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História sobre a separação e o divórcio 5 a 6 anos Leitura 7 min.

duas casas, um coração

Lucas, um menino que tem pais separados, participa de um grupo de apoio onde aprende a lidar com seus sentimentos e descobre que não está sozinho em sua experiência. Com a ajuda de novos amigos, ele começa a entender a importância de compartilhar e falar sobre suas emoções.

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Há 2 personagens principais: - Lucas: um garoto de 6 anos, com cabelo castanho bagunçado, vestindo uma camiseta azul com um super-herói desenhado e um short vermelho. Ele está sentado na grama, com um sorriso tímido no rosto, segurando um desenho nas mãos. - Sara: uma menina de 6 anos, com cabelos cacheados e loiros, vestindo um vestido rosa com bolinhas brancas. Ela está sentada ao lado de Lucas, com as pernas cruzadas, sorrindo amplamente e com um desenho colorido em seus joelhos. O local da cena principal é um parque ensolarado, cheio de flores coloridas e árvores verdes. Ao fundo, há um escorregador e balanços, onde outras crianças brincam alegremente. O céu é azul com algumas nuvens brancas e fofas. A cena mostra Lucas e Sara compartilhando seus desenhos sobre seus sentimentos, sentados juntos na grama. Eles trocam sorrisos cúmplices, cercados por cores vibrantes e uma atmosfera alegre, ilustrando a amizade e o apoio mútuo em um momento de compartilhamento. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 – O Primeiro Dia no Grupo

Lucas acordou cedo, numa manhã cheia de sol. O quarto estava iluminado e seu urso de pelúcia sorria sentado na cama. Mas Lucas sentia um nó na barriga. Hoje era o primeiro dia no grupo de apoio para crianças que tinham pais separados. Lucas não sabia como seria. Ele queria sorrir, mas um pouquinho de tristeza não deixava.

— Mamãe, o que vou fazer lá? — perguntou Lucas enquanto tomava o pequeno-almoço, mexendo no pão com manteiga.

— Vais encontrar outros meninos e meninas como tu, Lucas. Vão conversar, brincar, desenhar e contar histórias — respondeu a mãe, passando a mão no seu cabelo despenteado. — Lembra-te, não estás sozinho.

Enquanto caminhavam até à escola, Lucas olhava os carros, as árvores, os passarinhos. Mas a cabeça dele pensava no grupo. O que diria? O que faria?

Chegando à sala do grupo, Lucas encontrou Sara. Sara era uma menina com cabelo cacheado e um sorriso tímido. Ela também tinha seis anos. No grupo, estavam mais algumas crianças e uma senhora simpática chamada Dona Vera.

— Olá, eu sou a Dona Vera, vamos brincar juntos hoje — disse ela, com voz suave.

Lucas sentou-se ao lado de Sara. Todos os meninos e meninas formaram uma roda. Dona Vera pediu para cada um dizer o nome e uma coisa de que gostava.

— Eu sou o Lucas — disse baixinho. — Gosto de desenhar super-heróis.

— Eu sou a Sara — disse sorrindo. — Gosto de brincar de casinha.

Logo, todos começaram a contar coisas de que gostavam. Lucas achou engraçado ouvir as vozes diferentes, tão alegres. O nó na barriga ficou menor.

Capítulo 2 – Partilhar e Ouvir

Depois da roda, Dona Vera deu folhas e lápis de cor a cada criança.

— Hoje vamos desenhar como nos sentimos — explicou ela. — Pode ser um sol, uma nuvem, um coração ou até um arco-íris. O que sentem no vosso coração?

Lucas pensou um pouco. Desenhou um coração partido e depois desenhou dois lares: uma casa azul onde morava com a mãe e um apartamento amarelo onde ficava com o pai. Desenhou também ele e Sara a brincar no parque.

Sara desenhou uma nuvem e muitos corações pequeninos. Depois, desenhou ela de mãos dadas com a mãe, o pai e a avó.

— Queres mostrar o teu desenho, Lucas? — perguntou Dona Vera com um sorriso.

Lucas mostrou e explicou:

— Aqui é a minha casa com a mãe. Aqui é o apartamento do papá. Às vezes fico triste porque queria que fôssemos todos juntos. Mas também fico feliz quando brinco no parque com o papá e quando ajudo a mamãe a fazer bolos.

Sara partilhou:

— Eu fico confusa. Sinto falta do papá. Mas a mamãe diz que posso falar com ele todos os dias. Gosto quando ele liga e conta histórias.

Dona Vera ouviu com atenção. Ela disse:

— É normal sentir saudades. É normal sentir-se triste, feliz ou zangado. O importante é conversar e não guardar só para dentro.

Lucas olhou para Sara. Sara olhou para Lucas. Eles sorriram. Sentiram-se melhor. Viram que não estavam sozinhos.

Capítulo 3 – Brincadeiras e Descobertas

No recreio, o grupo saiu para brincar. Correram atrás da bola, saltaram à corda e fizeram uma fila para escorregar. Lucas e Sara riam muito. Cada gargalhada parecia tirar um peso do peito.

Quando estavam sentados na relva, Lucas olhou para Sara e perguntou:

— Tu também tens dois quartos?

— Tenho — respondeu Sara. — Tenho uma cama cor-de-rosa na casa da mamãe, e uma cama cheia de bonecas na casa do papá. E tu?

— Eu tenho uma cama com foguetes na casa da mamãe e uma cama cheia de carrinhos na casa do papá — respondeu Lucas, orgulhoso.

Eles partilharam histórias engraçadas sobre as duas casas. Riram das aventuras, das diferenças entre as casas, dos brinquedos que ficavam em cada lugar.

Depois, Dona Vera chamou:

— Vamos para a roda de novo!

Todos se sentaram em círculo. Dona Vera falou:

— Todos nós temos famílias diferentes. Algumas pessoas vivem com as mães, outras com os pais, e outras com avôs ou tios. Mas todas as famílias podem ser felizes. O importante é o carinho, o cuidado e o respeito.

Lucas ouviu e ficou a pensar. Olhou para os outros meninos. Todos eram diferentes, mas todos podiam ser amigos.

Capítulo 4 – Sentimentos e Conforto

No final do dia, Dona Vera trouxe uma caixa mágica. Era uma caixa colorida, cheia de papéis com palavras felizes: amizade, amor, alegria, esperança, coragem, partilha, abraço.

Cada criança escolheu uma palavra. Lucas tirou "coragem".

— Lucas, o que é coragem para ti? — perguntou Dona Vera.

Lucas pensou e respondeu:

— Coragem é dizer o que sinto. Coragem é pedir um abraço quando estou triste.

Sara tirou "amizade".

— Para mim, amizade é brincar, dar as mãos e ouvir o que o outro sente — disse ela.

Dona Vera sorriu:

— Vocês são muito corajosos. Estão a aprender a falar dos vossos sentimentos, a ouvir os amigos e a ajudar uns aos outros.

Lucas sorriu. Sentiu-se bem, quentinho por dentro. Aprendera que era normal sentir saudades, sentir-se dividido entre as casas. Aprendera que falar ajudava, que os amigos podiam entender e apoiar.

Quando a mãe chegou para buscar o Lucas, ele correu e abraçou-a com força.

— Foi bom, mamãe. Falei sobre as casas, os sentimentos, brinquei com amigos que também têm pais separados.

A mãe sorriu, os olhos brilhando.

— Que bom, meu amor. Vais ver, tudo vai ficar bem.

No caminho para casa, Lucas contou tudo. Falou de Sara, dos desenhos, das palavras mágicas. Sentiu-se mais leve, com o coração menos apertado.

À noite, antes de dormir, Lucas abraçou o urso de pelúcia e pensou: “A minha família é diferente, mas continua a ser família. Eu tenho coragem. Tenho amigos. Não estou sozinho.”

E assim, Lucas adormeceu a sorrir, sonhos cheios de cor, amizade e esperança.

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Apartmento
Um tipo de casa menor, geralmente em um prédio, onde as pessoas vivem.
Confusa
Quando alguém não entende bem algo ou se sente perdido em uma situação.
Saudades
Um sentimento de falta de alguém ou de algo que estava presente, mas não está mais.
Coragem
A força que temos para enfrentar nossos medos ou desafios.
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