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História encantadora e divertida 9 a 10 anos Leitura 15 min.

O feiticeiro Tomé Mexerico e o sótão das malandrices improváveis

No sótão do feiticeiro Tomé, o modo eco-sort transforma objetos silenciosos em companheiros falantes e travessos, forçando-o a usar calma, negociação e criatividade para restaurar a ordem.

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Um jovem feiticeiro chamado Tomé, rosto redondo e bigode fino, sorridente, veste uma túnica violeta pálida e um chapéu ligeiramente grande; segura uma pequena garrafa rotulada “Vinagre (talvez)” em uma mão e uma varinha de madeira na outra, parado no sótão. Uma vassoura personificada, cerdas douradas e cabo envernizado, faz uma reverência teatral sobre o tapete central; um caderno animado de capa verde com cantos gastos está aberto numa mesa baixa e escreve sozinho em tinta preta; um chapéu tímido, castanho e amassado, repousa numa cadeira tremendo levemente. O sótão é acolhedor, com vigas de madeira à vista, prateleiras cheias de frascos etiquetados, um grande tapete redondo vermelho e uma janela circular com luz suave. Cena cômica em que Tomé negocia calmamente com os objetos vivos para pôr ordem, com expressões marcantes, gestos suaves e paleta quente (ocre, violeta, vermelho) com toques de verde e azul. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1: O Sótão Arrumado e o Modo Eco-Sort

No sótão mais arrumado de toda a Rua das Chaminés, o feiticeiro Tomé Mexerico trabalhava com a seriedade de quem dobra meias por cores. Havia prateleiras alinhadas, frascos etiquetados (“Pó de Riso — NÃO CHEIRAR”), um tapete sem um único fio fora do lugar e uma janela redonda por onde entrava um sol bem comportado.

Tomé era um feiticeiro… e também uma matraca feliz. Falava com as caixas, com as vassouras e até com um velho chapéu que não respondia por timidez.

“Bom dia, chapéu! Hoje estamos elegantes, hein? Não que eu precise de elegância para conjurar, mas ajuda na autoestima. E na autoestima dos ratinhos, se existissem ratinhos aqui. Não existem. Porque eu arrumo tudo!”

Ele apontou a varinha para uma lanterna a óleo, desligada, e sussurrou o seu novo orgulho:

“Eco-sorts: poupar magia, poupar energia, poupar confusão… ou pelo menos tentar.”

A lanterna acendeu com uma luz suave, como se tivesse espreguiçado. Tomé sorriu e continuou o seu monólogo.

“Vês? Sem explosões! Sem faíscas! Sem… ai, espera… por que é que a etiqueta do ‘Pó de Riso' está a fazer cócegas no frasco?”

A etiqueta começou a ondular, como uma língua de papel. Tomé piscou.

“Não. Não, não, não. Eco-sorts, lembra-te: magia pequena, resultado grande.”

Ele pegou num caderno onde escrevia os seus feitiços em letras redondas: LISTA DE COISAS QUE NÃO DEVEM ACONTECER NO SÓTÃO. Em primeiro lugar: “NADA SAI DO SÍTIO”. Em segundo: “NADA FALA SOZINHO”. Em terceiro: “SE ALGO RIR, QUE SEJA EU”.

Nesse momento, um “plim!” ecoou. Uma pequena faísca verde saltou da ponta da varinha e… entrou no caderno.

O caderno arrotou. Um arroto educado, mas bem audível.

Tomé ficou de boca aberta. Depois, como era falador, reagiu falando ainda mais.

“Perfeito. Excelente. Maravilhoso. O meu caderno aprendeu boas maneiras… e arrotos. Isto é o quê? Feitiço de biblioteca viva? Não, Tomé, calma. Coragem tranquila. Respira. Um, dois, três… e não sopres em cima do pó nenhum.”

O caderno virou as páginas sozinho, como se procurasse algo. E parou numa folha em branco que começou a escrever, com tinta que aparecia do nada:

“AVISO: MODO ECO-SORT ATIVO. ECONOMIA DE MAGIA: 97%. CONSEQUÊNCIA: MALANDRICES IMPROVÁVEIS.”

Tomé coçou a cabeça.

“Consequência? Eu não encomendei consequências. Eu só queria poupar um bocadinho!”

Capítulo 2: A Revolta Educada dos Objetos

O sótão, que era um exemplo de ordem, decidiu experimentar uma coisa nova: personalidade.

A primeira a manifestar-se foi a vassoura, que bateu levemente no chão, como quem pede licença. Depois deslizou até ao centro do tapete e fez uma reverência.

“Olha só! A vassoura aprendeu teatro! Brilhante! Eu sempre disse que a limpeza é uma arte… embora tu sejas mais do tipo ‘varrer e posar'.”

A vassoura deu duas voltas, empinada, e parou diante de uma pilha de caixas perfeitamente alinhadas. As caixas estremeceram e começaram a trocar de lugar, uma por uma, com a delicadeza de peças num jogo de xadrez. No fim, continuavam alinhadas… mas em ordem inversa.

Tomé arregalou os olhos.

“Não! Isso parece arrumado, mas é uma arrumação ao contrário! Eu tenho um sistema! Um sistema muito sensível, com sentimentos!”

Um pote de botões começou a tilintar, como se risse. Um novelo de lã desenrolou dois centímetros só para provocar. E o chapéu, o tal tímido, finalmente falou — com voz abafada, como se falasse lá do fundo.

“Estou… com comichão.”

Tomé quase deixou cair a varinha.

“Chapéu! Tu falas! Eu sabia que havia um grande artista aí dentro. Ou uma traça educada. Espera… comichão? Onde? Não te coças com as minhas luvas, são de cerimónia!”

A etiqueta do “Pó de Riso” saltou do frasco e colou-se na testa do Tomé. De repente, cada palavra que ele dizia saía com uma risadinha no fim, como se a frase tivesse cócegas.

“Eu vou resolver isto, ha-ha! Com calma e coragem tranquila, hi-hi!”

A vassoura apontou, como se fosse uma seta, para a janela redonda. Lá fora, uma nuvem passou e fez um bigode no céu, só por implicância.

Tomé respirou fundo. Lembrou-se do aviso: “malandrices improváveis”. Era isso. O modo eco-sort economizava energia, mas deixava a magia procurar atalhos… e os atalhos eram traquinas.

“Está bem, objetos queridos, sem pânico. Eu continuo no comando. Só que… com o caderno a arrotar, a vassoura a fazer teatro e o meu próprio riso a escapar sozinho. Ótimo. Vamos negociar.”

Ele levantou a varinha com firmeza — firmeza tranquila, não dramática — e disse:

“Plano simples: ninguém sai do sótão, ninguém se magoa, e eu arranjo um feitiço de ‘voltar ao normal'. Tudo bem?”

O pote de botões fez “tlim-tlim”, como se dissesse “talvez”. A vassoura fez uma pirueta. O chapéu espirrou poeira.

Tomé engoliu em seco, mas sorriu.

“Eu consigo. Tranquilo. Eu só preciso de um ingrediente que… ai… está na prateleira de cima.”

A prateleira de cima, ofendida por ser chamada de “de cima”, decidiu subir mais um bocadinho. Só um bocadinho. O suficiente para ficar fora do alcance.

Tomé olhou para ela, depois para a sua própria altura, e suspirou.

“Coragem tranquila, Tomé. Isto é apenas uma prateleira com ambição.”

Capítulo 3: O Feitiço da Escada Que Não Queria Ser Escada

Tomé puxou a escada dobrável, que sempre colaborara, e colocou-a no lugar certo. Só que, ao tocar nela, a escada fez “clac” e… transformou-se numa coisa parecida com uma girafa de madeira, com degraus que se mexiam como joelhos.

“Ah. Uma escada girafa. Era o que me faltava para a coleção.”

A escada tentou andar para trás. Tomé falou com ela, porque falava com tudo.

“Escada, eu respeito a tua identidade. Se queres ser girafa, tudo bem. Mas preciso chegar à prateleira. Podes emprestar o teu pescoço, por favor?”

A escada girafa inclinou-se, desconfiada, e os degraus começaram a subir e descer sozinhos, como se estivessem a dançar uma música silenciosa.

Tomé colocou um pé no primeiro degrau. O degrau fez cócegas na sola do sapato. Tomé riu sem querer.

“Está bem, está bem! Eu também tenho cócegas. Mas foco, Tomé. Tranquilo. Um passo de cada vez.”

Ele subiu. O segundo degrau balançou como gelatina, mas não o deixou cair. O terceiro tentou esconder-se um pouco, mas Tomé, com paciência, encontrou onde colocar o pé.

“Vês? Eu não preciso de pressa. Coragem tranquila. Eu sou um feiticeiro, não um… acrobata em pijama. Embora isto pareça um pouco.”

Lá em cima, a prateleira altiva guardava o frasco do “Vinagre de Voltar ao Normal” — essencial para desfazer feitiços teimosos. Tomé esticou o braço. A prateleira recuou dois centímetros.

Tomé esticou mais. A prateleira recuou mais dois.

“Ah, então é assim? Um jogo de ‘apanha-me se puderes'? Muito bem.”

Ele não gritou. Não bateu com a varinha. Apenas respirou fundo e falou num tom calmo, como quem conversa com um gato que não quer entrar.

“Prateleira, eu sei que estás entusiasmada. Mas o sótão precisa de ordem para funcionar. Se me ajudares agora, eu prometo… hum… polir-te com óleo de limão. E colocar um marcador bonito para te chamar ‘Prateleira Principal'. Que tal?”

A prateleira parou. Pensou. Ou fez de conta. Depois deslizou para a frente, docinha como manteiga ao sol.

Tomé pegou no frasco de vinagre e desceu com cuidado. A escada girafa fez uma última dança e, satisfeita, voltou a ser escada normal com um “puf” discreto, como se nada tivesse acontecido.

Tomé pousou o frasco na mesa, aliviado.

“Vês, Tomé? Negociar. Coragem tranquila. E um pouco de óleo de limão no futuro.”

Mas, assim que ele abriu o frasco, o vinagre cheirou… a limonada. E a etiqueta dizia: “VINAGRE (talvez)”.

Tomé franziu o nariz.

“Modo eco-sort… tu és mesmo um artista da confusão económica.”

Capítulo 4: O Grande Remendo Mágico (Sem Explodir Nada)

Com o “vinagre talvez” na mesa, Tomé decidiu improvisar com cuidado. O eco-sort pedia feitiços pequenos, então ele faria um feitiço pequeno… mas muito bem pensado.

Ele reuniu três coisas do sótão arrumado: uma colher de madeira (porque madeira é paciente), uma tampinha de frasco (porque fecha problemas) e uma pena azul (porque dá leveza às ideias). Colocou tudo num pires.

“Vamos lá, equipa. Nada de dramas. Só um remendo mágico para pôr os objetos de volta ao sossego.”

O caderno, ainda animado, virou-se para ele e escreveu sozinho:

“SUGESTÃO: FEITIÇO ‘SOSSEGA, MAS NÃO APAGA A ALEGRIA'.”

Tomé sorriu.

“Boa! Eu gosto disso. A alegria pode ficar. Só… sem a prateleira a fugir e sem o chapéu a reclamar comichões em verso.”

O chapéu pigarreou, como se quisesse participar.

“Eu… não reclamo em verso.”

“Ainda”, sussurrou Tomé, e a risadinha da etiqueta na testa escapou outra vez.

Ele desenhou no ar um círculo pequeno com a varinha e falou devagar, para não gastar magia à toa:

“Eco-sortezinho, bem levezinho, arruma a magia no seu ninho. Objetos falantes, obrigado e tchau, fiquem quietinhos… mas felizes, uau.”

O pires brilhou com uma luz morna, como um abajur. A colher de madeira deu um mini-tilintar, a tampinha fechou-se sozinha com um “tic” satisfeito, e a pena azul pairou um segundo antes de pousar, como se estivesse a fazer uma reverência.

No sótão, o pote de botões parou de tilintar. O novelo de lã encolheu o fio de volta, como se puxasse uma língua marota para dentro. As caixas voltaram à ordem original de Tomé (aleluia arrumativa). A vassoura fez uma última pose teatral e encostou-se à parede, quietinha, mas com ar orgulhoso.

E o caderno… deixou de arrotar. Em vez disso, escreveu:

“RESULTADO: 90% NORMAL. 10% MALANDRICE CONTROLADA.”

Tomé tirou a etiqueta do “Pó de Riso” da testa e colou-a de volta no frasco, com cuidado.

“Pronto. Tu ficas aí. E sem fazer cócegas em mim. Eu mando em mim. Quer dizer… eu e a minha coragem tranquila.”

Foi então que a janela redonda fez um “toc-toc”, como se alguém batesse do lado de fora. Tomé olhou: uma nuvem, a mesma do bigode, estava parada ali, colada no vidro, como se fosse uma pastilha elástica no céu.

A nuvem escreveu com vapor: “OLÁ”.

Tomé encostou a testa ao vidro.

“Olá, nuvem. Tu também foste apanhada pela malandrice improvável, foi?”

A nuvem fez o bigode outra vez e pareceu rir.

Tomé pensou: se a nuvem ficasse ali, tapava o sol e o sótão ficaria com cara de dia amuado. E o final do dia, ele queria que fosse limpo e brilhante, como o seu tapete.

Ele levantou a varinha, mas não para expulsar a nuvem à bruta. Eco-sort, lembrava?

“Vamos fazer isto com jeitinho.”

Capítulo 5: Um Céu Desimplicado e um Feiticeiro Mais Calmo

Tomé abriu a janela um pouco. A nuvem entrou só a pontinha, curiosa, como um gato de algodão.

“Escuta, nuvem. Eu sei que estás a brincar. Eu também gosto de brincar. Mas lá fora é o teu lugar. E eu gosto de ver o céu… bem… céu.”

A nuvem fez uma carinha triste que parecia um ponto de interrogação.

Tomé respirou fundo. Coragem tranquila não era só para subir escadas-girafa. Era também para dizer “não” sem ser mau.

“Que tal um acordo? Eu faço um feitiço pequenino para te dar uma forma divertida… lá fora. Um desenho no céu, rapidinho, e depois tu segues o teu caminho.”

A nuvem tremelicou, interessada.

Tomé fez um gesto leve com a varinha e sussurrou:

“Eco-sopro de vento, só um nadinha, leva a nuvem para a estrada do alto, bem certinha.”

Um ventinho delicado apareceu, como se pedisse desculpa antes de soprar. Empurrou a nuvem para fora da janela e, já no céu, a nuvem virou um enorme coelho fofo por dois segundos. Depois virou um barco. Depois virou uma meia (Tomé corou). E por fim, como se entendesse a mensagem, espalhou-se e foi embora, deixando o azul livre.

O sol, agradecido, brilhou sem fazer escândalo.

Tomé fechou a janela e olhou para o sótão: prateleiras no lugar, frascos quietos, tapete impecável. A vassoura piscou… ou parecia que piscou. O chapéu suspirou, confortável.

Tomé sentou-se na cadeira e riu, desta vez porque quis.

“Bem… isto foi uma aventura inteira sem sair do sótão. E eu consegui sem gritar, sem explodir nada e sem transformar ninguém numa batata. Vitória.”

O caderno escreveu uma última frase:

“CORAGEM TRANQUILA: APROVADA.”

Tomé pegou num pano e começou a polir a “Prateleira Principal” com óleo de limão, como prometera.

“Promessas são promessas. E amanhã… amanhã eu volto a testar o modo eco-sort. Mas com um aviso bem grande: ‘MALANDRICES, SÓ COM PERMISSÃO'.”

Lá fora, o céu estava completamente limpo, sem bigodes, sem meias e sem pastilhas de nuvem. Só um azul aberto, como uma página nova — desta vez, sem arrotos. Tomé olhou para cima, satisfeito, e sentiu aquela coragem tranquila a acomodar-se dentro dele, como um chapéu finalmente sem comichão.

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Eco-sorts
Modo ou ideia de usar menos magia para poupar energia e confusão.
Sótão
Cômodo no topo da casa, junto ao telhado, onde se guarda coisas.
Varinha
Bastão pequeno usado pelos feiticeiros para fazer magia ou gestos mágicos.
Prateleira
Madeira ou suporte dentro de um móvel onde se põem objetos.
Vinagre
Líquido azedo usado para cozinhar e limpar, com cheiro forte.
Feitiço
Palavras ou gestos usados na magia para mudar algo ou ajudar.
Malandrices
Travessuras ou brincadeiras que podem ser um pouco desobedientes.
Arrotou
Ato de soltar ar da boca com som; aqui é usado de forma engraçada.
Pirueta
Giro rápido ou volta no ar que alguém faz como dança.
Coragem tranquila
Sentir coragem sem nervosismo, com calma e sem exageros.

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