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História do Dia dos Namorados 11 a 12 anos Leitura 20 min.

O caderno dos mercis: um pedido de desculpa que virou amizade

Uma menina chamada Inês, depois de magoar a amiga Marta com uma piada, decide criar um "Caderno dos Mercis" e encontrar coragem para pedir desculpa e reparar a amizade. A história mostra como pequenos gestos e palavras sinceras podem transformar relações na escola.

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Menina de 12 anos, rosto redondo, cabelo castanho preso em rabo-de-cavalo, ansiosa mas determinada, inclinada para a frente segurando um pequeno caderno amarelo com textura de limão contra o peito; Marta, cerca de 12 anos, pele clara, cabelo preto médio, olhar surpreso e comovido, sentada num banco com um bloco de desenho, vira-se para a mão estendida da protagonista; Tiago, cerca de 12 anos, cabelo encaracolado, sorri ao fundo enquanto prende de forma atrapalhada um grande coração de papelão numa parede; pátio da escola ao crepúsculo com calçada de paralelepípedos, árvore antiga com raízes expostas, guirlandas de corações de papel vermelhos e rosas ao vento e folhas rodopiantes; cena principal: troca íntima e vulnerável entre as duas meninas sob uma brisa leve — a protagonista oferece o "Caderno dos Mercis" amarelo aberto com a fita vermelha visível, Marta lê a primeira palavra e papéis em forma de coração flutuam ao redor, atmosfera suave e reconciliante em tons quentes (amarelo, rosa, vermelho) com toques de azul do céu. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O cartão amassado

Na manhã de 14 de fevereiro, a escola parecia uma caixa de lápis aberta: cor por todo lado. Havia corações de papel nas portas, fitas vermelhas nas janelas e um cheiro doce de bolinhos de canela vindo da cantina.

A Inês, de onze anos, avançava pelo corredor como quem tenta ser corajosa e, ao mesmo tempo, invisível. Tinha o cabelo preso num rabo de cavalo apressado e um caderno pequeno na mochila, bem escondido, como se fosse um segredo.

No bolso do casaco, ela apertava um cartão cor-de-rosa já meio amassado.

“Hoje eu peço desculpa. Hoje eu peço desculpa,” repetia por dentro, como se fosse uma senha para abrir uma porta.

O problema tinha nome e apelido: Marta Lopes, a melhor amiga dela desde o terceiro ano. E a “porta” tinha fechado na sexta-feira, na aula de Educação Visual.

Tinha sido um momento pequeno e grande ao mesmo tempo. A professora pedira para cada dupla desenhar um cartaz para o mural da amizade. A Marta desenhara um planeta cheio de mãos dadas. A Inês, sem pensar, soltou:

— Parece um ovo gigante com braços.

Alguns colegas riram. A Marta não riu. O lápis dela parou no ar, como se alguém tivesse desligado o som do mundo.

Depois, no recreio, a Marta afastou-se. E a Inês ficou com aquele frio esquisito no estômago, o frio de quem fez asneira e sabe.

Agora, no corredor, ela viu a Marta perto do armário, rodeada de colegas e de cartões coloridos.

A Inês engoliu em seco.

“Se eu for agora, vai parecer estranho. Se eu não for, vai parecer pior.”

Ela respirou fundo e deu um passo. E outro.

Então o Tiago, que estava a pendurar um coração enorme na parede, virou-se e disse:

— Inês! Tens cola? A minha paixão caiu.

A Inês piscou.

— A tua… paixão?

Ele apontou para o coração de cartolina que se descolara e pendia triste, preso por um fio de fita.

— Está ali a cair em público. Humilhante.

A Inês soltou uma gargalhada involuntária.

— Tenho fita adesiva. Isso serve para salvar a tua… paixão?

— Serve para quase tudo — respondeu ele, dramático.

Enquanto ela lhe passava a fita, a Marta olhou. Foi só um segundo, mas a Inês sentiu como se a luz do corredor tivesse mudado.

A Inês decidiu: não ia fugir. Hoje era dia de gestos pequenos. E o dela tinha de ser verdadeiro.

Capítulo 2 — O plano do “desculpa”

Na sala, as mesas estavam em grupos, como ilhas. A professora Vera escreveu no quadro: “São Valentim da Amizade — Troca de Mensagens”.

— Hoje — disse ela — cada um vai oferecer uma mensagem a alguém. Pode ser de amizade, de carinho, de gratidão. Sem piadas maldosas, combinado? Respeito acima de tudo.

“Respeito,” pensou a Inês. A palavra parecia uma almofada e uma martelada ao mesmo tempo.

A professora distribuiu papeizinhos em forma de coração. O som dos lápis começou logo: risquinhos, suspiros, risos.

A Inês ficou a olhar para o papel em branco. Tinha vontade de escrever mil coisas e, ao mesmo tempo, nenhuma parecia certa. “Desculpa” era curto. Mas o que vinha depois?

A Beatriz, que se sentava ao lado, inclinou-se e sussurrou:

— Vais escrever para quem?

A Inês mordeu a tampa da caneta.

— Para a Marta.

A Beatriz arregalou os olhos, mas não de fofoca. De cuidado.

— Então escreve a verdade. A verdade é mais forte do que um coração de papel.

A Inês olhou para a Marta, na mesa da frente. A Marta escrevia depressa, como se as palavras estivessem com pressa de sair.

A Inês começou, devagar:

“Desculpa por ter gozado com o teu desenho. Foi uma parvoíce. Eu estava nervosa e achei que ser engraçada era fixe… mas magoei-te.”

Ela parou. Releu. Sentiu o rosto quente.

Faltava dizer o mais importante: que a Marta era importante.

Escreveu mais uma linha:

“Gosto de ti e da tua cabeça cheia de ideias. Se quiseres, faço outro cartaz contigo.”

O coração de papel agora parecia respirar.

Mas havia outro problema: como entregar? Um bilhete não apaga um silêncio de três dias. A Inês precisava de falar. E isso dava um medo do tamanho do planeta com mãos dadas.

No intervalo, ela chamou a Beatriz e o Tiago para o canto do pátio, perto da árvore velha que parecia sempre a ouvir conversas.

— Preciso pedir desculpa à Marta — disse ela, sem rodeios.

O Tiago colocou a mão no peito, como um juiz de tribunal.

— Caso sério. Mas aprovo. Pede já.

— Não é assim… — a Inês fez uma careta. — Cada vez que chego perto, parece que a minha garganta vira gelatina.

A Beatriz pensou um pouco.

— E se começares com um gesto? Um gesto pequeno. E depois falas.

— Tipo oferecer chocolate? — sugeriu o Tiago. — Clássico. Resulta em filmes.

— A Marta nem gosta muito de chocolate — respondeu a Inês. — Gosta de desenhar.

A Beatriz estalou os dedos.

— Então dá-lhe algo que tenha a ver com isso. E escreve também um “obrigada”. Às vezes pedir desculpa e agradecer andam de mãos dadas.

“Obrigada…” A Inês repetiu a palavra. Era diferente de “desculpa”. Era uma porta que abria para a luz.

— Vou fazer um… um caderno — disse a Inês de repente, surpreendendo-se com a própria ideia. — Um caderno dos mercis. Para a Marta. E para outras pessoas também. Para mostrar que eu vejo o que elas fazem.

O Tiago levantou uma sobrancelha.

“Mercis”? Em francês? Chique.

— É só porque “obrigadas” ocupa mais espaço — disse a Inês, tentando brincar, mas o coração batia rápido.

A Beatriz sorriu.

— Eu ajudo. Mas tu tens de fazer a parte mais difícil: olhar para a Marta e falar.

A Inês assentiu. O plano estava feito. Agora faltava coragem.

Capítulo 3 — O Caderno dos Mercis

Depois das aulas, a Inês foi à papelaria com a mãe. Escolheu um caderno pequeno, de capa amarela, com uma textura que parecia casca de limão. O elástico era vermelho, como uma linha a segurar segredos.

Em casa, sentou-se no chão do quarto. A luz da tarde entrava pela janela e fazia dançar poeirinhas no ar. Ela abriu o caderno na primeira página e escreveu, no topo, com letras grandes e cuidadosas:

“Caderno dos Mercis”

A seguir, escreveu o primeiro merci. As mãos tremiam um pouco, mas era um tremor bom, como antes de um mergulho.

“Merci, Marta, por me fazeres rir quando eu quero chorar. E por desenhares mundos onde toda a gente cabe.”

Ela ficou a olhar para a frase. Ficou simples. Ficou verdadeira.

Depois, lembrou-se da professora Vera, que sempre dizia “respeito” como se fosse uma coisa para segurar com as duas mãos.

Escreveu:

“Merci, professora Vera, por não deixar ninguém ser gozado e por nos ensinar a ser justos.”

E lembrou-se do senhor Joaquim, o funcionário da escola, que apanhava as bolas perdidas e devolvia sempre com um sorriso.

“Merci, senhor Joaquim, por salvar as nossas bolas e a nossa paciência.”

A Inês riu sozinha. Aquilo estava a ficar divertido.

Quando o pai passou à porta, perguntou:

— O que andas a cozinhar aí, Inês? Cheira a concentração.

— É um caderno de mercis — disse ela, sem levantar os olhos. — Amanhã vou levar para a escola.

O pai encostou-se à ombreira.

— Isso é bonito. Mas… vai resolver o que te dói?

A Inês fechou o caderno por um segundo.

— Não sei. Mas acho que é um começo. E eu também vou pedir desculpa. A sério. Sem me esconder atrás de papel.

O pai assentiu, sério e doce.

— Então lembra-te: pedir desculpa não é encolher-se. É crescer.

Naquela noite, a Inês meteu o cartão cor-de-rosa dentro do caderno amarelo. Depois pôs o caderno na mochila, como se fosse um tesouro.

Ela deitou-se e ficou a ouvir os sons da casa: água no cano, passos no corredor, um cão a ladrar ao longe.

E pensou na Marta. No planeta com mãos. No riso que tinha faltado.

“Por favor,” sussurrou, para a escuridão. “Que amanhã eu consiga.”

Capítulo 4 — O recreio com vento

No dia seguinte, o recreio tinha vento. Um vento que roubava gorros e empurrava folhas secas, como se estivesse a brincar às corridas.

A Inês apertava a mochila contra o peito. O caderno amarelo lá dentro parecia pesar mais do que devia.

Ela viu a Marta junto ao banco perto do campo. Estava a desenhar num bloco, de cabeça baixa. Sozinha.

“Agora,” disse a Inês a si mesma. “Antes que eu invente uma desculpa para não ir.”

Mas quando deu três passos, o vento fez um papel voar. Era um dos corações da troca de mensagens. O coração dançou no ar e aterrissou mesmo aos pés da Marta.

A Marta apanhou-o e olhou em volta, confusa.

A Inês correu, apanhou outro coração que quase lhe bateu na cara e, sem pensar, disse:

— O vento está a fazer bullying aos corações.

A Marta levantou os olhos. Por um segundo, o rosto dela ficou neutro, como um desenho sem cor.

Depois, a Marta soltou um sorriso pequenino, quase contra a vontade.

— É… hoje ele acordou com vontade de drama.

A Inês sentiu uma fisgada de esperança.

“Agora ou nunca.”

Ela sentou-se ao lado da Marta, com cuidado, como quem se senta perto de um animal assustado.

— Marta… posso falar contigo?

A Marta pousou o lápis devagar.

— Podes.

A palavra não era quente nem fria. Era uma porta entreaberta.

A Inês tirou o caderno amarelo da mochila. O elástico vermelho estalou baixinho.

— Eu fiz isto — disse ela, mostrando a capa. — Chama-se “Caderno dos Mercis”. E… a primeira página é para ti.

A Marta franziu a testa, curiosa.

— Para mim?

A Inês engoliu em seco.

— Sim. Mas antes… eu tenho de dizer uma coisa sem caderno, sem nada. Eu… eu fui parva contigo.

A Marta ficou em silêncio. O vento mexeu no cabelo dela.

A Inês continuou, com as palavras a saírem aos tropeções, mas a saírem.

— Na aula, eu disse aquela coisa do ovo. Eu achei que estava a ser engraçada. Mas eu só fui… desrespeitosa. Magoei-te. E eu estou mesmo arrependida. Desculpa, Marta.

A Inês sentiu os olhos picarem. Não queria chorar, mas também não queria fingir que não doía.

A Marta olhou para as mãos, depois para o caderno, depois para a Inês.

— Eu fiquei com vergonha — disse a Marta, finalmente. A voz dela não tinha raiva. Tinha honestidade. — Porque eu gostei do desenho. E quando riram… pareceu que eu era ridícula.

A Inês abanou a cabeça depressa.

— Não eras. Eu fui é ridícula. E eu… eu gosto do teu desenho. A sério. Eu achei o planeta lindo. Eu só… eu não pensei.

A Marta respirou fundo.

— Obrigada por dizeres isso. E por me ouvires.

A Inês abriu o caderno na primeira página e mostrou o merci escrito. A Marta leu. Os olhos dela ficaram brilhantes, como tinta fresca.

“Mundos onde toda a gente cabe”… — murmurou. — Isso é bem eu.

A Inês tentou sorrir.

— É. E eu quero caber outra vez. Se tu deixares.

A Marta fechou o caderno com cuidado, como se fosse frágil.

— Eu deixo — disse ela. — Mas com uma condição.

A Inês arregalou os olhos.

— Qual?

A Marta apontou para o bloco de desenho.

— Tu vais desenhar comigo no mural de novo. E desta vez, nada de ovos.

A Inês soltou uma gargalhada, aliviada.

— Prometo. Só se for um ovo a segurar mãos.

A Marta empurrou-a de leve com o ombro.

— Parva.

— Eu sei — respondeu a Inês. — Mas uma parva educada, agora.

As duas riram. O vento, talvez com ciúmes, tentou roubar uma folha do bloco. A Marta agarrou-a a tempo.

— Nem penses, vento — avisou ela. — Esta amizade está colada com fita adesiva.

Capítulo 5 — O mural que cresce

Na aula de Educação Visual, a professora Vera colocou uma folha enorme no mural.

— Hoje é para arrumar o que ficou por fazer e… reparar o que ficou torto — disse ela, olhando pela sala com um sorriso que parecia saber tudo.

A Inês e a Marta sentaram-se juntas. A Inês sentiu aquele conforto familiar, como voltar a calçar os sapatos certos.

A Marta mostrou o desenho do planeta.

— Vamos manter a ideia, mas fazer as mãos mais diferentes — explicou ela. — Mãos grandes, pequenas, com pulseiras, com mangas, com tudo.

— E uma mão a segurar uma fatia de pizza? — sugeriu a Inês, séria demais.

A Marta arregalou os olhos.

— Inês!

— Estou a brincar… mais ou menos.

A Marta riu.

— Está bem. Uma fatia de pizza, mas a pizza tem de ser respeitosa.

— Uma pizza respeitosa — repetiu a Inês. — Isso soa a lema.

Enquanto desenhavam, o Tiago passou e espreitou por cima do ombro.

— Uau. Isto está tão bonito que até dá vontade de pedir desculpa por coisas que eu ainda nem fiz.

A Beatriz apareceu do outro lado.

— Vocês fizeram as pazes?

A Marta respondeu antes da Inês:

— Fizemos. E ela vai desenhar mãos sem insultar planetas.

— Eu aprendi — disse a Inês, com as bochechas quentes. — E também trouxe isto.

Ela tirou o caderno amarelo e abriu numa página nova.

— Quero encher com mercis para mais pessoas. Não só hoje. Sempre que eu reparar num gesto fixe.

A professora Vera aproximou-se e leu, sem tocar, respeitando o espaço.

— Isso é um projeto lindo, Inês. Mas lembra-te: merci também se diz em voz alta.

A Inês assentiu.

— Eu estou a treinar. A minha voz ainda é um bocadinho tímida.

A professora piscou o olho.

— Voz tímida também fala. Só precisa de tempo.

No final da aula, o mural estava cheio: um planeta redondo com mãos de todas as formas, cores e detalhes. Havia uma mão com uma pulseira de contas, outra com uma manga de camisola rasgada, outra com unhas pintadas de azul. E sim: uma mão segurava uma fatia de pizza com cara sorridente.

Quando penduraram o cartaz, a turma fez “ooooh” em coro.

A Inês olhou para a Marta. A Marta olhou para ela.

E, sem precisar de mais palavras, as duas souberam: aquilo era um pedido de desculpa transformado em coisa bonita.

Capítulo 6 — O caderno cheio

Na última hora do dia, a escola fez uma pequena roda no ginásio. Havia música baixinha e uma mesa com cartões e lápis para quem quisesse escrever mais mensagens.

A Inês levava o caderno amarelo ao peito, como um coração extra.

Ela passou pelo senhor Joaquim, que estava a endireitar cadeiras.

— Senhor Joaquim — chamou ela.

Ele virou-se, sorridente.

— Sim, menina Inês?

A Inês abriu o caderno numa página onde tinha escrito e leu em voz alta, com firmeza:

“Merci, senhor Joaquim, por salvar as nossas bolas e a nossa paciência.”

O senhor Joaquim soltou uma gargalhada grande, daquelas que fazem eco.

— Ora essa! É um prazer salvar tragédias desportivas.

A Inês riu e sentiu-se mais leve.

Depois foi até à professora Vera.

— Professora… merci por nos lembrar do respeito. Eu precisava.

A professora pôs a mão no ombro dela.

— E eu merci por tu teres coragem de reparar e de corrigir. Isso é maturidade.

A Inês sentiu um orgulho tranquilo, sem barulho.

A certa altura, a Marta aproximou-se com um papel dobrado.

— Tenho uma coisa para ti — disse ela.

A Inês abriu. Era um coração com um desenho pequeno: duas raparigas num planeta, uma a segurar fita adesiva, a outra a segurar um lápis. Em baixo, estava escrito:

“Merci, Inês, por voltares. E por pedires desculpa de verdade.”

A Inês engoliu o nó na garganta.

— Posso colar isso no meu caderno?

— Claro — disse a Marta. — Mas com uma condição.

— Outra?

— Sim. Tu tens de escrever um merci para ti também.

A Inês fez uma cara de quem acabou de ouvir uma palavra difícil.

— Para mim?

— Sim — insistiu a Marta. — Tu fizeste uma coisa difícil. Pediste desculpa. Isso merece.

A Inês pensou. Depois pegou na caneta e escreveu, devagar, como quem aprende um novo tipo de coragem:

“Merci, Inês, por não fugir. Por ouvires. Por tentares outra vez.”

Ela fechou o caderno. O elástico vermelho prendeu tudo lá dentro: os mercis, os pedidos de desculpa, os risos, as mãos desenhadas.

Na saída, o céu estava cor-de-laranja e o ar cheirava a frio e a bolinhos esquecidos.

A Marta empurrou a Inês de leve, brincalhona.

— Então… amanhã trazes a pizza respeitosa?

A Inês fingiu pensar.

— Só se o vento prometer comportar-se.

As duas caminharam juntas. E a Inês sabia, com uma alegria mansa, que aquele caderno não era só de um dia. Era um hábito novo. Um jeito de cuidar.

E, por dentro, ela repetiu a senha outra vez — mas agora diferente:

“Hoje eu pedi desculpa. Hoje eu disse merci. E amanhã… eu continuo.”

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Que não se pode ver, parece que desapareceu aos olhos.
Senha
Palavra ou frase usada para lembrar ou abrir algo importante.
Recreio
Tempo na escola para brincar, conversar e descansar entre aulas.
Cartaz
Desenho ou texto grande colocado num mural para mostrar uma ideia.
Parvoíce
Ação tola ou boba que pode magoar ou ser ridícula.
Almofada
Objeto macio para apoiar ou proteger, como em cadeiras ou sofás.
Respeito
Tratar os outros com cuidado, sem gozar nem magoar ninguém.
Dramático
Que parece exagerado, como se fosse parte de uma cena forte.
Tesouro
Algo muito valioso para alguém, que se guarda com carinho.
Elástico
Tira que estica e volta ao lugar, usada para prender coisas.
Concentração
Ato de prestar muita atenção numa coisa sem se distrair.
Arrependida
Sentir remorso por algo feito e querer pedir desculpa.
Cartolina
Papel grosso e resistente usado para fazer trabalhos e cartazes.
Martelada
Golpe forte de martelo; aqui comparado a uma sensação súbita.

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