e seguro. Papai soprou e mostrou como fazer com cuidado.
Quando as velas se apagaram, confetes pularam no ar. Alguém soltou bolhas de sabão. As bolhas subiram como pequenas lanternas. Elas refletiam estrelas. As crianças correram atrás das bolhas. Miguel soprou uma e a bolha ficou presa no seu dedo. Ele riu. Um riso gostoso, que aquece o peito.
Depois veio a hora dos jogos. Havia um jogo de esconder. Havia um jogo de passar o presente. No jogo de passar o presente, as crianças sentaram em círculo. A música tocou. O presente foi passando. Leo passou com cuidado. Tomás passou com cuidado. Quando a música parou, o presente ficou nas mãos de Miguel. Ele abriu devagar. Dentro havia um livrinho com desenhos de mar. Um lápis colorido veio junto. Miguel olhou e os olhos brilharam.
"É para desenhar bolhas", disse Miguel, feliz. Ele mostrou o livrinho para Leo e para Tomás. Eles viram peixinhos desenhados com lápis vermelho e azul. "Podemos desenhar juntos?", perguntou Tomás. "Sim!", disse Miguel.
Na mesa, a fatia de bolo foi cortada em pedaços iguais. Todos receberam um pedaço do mesmo tamanho. Leo olhou para o pedaço de Miguel. Ele sorriu de novo. Compartilhar era como distribuir luz. Ninguém ficou com fome. Ninguém ficou triste. Todos beberam suco com canudinhos coloridos. Todos tiveram um brigadeiro. Todos lamberam o dedo e riram.
Mais tarde, a festa ganhou luzinhas que piscavam como vaga-lumes. As crianças sentaram no tapete. Papai contou uma história curta sobre um passarinho que levou flores para um amigo. As vozes caíram suaves. Miguel encostou no ombro de Leo. Leo segurou a mão de Tomás. Estavam cansados, mas felizes. A música baixou, como chuva mansa.
Antes de irem embora, cada criança ganhou uma estrela de papel para colocar na janela. Miguel colocou a estrela com cuidado, bem no centro. A janela brilhou. As luzes da rua piscavam e a estrela fez companhia.
A mãe da Miguel agradeceu com um abraço. "Obrigada por serem gentis", disse ela. Leo sorriu. Tomás sorriu. Eles sentiram que tinham feito algo bonito. Eles tinham aprendido que ceder um lugar pode acender um sorriso grande.
No caminho para casa, os dois meninos falaram pouco. O sono vinha devagar. Eles pensavam na mesa, nas bolhas e nas estrelas. A noite era calma. As luzes da rua pareciam dizer boa noite. Em casa, as cobertas estavam quentinhas. Eles guardaram no peito a alegria do dia.
E antes de adormecer, Leo sussurrou: "Hoje foi um dia justo." Tomás respondeu com um bocejo: "Foi. E brilhante." Eles fecharam os olhos. Sonhos de festinhas, bolhas e estrelas chegaram depressa. Tudo estava bem.