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História sobre a neurodiversidade 5 a 6 anos Leitura 7 min.

lia e o painel azul: uma menina com dispraxia

Lia, uma menina com dispraxia, enfrenta desafios durante a festa do bairro, mas encontra sua própria forma de se expressar enquanto ajuda a criar um painel colorido com as marcas das mãos de todas as crianças. Com o apoio da mamã, ela descobre que ser diferente é uma grande força.

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Uma menina de 6 anos, Lia, está no centro do palco, com cabelos cacheados e dourados, vestindo uma camisa florida e um sorriso radiante de orgulho. Seus olhos brilham de excitação enquanto ela olha para sua mão, coberta de tinta azul, pronta para deixar uma impressão em um grande painel colorido. Ao seu lado, sua mãe, uma mulher de cerca de 30 anos com cabelos castanhos presos em coque, a encoraja com um olhar suave e um sorriso caloroso, segurando uma paleta de cores vivas na mão. Um menino de 6 anos, com cabelos negros e óculos, está um pouco afastado, observando Lia com admiração, pronto para imitar seu gesto criativo. A cena acontece em uma charmosa praça do bairro, cercada por árvores de folhas verdes vibrantes, com balões coloridos flutuando no ar e uma grande mesa cheia de potes de tinta e pincéis. O chão está coberto de folhas de papel brancas, prontas para receber as impressões das crianças. Lia, cheia de energia e determinação, se prepara para colocar sua mão no painel, deixando uma marca única e colorida, simbolizando sua criatividade e alegria de participar dessa bela festa de bairro. reportar um problema com esta imagem

Primeira Parte: Uma Menina Muito Especial

Lia tem seis anos e vive numa rua cheia de árvores grandes e passarinhos barulhentos. Lia é uma menina diferente. Ela tem algo chamado dispraxia. Isso quer dizer que o corpo dela demora um pouco mais para fazer o que a mente pede. Às vezes, os dedos de Lia querem apertar, mas apertam com jeitinho diferente. Às vezes, quando ela corre, tropeça e ri. Lia tem um jeito especial de mexer nas coisas, como se as suas mãos dançassem uma música só delas.

No sábado de manhã, a rua de Lia está animada. Hoje é dia de festa de bairro. Balões coloridos balançam nas janelas. As pessoas sorriem. Todo mundo está ocupado a preparar algo saboroso ou engraçado. Lia acorda cedinho, cheia de alegria. Ela sente cócegas na barriga só de pensar no cheiro de pipoca e bolo de cenoura.

A mamã de Lia ajuda-a a vestir uma camisa florida. O pai de Lia faz-lhe um penteado bonito. Lia sente-se especial. Ela olha para o espelho e sorri. Ela pensa no projeto coletivo: fazer um painel gigante com as mãos de todas as crianças do bairro. Cada criança vai deixar uma marca. Lia quer muito participar. Ela quer muito fazer parte.

Segunda Parte: Preparando a Grande Surpresa

Lia caminha devagar até à praça, segurando a mão da mamã. O chão brilha ao sol. Ela vê os seus amigos. Todos estão felizes, saltando e rindo. Há uma mesa comprida com tintas de todas as cores e muitas folhas grandes, prontas para receber as mãos das crianças. O painel vai ficar na praça, para todos verem sempre que passarem por ali.

Lia pensa: “Vou fazer a minha marca. Vou participar com todos.”

A professora explica que cada criança vai pintar a palma da mão, escolher uma cor, e carimbar no painel. Todos ficam animados, correndo para as tintas. Lia observa. Ela lembra-se de como é difícil mexer os dedos depressa. Às vezes, a tinta escorre, às vezes, escorrega. Mas Lia lembra-se do que a mamã sempre diz: “Faz ao teu jeito, Lia! O teu jeito é bonito!”

Lia respira fundo. Ela pensa num céu cheio de nuvens coloridas. Ela pensa numa borboleta que voa diferente. A mamã agacha-se ao lado dela e sorri, com um abraço apertado e cheio de carinho. “Vai, Lia. Eu estou aqui. O teu tempo é importante”, diz a mamã com voz macia.

Terceira Parte: Um Momento de Desafio

Chega a vez de Lia. Ela escolhe a tinta azul, azul como o céu do verão. Ela mergulha a mão devagar, sentindo o fresquinho da tinta. Os dedos mexem-se devagar, como se fossem bailarinos tímidos. Lia leva a mão até ao painel, mas sente que tudo é escorregadio. A marca não fica logo perfeita, a tinta escorre um pouco. Lia tenta outra vez, limpando devagar, concentrada. Os olhos dos amigos olham. Uns sussurram, outros esperam.

Lia fica nervosa, mas a mamã sorri de novo: “Cada marca é única, filha! Como as nuvens no céu. Ninguém é igual a ninguém.”

Lia sorri também. Ela pensa: “Sou uma nuvem diferente. A minha marca também vai ser diferente.” Ela decide fazer mais devagar, com calma. A mão dança doucement, deixando traços leves, uns mais largos, outros mais finos. O painel começa a ficar muito bonito. Cada mão é diferente. Umas pequenas, outras gorduchas, outras fininhas. A de Lia é azul e espalha-se como uma ondinha do mar.

De repente, pedem para as crianças fazerem uma roda e dançarem à volta do painel. Lia fica atrapalhada. As mãos querem dar outras mãos, mas o corpo dela não segue sempre o mesmo ritmo dos outros. Ela pensa em desistir. Alguns meninos riem baixinho. Um menino tropeça também e ri. Lia respira fundo.

A mamã aproxima-se de novo e fala baixinho: “Se não der jeito, inventa outro passo. Dança ao teu jeito, filha.” Lia sorri. Ela começa a bater palmas devagar, inventando o seu próprio ritmo. Os outros veem Lia a dançar diferente. Um amigo começa a imitar Lia. Depois outro. De repente, todos estão a dançar cada um ao seu jeito. A música transforma-se numa festa de passos e palmas diferentes.

Quarta Parte: Orgulho Compartilhado

No fim, todos olham para o painel. Está cheio de mãos: azuis, verdes, amarelas, vermelhas. Cada marca é uma história. Cada cor é uma alegria. Lia vê a sua marca azul, espalhada como o mar. O painel brilha ao sol. Todos batem palmas.

A professora diz: “O painel ficou lindo porque cada mão é diferente. Cada cor é importante.”

Lia sente o peito cheio de calor bom. Ela olha para a mamã, que sorri com orgulho. Lia sorri também, muito feliz. Ela lembra-se: “Sou como uma nuvem colorida. O meu jeito é bonito. O meu jeito é importante.”

Os amigos vêm ver a marca de Lia. Um deles diz: “A tua mão parece uma onda do mar!” Lia ri. Ela gosta de ondas. Ela gosta do seu jeito.

A festa continua com muitos risos, bolos e música. Lia sente-se contente, sente-se parte. Ela sabe que cada um tem um jeito diferente de marcar o mundo. E todos os jeitos são bonitos.

Quando o dia acaba, Lia segura a mão da mamã, sentindo-se leve e feliz. Ela olha para o painel mais uma vez. O painel é como o bairro: cheio de cores, cheio de formas. E cada cor, cada forma, cada jeito, faz a festa ser ainda mais bonita.

No caminho para casa, a mamã diz baixinho: “Estou muito orgulhosa de ti, Lia. O teu jeito faz o mundo mais alegre.” Lia aperta a mão da mamã. Ela sabe que o seu jeito especial é uma coisa boa, uma coisa a celebrar. E pensa, com um sorriso: “Amanhã, vou inventar outras nuvens coloridas. Porque ser diferente é ser muito especial.”

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Dispraxia
Uma condição que dificulta a coordenação dos movimentos do corpo.
Animação
Sentimento de alegria intensa e entusiasmo.
Penteado
Uma maneira de arrumar o cabelo.
Carimbar
Colocar uma marca ou impressão em algo com um objeto.
Concentrada
Estar focado em algo, prestando atenção.
Alegria
Sentimento de felicidade e contentamento.

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