A pequena lanterna acordou cedo. Ela piscou. O dia de festa tinha chegado. Hoje era seu aniversário de luzes.
Ela saltou da prateleira. Rolou até a janela. O sol sorriu. A brisa cantou. A lanterna decidiu fazer tudo sozinha. Ela sorriu também. "Eu consigo", disse ela.
Primeiro, a lanterna varreu a mesa com sua corda. Uma folha de papel caiu no chão. "Convites!", pensou a lanterna. Pegou um lápis e escreveu palavras curtas. Ela fez desenhos redondos de sol. Depois, colocou cada convite em um envelope colorido. Feito. Ela bateu palmas pequenas. Sentiu orgulho.
A seguir, a lanterna foi à cozinha. Misturou mel com frutas. Bateu e mexeu com sua luz. Fez bolinhos pequenos. "Provei um", disse ela e riu. A casquinha estava dourada. Ela colocou os bolinhos numa travessa azul. Tudo perfumava.
Chegou a hora dos enfeites. A lanterna soprou fitas. Pendurou bolas de papel no teto. As fitas dançavam. As cores brilham: vermelho, amarelo, verde. A lanterna estava feliz. Ela aprendeu a usar suas mãos com cuidado. "Quero que tudo fique bonito", murmurou ela.
Os amigos começaram a chegar. O ursinho trouxe canções. O sapato trouxe um chapéu engraçado. A chaleira trouxe chá quente. Todos trouxeram um pouco de si. A lanterna os recebeu com um abraço de luz. "Que bom que vocês estão aqui!", disse ela.
As vozes se misturaram em risos. Jogaram um jogo de rodar e cantar. A lanterna liderou uma roda. Ela mostrou como dar passos pequenos. As crianças seguiram. A roda girou devagar. Foi divertido e calmo.
Na mesa, os bolinhos esperavam. A lanterna acendeu seu puxador. Uma vela minúscula brilhou. Os olhos de todos brilharam. Era hora do discurso. A lanterna engoliu um suspiro doce. Ela havia escrito um bilhete de agradecimento. Mas agora, olhou para os amigos e interrompeu o papel com um sorriso.
"Eu não falei tudo que gostei de fazer", disse ela. A voz tremeu só um pouquinho. "Obrigada por virem. Obrigada pelo chapéu. Obrigada pela canção. Obrigada por ajudarem a pendurar as fitas. Obrigada por cada sorriso." A luz da lanterna pulou. Ela falou com o coração. Simples. Sincera.
Os amigos bateram palmas. O ursinho disse: "Você falou muito bem!" A lanterna sorriu. Sentiu-se forte. Ter preparado sozinha a festa a deixou confiante. Ter dito obrigado a deixou leve.
Depois, todos assopram a vela. O brilho da lanterna piscou feliz. Cortaram bolinhos, trocaram abraços e contaram segredos pequenos e doces. A noite veio devagar. As luzes ficaram macias.
Quando foi hora de dormir, a lanterna apagou um pouco sua luz. Todos ajudaram a guardar as coisas. Cada um guardou um brinquedo. A lanterna guardou os convites no bolso. Ela estava cansada e contente.
Deitada na prateleira, a lanterna pensou no dia. Havia preparado, organizado, falado com o coração. Ela aprendeu que cuidar de si e pedir ajuda são corajosos. Fechou os olhos. Sorriu. A luz ficou suave como um cobertor. Boa noite, disse a lanterna. Boa noite, responderam as estrelas.