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História engraçada para dormir 11 a 12 anos Leitura 11 min. Disponível em história em áudio (2)

o gato baltazar e a noite dos relógios trocados

Quatro amigas descobrem que o gato de Beatriz, Baltazar, pode falar e, juntas, embarcam em uma aventura noturna para trocar os horários dos relógios da vila, criando situações hilárias e inesperadas. Com planos mirabolantes e muita diversão, elas aprendem que a imaginação pode transformar qualquer noite em algo mágico.

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Duração da história em áudio: 10:27

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Capítulo 1 – O Segredo do Gato Falante

Numa vila pequena, onde todas as ruas tinham nomes de doces e as árvores pareciam nunca perder as folhas, viviam quatro amigas inseparáveis: Beatriz, Inês, Matilde e Sofia. Cada uma tinha um cabelo de cor diferente (ache isso estranho, mas é verdade!) e juntas formavam o grupo mais curioso do bairro: as Exploradoras dos Mistérios Marotos.

Beatriz, a mais destemida do grupo, tinha um gato preto chamado Baltazar, que parecia ser normal – pelo menos até aquela noite de sexta-feira. Enquanto as quatro se reuniam para mais uma noitada de histórias assustadoras e pipocas estaladiças, algo estranho aconteceu.

— Meninas, vocês ouviram isso? — sussurrou Beatriz, empurrando a tigela de pipocas para o lado.

— Se for mais uma das tuas partidas, Bia, juro que me vou vingar com uma almofada na testa! — resmungou Inês, sempre desconfiada.

Mas o que ouviram não foi um barulho qualquer; foi uma voz rouca, aveludada, vinda debaixo do sofá:

— A próxima vez tragam atum. Pipocas são secas demais para o meu gosto.

As quatro ficaram tão imóveis que até as pipocas pararam de cair no tapete. Os olhos brilhantes de Baltazar surgiram das sombras, e a sua cauda balançava com ar maroto. Beatriz gaguejou:

— Ba... Balthazar, tu acabaste de... falar?

O gato lambeu as patas com toda a calma do mundo e respondeu:

— Claro que sim, Bia. Sempre falei, só nunca me tinhas perguntado nada interessante. Agora, querem ouvir as minhas ideias para transformar esta noite na mais divertida de sempre?

As amigas entreolharam-se. Se já achavam que a vila era cheia de surpresas, estavam prestes a descobrir que aventura era pouco para o que lhes esperava naquela noite.

Capítulo 2 – Os Planos Mirabolantes de Baltazar

Baltazar arranjou-se todo em cima da almofada, como quem ia dar um discurso presidencial.

— Senhoras, apresento-vos a Operação Miau Noturno: um plano para tornar a vossa noite memorável e, quem sabe, conseguir algum atum delicioso no processo — mijou, lançando um olhar felino a Beatriz.

Inês tentou manter a compostura, mas não conseguiu evitar um risinho.

— Vais querer que a gente assalte a peixaria? — brincou.

— Nada disso! — retorquiu Baltazar, indignado. — É muito mais engenhoso! Vamos trocar as horas dos relógios da vila para que todos pensem que ainda é cedo e ninguém vos mande para a cama! Imaginem, uma noite sem hora de dormir!

Matilde bateu palmas.

— Isso é genial! Só que… e se descobrem?

Sofia, a mais “certinha” das quatro, ficou logo preocupada.

— Acho que preferia assaltar a peixaria. Trocar os relógios parece mais complicado… e se o meu avô acorda às três da manhã para passear o periquito?

Baltazar sorriu, mostrando as presas brancas.

— Ah, não se preocupem, meninas. Eu conheço todos os atalhos da vila e sei exatamente onde estão os relógios. Vamos fazer isto como verdadeiras ninjas noturnas!

Beatriz estava entusiasmadíssima.

— Vamos a isso! Exploradoras dos Mistérios Marotos, missão impossível ativada!

Assim, começa a noite mais imprevisível (e cheia de disparates) que alguma vez viveram.

Capítulo 3 – O Despertar dos Relógios

Com Baltazar à frente, as quatro amigas saíram sorrateiras pela janela da sala, tentando não acordar os pais nem pisar as ruínas crocantes das pipocas no tapete. O gato guiava-as com um ar de espião experiente, abrandando apenas para dar instruções:

— Primeiro, a torre do relógio. Depois, o relógio da padaria. E, por fim, o relógio gigante em forma de donut da loja do senhor Serafim.

Beatriz escalou com cuidado o poste junto à praça, onde ficava a torre do relógio, enquanto Inês segurava nos pés dela e Sofia olhava nervosamente para todos os lados.

— Cuidado, Bia! Se caíres daqui, vais parar diretamente ao pão de amanhã! — cochichou Matilde, tentando conter o riso.

Baltazar, deitado lá em cima como se fosse dono do mundo, indicou:

— Um pouco mais à esquerda, Bia! Agora roda o ponteiro grande até ao número oito… Não, espera… Isso é o termómetro! O relógio está do outro lado!

Mesmo com tantos disparates, conseguiram mexer no relógio e, com a adrenalina ao máximo, correram para a padaria.

Já na padaria do Zé, o relógio estava tão alto que nem com pirâmide humana chegaram lá.

— E agora? — perguntou Sofia.

Baltazar saltou para a prateleira das broas e declarou:

— Hora de usar a arma secreta: pão com passas! Ninguém resiste!

As raparigas ficaram a olhar em silêncio, sem perceber, até que um rato gorducho apareceu, atraído pelo cheiro do pão. O rato, muito bem-educado, apresentou-se:

— Sou o Frederico. Precisas de ajuda para subir? Por um bocado de pão com passas, subo a parede e dou uma dentadinha no relógio — propôs, fazendo uma vénia à Matilde.

Depois de muitas gargalhadas (e um negócio bem-feito com o rato), o relógio da padaria adiantou-se doze minutos e meio.

— Missão cumprida! — exclamou Beatriz.

Capítulo 4 – O Donut do Tempo e o Senhor Serafim

Chegadas à loja do senhor Serafim, depararam-se com um enorme relógio em forma de donut colorido, a rodar devagarinho por cima da porta. O senhor Serafim era conhecido por dormir com um pijama de flamingos e falar enquanto sonhava.

Baltazar cochichou:

— Vou distraí-lo. Façam o que têm a fazer!

O gato entrou, miando alto, e, do lado de fora, as amigas viram o senhor Serafim levantar-se, ainda meio a dormir, e começar a marchar pela loja a cantar "Donuts ao pequeno-almoço!". Enquanto isso, Beatriz e Matilde tentavam empurrar o enorme donut. Inês descobriu um botão por baixo do balcão. Carregou nele com todo o entusiasmo, sem perceber que estava a ativar os sinos do relógio.

De repente, a loja ficou iluminada, sinos a tocar, o donut a girar como uma roda maluca e o senhor Serafim dançava, dançava, dançava…

Sofia ficou tão aflita que começou a rir descontroladamente, já sem saber se era do susto ou só do disparate. Matilde, sempre calma, resolveu o assunto:

— Meninas, peguem em cordas de gomas, atem o donut, e vamos rodá-lo todas juntas!

E foi assim que, debaixo dos sinos e de uma chuva de confeitos coloridos, conseguiram atrasar o relógio da loja do senhor Serafim em quinze minutos redondos.

Baltazar apareceu no final, a fazer uma vénia felina.

— Parabéns, Exploradoras dos Mistérios Marotos! Agora a vila inteira está baralhada no tempo, e ninguém vos vai mandar para a cama tão cedo!

Capítulo 5 – O Retorno dos Pais e o Imprevisto Final

As amigas, ainda a rir, voltaram para casa de Beatriz, orgulhosas da missão cumprida. Mas, mal pousaram os pés no tapete do quarto, ouviram vozes pelo corredor.

— Quem se esqueceu de tirar os sapatos? E porque cheira aqui a atum?! — perguntou a mãe de Beatriz.

Baltazar sussurrou:

— Planos mirabolantes têm sempre riscos...

As meninas olhavam-se, nervosas, quando a porta se abriu de repente. Era só o pai de Beatriz, que vinha buscar um copo de água. Mas atrás dele, entrou a mãe, o irmão de Beatriz, e até o cão do vizinho, todos muito admirados por verem Baltazar sentado à mesa, com um caderno e um lápis na pata.

O silêncio foi tão grande que só se ouviu um “miau” tímido.

— Os gatos agora fazem os trabalhos de casa? — murmurou o irmão, com ar de quem já viu de tudo.

Beatriz, habituada a improvisar, disse logo:

— Não, hoje é só... noite de pijama especial, mãe! Com histórias de gatos engenhosos e... relógios que andam para trás!

O pai sorriu, sem perceber nada, e voltou a fechar a porta.

As quatro amigas caíram na cama, a rir baixinho, enquanto Baltazar fazia pose de filósofo.

— Viram? Às vezes, para mudar as regras, basta um pouco de imaginação... e um gato falante!

Capítulo 6 – Uma Última Ideia Antes de Dormir

Já com as luzes apagadas, as quatro raparigas começaram a conversar sobre o que tinham aprendido.

— Já pensaram que, se todos os relógios estão trocados, amanhã ninguém vai saber a que horas acordar? — perguntou Sofia.

Matilde respondeu, ainda entre risos:

— Imaginem o senhor Serafim a vender donuts ao meio-dia a pensar que é pequeno-almoço!

Inês, sempre criativa, sugeriu:

— Devíamos escrever um manual das missões mirabolantes, com conselhos para quem quiser desafiar o tempo!

Baltazar, enroscado ao pé de Beatriz, murmurou com uma piscadela:

— Desde que me deem atum de manhã, à tarde e à noite, podem contar comigo para o próximo plano!

A noite foi terminando com histórias partilhadas, piadas trocadas e um sentimento de aventura cumprida. Mal sabiam elas que, na manhã seguinte, a vila inteira estaria perdida no tempo e os adultos acordariam para tomar pequeno-almoço ao lanche.

Mas isso, claro, é uma história para outro dia.

Naquele quarto, só restou o eco das gargalhadas, o ronronar de Baltazar e o mistério delicioso de saber que, afinal, tudo pode acontecer quando acreditamos que até os gatos podem falar.

E, ao fechar os olhos, as quatro amigas pensaram… “Que venham mais noites assim!”.

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Vila
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