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História sobre a ecologia 7 a 8 anos Leitura 14 min.

A Inês e o caminho limpo: uma aventura com sementes e natureza

Inês visita uma quinta pedagógica onde aprende como as plantas crescem, a importância de cuidar da terra e participa numa limpeza do caminho, sentindo-se responsável ao plantar sementes que alimentam a sua curiosidade.

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Menina de 8 anos, cabelo castanho em duas tranças, rosto redondo e olhos grandes brilhantes, expressão concentrada e alegre, agachada apanhando uma garrafa plástica com luvas verdes; menino de 8 anos (Tomás), boné laranja com desenho de cenoura, sorriso malicioso, segura um saco de pano meio cheio ao lado dela e ajuda a separar o lixo; mulher adulta (professora Clara, ~30 anos), cabelo preso, bata leve, aponta para a trilha e vigia com cuidado ao fundo; senhora idosa (Dona Lídia, ~60 anos), chapéu de palha, mãos um pouco sujas, segura um regador pequeno e sorri junto aos canteiros à esquerda; local: trilha de terra sombreada com arbustos baixos e flores silvestres, folhas úmidas, alguns troncos, luz dourada filtrando pela folhagem, tufos de grama e pedras musgosas; cena: crianças limpando a trilha com gestos calmos e organizados, sacos coloridos e alguns objetos recolhidos (papel, garrafa, lata), atmosfera luminosa e otimista que mostra cuidado com a natureza; estilo: cores vivas e suaves, traços limpos tipo mangá, proporções infantis e texturas visíveis (terra, tecido, plástico brilhante), fundo detalhado porém legível. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: A pergunta que cabia num vaso

A Inês tinha 7 anos e uma curiosidade que parecia ter molas. Naquela tarde, sentou-se no parapeito da janela do quarto e ficou a olhar para o vaso da mãe, onde morava uma plantinha de manjericão.

“Como é que tu sabes crescer?”, perguntou Inês, bem baixinho, como se a planta pudesse responder.

A mãe passou pelo corredor e ouviu.

“Estás a falar com o manjericão outra vez?”

“Estou. Ele não me responde, mas eu acho que ele está a pensar.”

A mãe riu, com um riso leve, como uma folha a mexer.

“Então vamos descobrir juntas. Amanhã a tua turma vai à quinta pedagógica, não é?”

A Inês fez que sim, os olhos a brilhar.

“Sim! A professora Clara disse que vamos aprender sobre plantas… e também vamos fazer uma limpeza na natureza.”

“Uma limpeza?”

“Sim. Vamos apanhar lixo de um caminho perto da quinta. E a professora disse que cada gesto conta.”

A Inês ficou a imaginar um “gesto” a saltar de mão em mão, como uma bola invisível.

Nessa noite, ao jantar, o pai perguntou:

“E o que é que queres aprender na quinta?”

A Inês nem precisou de pensar.

“Quero saber como as plantas bebem água. E como é que elas sabem para onde crescer, para cima, sem terem mapa!”

O pai fingiu que estava muito preocupado.

“Talvez elas tenham uma bússola escondida na raiz.”

A Inês soltou uma gargalhada.

“Se tiverem, eu vou encontrar!”

Depois do jantar, ela preparou uma mochila pequena: uma garrafa de água, um casaco, um caderno com capa verde e um lápis. E, num bolso secreto, colocou um pacote de sementes que a avó lhe tinha dado.

Na cama, com o cobertor até ao queixo, pensou no manjericão. Pensou no sol a tocar nas folhas. E pensou na terra, que parecia silenciosa, mas devia estar cheia de trabalho lá dentro.

Antes de adormecer, murmurou:

“Amanhã vou perceber um bocadinho mais.”

E a noite, calma, pareceu concordar.

Capítulo 2: A quinta onde a terra conta histórias

No dia seguinte, o autocarro da escola cheirava a bolachas e a entusiasmo. A Inês sentou-se ao lado do Tomás, que tinha um boné com um desenho de uma cenoura.

“Hoje vou ver uma cabra!”, disse ele, como se isso fosse o melhor plano do mundo.

A professora Clara levantou a voz, com alegria:

“Meninos, na quinta pedagógica vamos observar, fazer perguntas e cuidar. As plantas e os animais ensinam-nos muita coisa.”

Quando chegaram, a quinta parecia um livro aberto: havia canteiros, árvores, um pequeno lago, e um caminho de terra onde os sapatos faziam “cric-cric”. O ar cheirava a folhas, a sol e a feno.

A educadora da quinta, a Dona Lídia, apareceu com um chapéu de palha e mãos que pareciam saber plantar sonhos.

“Bem-vindos! Hoje vamos descobrir como a natureza trabalha sem parar.”

A Inês levantou a mão tão rápido que quase levantou o braço do Tomás também.

“Como é que as plantas bebem água?”

A Dona Lídia sorriu.

“Boa pergunta. Vamos ver.”

Levaram a turma até um canteiro onde havia alfaces e feijoeiros. A Dona Lídia pegou num regador e molhou a terra devagar.

“Imaginem que a terra é uma esponja. A água entra e as raízes bebem. As raízes são como canudinhos finos. Sobem a água pelo caule, até às folhas.”

A Inês aproximou-se e viu a terra escura a brilhar. Cheirava a chuva mesmo sem estar a chover.

“E como é que elas sabem ir para cima?”, insistiu ela.

“Porque procuram a luz”, explicou a Dona Lídia. “As folhas gostam do sol. A planta cresce na direção do que precisa. É como vocês quando cheiram pão quente e vão logo para a cozinha.”

Alguns meninos riram. O Tomás disse:

“Eu vou sempre para a cozinha. Sou uma planta!”

A professora Clara respondeu:

“Tu és um feijoeiro muito falador.”

Depois, a Dona Lídia mostrou um compostor. Era uma caixa grande onde estavam cascas de fruta, folhas secas e restos de legumes.

“Lixo?”, perguntou alguém, com cara de nojo.

“Não é lixo”, corrigiu a Dona Lídia, com carinho. “É comida para a terra. Chamamos composto. Quando devolvemos coisas naturais ao chão, a terra fica mais forte. E as plantas agradecem.”

A Inês anotou no caderno: “A terra come cascas.” E desenhou uma terra com um sorriso.

Antes do almoço, visitaram o galinheiro. Uma galinha castanha aproximou-se da rede e olhou a turma como se estivesse a contar quantos eram.

“Ela está a contar-nos!”, sussurrou a Inês.

“Se ela contar bem, dá-nos um ovo extra”, respondeu o Tomás, muito sério.

A Dona Lídia explicou que na quinta tentavam desperdiçar pouco: reutilizavam água da chuva, separavam o lixo, cuidavam das plantas sem exagerar.

“Pequenas escolhas”, disse ela, “fazem grande diferença.”

A Inês sentiu que aquilo era importante, mas não pesado. Era como aprender a dar um nó nos atacadores: no início parece difícil, mas depois fica natural.

Capítulo 3: A aventura do caminho limpo

Depois do almoço, a professora Clara reuniu a turma junto ao portão da quinta. A Dona Lídia trouxe luvas e sacos grandes.

“Agora vamos fazer a nossa parte: vamos limpar o caminho até ao bosque pequeno ali ao lado”, explicou a professora. “Não é para culpar ninguém. É para cuidar. E vamos fazê-lo com atenção e segurança.”

A Inês calçou as luvas. Sentiu-se como uma exploradora, mas uma exploradora de coisas simples.

O grupo caminhou devagar. Havia flores pequeninas a nascer entre as pedras e borboletas que pareciam pedaços de papel colorido no ar.

No início, a Inês não viu nada. Depois, reparou num papel de rebuçado preso num arbusto.

“Olha…”, disse ela ao Tomás.

“Um rebuçado fugiu do bolso de alguém”, respondeu ele.

A Inês apanhou o papel e colocou no saco.

“Pronto. Volta para o lugar certo.”

Mais à frente, havia uma garrafa de plástico ao lado de uma poça. A Inês hesitou. Não era medo, era só uma pergunta na cabeça.

“E se tiver bichos?”

A professora Clara ouviu e aproximou-se.

“Boa pergunta. Vamos olhar primeiro. Se não for seguro, chamamos um adulto. Mas esta parece limpa. Pega pela parte de cima, sem meter a mão dentro.”

A Inês fez como a professora disse. A garrafa era leve, e fez um som oco quando caiu no saco.

“Parece que estou a alimentar um monstro de plástico”, brincou o Tomás, segurando o saco aberto.

A Inês riu.

“Um monstro que come lixo e cospe… caminho bonito.”

Enquanto apanhavam mais coisas — uma palhinha, um saco fino, tampas coloridas — a Dona Lídia explicou:

“Quando o lixo fica na natureza, pode magoar animais ou sujar a água. Mas quando vocês recolhem, estão a proteger o lugar. E também estão a mostrar que se pode fazer diferente.”

A Inês olhou para o chão com atenção nova. Viu uma minhoca a atravessar a terra molhada e ficou contente por não haver plástico à volta dela.

A certa altura, encontraram uma latinha amassada perto de uma árvore. O Tomás apontou:

“Essa é minha! Quer dizer… não é minha, mas eu vou apanhar!”

Ele apanhou com cuidado e fez uma careta engraçada.

“É fria e triste.”

A Inês pensou que o lixo não tinha casa. Não pertencia ali, no meio do verde. Era como ver um sapato no frigorífico: fora de lugar.

No fim do caminho, chegaram ao bosque pequeno. As árvores faziam sombra fresca, e o vento tinha um som de sussurro. A professora Clara pediu silêncio por um minuto.

“Vamos ouvir”, disse ela.

A Inês fechou os olhos. Ouviu pássaros, folhas, um “toc-toc” distante, talvez de um pica-pau. E ouviu também a turma a respirar, como um grupo que aprendeu a ficar calmo junto.

Quando abriu os olhos, o caminho atrás deles parecia mais bonito, mais “arrumado”.

A professora Clara levantou os sacos, agora cheios.

“Vejam só. Em pouco tempo, fizemos muito. Amanhã, este lugar vai continuar bonito para quem passar. E para quem vive aqui.”

A Inês sentiu um calor no peito. Não era só orgulho. Era uma sensação de “eu consigo”.

No regresso à quinta, lavaram as mãos. A água parecia ainda mais limpa, e o sabão cheirava a limão.

“Agora somos a turma das mãos cuidadoras”, disse a professora Clara.

O Tomás levantou as mãos, com espuma.

“Eu sou um feijoeiro espumoso!”

A Inês riu tanto que quase deixou cair o sabonete.

Capítulo 4: Sementes de ideias, cabeça e coração

Antes de irem embora, a Dona Lídia levou a turma a um cantinho da quinta onde havia vasos vazios e terra pronta.

“Cada um pode plantar uma sementinha”, disse ela. “E levar o vaso para a escola. Assim, a aventura continua.”

A Inês lembrou-se do pacote de sementes no bolso secreto. Tocou-lhe, feliz.

“Eu trouxe sementes!”, disse ela, com cuidado, como se estivesse a mostrar um tesouro.

A professora Clara olhou e sorriu.

“Que boa ideia, Inês. Isso é criatividade: pensar antes e trazer algo que ajuda.”

A Inês escolheu um vaso pequeno. A terra estava fofa, como um bolo esfarelado. A Dona Lídia mostrou:

“Faz um buraquinho com o dedo, põe duas sementes, tapa devagar e dá um bocadinho de água. Não precisa de encharcar. As plantas gostam de cuidado, não de pressa.”

A Inês fez tudo com calma. Depois, ficou a olhar para o vaso como quem espera um segredo aparecer.

“Demora quanto tempo?”, perguntou.

“Alguns dias para começar”, respondeu a Dona Lídia. “E muitas semanas para crescer bem. A natureza ensina paciência.”

A Inês escreveu uma etiqueta: “Sementes da Inês”. E desenhou um sol pequenino ao lado.

No autocarro de volta, ela segurou o vaso no colo como se fosse um animalzinho a dormir. O Tomás inclinou-se para ver.

“São sementes de quê?”

“Acho que são de flores”, disse a Inês. “A avó disse que atraem abelhas.”

“Então são flores com superpoderes”, decidiu o Tomás.

Ao chegar a casa, a Inês contou tudo: as raízes-canudo, o composto que alimenta a terra, o caminho limpo, o bosque a respirar.

O pai ouviu com atenção e perguntou:

“E qual foi o melhor momento?”

A Inês pensou um pouco.

“Quando ouvimos o bosque em silêncio. Parecia que ele dizia: ‘Obrigada'… mas sem palavras.”

A mãe olhou para o vaso de sementes.

“E agora, como vais cuidar delas?”

A Inês fez uma lista no caderno, com letras grandes:

1) Regar pouco, mas sempre.

2) Pôr perto da luz.

3) Não deitar lixo no chão.

4) Reutilizar coisas.

5) Fazer compostagem com cascas (perguntar à mãe!).

A mãe riu.

“Eu aceito o número cinco. Vamos ter um cantinho de compostagem na varanda, combinado?”

“Combinado!”

Nessa noite, antes de dormir, a Inês foi até à janela. O manjericão estava lá, quieto e verde, como um amigo que não precisa de falar. Ao lado, ela colocou o vaso das sementes.

“Agora vocês têm companhia”, sussurrou.

Deitou-se e sentiu que a cabeça estava cheia de ideias novas, como um céu com estrelas. E o coração estava mais largo, como se tivesse aprendido a abraçar um pouco do mundo.

Pensou na turma a apanhar papéis, na professora Clara a guiar com calma, na Dona Lídia e nas mãos de terra, no bosque a agradecer em silêncio.

E, com um sorriso pequenino, pensou:

“Eu cresci por dentro. E amanhã posso fazer mais um gesto.”

Depois, adormeceu tranquila, como uma semente bem tapada pela terra, à espera da luz.

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Parapeito
Borda da janela onde se pode sentar ou pousar coisas.
Manjericão
Uma erva cheirosa que se usa na cozinha e tem folhas verdes.
Quinta pedagógica
Uma quinta feita para ensinar crianças sobre a natureza.
Compostor
Caixa onde se juntam restos de comida para virar composto.
Composto
Terra rica feita com restos de comida e folhas secas.
Canteiro
Pequeno espaço de terra onde se plantam flores ou alimentos.
Regador
Recipiente com bico usado para molhar plantas.
Raízes
Parte da planta que fica na terra e bebe água.
Caule
A parte da planta que liga as raízes às folhas e suporta a planta.
Galinheiro
Lugar onde vivem as galinhas.
Compostagem
Processo de transformar restos em composto para a terra.
Reutilizar
Usar outra vez algo em vez de deitar fora.
Encharcar
Encher muito de água, deixando molhado demais.
Etiqueta
Pequeno papel onde se escreve o nome do que se plantou.
Sussurro
Som feito com a voz muito baixa, quase um segredo.

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