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História sobre a primavera 9 a 10 anos Leitura 6 min.

Clara e as formigas do parque

Clara observa uma fila de formigas no parque durante uma tarde de primavera e, entre migalhas e pequenos desafios, aprende sobre trabalho em equipe, paciência e cuidado enquanto compartilha o momento com sua mãe.

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Menina de 10 anos, rosto redondo, cabelo castanho claro preso em rabo de cavalo, olhos grandes e curiosos e sorriso doce, sentada num banco de madeira estende a palma da mão com um pedaço de pão para uma fila de formigas; ao lado, a mãe de cerca de 35 anos, cabelos curtos e encaracolados, sentada com expressão afetuosa observa a cena; pequenas formigas pretas carregam migalhas em uma linha organizada; uma borboleta azul pousa numa flor próxima; parque na primavera com relva verde, flores amarelas e azuis e luz dourada do entardecer; plano aproximado centrado na menina e no banco, atmosfera calma e acolhedora. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

Clara sentou-se no banco do parque, os raios de sol aquecendo as pernas. O banco cheirava a madeira quente e a casca de árvore. Ao redor, as árvores começavam a vestir folhas novas, como se colocassem vestidos verdes. O ar tinha cheiro de terra molhada e flores tímidas. Clara fechou os olhos por um segundo e ouviu: um zumbido distante, o canto de um pássaro, o riso de uma criança que andava de bicicleta.

Ela abriu os olhos e sorriu. Trazia no bolso um pedaço de pão que a avó lhe dera pela manhã. Não era muito, mas era suficiente para observar o mundo com calma. Clara apoiou as mãos no colo e notou algo pequeno, preto e apressado ao lado do banco: uma fila de formigas. Elas carregavam migalhas, pedacinhos de folha e até um fio de cabelo que se enroscou como uma corda minúscula. Clara ficou quieta, como se estivesse prestes a ouvir um segredo.

Capítulo 2

As formigas moviam-se com disciplina. Cada uma tinha uma tarefa. Algumas puxavam, outras empurravam, e algumas paravam para olhar como se perguntassem: “Estamos no caminho certo?” Clara falou baixinho, como se conversasse com um amigo: “Vocês são fortes.” Uma formiga pequena ergueu um grão maior que ela e, por um instante, Clara sentiu orgulho. O sol acariciava seu rosto e ela sentiu o calor das manhãs de primavera invadindo o corpo.

Ao lado do banco, uma borboleta pousou numa flor azul. Clara estendeu a mão, sem tocar, e viu a casca da flor tremer. O peito dela encheu-se de calma. “Que trabalho bonito”, sussurrou. Uma senhora que passava parou e disse: “As formigas estão ocupadas, não atrapalhe.” Clara sorriu e respondeu: “Eu estou só olhando. Elas me ensinam paciência. A senhora olhou com ternura e continuou o caminho, deixando Clara com a sensação de que o mundo inteiro observava junto.

Capítulo 3

Clara pegou um pedaço muito pequeno de pão e colocou na palma da mão, sem tocar as formigas. Devagar, uma delas subiu e farejou. Cheirou, empurrou e, com muita calma, chamou outra. Em minutos, apareceu uma pequena corrente de formigas como fila de trem. Clara contava baixinho: “Uma, duas, três...” O calor fazia o cheiro do pão ficar mais forte. Um vento suave trouxe o perfume de grama cortada.

Ela lembrou das lições da escola sobre trabalho em equipe. Não eram apenas palavras nos cadernos; eram pequenas coisas vivas ali, debaixo dos seus olhos. Clara viu que quando uma formiga cansava, outra vinha ajudar. E quando uma pedra atrapalhava o caminho, as formigas contornavam, procurando uma solução. Clara riu baixinho. “Vocês resolvem tudo juntas”, disse ela. As formigas continuaram, sem pressa, e ao mesmo tempo, com uma determinação tranquila.

Capítulo 4

O sol inclinava-se para o fim da tarde, tingindo as folhas de dourado. Clara encostou-se no encosto do banco e sentiu as sombras esticarem-se como lenços. Alguém chamou seu nome: era a mãe, que vinha do outro lado do parque. Clara fez um gesto para que não a apanhasse ainda. Queria mais um momento.

No chão, as formigas carregavam o último pedaço de pão. Uma delas, a menor, tropeçou numa aresta minúscula e caiu de barriga para cima. Clara prendeu a respiração. A formiga fez um esforço e, com a ajuda das companheiras, ergueu-se. Clara aplaudiu com os dedos e a mãe, percebendo o gesto, sorriu. “Está tudo bem?” perguntou ela, sentando-se ao lado de Clara. “Sim”, respondeu a menina. “Elas são fortes e gentis.” A mãe pegou a mão de Clara. Juntas observaram a fila desaparecer sob a grama.

Quando se levantaram, Clara olhou mais uma vez para as formigas e fez um gesto discreto, um olhar cheio de orgulho e admiração. Era um olhar que dizia: “Bravo.” A mãe sorriu de volta, como se entendesse cada palavra não dita. O parque entrou no crepúsculo; as cores ficaram suaves e brilhantes como aquarelas. Clara guardou o pedaço de pão que sobrara, sentiu a brisa fresca no rosto e levou consigo uma sensação de paz.

No caminho de casa, ela repetia baixinho: “Primavera, trabalho, cuidado.” Os cheiros, os sons e o calor do banco acompanhavam os seus passos. Ao chegar ao portão, Clara deu uma última olhada para trás. O parque parecia acenar. Ela sabia que voltaria no dia seguinte, talvez com uma nova migalha, talvez apenas com os olhos atentos. E, naquele olhar trocado com as formigas, ficou um brilho de compreensão: viver com bondade e atenção é um gesto simples e valente — e por isso, merecia um bravo seriro.

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Casca
Camada exterior e dura que protege o tronco de uma árvore.
Vestidos
Peças de roupa longas que cobrem o corpo, usadas por pessoas.
Tímidas
Que sente vergonha ou tem medo de chamar atenção.
Zumbido
Som contínuo e baixo, como o de insetos ou máquinas.
Disciplina
Organização e regras que ajudam a fazer o trabalho bem feito.
Migalhas
Pedaços muito pequenos de pão ou comida.
Corrente
Série ligada de coisas que seguem uma após a outra.
Determinação
Força interior para continuar e não desistir.
Crepúsculo
Momento em que o dia vira noite, com luz suave.
Aquarelas
Tintas que se usam com água para fazer pinturas suaves.
Paciência
Capacidade de esperar sem ficar nervoso ou impaciente.
Brisa
Vento leve e fresco que se sente no rosto.

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