A Inês tinha quatro anos e um sorriso grande como o sol. Era o dia do aniversário dela. Quando acordou, esticou os braços e disse, bem baixinho: “Bom dia, festa!”
No chão, ao lado da cama, havia um sapatinho e um convite de papel colorido. A mamã tinha deixado ali uma surpresa. No convite estava desenhado um bolo e um monte de estrelinhas.
A Inês saltou para fora da cama. Ela queria fazer as coisas sozinha, porque já tinha quatro anos. Vestiu as meias, uma de cada vez. Primeiro a meia azul. Depois a meia amarela. Ficaram diferentes. Ela olhou para os pés e riu: “Pés divertidos!”
Na cozinha, a mamã mexia um leite morno. O papá cortava fruta em pedacinhos. E o gato, o Pompom, fingia que era um rei em cima da cadeira.
“Parabéns, Inês!” disse a mamã.
“Parabéns!” disse o papá.
“Miau!” disse o Pompom, como se também cantasse.
A Inês mordeu uma torrada e perguntou: “Hoje é dia de quê?”
“De preparativos felizes,” disse a mamã. “E de pequenas missões.”
A primeira missão era escolher os copos da festa. Havia copos vermelhos, verdes e com pintinhas. A Inês pensou com muita seriedade. Depois pegou nos de pintinhas. “Pintinhas parecem risos,” explicou.
A segunda missão era encher saquinhos com surpresas. Em cada saquinho, a Inês queria pôr uma coisa pequena e boa: um autocolante, um lápis curto, uma bolachinha em forma de estrela. Ela fez fila com os saquinhos na mesa, como soldadinhos.
O papá trouxe uma caixa comprida. “Olha o que chegou.”
Dentro havia mini-velas. Muitas mini-velas. Pequenas, pequeninas, como grãozinhos de luz.
A Inês abriu muito os olhos. “São para mim?”
“São para todos,” disse a mamã. “Hoje tu vais deixar cada pessoa soprar uma mini-vela.”
A Inês achou isso tão engraçado que quase engasgou de rir. “Então o bolo vai fazer ‘pfff, pfff, pfff' muitas vezes!”
Depois foram à sala pendurar bandeirolas. A Inês segurava uma ponta da fita e dizia: “Eu consigo.” O papá segurava a outra ponta. A fita escorregou uma vez e fez cócegas no nariz da Inês. “Atchim!” Ela espirrou. O Pompom assustou-se só um bocadinho e correu para trás do sofá. A mamã pegou nele ao colo. “Está tudo bem, rei Pompom. Só foi um espirro de festa.” O gato voltou a ronronar, calmo.
A Inês também ajudou a pôr a mesa. Levou guardanapos com cuidado, um a um. “Devagarinho,” dizia ela, como uma pessoa grande. Um guardanapo caiu. Ela apanhou e disse: “Tudo bem. Tenta outra vez.” E tentou.
Quando chegou a hora, tocaram à campainha. Ding-dong! Era a avó, com um saco que cheirava a pão doce. Ding-dong! Chegaram dois amigos da Inês, a Leonor e o Tiago, com um desenho enorme cheio de cores. Ding-dong! Veio o vizinho, o senhor Rui, com um balão redondo que parecia uma lua.
“Bem-vindos!” disse a Inês, com voz alegre. “Entrem, entrem!”
Brincaram no tapete. Fizeram uma corrida de carrinhos. Depois fizeram uma dança lenta, bem lenta, para não cair ninguém. A mamã punha música baixinha, como um abraço.
Então a mamã trouxe o bolo. Era amarelo como limão e tinha morangos em cima. E, no meio, havia uma fila de mini-velas, todas prontas a brilhar.
A Inês bateu palmas. “Agora é a parte do ‘pfff'!”
A mamã acendeu as mini-velas. As luzinhas tremiam, contentes. A Inês explicou, muito importante: “Uma vela para cada um. Um sopro de cada vez.”
A avó soprou. “Pfff!”
A Leonor soprou. “Pfff!”
O Tiago soprou com bochechas redondas. “Pffff!”
O senhor Rui soprou devagar. “Pfff.”
O papá soprou e fez uma careta engraçada. “Pfff!”
A mamã soprou e piscou o olho. “Pfff!”
Cada vez que uma mini-vela apagava, todos diziam: “Uau!” E a Inês ria, porque era como um jogo de luz e vento.
Ficou só uma mini-vela acesa. A última. A da Inês.
“Agora fazemos um desejo juntos,” disse ela. “Um desejo de equipa.”
Todos ficaram quietinhos, como se escutassem uma estrela. A Inês fechou os olhos. Pensou em mãos dadas, em risos, em brincar sem pressa. E disse: “Eu desejo que a gente continue a ser amigo e a ajudar.”
“Eu também,” disseram todos, quase ao mesmo tempo.
A Inês soprou a última mini-vela. “Pfff!” E a sala ficou cheia de palmas.
Depois comeram bolo. O Pompom ganhou uma migalhinha e lambeu os bigodes com ar importante. A Inês olhou para os seus pés de meias diferentes e disse: “Hoje eu fiz muitas coisas sozinha. E também fiz com vocês.”
A mamã beijou-lhe a testa. “Autónoma e acompanhada. Que bela festa.”
Quando a noite chegou, as luzes ficaram suaves. A Inês deitou-se com o coração quentinho. No escuro, ela ainda ouviu, na cabeça, os “pfff” felizes. E adormeceu a sorrir, como quem guarda uma mini-luz dentro de si.