O pequeno raposo acordou cedo. O sol entrava pela janela em faixas douradas. Ele bocejou. Pensou na mãe. Hoje era Dia das Mães. Ele sorriu.
“Quero fazer algo para a mamã,” disse o raposo. Ele queria um presente doce. Mas não um presente de loja. Queria dar um abraço de papel e de luz. Ele foi buscar ideias.
No caminho, encontrou a coruja. A coruja piscou com os olhos grandes.
“O que fazes tão cedo?” perguntou a coruja.
“Vou preparar um canto de leitura para a mamã,” respondeu o raposo. “Um lugar quentinho. Com livros e chazinho. Com muitos abraços.”
A coruja sorriu. “Posso ajudar?” perguntou ela.
“Sim!” exclamou o raposo. “Vem comigo.”
Eles passaram pela estrada de pedras. Vêem o esquilo no tronco.
“O que vocês fazem?” perguntou o esquilo, curioso.
“Vamos fazer um canto de leitura para a mamã,” disse o raposo. “Queres ajudar?”
“Quero!” pulou o esquilo. Ele trouxe nozes e um gorro pequeno. “Isto é para a cadeira ficar macia,” disse ele.
Os amigos chegavam. A coelha trouxe flores silvestres. O ouriço trouxe uma manta de lã. O sapo trouxe uma caneca pintada. Todos sorriam. Todos queriam ajudar.
O raposo pensou em cores. Pensou em livros. Escolheu uma cesta de papel. Pôs livros com histórias de árvores, de rios e de estrelas. Cada livro tem capa colorida. As letras são grandes. As imagens brilham. O raposo colocou os livros com cuidado.
“Vamos fazer um cartaz,” disse a coruja. Ela desenhou com uma pena. Escreveu com letras redondas: PARA A MAMÃ, COM AMOR. O raposo colou flores no cartaz. A coelha fez coraçõezinhos de papel. O esquilo tratou de amarrar a fita.
O sol ia crescendo. A mãe raposa ainda dormia. O raposo e os amigos arrumaram uma cadeira baixa. Puseram a manta do ouriço por cima. O gorro do esquilo virou uma almofada. O sapo pôs a caneca com chá de camomila num pires. O aroma era suave.
“Que mais falta?” perguntou o raposo, inquieto.
“Um abraço grande,” disse a coruja. “E uma surpresa.”
Eles pensaram. O raposo teve uma ideia pequena e brilhante. Foi buscar fitas azuis e um livro de memórias. No livro, desenhou coisas: a primeira vez que a mãe o ensinou a pescar, a noite que juntos viram estrelas, o dia que aprendeu a cantar. Desenhou com lápis de cor. Traçou corações. Escreveu palavras simples: OBRIGADO, MAMÃ.
Enquanto o raposo desenhava, a mãe abriu a porta. Seu pelo brilhou. Ela cheirou o ar. Havia flores e chá.
“O que é isso?” perguntou ela, sonolenta e contente.
“Surpresa!” disseram todos juntos. A mãe ficou surpresa e seus olhos brilharam.
O raposo segurou o livro. “É para ti,” disse ele. “É um canto de leitura. Para descansares. Para leres. Para que eu leia para ti.”
A mãe sentou-se. Tocou a manta. Tocou a caneca. Tocou os livros. Ela sentiu o amor. O rosto dela ficou mais suave. Ela sorriu com os dentes pequenos.
“Vão sentar aqui,” disse a mãe. Ela apoiou as patas. O raposo pulou para seu colo. A coruja pousou no encosto. A coelha sentou ao lado. O esquilo encostou a cauda.
O raposo abriu um livro. A história começou com uma folha que dançava. A mãe ouviu. A voz do raposo era calma. Era quente. As palavras eram simples. Os amigos ouviram também. O vento fez uma dança lá fora. As flores cheiraram ainda mais.
A cada página, havia risos. A cada página, havia um beijo de pelo. O raposo inventava vozes engraçadas. A coruja fazia um olhar sábio. A coelha batia palmas com as patas pequenas. O esquilo imitava os sons das folhas.
No meio da história, a mãe disse: “Obrigada, meu querido. Obrigada, amigos. Até um canto de leitura é um abraço que dura horas.”
O raposo encolheu-se no colo. Ele sentiu o calor. Sentiu-se seguro. O coração dele batia calmo. Ele olhou para a mãe. Olhou para os amigos. Tudo estava bem.
Depois da leitura, o sapo serviu o chá. Todos beberam devagarinho. O sabor era doce e leve. A mãe falou sobre estrelas. A coruja contou uma breve história da lua. A coelha explicou como escolher flores sem magoar o campo. O esquilo trouxe mais nozes. Compartilharam. Riram. Ajudaram-se.
A tarde veio com luz laranja. O canto de leitura ficou tranquilo. O raposo ofereceu um último presente: um bilhete dobrado. Nele estava escrito com letras grandes: AMO-TE, MAMÃ. A mãe leu e chorou um pouquinho. Eram lágrimas de alegria. Ela abraçou o raposo forte.
“Tu és o meu melhor presente,” disse ela.
O raposo sentiu as orelhas corarem. “Tu és o meu sol,” sussurrou ele.
A luz do sol começou a ir embora. As sombras alongaram-se. Era hora de despedir-se. A mãe levantou-se devagar. Abraçou cada amigo. Deu beijos nas testas peludas e nas penas.
“Obrigada,” disse ela. “Que dia tão doce.”
O raposo lavou a caneca com cuidado. Guardou o livro de memórias no caixote. Ele olhou para o canto de leitura. Brilhava com pequenas luzes. Era aconchegante. Era feito de amor.
Os amigos foram-se um a um. A coruja voou para a árvore. A coelha saltou para o prado. O esquilo subiu ao seu tronco. O sapo cantou um adeus baixo e saltou para o lago. Todos prometeram voltar.
A mãe ficou na porta e acenou. O raposo acenou também. O coração dele estava cheio. Ele sentiu-se feliz por ter ajudado. Sentiu-se feliz por ver a mãe sorrir.
Antes de dormir, o raposo aproximou-se e beijou a testa da mãe. “Boa noite, mamã,” sussurrou ele.
“Boa noite, meu pequeno,” respondeu ela. “Durma bem.”
O raposo foi para sua cama. Pensou no dia. Pensou nas mãos amigas. Pensou no canto que fizeram. Ele sorriu com os olhos fechados.
Lá fora, a lua cuidava do bosque. Lá dentro, havia calma. Havia amor. O dia terminou com um adeus terno. “Até amanhã,” disse o raposo para a mãe, e fechou os olhos.