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História engraçada para dormir 11 a 12 anos Leitura 15 min.

O coelho que piscava para falar com as estrelas

Lino, um coelho que treina piscar para conversar com as estrelas, reúne os amigos do prado e cria um código de piscadelas que aproxima e consola todos, mostrando como pequenos gestos criam amizade.

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Um pequeno coelho branco chamado Lino, expressão determinada e ternurenta, piscando para o céu com um vaga-lume no nariz, usa uma leve echarpe laranja e está sentado na relva; à esquerda, uma coruja marrom arredondada (Coruja Fina) empoleirada num carvalho observa com olhar gentil, à direita um ouriço marrom (Zeca) sorri e aplaude numa pedra, e perto de um arbusto repousa um caracol (Mimi) de concha nacarada junto a uma concha cintilante; cena noturna de pradaria à luz de lua prateada com lago calmo que reflete o céu, ervas altas, flores, estrelas e uma discreta estrela cadente, atmosfera calma, reconfortante e levemente divertida, paleta em tons pastel e lavis suave. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O coelho que piscava de propósito

A lua tinha a cara redonda de quem ouviu uma piada e não sabe se pode rir alto. No meio do prado, o Coelho Lino esticou as orelhas, cheirou o ar e decidiu uma coisa muito séria… ou quase.

— Hoje vou imitar as estrelas — anunciou, como se fosse um treino para virar céu.

Ele inspirou fundo e tentou piscar como elas: um olho, depois o outro, depois os dois ao mesmo tempo. Resultado? Parecia mais um semáforo com sono.

— Assim não dá — resmungou, franzindo o nariz. — As estrelas piscam com elegância. Eu estou a piscar com… cócegas.

A amiga dele, a Coruja Fina, observava do galho mais baixo de um carvalho. Ela tinha aquele ar de quem sabe tudo, mas prefere não estragar a diversão.

— Lino, as estrelas não piscam por competição — disse ela. — Piscam porque sim. E porque podem.

— Eu também posso! — Lino endireitou-se e tentou outra vez. Pisca-pisca-pisca. — Vês? Estou quase a virar constelação.

A coruja inclinou a cabeça.

— Estás a virar é “consti-lação”: uma mistura de constelação com… irritação.

Lino riu, mas logo apontou para o céu.

— Olha aquela ali, a mais brilhante. Aposto que está a fazer troça de mim.

— Estrelas não fazem troça — respondeu a coruja. — Mas tu podes achar que fazem, e isso já te deixa com um nó na barriga.

Lino ficou quieto por um instante. E, como ele era esperto, percebeu que a barriga dele estava mesmo a dar um nó pequenino.

— Então vou fazer um plano — disse. — Um plano simpático. Um plano… piscante.

Capítulo 2 — O treino secreto no espelho do lago

Na manhã seguinte, Lino foi ao lago, que era liso como uma colher de sopa. Ele queria ver o próprio piscar sem fazer caretas de lado.

— Atenção, reflexo! — disse, encarando a água. — Hoje vais assistir a arte.

Ele fez uma sequência: pisca lento, pisca rápido, pisca com uma sobrancelha que coelhos nem têm. No reflexo, parecia que tinha inventado uma sobrancelha só de teimosia.

Um peixinho apareceu, com a boca a fazer bolhinhas, como se estivesse a comentar sem palavras.

— Estás a engolir gargalhadas, é? — perguntou Lino.

O peixinho fez mais bolhas, tipo “plop-plop”, e Lino decidiu que aquilo era “sim”.

— Eu sei, eu sei. Está ridículo. Mas ridículo é uma etapa da genialidade.

O ouriço Zeca surgiu do nada, porque ouriços têm esse talento.

— Lino, por que é que estás a fazer caretas ao lago? O lago fez-te alguma coisa?

— Não são caretas! — Lino apontou para o céu, mesmo sendo dia. — Estou a treinar para piscar como as estrelas.

Zeca piscou uma vez, bem normal.

— Isso eu faço quando entra pó no olho.

— Pois! As estrelas devem ter muito pó lá em cima — disse Lino, convencido. — Pó cósmico! Eu vou ser o Coelho Cósmico.

Zeca aproximou-se do lago e viu o reflexo do Lino a piscar sem parar.

— Parece que estás a enviar mensagens secretas.

Lino parou no meio de um piscar e ficou pensativo, com um olho fechado e o outro aberto, como se a cara dele tivesse travado.

— Mensagens… Isso é bom. Se eu piscar certo, talvez as estrelas me entendam.

— E o que lhes vais dizer? — perguntou Zeca.

Lino abriu os dois olhos.

— Vou dizer: “Olá. Não precisam rir de mim. Eu também posso brilhar… só que aqui em baixo.”

Zeca coçou um espinho, que é como ouriços pensam.

— Isso parece… meio triste.

Lino encolheu os ombros.

— É só um bocadinho. Mas não quero que ninguém se sinta pequeno, nem eu. Nem as estrelas, se elas acharem que eu estou a competir.

Zeca sorriu.

— Então faz um piscar que diga “somos todos do mesmo clube”.

Lino endireitou as orelhas.

— Clube dos Brilhantes Modestos. Gostei.

Capítulo 3 — A noite do “pisca-código”

Quando a noite voltou, Lino reuniu a equipa: a Coruja Fina, o Ouriço Zeca e, por insistência do Zeca, o peixinho do lago, que ficou a assistir de longe com a cabeça fora de água e ar de repórter.

— Primeiro, precisamos de um código — disse Lino, sério como um capitão de navio feito de cenouras.

— Três piscadelas é “olá”, duas é “estou contigo”, uma é “desculpa se pareço parvo”? — sugeriu Zeca.

— Uma é “obrigado”, que é mais útil — corrigiu a coruja. — E “parvo” tu resolves com prática.

Lino respirou fundo, olhou para o céu cheio de luzes e começou:

Pisca-pisca-pisca.

Depois: pisca-pisca.

Depois: pisca.

Ele esperou. Nada aconteceu, claro. As estrelas continuaram a ser estrelas, sem mandar mensagens por correio expresso.

— Elas não responderam — sussurrou Lino, a voz menor.

A coruja desceu do galho e pousou ao lado dele.

— Talvez responderam de outro jeito. Olha para elas: continuam a piscar. Não pararam só porque tu começaste.

Zeca deu um toque com o focinho na pata do Lino.

— Isso é tipo dizer “continua, amigo”.

Lino olhou melhor. Havia uma estrela que parecia piscar num ritmo parecido com o dele. Ou talvez fosse só imaginação… mas a imaginação, às vezes, é um abraço invisível.

— Está bem — disse Lino, recuperando o humor. — Vou melhorar o estilo.

E tentou piscar com glamour. O problema é que glamour, num coelho, vira logo “glamour de hortelã”: fresco, mas estranho.

— Estás a fazer cara de quem provou limão — comentou Zeca.

— Limão intergaláctico — corrigiu Lino, e todos riram baixinho, para não acordar o silêncio da noite.

Então, um susto sem medo aconteceu: um vagalume pousou no nariz do Lino e acendeu a luz.

— Ai! — Lino ficou vesgo a olhar para o próprio nariz brilhante. — Estou a brilhar! Eu sabia!

A coruja soltou um riso curto.

— Estás a brilhar por empréstimo.

O vagalume levantou voo, ofendido só um bocadinho, e desenhou uma linha luminosa no ar, como assinatura.

— Desculpa! — disse Lino depressa, com empatia a correr mais rápido que as patas. — Obrigado por ajudares… mesmo sem saberes.

Ele piscou uma vez — “obrigado” — na direção do vagalume, que pareceu piscar de volta, como quem aceita.

Capítulo 4 — A estrela que caiu… num arbusto

Na noite seguinte, o prado estava tão calmo que até os grilos cantavam em modo “volume baixo”. Lino praticava o pisca-código, já mais suave, quando viu uma luz a mexer-se diferente.

— Aquela estrela… está a tropeçar? — murmurou ele.

A luz desceu, desceu, e— puf! — caiu num arbusto com um som de “plim” muito educado.

Zeca arregalou os olhos.

— Isso foi uma estrela a aterrar! Ou um vagalume com ambição!

A coruja abriu as asas, pronta para ajudar.

— Vamos com cuidado. Nada de gritaria. Se for alguém assustado, precisa de calma.

Lino correu, mas com um cuidado cómico: corria e travava, corria e travava, para não parecer um foguete fora de controlo.

No arbusto, encontraram… um pequeno objeto brilhante. Não era uma estrela de verdade, claro. Era uma concha polida, cheia de pó de mica, que refletia a lua e fazia “plim” quando mexia.

Ao lado, o caracol Mimi tremia dentro da casinha.

— Eu… eu estava a levar a concha para a minha coleção — disse ele, com a voz fina. — Escorreguei. Ela rolou. E eu achei que o céu ia cair em cima de mim.

Lino agachou-se, bem ao nível do caracol.

— Mimi, desculpa. A gente chegou a correr e tudo. Tu estás bem?

O caracol espreitou devagar.

— Estou… Só fiquei com vergonha. Pareceu que eu fiz um espetáculo.

Zeca apontou para o arbusto amassado.

— Espetáculo foi. Mas do tipo comédia leve.

A coruja falou com cuidado, como quem põe uma manta por cima das palavras.

— Vergonha é pesada. Podemos ajudar a carregar um pouco.

Lino pegou na concha com delicadeza.

— Ela parece uma estrela porque está a refletir. Tu só querias algo bonito, não é?

Mimi assentiu.

— Eu queria uma coisa que piscasse… para eu não me sentir sozinho quando volto devagar para casa.

Lino sentiu o coração bater como um tambor pequenino.

— Então estamos no mesmo clube — disse ele. — O Clube dos Brilhantes Modestos. Eu também ando a piscar para fazer amizade com o céu.

Mimi soltou uma risadinha, ainda tímida.

— Um coelho a piscar para as estrelas… Isso é tão estranho que é bom.

Lino sorriu.

— Estranho é uma forma de corajoso, às vezes.

Capítulo 5 — A coreografia do prado inteiro

A notícia espalhou-se: “O Lino fala com estrelas” virou “O Lino dá aulas de piscar” em menos de dois dias. Animais têm uma imaginação que corre mais do que pernas.

Naquela noite, apareceu uma plateia: esquilos, rãs, um texugo que dizia que só veio “por acaso”, e até duas borboletas sonolentas que juravam que não estavam a bocejar.

— Não é aula! — Lino tentou controlar o caos. — É… é um ensaio de gentileza luminosa.

Zeca subiu numa pedra, como apresentador.

— Senhores e senhoras e quem ainda não decidiu, hoje vamos piscar com propósito!

A coruja suspirou, mas estava a divertir-se.

— Propósito: empatia — lembrou ela. — Piscar para dizer “estou aqui contigo”.

Lino ensinou o código:

— Três piscadelas: “Olá, vi-te.” Duas: “Conta comigo.” Uma: “Obrigado.”

O prado virou uma discoteca muito educada. Piscavam olhos, piscavam vagalumes, piscava até o caracol Mimi, que fechava e abria as anteninhas como se fossem mini pálpebras.

— Mimi, isso conta como piscar? — perguntou Lino.

— Conta como “antenar”! — respondeu Mimi, orgulhoso.

De repente, um esquilo começou a piscar tão rápido que parecia que estava a bater palmas com a cara.

— Eu estou a dizer “olá” mil vezes! — explicou ele.

— Assim parece que estás a pedir socorro ao universo — avisou a coruja.

Toda a gente riu, e o riso foi baixando sozinho, como se também soubesse a hora.

Então, Lino olhou para cima. As estrelas, lá longe, piscavam com a mesma paciência de sempre. Não estavam a competir. Nunca estiveram.

Lino fez o código completo, bem devagar:

Pisca-pisca-pisca… pisca-pisca… pisca.

E, naquele instante, uma estrela cadente atravessou o céu, discreta, como um bilhete que alguém deixou a passar.

Zeca abriu a boca.

— Epa!

O texugo, que fingia não estar emocionado, pigarreou.

— Isso… isso foi coincidência, claro.

Lino não disse “eu sabia”. Ele só sentiu uma coisa macia por dentro.

— Talvez o céu tenha dito “olá” — sussurrou ele. — Ou talvez tenha dito “eu ouvi-te”.

A coruja pousou uma asa sobre o ombro dele.

— O importante é que tu ouviste os outros, primeiro.

Capítulo 6 — O brilho que fica quando os olhos fecham

Mais tarde, quando o prado ficou quase vazio e só o som dos grilos continuou, Lino acompanhou Mimi até perto da casinha.

A concha brilhante estava segura, presa com uma folhinha dobrada como fita.

— Obrigado — disse Mimi, fazendo uma piscadela-antenar.

Lino respondeu com uma piscadela só, a mais calma de todas.

— Obrigado tu, por dizeres que estavas com medo. Isso dá trabalho, mas ajuda.

Lino voltou devagar. As patas dele já não pareciam apressadas. O mundo inteiro parecia ter colocado meias nos pés para andar mais silencioso.

A coruja voou ao lado, sem pressa.

— Ainda queres imitar as estrelas? — perguntou ela.

Lino olhou para o céu e depois para o prado.

— Acho que eu não imito. Eu converso. À minha maneira.

Ele deitou-se na relva, que tinha cheiro de tarde guardada. Piscou uma vez, só para testar… e não para provar nada.

O Zeca apareceu com a voz já meio de bocejo.

— Lino… amanhã podemos fazer o Clube outra vez?

— Podemos — respondeu Lino. — Mas mais baixinho.

— Mais baixinho quanto?

— Tipo… um piscar que quase não mexe o rosto.

Zeca tentou e fez uma cara tão concentrada que ficou a parecer um bolinho a tentar pensar.

— Assim?

— Assim mesmo — riu Lino, mas foi um riso que não empurrou o ar, só o acariciou.

A lua parecia mais leve. As estrelas piscavam longe, sem pressa, como quem diz: “Descansa.”

Lino fechou os olhos. Ainda via, por dentro, um pontinho brilhante: não uma estrela de verdade, mas a lembrança de ter ajudado o Mimi, de ter ouvido, de ter sido ouvido.

E, quando o sono chegou de mansinho, como uma manta que sabe o caminho, houve um chuchotis muito distante, quase um segredo do céu ao prado:

— Boa noite… boa noite…

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Constelação
Grupo de estrelas que parecem formar um desenho no céu.
Empatia
Capacidade de entender e sentir o que outra pessoa sente.
Vagalume
Inseto que produz luz própria e aparece à noite.
Pó de mica
Pó brilhante e fino que reflete a luz como pequenas faíscas.
Concha polida
Concha de mar limpa e brilhante, com superfície lisa.
Coincidência
Acontecimento que parece ligado por acaso, sem planeamento.
Vergonha
Sentimento desconfortável quando achamos que fizemos algo estranho.
Antenar
Movimento das antenas do caracol, parecido com um pequeno gest
Plim
Som curto e leve, usado para dizer que algo caiu ou bateu.

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