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História de extraterrestre 7 a 8 anos Leitura 13 min.

Lívia e o autocolante da Terra

Lívia, uma menina curiosa, encontra Bixi, uma criatura vinda de uma caixa voadora, e juntos transformam uma venela triste em um lugar de luzes, memórias e novas amizades.

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Uma menina de 8 anos, emocionada, cabelos castanhos em tranças e jaqueta vermelha, agachada numa pedra, cola um autocolante redondo da Terra numa consola brilhante; um extraterrestre chamado Bixi, em forma de pera, pele verde-pastel canelada, grandes olhos pretos e quatro dedos, flutua sobre três rodas pequenas e sorri curioso; um rapaz de cerca de 9 anos, de cabelo curto e camiseta azul, observa sorrindo por uma janela sobre a viela; o gato laranja Pipo está enrolado junto às escadas; a cena passa-se numa viela estreita de calçada com paredes de tijolo grafitadas, lâmpadas amarelas, um portão de ferro enferrujado e uma porta redonda que deixa passar uma luz pêssego-esverdeada — momento terno e mágico em que a cola do autocolante faz a consola emitir trilhas de luz que desenham um mapa brilhante nos paralelepípedos, criando uma atmosfera quente, colorida e ligeiramente fantástica. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — A menina da rua curva

Lívia tinha sete anos e um sorriso que brilhava como lanterna em noite sem lua. Morava num prédio amarelo com janelas azuis e um gato preguiçoso chamado Pipo. Todo dia, depois da escola, ela corria pela rua curva até a venela estreita que levava ao parque. A venela cheirava a pão fresco e a giz de calçada; os muros tinham rabiscos coloridos que as crianças deixavam como mapas secretos.

Naquele fim de tarde, algo diferente cortou o vento. Um som como bolhas de sabão estourando, mas ao contrário: as bolhas se juntavam e brilhavam. Lívia parou, o coração fazendo pequenas batidas de tambor. Do canto da venela saiu uma luz verde-pêssego e, junto dela, uma caixa pequena que flutuava com três rodinhas giratórias.

A caixa abriu uma tampinha, e dela saltou um ser do tamanho de uma pera. Tinha olhos grandes como azeitonas, pele macia que lembrava tecido de malha, e quatro dedos que se moviam como cordas de piano. Não era assustador; era curioso — e sorria.

"Olá", disse a criatura com voz que parecia um sino soprando. "Sou Bixi. Vim estudar escutas humanas."

Lívia, que adorava colecionar pedrinhas e botões, achou aquilo fascinante. "Eu sou Lívia", respondeu. "Você é um extraterrestre?"

"Extraterra", corrigiu Bixi, rindo. "Mais ou menos. Gosto de aprender. Posso ver seu caderno de desenhos?"

Lívia abriu a mochila e mostrou folhas cheias de planetas tricô, homenzinhos com chapéu de casca de ovo e um grande sol sorridente. Bixi apontou para um desenho de um mundo com casas parecidas com cupcakes.

"Que imaginação!" exclamou Bixi. "Podemos trocar um presente?"

Lívia pensou numa barganha: seu botão preferido em troca de um aperto de antena. Mas, quando Bixi estendeu um artefato que lembrava uma mini consola com luzes, Lina teve uma ideia mais divertida. Do bolso do casaco, tirou um autocolante redondo que mostrava a Terra desenhada com canetinha. Ela segurou o autocolante entre os dedos.

"Posso colar isso na sua consola?" perguntou. "É para marcar novos amigos na Terra."

Bixi arregalou os olhos. "Com prazer! Aqui, na minha nave, gostamos de lembranças. Mas... é permitido colar?" Bixi tossiu em som de chocalho. "Temos regras de adesão. Preciso que um humano concorde."

"Eu concordo!" disse Lívia, com o peito quentinho. "E prometo que é só um autocolante."

As luzes da consola dançaram como vaga-lumes. Bixi falou umas palavras em borbulhas e, por fim, inclinou a cabeça. "Então está feito. Vamos colar juntos?"

Lívia subiu numa pequena pedra e, com cuidado, colou o autocolante da Terra bem no centro da consola. O objeto brilhou e soltou um som que era quase um suspiro de festa. Um pontinho de luz vermelha ao lado do adesivo piscou como se fosse um coração.

"Agora você é meio-terrestre", brincou Lívia, e Bixi sorriu tão largo que as cordas dos dedos vibraram um pouquinho.

Capítulo 2 — A venela estreita e o mapa de luz

Bixi convidou Lívia a segui-lo pela venela. "Posso mostrar algo", disse. A venela parecia a mesma de sempre, com sacos de lixo e bicicletas encostadas, mas quando a consola com o autocolante piscar, uma trilha de luz apareceu no chão. Luzes minúsculas se arranjaram em linhas como um mapa brilhante. Apontavam para o fundo da venela, onde um portão enferrujado separava o beco da rua pequena.

"É um mapa de caminhos amigos", explicou Bixi. "Mostra lugares onde criaturas e pessoas podem se encontrar com calma."

"Como um mapa do tesouro?" perguntou Lívia, pulando no lugar.

"Sim, mas o tesouro é conversa e risada", respondeu Bixi. "Vem, há um recanto que gosto de visitar. É estreito, mas acolhedor."

A venela parecia falar com as luzes. As paredes apertaram um pouco, como se quisessem abraçar quem passasse. Um gato cinzento cruzou o caminho, olhou para o mapa de luz e miou baixo, como agradecendo. Crianças penduraram nas janelas pequenas e acenaram. O lugar estreito não era perigoso; era morada de pequenas surpresas, como lojas de bolos invisíveis e uma banca de sonhos dobráveis.

No meio do beco havia uma porta pequenininha que parecia uma janela virada ao contrário. Bixi apoiou a consola junto ao batente e a luz do autocolante se expandiu, projetando no muro desenhos de planetas, castelos de nuvem e lulas que dançavam tango.

"Uau", disse Lívia, encantada. "Como você faz isso?"

"É só mostrar que algo novo veio ao mundo", explicou Bixi. "Quando você colou o autocolante, um sinal de amizade se acendeu. Agora todos os cantos escutam. Se quiser, podemos convidar mais amigos."

Lívia bateu palmas. "Vamos! Mas... será que papai vai ficar com ciúmes do seu autocolante na consola?"

Bixi deu um risinho. "Ele pode ficar curioso. Mas as coisas novas são melhores quando são mostradas com carinho."

Eles chamaram a atenção das pessoas da venela. Uma senhora com saco de laranjas apareceu, um menino com patins parou, uma menina com tranças trouxe biscoitos. Logo, o beco era uma roda de novos sorrisos. Bixi ensinou um jogo: cada um falava o nome de uma coisa da Terra e a consola respondia com uma cor e um som. "Mar", disse Lívia, e a consola fez som de concha. "Girassol", disse a senhora, e uma luz amarela pulsou.

No fim, alguém disse: "Mostre mais!" e a consola pintou no ar um pequeno filme de luz com uma vila de casas em forma de livros. A ideia de Lívia de colar o autocolante fez a venela inteira parecer um lugar menos desconhecido, mais feliz.

Capítulo 3 — A descoberta do segredo mecânico

Depois da festa de luzes, Bixi levou Lívia por um atalho que só ele conhecia. Passaram por trás de uma vitrine empoeirada e entraram num corredor tão estreito que as paredes quase se tocavam. No fim do corredor havia uma escada de metal que subia em espiral. No alto, uma portinhola com uma fechadura que lembrava um sorriso lateral.

"Esta é a sala das memorias pequenas", disse Bixi, com voz baixa. "Aqui guardamos sons que as pessoas achavam que tinham perdido."

Lívia gostou da ideia. Subiram a escada e encontraram uma sala cheia de coisinhas: um rádio que só tocava risadas, caixas com bolinhas de tênis que lembravam festas de parque e um cartaz que dizia: "Guardar imaginação". No centro estava um aparelho maior que a consola, com fios coloridos e um grande botão em forma de abacaxi.

"Este é o Corredor dos Passos", explicou Bixi. "Ele arquiva momentos curtos que as ruas já viveram. Mas hoje... parece que está com um ruído."

Lívia colocou a mão no aparelho. Não era frio, era morno como pão recém-assado. O ruído parecia um sussurro preso. Bixi mostrou um painel com símbolos desenhados à mão: uma nuvem, um sapato, um violão. "Alguém colou aqui uma etiqueta errada. Preciso de uma ajuda criativa."

"Posso ajudar!" Lívia disse, emocionada. Bixi entregou-lhe uma caneta que desenhava luz. "Pense numa história curta, desenhe-a no painel, e o ruído vai virar música."

Lívia fechou os olhos e imaginou um passo leve num patamar de pedra, um encontro rápido entre um menino e um passarinho, e uma gargalhada que ecoava. Com a caneta de luz, ela desenhou uma linha sinuosa que começava num sapato e terminava num patamar. Ao traço final, o ruído se transformou em uma melodia doce, como pingos de chuva em guarda-chuvas.

"Funciona!" disse Bixi, dançando com os quatro dedos. A sala pareceu respirar aliviada. O Corredor dos Passos agradeceu lançando pequenas lanternas que subiram ao teto e formaram um céu de pontos brilhantes.

"Você trouxe criatividade e cuidou do que é antigo", falou Bixi. "Isso é valioso."

Lívia sentiu o peito quentinho. "Cuidar do que é antigo pode ser divertido", disse ela. "Como colar um autocolante em algo novo."

Bixi sorriu. "Exato. E agora que o ruído virou música, o mundo da venela terá uma lembrança a mais para contar."

Antes de descerem, Lívia pegou uma pequena caixa com etiquetas vazias. "Posso levar uma etiqueta?" perguntou. Bixi entregou-lhe uma etiqueta que brilhava em azul claro.

"Para colar nos lugares que você quiser proteger", disse ele. "Mas lembre-se: só com permissão."

Lívia guardou a etiqueta no bolso e sentiu-se como uma guardiã de pequenas memórias.

Capítulo 4 — Um passo no patamar

Quando saíram da sala, a noite já encostava os pés nas janelas. A venela estava calma, as luzes piscavam como vaga-lumes adormecendo. Bixi e Lívia pararam diante do portão enferrujado. A consola, com o autocolante da Terra bem no centro, brilhou uma última vez como se dissesse: obrigado.

"Você trouxe amigos", disse uma voz da janela de cima. Era um rapazinho que costumava brincar com carrinhos. "Obrigado por mostrar que é seguro conversar com estranhos quando eles são gentis."

Lívia sorriu e olhou para Bixi. "Você vai voltar para casa?", perguntou, pensando no lugar de onde o extraterrestre veio.

Bixi olhou para o céu, onde apareciam pequenas estrelas e um ponto que piscava igual às suas luzes. "Minha caixa me chama de vez em quando. Gosto de aprender uns sons novos. Mas sempre volto a visitar. E agora... talvez eu tenha um autocolante favorito."

Lívia riu. "Então volte logo! Traga mais músicas."

Antes de Bixi subir na caixa que voava, ele colocou uma pequena etiqueta azul no ombro de Lívia. "Para lembrar que você tem o poder de transformar barulhos em canções", disse. "E para que nunca esqueça: criatividade é como uma chave."

Lívia apertou a etiqueta. Era suave e quente. "Obrigada", disse ela. "Pela consola... e pela sala das memórias."

Bixi piscou os olhos grandes e, por um instante, as luzes da consola formaram uma escada de cores. "Uma última coisa", falou, com voz quase de vento: "Se algum dia você estiver com medo, pense num passo pequeno. Um passo no patamar é suficiente para seguir adiante."

Lívia lembrou do desenho que fizera: o sapato que tocava o patamar e uma risada que ecoava. Com essas imagens dentro do peito, ela colocou a mão no corrimão do prédio amarelo e subiu os degraus. No patamar do andar de cima, fez um passo. Não era maior que qualquer outro passo, mas naquele instante foi perfeito: seguro, calmo, cheio de coragem.

Do lado de fora, a caixa de Bixi subiu e sumiu entre nuvens finas. No patamar, Lívia encontrou Pipo, o gato, enrolado como um bolinho. O cheiro de pão ainda vinha da venela. As luzes da consola apagaram lentamente, deixando no ar um fio de melodia que era fácil de lembrar.

Ela abriu a caixa de rascunhos, pegou a etiqueta azul e colou no caderno de desenhos. Em sua mente, o autocolante da Terra brilhava como uma promessa. Criatividade — aquele pequeno poder que se esconde em canetas, etiquetas e passos — agora tinha um cantinho seguro no bolso de Lívia.

Ao fechar a porta do apartamento, Lívia olhou para o patamar, respirou fundo e deu um passo. O patamar recebeu seu pé como quem acolhe um amigo. Lá embaixo, na venela estreita, as luzes continuavam a contar suas histórias e o mundo parecia um pouco mais luminoso.

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Venela
Rua muito estreita entre prédios ou muros.
Venela estreita
Uma venela que é ainda mais apertada e curta.
Autocolante
Adesivo de papel ou plástico que se cola em superfícies.
Consola
Aparelho com botões e luzes que faz coisas eletrônicas.
Extraterra
Palavra que diz que alguém não é da Terra, é de outro lugar.
Tampinha
Pequena tampa que fecha uma caixa ou garrafa.
Rodinhas giratórias
Pequenas rodas que podem rodar em todas as direções.
Patamar
Pequeno degrau ou parte plana entre escadas.
Sussurro
Som muito baixo, falado quase sem voz.
Etiqueta
Pedaço de papel ou plástico usado para identificar ou marcar.
Memorias pequenas
Lembranças curtas e simples que se guardam de momentos.

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