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História sobre a Páscoa 5 a 6 anos Leitura 17 min.

Lumo e o ovo que falava na Páscoa

Lumo, um ser de orelhas compridas e coração honesto, participa numa Caça aos Ovos e encontra um ovo falante que o leva a uma aventura de devoluções, amizade e pequenas magias da Páscoa.

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Lumo, pequena criatura fantástica parecida com uma lanterna, pele creme luminosa, olhos oliva brilhantes e grandes orelhas móveis, está sereno e orgulhoso, sentado num degrau com um cesto de vime e desenhando num bloco no colo; Rita, menina de tranças castanhas claras, sorri admirada segurando um pequeno ovo azul; Tomás, menino de cabelos encaracolados, aponta entusiasmado para um canto do desenho sugerindo uma ideia; no cesto há um ovo falante pintado rosa e verde com rosto sorridente e brilho sutil; cenário: praça de vila após caça aos ovos com bancas, toalhas coloridas, guirlandas e flores, atmosfera calorosa e luminosa, Lumo termina um grande ovo no desenho rodeado de orelhas e pequenas pegadas em forma de cenoura, estilo aguarela suave em cores pastéis e traços delicados. reportar um problema com esta imagem

Parte 1: Orelhas que Ouviam Sussurros

Na colina atrás da aldeia, onde a relva era macia como um tapete verde, morava Lumo. Tinha olhos muito brilhantes, do tamanho de duas azeitonas, e duas orelhas compridas que mexiam sozinhas quando ele pensava. A sua pele parecia feita de luz suave, como uma lanterna pequenina num quarto escuro.

Lumo gostava de ser honesto. Quando encontrava uma coisa perdida, não guardava. Levava logo a quem era. E, se fazia asneira, dizia: “Fui eu, desculpa.” Às vezes isso dava medo, mas depois o coração ficava leve.

Naquele dia, o ar cheirava a bolo e a flores. As janelas tinham fitas coloridas e, na praça, penduravam-se grinaldas com coelhos de papel.

Lumo aproximou-se, curioso, e ouviu duas crianças a falar.

— Amanhã é a Caça aos Ovos! — disse a Rita, com os olhos a saltar de alegria.

— A mãe disse que alguns ovos brilham. Mas isso deve ser só conversa — respondeu o Tomás, a rir.

Lumo inclinou a cabeça. Orelhas em pé.

— Caça… aos ovos? — perguntou ele, com voz baixa, como quem não quer interromper um segredo.

A Rita olhou para ele e sorriu.

— É uma tradição da Páscoa! Escondem ovos de chocolate e ovos pintados. Depois nós procuramos. Quem encontra mais… ganha um cestinho especial.

— E o Coelho da Páscoa? — perguntou Lumo, ainda mais curioso.

O Tomás encolheu os ombros.

— Dizem que passa de noite e deixa os ovos. A minha avó jura que já viu pegadas.

Lumo arregalou os olhos. Pegadas? À noite? O coração dele fez “tum-tum” de excitação.

— Eu nunca fiz isso — disse Lumo. — Posso… posso participar?

— Claro! — disse Rita. — Mas tens de trazer um cesto. E tens de prometer uma coisa.

— Prometo — disse Lumo, sem saber ainda o quê.

— Se encontrares um ovo que não é teu… devolves — disse Rita, muito séria. — Senão não tem graça.

Lumo endireitou-se, orgulhoso.

— Eu sou bom nisso. Devolver é quase o meu superpoder.

Os dois riram, e o riso deles parecia sininhos.

Nessa tarde, Lumo foi ao bosque procurar um cesto. Encontrou um cesto velho, esquecido junto a um banco. Tinha uma fita azul desbotada e cheirava a pinho.

— De quem será? — murmurou ele.

Olhou à volta. Ninguém.

Lumo levou o cesto até à casa da Dona Bia, que sabia tudo o que era da aldeia.

— Dona Bia, encontrei isto. É de alguém?

A senhora, de avental com manchas de farinha, pegou no cesto e abriu um sorriso.

— Ai, isso é meu! Esqueci-me ontem quando fui apanhar ervas. Obrigada, Lumo. Que honestidade bonita!

Lumo sentiu-se quente por dentro, como chá com mel.

— Preciso de um cesto para a Caça aos Ovos — explicou ele.

Dona Bia piscou o olho.

— Então leva este. Mas agora é emprestado. E vou dar-te uma coisa.

Ela tirou de uma gaveta um lápis de madeira e um pequeno bloco de papel.

— Para desenhares o que vires. A Páscoa está cheia de cores.

Lumo pegou no lápis como se fosse uma varinha.

— Vou desenhar! Vou desenhar… um ovo gigante!

— Ou o que o teu coração mandar — disse Dona Bia.

Lumo saiu, saltitando. No caminho, notou algo estranho no chão: um pontinho dourado, como pó de estrela, a brilhar entre as pedrinhas.

Ele baixou-se e tocou. O pó colou-se ao dedo e, por um instante, o dedo brilhou.

— Ui! — disse Lumo, assustado e encantado ao mesmo tempo.

Uma brisa passou e levou o pó para o ar, como se dissesse: “Segue-me.”

Lumo seguiu.

Parte 2: A Pista de Açúcar e o Ovo que Falava

O pó dourado desenhava um caminho fino pela estrada, depois pela horta do senhor Manel, e finalmente até ao bosque. Era como uma linha a chamar: “Por aqui!”

Lumo avançou com cuidado, para não pisar flores. O cesto balançava no braço. O bloco e o lápis iam no bolso, a fazer cosquinhas.

No meio do bosque, atrás de um carvalho, ele viu uma coisa que não combinava com as folhas castanhas: um ovo.

Era um ovo grande, pintado com riscas cor-de-rosa e verdes. E brilhava um bocadinho, como a lua numa poça de água.

Lumo engoliu em seco.

— Um ovo… antes da caça?

Aproximou-se devagar. E então ouviu uma voz muito fininha.

— Psst! Ei! Tu, orelhas compridas!

Lumo deu um salto tão alto que quase caiu sentado.

— Quem… quem falou?

O ovo mexeu-se, só um bocadinho, como se tivesse espreguiçado.

— Fui eu. Não grites. As corujas são muito fofoqueiras — disse a voz.

Lumo levou as mãos à boca para segurar um riso nervoso.

— Um ovo a falar! Isto é… isto é…

— É Páscoa — respondeu o ovo, como se isso explicasse tudo. — E na Páscoa, algumas coisas ficam um bocadinho mais mágicas.

Lumo inclinou-se, com cuidado.

— Eu sou Lumo. Estou a aprender a tradição da Caça aos Ovos.

— Então estás a aprender no sítio certo — disse o ovo. — Mas tenho um problema. Perdi-me.

— Como é que um ovo se perde? — perguntou Lumo, e depois riu. — Desculpa. Parece uma piada.

— É uma piada! — disse o ovo, contente. — Adoro humor. Dá-me coragem.

Lumo riu mais. O bosque pareceu ficar mais claro.

— Eu posso ajudar — disse Lumo. — Sou bom a devolver coisas.

— Ótimo. Eu devia estar no Cesto Grande, com os outros ovos especiais. Mas caí do carrinho quando o Coelho… quer dizer, quando alguém… passou a correr.

Lumo arregalou os olhos.

— Tu viste… alguém?

O ovo hesitou. Depois disse:

— Vi uma sombra com orelhas a abanar. E cheiro a cenoura.

Lumo ficou com um sorriso parvo.

— Então existe mesmo!

— Shhh! — sussurrou o ovo. — Não é segredo proibido, mas é segredo divertido.

Lumo olhou para o pó dourado no chão.

— Foi tu que fizeste esta pista?

— Foi o meu brilho a pingar. Eu fico nervoso e brilho mais. É como suar… mas mais bonito.

Lumo achou aquilo tão engraçado que se sentou no chão.

— Eu suo… mas não brilha. Que injustiça!

— Tu brilhas por dentro — disse o ovo, com voz doce. — E isso conta.

Lumo ficou quieto um instante. Depois lembrou-se do que a Rita tinha dito: se encontrares um ovo que não é teu… devolves.

— Vou levar-te ao Cesto Grande — prometeu Lumo.

— E rápido, por favor. Tenho cócegas de formigas — queixou-se o ovo.

Lumo pegou no ovo com muito cuidado e colocou-o no cesto emprestado. O ovo suspirou, aliviado.

— Ahh… isto é melhor do que estar no chão frio.

Lumo começou a andar na direção da aldeia, seguindo o pó dourado que agora parecia apontar para a praça.

No caminho, apareceu uma raposa pequena, com um olhar curioso. Cheirou o ar e olhou para o cesto.

— Cheira a chocolate — disse a raposa, lambendo o focinho.

Lumo apertou o cesto.

— Não é para comer. É para devolver.

A raposa inclinou a cabeça.

— Devolver? Isso é uma palavra difícil.

— É uma palavra boa — disse Lumo. — Quer dizer que eu cuido do que é dos outros.

A raposa pensou e depois soltou um risinho.

— Então eu devolvo-te uma coisa também.

Ela empurrou com a pata um pedaço de fita amarela que estava preso num arbusto.

— Encontrei isto ontem. Estava a fazer um ninho… quer dizer, um… não importa. Toma.

Lumo pegou na fita.

— Obrigado! É bonita.

— Fica bem no teu cesto — disse a raposa. — E assim pareces um ajudante importante.

Lumo prendeu a fita amarela no cesto. O ovo dentro do cesto disse:

— Uau! Agora parecemos um desfile.

Lumo riu.

— Um desfile de ovos!

Quando chegaram perto da praça, ouviram vozes. Havia pessoas a carregar caixas, a pendurar balões e a pôr mesas com toalhas coloridas. A Páscoa estava quase a explodir de alegria.

Mas de repente, Lumo viu um menino pequeno, o Dinis, a chorar perto de uma árvore.

Lumo aproximou-se.

— O que aconteceu?

Dinis fungou.

— Eu… eu tinha um desenho. Um coelho que eu fiz. E o vento levou. Era para dar à minha mãe amanhã.

Lumo sentiu uma pontada no peito. O bloco no bolso pareceu lembrar-lhe: desenhar ajuda.

Ele olhou para o céu. Viu um pedacinho de papel preso num ramo alto, a dançar.

— Eu vou tentar — disse Lumo.

Ele subiu com cuidado, usando as mãos e as orelhas como equilíbrio. O ramo abanou, mas Lumo foi devagar, corajoso. Conseguiu agarrar o papel e desceu.

— Toma! — disse ele, entregando o desenho ao Dinis.

O Dinis abriu um sorriso molhado.

— Obrigado! Tu és… tu brilhas.

Lumo riu, envergonhado.

— Hoje dizem isso muitas vezes.

O ovo no cesto murmurou:

— Eu disse primeiro.

Parte 3: A Caça, o Segredo e o Desenho que Começa

Na manhã seguinte, o sol acordou cedo, como se também quisesse procurar ovos. A praça estava cheia de crianças com cestos: alguns de vime, outros de plástico, outros feitos de caixas decoradas com autocolantes.

Rita e Tomás correram até Lumo.

— Lumo! Tens cesto! E com uma fita! — disse Rita.

— Parece cesto de campeão — brincou Tomás.

Lumo segurou o cesto com cuidado, lembrando-se do ovo especial lá dentro. Ele tinha acordado cedo e levado o ovo para a Dona Bia, que por sua vez o levou “para o lugar certo”. Foi o que ela disse, com um olhar misterioso e divertido.

— Eu tive uma pequena aventura — disse Lumo, sem contar tudo.

— A melhor parte é procurar! — disse Rita. — Preparado?

Uma senhora tocou um sino. Tlim-tlim!

— Já! — gritaram as crianças.

E começou a correria alegre. Havia ovos escondidos atrás de vasos, dentro de pneus pintados, debaixo de bancos, no meio de flores de papel.

Lumo correu, mas com atenção. As orelhas dele mexiam-se como antenas.

— Ali! — disse Tomás, apontando para um arbusto.

Rita achou um ovo azul.

— Encontrei! — gritou ela.

Lumo encontrou um ovo pequeno, com pintinhas laranja, escondido dentro de uma bota de borracha.

— Olá, ovo — disse ele, a rir. — Que casa estranha escolheste.

Pôs no cesto.

Depois encontrou outro, atrás de uma pedra: era de chocolate, embrulhado em papel brilhante. O cheiro fez-lhe cócegas no nariz.

— Lumo, queres provar um? — perguntou Tomás, já com chocolate nos cantos da boca.

Lumo pensou. Depois disse, com honestidade:

— Quero… mas vou esperar até a caça acabar. Senão vou ficar com chocolate no cesto todo e os ovos vão escorregar.

Rita riu.

— Tu pensas em tudo!

A caça continuou. Mini-reviravolta: de repente, um dos ovos que Lumo encontrou era um ovo pintado com uma carinha triste. Tinha um autocolante a dizer “Especial”.

Lumo franziu o sobrolho.

— Isto… parece importante.

Ele olhou à volta e viu uma menina mais nova, a Inês, a procurar perto das árvores, com a testa enrugada de preocupação.

— Estás bem? — perguntou Lumo.

— Eu… perdi um ovo especial — disse Inês. — A avó deu-me. Tinha uma carinha triste para eu lembrar que posso sorrir. E agora… sumiu.

Lumo abriu o cesto e mostrou o ovo.

— É este?

Os olhos da Inês brilharam.

— É! É ele!

Lumo entregou-lhe o ovo, sem hesitar.

— Toma. Eu encontrei. É teu.

A Inês abraçou o ovo com cuidado e depois abraçou Lumo também, com força.

— Obrigada! Agora ele já não está triste.

E foi aí que a carinha do ovo pareceu mesmo menos triste. Talvez fosse o sol. Talvez fosse magia. Talvez fosse só alegria a funcionar.

Tomás arregalou os olhos.

— Uau. Tu devolveste um ovo especial. Isso é… mesmo fixe.

Rita assentiu.

— Isso vale mais do que ganhar.

Lumo sentiu o peito cheio, como um balão.

No fim da caça, juntaram-se todos na praça. A senhora do sino contou os ovos. Houve palmas para quem encontrou muitos, e palmas para quem ajudou os mais pequenos.

Dona Bia apareceu com um grande cesto decorado com fitas. E, por um segundo, Lumo viu no chão uma linha de pó dourado a brilhar, muito fraquinha, como uma piscadela.

Dona Bia anunciou:

— Hoje temos um agradecimento especial ao Lumo, que devolveu o que não era dele e ajudou amigos. Isso é um coração bonito.

As pessoas bateram palmas. Lumo ficou corado, o que nele parecia uma luz mais quente.

E então aconteceu uma coisa pequenina e maravilhosa: perto do pé de Lumo, apareceram pegadas minúsculas, como se alguém tivesse passado ali mesmo. Pegadas em forma de cenoura. E desapareceram logo, como espuma.

Tomás cochichou:

— Viste?!

Rita tapou a boca para não gritar de alegria.

Lumo riu baixinho.

— Acho que… a Páscoa gosta de brincar.

Depois da festa, Lumo sentou-se num degrau, com o bloco de papel no colo. O sol fazia manchas douradas no chão. O cesto, agora cheio de ovos, estava ao lado. O cheiro a chocolate e a flores misturava-se e parecia uma canção.

Rita sentou-se perto.

— Vais desenhar o quê?

Lumo olhou para o lápis. Pensou no ovo que falava, na raposa que devolveu a fita, no Dinis e no desenho resgatado, nas pegadas que ninguém ia acreditar, mas que estavam no coração.

— Vou desenhar… a minha Páscoa — disse ele.

Tomás sentou-se do outro lado.

— Faz-me com uma cara de herói.

— E a mim com um ovo azul na mão! — pediu Rita.

Lumo riu.

— Está bem. Mas vai ser um desenho grande. Não cabe tudo de uma vez.

Ele pousou o lápis no papel. Fez primeiro um círculo: um ovo enorme no meio da página. Depois desenhou duas orelhas compridas ao lado, as suas. Desenhou uma fita amarela no cesto, um pó dourado a fazer um caminho, e uma raposa com olhar esperto.

Parou um segundo.

— Ainda falta o melhor — disse ele.

— O que é? — perguntaram os dois.

Lumo sorriu e desenhou, bem devagar, no canto do papel, umas pegadas pequeninas em forma de cenoura. E deixou espaço ao lado, em branco, como uma porta aberta para amanhã.

— Pronto — disse Lumo. — O desenho começou.

Rita encostou a cabeça ao ombro de Lumo.

— Está lindo.

Tomás apontou para o espaço em branco.

— E depois vais desenhar o resto?

Lumo olhou para o céu, que parecia um ovo azul gigante.

— Vou. Porque a tradição continua. E porque… é divertido descobrir.

O lápis ficou a descansar no papel, como se também sorrisse. E, no coração de Lumo, a Páscoa ficou a brilhar, suave e contente, como uma pequena lanterna que nunca se apaga.

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Colina
Uma elevação de terra, como um monte pequeno onde se pode subir a pé.
Relva
Plantas verdes e baixas que cobrem o chão, como um tapete macio.
Lanterna
Objeto que dá luz quando está escuro, pode ser com pilhas ou vela.
Tradição
Algo que as pessoas fazem há muito tempo, em família ou na vila.
Grinaldas
Decorações feitas de flores ou papel que se penduram em festas.
Avental
Peça de tecido que se põe na frente para não sujar a roupa.
Ervas
Plantas que as pessoas usam para cozinhar, cheirar ou cuidar de saúde.
Gaveta
Parte de um móvel que se puxa para guardar coisas dentro.
Pinho
Tipo de árvore com cheiro forte e ramos verdes, usado em madeira.
Bosque
Lugar com muitas árvores, menor que uma floresta, bom para passear.
Carvalho
Uma árvore grande com folhas especiais e muita força no tronco.
Corujas
Pássaros noturnos com olhos grandes que gostam de caçar à noite.
Pegadas
Marcas que os pés deixam no chão quando alguém anda.
Brisa
Vento leve e fresco que faz as folhas mexerem devagarinho.
Pó dourado
Poeira brilhante, fina, que parece feita de pequenas partículas brilhantes.

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