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História sobre a ecologia 7 a 8 anos Leitura 11 min.

O hotel dos insetos no parque ao lado da escola

Lara, uma menina que ama a natureza, junta-se à professora e ao jardineiro para construir um hotel para insetos no parque, aprendendo a cuidar dos polinizadores e do ambiente.

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Menina de 8 anos, feliz e concentrada, rosto redondo com sardas, cabelo castanho preso em duas tranças, camiseta verde e jardineira jeans, segurando uma cana e colocando‑a cuidadosamente numa pequena caixa de madeira; olhos brilhantes e sorriso suave; homem jardineiro de ~50 anos, mãos largas e bronzeadas, boné gasto, camisa xadrez e luvas, segura um martelo e fixa um pequeno telhado de madeira na caixa, ao lado da menina, levemente inclinado; mulher professora de ~35 anos, cabelo castanho preso em coque, blusa clara, sorri e mostra uma caixa de materiais (pinhas, pedaços de madeira perfurados) atrás da mesa de trabalho; local: pequeno parque urbano junto à escola, calçada clara, canteiros de lavanda roxa escura, bancos de madeira, árvores de folhas verdes e sombra suave, prédios escolares ao fundo com janelas abertas; cena principal: construção de um hotel de insetos sobre uma mesa de madeira com canas alinhadas, pinhas, terra e troncos perfurados visíveis, gestos calmos e cuidadosos, atmosfera de colaboração e cuidado, luz suave da manhã, estilo aquarela com lavagens delicadas e traços finos. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A Lara prefere o vento às paredes

A Lara tinha 7 anos e um segredo que toda a gente na escola já sabia: ela ficava mais feliz com as mãos cheias de terra do que com os dedos a bater na mesa. Na sala, ela até tentava prestar atenção, mas os olhos fugiam sempre para a janela, onde as folhas das árvores abanavam como se estivessem a chamar por ela.

No recreio, a Lara era a primeira a sair. Cheirava o ar como quem prova uma sopa boa e dizia:

“Hum… hoje cheira a relva molhada!”

A professora Joana aproximou-se, com um sorriso calmo.

“Lara, sei que gostas muito de estar lá fora. Queres ajudar-me numa coisa importante?”

“Quero! É para plantar alguma coisa?”

“Quase. É para cuidar de quem já vive no jardim.”

Ela apontou para os canteiros perto do portão e para um parque urbano que ficava mesmo ao lado da escola. Era um parque com bancos, um caminho de pedras e árvores que faziam sombra em forma de guarda-chuva.

“Sabes o que são polinizadores?” perguntou a professora.

“São… as abelhas que fazem cócegas nas flores?” arriscou a Lara.

“Isso mesmo. E também borboletas e outros insetos. Eles ajudam as plantas a crescer. E nós podemos ajudar os insetos a terem um lugar para descansar.”

A Lara abriu a boca, curiosa:

“Um lugar para descansar? Tipo… um hotel?”

A professora riu, baixinho.

“Exatamente. Um hotel para insetos. E amanhã, no parque, vamos começar um.”

A Lara imaginou uma placa pequenina a dizer “Bem-vindos!” e quase deu uma gargalhada.

“Eu posso ser a rececionista?”

“Podes ser a arquiteta também,” disse a professora. “Mas vamos precisar da ajuda de um adulto que saiba usar ferramentas com segurança. Vou falar com o senhor Rui, o jardineiro do parque.”

Quando a campainha tocou, a Lara ainda estava a olhar para uma formiga que carregava um pedacinho de folha.

“Boa viagem,” sussurrou ela. “Amanhã tens hotel novo.”

Capítulo 2: No parque ao lado da escola

No dia seguinte, o céu estava claro e o sol parecia um botão dourado preso no alto. A turma foi até ao parque urbano, em fila, com passos animados. A Lara caminhava tão leve que parecia ter molas nos ténis.

O senhor Rui já estava lá, perto de um canteiro de lavanda que cheirava a sabonete.

“Bom dia, exploradores!” disse ele. Tinha mãos grandes e gentis, e um boné cheio de manchas de terra, como se fosse um mapa de aventuras.

“Bom dia!” respondeu a turma.

A Lara levantou a mão, apressada:

“Senhor Rui, eu posso segurar nos pregos?”

O senhor Rui piscou um olho.

“Os pregos ficam comigo. Mas podes segurar nas ideias. E podes escolher os materiais naturais.”

Em cima de uma mesa, ele tinha uma caixa de madeira com divisões, como uma estante pequenina. Ao lado, havia canas secas, pedaços de tronco com furinhos, pinhas, folhas secas e um punhado de barro.

A Lara aproximou o nariz das pinhas.

“Cheira a floresta… mesmo aqui no meio da cidade!”

A professora Joana explicou:

“Cada material serve para um tipo de inseto. As canas são bons quartos para abelhas solitárias. As pinhas dão esconderijo a joaninhas. E os pedacinhos de madeira com buracos ajudam outros insetos a descansar.”

A Lara tocou numa cana com cuidado, como se fosse vidro.

“Abelhas solitárias… elas ficam tristes?”

O senhor Rui abanou a cabeça.

“Não. ‘Solitárias' quer dizer que não vivem em colmeias grandes. Elas gostam de casas pequenas, e trabalham muito. São ótimas vizinhas.”

A turma começou a juntar materiais pelo parque, com atenção para não estragar nada. A Lara apanhou folhas secas do chão, pinhas caídas e alguns raminhos.

“Não vale arrancar das árvores,” lembrou ela aos colegas. “Só o que já caiu, para não magoar a planta.”

A professora Joana sorriu, orgulhosa.

“Isso é responsabilidade. Cuidar sem tirar demais.”

Quando voltaram à mesa, o senhor Rui mostrou como encaixar as canas nas divisões da caixa, bem juntinhas, como lápis num estojo. Depois colocou as pinhas numa parte maior, formando um montinho.

A Lara disse:

“Parece uma cama fofinha para joaninhas!”

“E é,” confirmou o senhor Rui. “Elas ajudam a comer bichinhos que estragam as plantas.”

A Lara olhou em volta. O parque tinha sons de cidade ao longe — carros, passos, uma bicicleta — mas ali perto só se ouvia o zumbido de uma abelha e o sussurro das folhas.

“É como se a natureza estivesse a falar baixinho,” disse ela.

“A natureza fala sempre,” respondeu a professora. “A diferença é que hoje estamos a ouvir.”

Capítulo 3: Construir com calma e cuidar com atenção

Chegou a parte mais importante: montar o hotel de insetos com segurança. O senhor Rui colocou luvas e explicou:

“Ferramentas só com adulto. Vocês ajudam passando os materiais e observando.”

A Lara fez uma cara séria, como se estivesse num laboratório.

“Eu observo muito bem!”

O senhor Rui fixou uma telhinha por cima da caixa, para proteger da chuva. A madeira fez um som seco, “toc, toc”, e a Lara repetiu baixinho:

“Tok tok, hotel pronto!”

O colega Mateus riu:

“Parece que estás a falar com a madeira.”

“E estou,” respondeu a Lara. “Ela está a trabalhar.”

Depois, a turma encheu cada divisão com um tipo de material, sem apertar demais. A professora Joana ensinou:

“Se deixarmos espaço de ar, fica mais confortável. É como quando dobramos uma manta: se amassarmos muito, fica dura.”

A Lara olhou para um pedacinho de barro.

“Para que serve?”

“Alguns insetos gostam de barro seco para fazer pequenos ninhos,” explicou o senhor Rui. “Mas colocamos só um pouco, para não ficar pesado.”

Quando o hotel ficou cheio, todos deram um passo atrás. Era simples, mas bonito: madeira clara, canas alinhadas, pinhas como pequenas escadas, tronquinhos com furinhos como portas minúsculas.

A Lara aplaudiu devagar.

“Bem-vindos ao hotel,” disse ela, com voz de rececionista. “Temos quartos com vista para a lavanda.”

A professora Joana aproveitou para falar de gestos simples:

“Além de fazer este hotel, podemos ajudar de outras maneiras. Por exemplo: usar menos plástico, levar garrafa reutilizável, apagar as luzes quando não precisamos, e separar o lixo.”

A Lara lembrou-se do lanche.

“Eu trago a minha caixa de sandes. Assim não gasto papel todos os dias.”

“Ótima ideia,” disse a professora. “E podemos também não deitar lixo no chão do parque. Se virmos um papel, apanhamos.”

O senhor Rui acrescentou:

“E respeitar os insetos. Nada de os assustar por brincadeira. Eles fazem parte do nosso bairro, como nós.”

A Lara sentiu um calor bom no peito, como quando se está debaixo de uma manta. Não era um calor de vergonha, nem de pressa. Era um calor de “eu consigo ajudar”.

Antes de voltarem para a escola, a Lara viu uma abelha pousar numa flor de lavanda. Ela ficou quietinha, como uma estátua sorridente.

“Vai lá, vizinha,” sussurrou. “O hotel está pronto quando quiseres.”

Capítulo 4: O pequeno ritual antes de dormir

Nessa noite, a Lara chegou a casa com as bochechas coradas e o cabelo com cheirinho a vento. Ao jantar, contou tudo.

“Fizemos um hotel de insetos! Com canas e pinhas e madeira com furinhos! E o senhor Rui pôs um telhado para não chover lá dentro!”

A mãe ouviu com atenção.

“Que bom, Lara. Isso é cuidar do mundo com as tuas mãos.”

Antes de dormir, a Lara pediu:

“Posso separar o lixo hoje? Só para treinar.”

A mãe riu:

“Podes, sim. Mas com calma, que amanhã é dia de escola.”

A Lara separou as embalagens, colocou o papel no lugar certo e lavou uma caixinha para usar outra vez.

“Cada coisinha no seu lugar,” disse ela, satisfeita, como se estivesse a arrumar uma biblioteca.

Depois, foi até à janela do quarto. Lá fora, a lua parecia uma moeda brilhante no céu escuro. A Lara imaginou o parque ao lado da escola, com o hotel de insetos quieto, a descansar.

A mãe sentou-se ao lado dela.

“Queres fazer o teu ritual?”

A Lara assentiu. Era um ritual pequeno, mas importante, que ela tinha inventado para se lembrar do que aprendeu.

Ela pôs a mão no coração e disse baixinho, em três frases, como um compromisso de dormir:

“Hoje eu cuidei. Amanhã eu reparo. E sempre eu respeito.”

A mãe completou, num sussurro:

“E a natureza agradece, mesmo em silêncio.”

A Lara deitou-se. No escuro, ouviu um som distante de noite: talvez um cão a ladrar longe, talvez o vento a passar entre os prédios. Ela sorriu, lembrando o zumbido da abelha e o cheiro da lavanda.

Pensou: “O mundo é grande, mas as minhas mãos também fazem diferença.”

E adormeceu com uma ideia leve, como uma folha a cair devagar: amanhã, quando passar pelo parque, vai olhar para o hotel e dizer “bom dia” aos pequenos hóspedes.

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Polinizadores?
Insetos que ajudam as plantas a ter sementes e frutos, como abelhas e borboletas.
Canteiros
Espaços no jardim onde se plantam flores ou verduras.
Lavanda
Uma planta com flores roxas que cheira bem e atrai insetos.
Canas
Tiras ocos de plantas secas que servem de abrigo para pequenas abelhas.
Pinhas
Frutos secos das pinhas que podem servir de abrigo a pequenos insetos.
Barro
Terra molhada que, quando seca, fica dura e pode ser usada por insetos.
Colmeias
Casas grandes onde vivem muitas abelhas juntas.
Rececionista
Pessoa que recebe e cuida de quem chega a um lugar, mesmo num hotel de insetos.
Arquiteta
Pessoa que planeia e desenha como construir casas ou espaços.
Hotel para insetos.
Uma casa feita para insetos descansarem e viverem em segurança.

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