Capítulo 1: O Dia Diferente
Maria tem cinco anos e gosta muito de brincar com as bonecas, desenhar corações coloridos e correr no jardim atrás do seu cãozinho, o Figo. Maria mora numa casa com a mãe, o pai e o Figo. Todos os dias, Maria acorda com um beijo da mãe, toma o pequeno-almoço com o pai e vai para a escola com a lancheira cheia de fruta.
Num dia que parecia igual aos outros, Maria notou que a casa estava mais silenciosa. O pai e a mãe sentaram-se com ela no sofá, com Figo deitado aos pés deles. A mãe segurou a mão de Maria e disse, com voz suave:
— Maria, nós precisamos de te contar uma coisa. Eu e o papá vamos viver em casas diferentes.
Maria olhou para o pai, depois para a mãe. Ela não sabia o que dizer. Sentiu o coração bater mais rápido. O pai sorriu-lhe, apertou-lhe a mão e disse:
— Nós amamos-te muito, Maria. Vamos continuar a estar contigo todos os dias, só que agora vamos viver em casas diferentes.
Maria ficou muito quieta. Ela não queria fazer perguntas. Só queria abraçar o Figo.
Capítulo 2: Os Dias de Mudança
Nos dias seguintes, Maria percebeu que muitas coisas estavam a mudar. A mãe começou a arrumar roupas em malas. O pai trouxe caixas coloridas para a sala. Maria ajudou a escolher brinquedos para levar para a casa nova do pai.
— Posso levar o Figo para as duas casas? — perguntou Maria, preocupada.
A mãe sorriu. — Sim, querida, o Figo vai visitar as duas casas, tal como tu.
Maria sentiu-se um bocadinho melhor. Ela gostava de saber que o Figo ia estar sempre com ela.
Na escola, Maria contou à professora que ia ter duas casas. A professora deu-lhe um grande abraço e disse:
— Maria, às vezes as famílias mudam, mas o amor não muda. E se precisares de conversar, eu estou aqui.
Maria sentiu-se segura com as palavras da professora. Ela gostava de ter pessoas a quem podia contar as coisas do coração.
Capítulo 3: Sentimentos Coloridos
Maria começou a passar alguns dias na casa da mãe e outros dias na casa do pai. No início, era estranho. Os brinquedos estavam em sítios diferentes. Na casa da mãe, o quarto tinha cortinas amarelas, e cheirava sempre a bolachas. Na casa do pai, o quarto tinha estrelas coladas na parede e uma luz de noite azul.
Às vezes, Maria sentia-se triste. Outras vezes, sentia-se zangada. E outras vezes, só queria que tudo fosse como antes. Quando sentia a tristeza a crescer, Maria desenhava corações com lápis vermelhos, azuis e verdes. Quando sentia saudades do pai na casa da mãe, ligava-lhe para lhe contar o que tinha feito nesse dia.
O pai e a mãe falavam sempre com Maria sobre os seus sentimentos. A mãe dizia:
— É normal sentires-te triste, Maria. Eu também fico triste às vezes. Mas sabes que podes sempre contar comigo.
O pai dizia:
— Quando sentires saudades, podemos fazer um desenho juntos por telefone.
Um dia, Maria falou com a professora sobre os seus sentimentos. A professora pediu para ela desenhar como se sentia. Maria desenhou um coração grande com muitos risquinhos de várias cores.
— O meu coração tem muitos sentimentos ao mesmo tempo — explicou Maria.
A professora sorriu e disse:
— Todos nós temos muitos sentimentos. O importante é falar sobre eles e pedir abraços quando precisamos.
Maria achou isso bonito. Ela gostava de abraços e de falar dos sentimentos.
Capítulo 4: Novos Costumes, Novas Alegrias
Com o tempo, Maria começou a descobrir coisas boas nas duas casas. Ao sábado, fazia panquecas com a mãe e comia-as com morangos no jardim. Ao domingo, ia ao parque com o pai e o Figo, e corriam todos atrás das pombas.
Na casa da mãe, Maria tinha uma caixa de segredos onde guardava desenhos e conchas da praia. Na casa do pai, tinha uma prateleira só para livros de histórias.
Maria começou a perceber que, mesmo com duas casas, havia muito amor à sua volta. Os avós vinham visitá-la nas duas casas. Os amigos da escola mandavam desenhos para as duas moradas. E Figo estava sempre pronto a dar lambidelas de alegria.
Quando Maria sentia saudades de um dos pais, fazia um desenho para oferecer na próxima visita. E quando sentia vontade de chorar, pedia um abraço. Os pais diziam sempre:
— Estamos aqui, Maria. Sempre juntos, mesmo quando estamos em casas diferentes.
Maria aprendeu a falar sobre o que sentia. Aprendeu que não fazia mal ficar triste ou zangada. E aprendeu que podia ser feliz nas duas casas, porque o amor da família nunca se partia.
Capítulo 5: O Coração da Maria
Um dia, na escola, a professora pediu a todos para desenharem a sua família. Maria desenhou duas casas, uma com cortinas amarelas e outra com estrelas na parede. Desenhou-se a si própria, ao Figo, à mãe e ao pai. Depois desenhou um coração grande a unir as duas casas.
— O que é esse coração, Maria? — perguntou a professora.
Maria respondeu:
— O coração é o amor. O meu amor está nas duas casas. E eu levo sempre o coração comigo.
A professora sorriu e disse:
— Isso é muito bonito, Maria. O amor está sempre connosco, mesmo quando as coisas mudam.
Maria sentiu-se feliz. Ela sabia que, mesmo com duas casas, nunca estava sozinha. Tinha a mãe, o pai, o Figo, os amigos, a professora e o seu grande coração cheio de amor.
Capítulo 6: Uma Família Sempre Juntos
No fim de semana, a mãe e o pai levaram Maria e o Figo ao parque. Sentaram-se todos juntos numa manta. Comeram sanduíches, riram, contaram histórias e jogaram à apanhada.
Maria correu pelo relvado, com o vento a soprar-lhe nos cabelos e o Figo a saltar à sua volta. Parou, olhou para trás e viu a mãe e o pai a sorrirem para ela, lado a lado.
Nesse momento, Maria percebeu que a família podia ser diferente, mas continuava a ser uma família. Podia ter duas casas, mas tinha sempre o amor dos pais. E isso fazia o seu coração sorrir.
Maria sabia que, sempre que precisasse, podia falar dos seus sentimentos. Sabia que podia pedir ajuda, pedir abraços e desenhar corações. E sabia, acima de tudo, que era muito amada.
Com o Figo a correr ao seu lado, Maria sentiu-se forte, corajosa e feliz. Ela sabia que, mesmo com mudanças, o amor da família nunca acaba.
E, assim, Maria continuou a viver os seus dias, cheia de alegria, com o coração colorido e rodeada de amor, em todas as casas onde fosse viver.