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História sobre a primavera 9 a 10 anos Leitura 8 min.

O calendário da primavera

Arapuca, uma raposa criativa, prepara um calendário para celebrar as pequenas descobertas da transição do inverno para a primavera, envolvendo um menino e os amigos do jardim em momentos cheios de cuidado e encanto.

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Uma pequena raposa antropomórfica chibi, pelagem ruiva brilhante com tons acobreado, olhos grandes e brilhantes, sorriso curioso; alegre e concentrada, usa um pequeno chapéu de palha e segura uma vassourinha de madeira enquanto varre um monte de folhas. Uma joaninha chibi vermelha com pintas pretas voa perto do cabo da vassoura, expressiva e travessa. Um menino humano chibi de cabelos encaracolados e olhos grandes, roupa simples com manchas de terra, sorriso tímido, ajuda a recolher as folhas com um baldinho ao lado da raposa. Ao fundo, um hotel de insetos rústico de madeira com pequenas aberturas e musgo, junto a um canteiro de ervas aromáticas. Jardim abundante e luminoso: terra úmida, gravetos, flores silvestres coloridas, uma macieira pequena e céu azul claro com nuvens. Tarde de primavera com luz dourada, folhas rodopiando e gotas de orvalho cintilantes; atmosfera acolhedora e de descoberta. Estilo chibi kawaii, cores vivas, texturas suaves, traços nítidos, composição centrada adequada para capa de livro infantil. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Arapuca, a raposa de pêlo cor de cobre, acorda com um raio de sol atravessando a janela do seu quarto no sótão. O ar cheira a terra molhada e a flores tímidas. Ela espreguiça as patas, boceja e escuta: um zumbido suave, um canto distante de pássaro, o chiado das folhas que ainda se agarram aos galhos.

Arapuca gosta de inventar histórias sobre as estações. Hoje sente que algo mudou. O inverno, que era um cobertor pesado e silencioso, foi puxando-se devagar. Agora, o mundo parece uma caixa de lápis de cor revirada: tons de verde surgem nos cantos, amarelos tímidos, um azul mais claro no céu.

— Vou fazer um calendário do fim do inverno e começo da primavera — ela diz, e o branco dos dentes aparece num sorriso curioso. Pega papel e lápis, coloca o chapéu de palha e sai para o jardim. O vento fresco lhe acaricia a orelha. Então, nota as últimas folhas esparramadas pelo caminho. Elas sussurram histórias do outono.

Arapuca lembra-se de quando caiu a primeira chuva de primavera. Era como se o mundo tivesse bebido água e despertado. Hoje, o seu plano é simples: varrer as folhas restantes, ouvir a terra e olhar o jardim com atenção.

Capítulo 2

No jardim, cada canto respira com um som diferente. Sob a macieira, o chão ainda guarda folhas secas que farfalham como papel velho. Arapuca encontra uma vassoura longa feita de ramos e começa a varrer devagar. O movimento é calmo, quase uma dança. As folhas rodopiam, batem no chão e formam um pequeno monte que cheira a musgo.

Enquanto varre, Arapuca canta baixinho:

— Lave, lave, sopre, sopre, que a primavera chega com um sopro doce.

Uma joaninha pousa no cabo da vassoura. Ela é vermelha e tem pintinhas negras como botões. Pousa, dança e depois voa até uma flor. Arapuca sorri e fala com a joaninha como se fosse uma velha amiga.

— Obrigada por me ajudar a cantar — diz a raposa. A joaninha responde com um giro leve no ar, como se assentisse.

Perto do canteiro de ervas, sente um perfume: o alecrim está abrindo brotos novos. O cheiro lembra bolos de limão e lembranças mornas. Arapuca toca uma folha com a ponta das patas. Está fresca, vibrante. A terra ao redor está úmida, escura como chocolate. Ela pensa nas pequenas raízes que puxam dentro da terra gotas de chuva e sol.

Varrer transforma-se numa descoberta. Em cada monte de folhas, Arapuca encontra uma casca de noz, um pedaço de madeira brilhante, uma formiga carregando um grão maior que ela. Ela observa e aprende que o jardim é cheio de histórias pequenas, todas importantes.

Capítulo 3

No fundo do jardim há um hotel para insetos feito de madeira, canas e pedras empilhadas. Arapuca ajudou a construir o hotel no verão passado e agora gosta de visitá-lo todo mês. Hoje, aproxima-se devagar. O hotel cheira a resina e a sol quente que ficou guardado nas tábuas.

Ela encosta a face na madeira e escuta: dentro, os ratos-de-jardim não moram ali, mas há muitas abelhas solitárias, besouros azuis e minhocas que vieram só para descansar. Um beija-flor passa veloz, deixando uma nota de música no ar. Arapuca deixa uma pequena placa de agradecimento: "Bem-vindos, amigos minúsculos".

Ao arrumar as entradas do hotel, ela nota um casulo enrolado numa folha seca. Não o toca com pressa. Observa. A brisa faz a folha tremer e, por um segundo, pensa em todas as transformações que a primavera traz: sementes que explodem em verde, lagartas que se transformam, riachos que cantam mais alto.

Um murmúrio sobe do canteiro: é a voz das flores. Não se entende em palavras, mas Arapuca sente que dizem "venha, fique, veja o mundo de novo". Ela coloca algumas sementes de flores silvestres perto do hotel e rega com cuidado, espalhando gotas que brilham como pequenas estrelas.

Um menino do bairro aparece no portão. Seus olhos são grandes como pratos e ele segura um balde pequeno. Ele observa curioso o trabalho da raposa.

— Está fazendo um calendário? — pergunta ele, timidamente.

— Sim — responde Arapuca —. Cada página vai contar uma descoberta de primavera.

O menino sorri e ajuda a recolher as folhas do caminho. As mãos dele enchem-se de terra e riso. Juntos, varrem, riem e conversam sobre qual cor as borboletas terão este ano.

Capítulo 4

Ao fim da tarde, o céu fica pintado de laranja suave. Arapuca e o menino montam o calendário do lado de dentro do sótão. Cada mês é uma folha com desenhos colados: gotas de chuva, um botão de rosa, uma gota de orvalho, a casca de uma noz, um desenho do hotel de insetos. No centro, escrevem "Primavera" com letras redondas e douradas.

Eles prendem o calendário na parede com um pregador de madeira. A câmera de luz do sol bate e faz a folha tremeluzir. A raposa coloca o dedo no desenho de uma joaninha e diz:

— Este é o mês em que a joaninha veio me visitar.

O menino põe o dedo num desenho de uma mangueira que solta água em pequenos pingo-pingos e conta baixinho o som que ouviu. A raposa fecha os olhos e tenta lembrar-se de todos os cheiros do dia. Há tanto para guardar: o perfume de alecrim, o som de asas pequenas, a textura áspera da casca do hotel.

Antes de ir para a cama, Arapuca dá uma última volta pelo jardim. As troncas das árvores parecem segurar estrelas pequeninas nas pontas dos galhos. Ela encosta a orelha no tronco e escuta o coração do vento. Sorri.

— Boa noite, jardim — sussurra.

No sótão, com o calendário pendurado na parede, ela sente que guardou um pedacinho da primavera ali. O papel está quente, cheio de memórias suaves. A raposa apaga a luz e fica olhando um pouco mais. A lua entra pela janela e despeja prata sobre as folhas que ainda descansam do outro lado. O mundo respira mais leve.

Arapuca adormece com o som distante de uma abelha que volta para o hotel e com a certeza de que amanhã a primavera trará outra história — talvez um botão abrindo, talvez um novo visitante, talvez apenas mais um monte de folhas a varrer. Ela sorri no sonho e sonha com o jardim cheio de pequenas vozes que dizem, sem pressa: "Vem ver. Vem sentir. Vem ficar."

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Sótão
Quarto no alto da casa, logo abaixo do telhado, onde se guarda coisas ou se dorme.
Musgo
Planta pequena e macia que cresce em lugares úmidos, como pedras e troncos.
Resina
Substância pegajosa que sai de algumas plantas e árvores para proteger feridas.
Brotos
Pequenas partes novas que começam a crescer nas plantas e virar folhas ou flores.
Minhocas
Animais compridos e sem patas que vivem na terra e ajudam a deixá‑la fértil.
Casulo
Envoltório onde alguns insetos ficam seguros enquanto se transformam.
Hotel para insetos
Lugar feito para abrigar insetos pequenos, com madeira, canas e pedras.
Orvalho
Gotas de água que aparecem nas plantas pela manhã, quando está frio à noite.
Pregador de madeira
Pequena peça de madeira usada para prender papel ou pendurar coisas.
Tremeluzir
Mover‑se com luz que pisca ou brilha devagar, como uma superfície brilhante.
Farfalham
Som suave e seco que folhas fazem quando se movem ou batem umas nas outras.

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