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História engraçada do reino encantado 9 a 10 anos Leitura 13 min.

A princesa Pimenta e o botão proibido do riso real

A princesa Pimenta aperta um botão proibido e parte em aventura pelo Square das Flores Pulantes para encontrar o Riso Real fugitivo, enfrentando caminhos brincalhões e aprendendo com seus próprios erros.

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A princesa Pimenta (menina, ~11 anos), alegre e decidida, rosto redondo com sardas, cabelo castanho claro em duas tranças, veste um vestido curto vermelho com bordados amarelos e segura um grande guarda-chuva aberto ao contrário para apanhar o Riso Real, um fitilho luminoso dourado e translúcido com faíscas e bolhas contendo "hi" que flutua sobre o guarda-chuva; ao fundo à direita, o mordomo Bico-Fino (homem, ~50 anos) em traje preto e luvas brancas observa aliviado com uma pequena toalha na mão; ao redor, flores saltitantes coloridas e confetes flutuam sobre um gramado verde vivo, no centro um pequeno largo circular calçado com bancos de madeira curvos, postes metálicos e um espelho de água refletindo a luz do Riso Real. reportar um problema com esta imagem

Era uma vez, no Reino de Risalume, onde as nuvens pareciam algodão-doce e os sinos das torres tocavam sozinhos só para fazer “trim-trim!” quando alguém espirrava. A magia ali tinha um talento especial: em vez de assustar, fazia cócegas.

Capítulo 1: A princesa e o botão que não devia ser apertado

A Princesa Pimenta chamava-se assim porque tinha um olhar esperto, uma língua rápida e um otimismo teimoso que não largava ninguém. Se uma porta estivesse trancada, ela dizia:

— Ótimo! Assim fica mais emocionante.

Naquela manhã, Pimenta passeava pelo corredor do palácio, onde os tapetes contavam piadas baixinho e as armaduras bocejavam como se fossem avôs cansados. No fim do corredor havia uma placa dourada:

“NÃO APERTAR. Botão Real de Emergência (de Riso).”

Pimenta leu, piscou, e o botão pareceu piscar de volta. O botão era vermelho, redondo e brilhava como uma cereja muito convencida.

— Não apertar… — repetiu ela. — Claro. Entendi perfeitamente.

E apertou.

FZZZ! PLOIM!

Do teto caiu uma chuva de confetes… que cheirava a sopa de cebola. Os candelabros começaram a dançar valsa, as cortinas soltaram gargalhadas e, do alto da escadaria, escorregou um pergaminho enrolado, como se tivesse pés.

Pimenta apanhou o pergaminho. Ele abriu sozinho e leu em voz alta, porque pergaminhos em Risalume adoravam ser lidos:

“ATENÇÃO! O RISO REAL ESCAPOU. ENCONTRAR NO SQUARE DAS FLORES PULANTES. TRAZER DE VOLTA ANTES QUE O REINO SE RIA ATÉ SOLUÇAR.”

A princesa levantou o queixo.

— Excelente! Uma aventura. E eu nem precisei pedir.

Atrás dela, o Mordomo Bico-Fino apareceu com uma bandeja de chá tremendo.

— Alteza… isto é grave. O Riso Real é… é… muito risonho!

— Então vamos buscá-lo, antes que ele aprenda piadas novas — disse Pimenta, já a caminho da porta. — E se eu errei ao apertar o botão… ótimo! Assim eu aprendo errando em grande estilo.

Capítulo 2: O caminho que fazia caretas

Pimenta saiu do palácio com uma mochila, uma maçã e um guarda-chuva (porque em Risalume podia chover bolhas a qualquer momento). O portão se abriu com um “aaah” dramático, como se fosse ator.

A estrada para o Square das Flores Pulantes passava por um bosque onde os cogumelos usavam chapéus maiores do que eles e davam conselhos não pedidos.

— Princesa! — chamou um cogumelo com voz de trompete. — Se vir uma poça com cara, não elogie. Ela fica convencida.

— Obrigada! — respondeu Pimenta. — Vou elogiar só um bocadinho.

A estrada, porém, tinha humor próprio. De repente, ela se dividiu em três caminhos, cada um com uma setinha.

A primeira seta dizia: “POR AQUI É MAIS RÁPIDO (talvez)”.

A segunda: “POR AQUI É MAIS BONITO (às vezes)”.

A terceira: “POR AQUI É MAIS… POR AQUI” (e tinha um desenho de um pato).

Pimenta coçou a cabeça.

— Eu voto no pato. Patos raramente mentem.

Ao pisar no caminho do pato, o chão fez “quac” e deu um pequeno salto, como se estivesse contente. Pimenta quase caiu, mas riu.

— Tá bem, tá bem! Eu já percebi: tu és um caminho divertido.

Mais à frente, uma poça realmente tinha cara: duas pedrinhas de olhos e uma folha de sorriso. Pimenta, teimosa, disse:

— Que poça linda!

A poça inflou-se de orgulho e… espirrou água para cima. Pimenta levou um banho que cheirava a limonada.

— Ai! — ela exclamou, sacudindo o cabelo. — Eu mereci. Nota mental: elogiar poças com moderação.

No topo de uma colina, ela avistou finalmente o Square das Flores Pulantes: um jardim redondo, cercado por bancos de madeira e postes que assobiavam. As flores realmente pulavam, como pipocas coloridas. E no meio do square havia algo ainda mais estranho: uma gargalhada solta no ar, como um balão invisível.

Capítulo 3: O square das flores pulantes e a gargalhada fugitiva

Assim que Pimenta entrou no square, as flores fizeram uma onda, como numa plateia de teatro. Uma tulipa saltou até a altura do nariz dela e disse:

— Olá! Temos uma emergência de… “hihihi”.

— Eu vim por causa do Riso Real — explicou Pimenta. — Ele está aqui?

Uma margarida apontou com as pétalas:

— Está, mas não para quieto. Está a brincar de esconde-esconde com a própria alegria.

Pimenta ouviu um “HAHA!” vindo de trás de um banco. Correu… e encontrou apenas um esquilo com um bigode falso.

— Não fui eu — disse o esquilo, tirando o bigode. — Eu só faço teatro.

Outro “HIHI!” veio de cima. Pimenta olhou e viu um riso brilhante, como um fio de luz enrolado, saltitando entre os postes. Cada vez que ele tocava num poste, o poste soltava um assobio desafinado.

— Pára aí! — gritou Pimenta. — Eu não estou zangada! Só quero… que tu voltes para o palácio antes que o rei comece a rir em reuniões importantes!

O Riso Real respondeu com um “HÓHÓHÓ!” e fez as flores pularem ainda mais alto, como se tivessem trampolins invisíveis.

Pimenta teve uma ideia.

— Certo. Vamos brincar. Se eu te apanhar, tu voltas. Se eu não apanhar… eu continuo a tentar. Combinado?

O riso fez “Tlim!” como se fosse um sino a concordar.

Pimenta tentou capturá-lo com o guarda-chuva aberto, como se fosse uma rede. O riso desviou e ela acabou por “pescar” um pombo confuso que estava ali só a passear.

— Desculpa — disse Pimenta ao pombo. — Tu não és o riso. Tu és… muito sério.

O pombo respondeu com um olhar ofendido e saiu a andar como quem diz “hum”.

Pimenta tentou outra vez, desta vez usando uma maçã como isco.

— Ei, Riso! Maçã crocante!

O riso aproximou-se… e fez a maçã dar uma gargalhadinha. A maçã rolou, rindo, rindo, rindo, e parou no pé de uma estátua de sapo que começou a rir também. O square inteiro parecia uma panela a ferver de “ha-ha”.

Pimenta pôs as mãos na cintura.

— Ok. Eu errei duas vezes. Mas isso não significa que eu seja má caçadora de risos. Significa que eu estou a aquecer.

Ela respirou fundo e olhou ao redor. Viu os bancos, os postes, as flores pulantes… e um lago pequeno no canto do square, liso como um espelho.

— Já sei — sussurrou.

Capítulo 4: A armadilha gentil e a lição do “ops”

Pimenta aproximou-se do lago e falou com a água, porque em Risalume tudo ouvia quando queria.

— Lago, podes ajudar-me sem assustar ninguém?

A água fez uma ondinha, como quem diz “talvez”.

Pimenta subiu num banco e chamou:

— Riso Real! Vem cá! Tenho a melhor piada do reino!

O riso parou, curioso, flutuando como um balão que esqueceu de ter corda. Aproximou-se devagar.

Pimenta anunciou, muito séria:

— A piada é esta: “NÃO APERTAR” é, afinal, uma frase que me faz apertar.

O riso explodiu num “HAHAHAHA!” tão forte que as flores deram três pulos seguidos e um poste assobiou como chaleira. Mas, ao rir, o riso ficou mais pesado—como se a própria gargalhada tivesse peso—e desceu, desceu… até refletir no lago.

No reflexo, o riso viu-se a si mesmo: brilhante, enrolado, meio desarrumado, parecendo um novelo de luz.

— Olá — disse Pimenta ao riso, como quem fala com um gato arisco. — Tu és lindo, mas estás a fazer confusão. No palácio, tu ajudas as pessoas a rir na hora certa. Aqui, tu estás a fazer o reino quase tropeçar de tanto rir.

O riso tremelicou, como se ficasse envergonhado.

— E eu também fiz confusão — continuou Pimenta. — Apertei um botão que dizia para não apertar. Foi um “ops” real. Mas… olha: ninguém explodiu, ninguém virou sapo (ainda), e eu aprendi. Errar não me fez pior. Fez-me… mais esperta.

O riso deu um “hihizinho” pequeno, mais calmo.

Pimenta abriu o guarda-chuva ao contrário, como uma concha.

— Queres vir comigo? Prometo que no caminho podemos rir… mas sem assustar pombos.

O riso entrou no guarda-chuva com um “plim!” e ficou lá dentro como uma lanterna alegre. As flores bateram palmas com pétalas, e até a poça com cara apareceu no canto do square para dizer:

— Eu não vou espirrar… muito.

— Agradeço moderadamente — respondeu Pimenta.

Capítulo 5: O regresso, o palácio e a affiche seca

No caminho de volta, o guarda-chuva brilhava por dentro, e de vez em quando escapava um “hehe” discreto, como quem faz cócegas no próprio nariz. Pimenta caminhava mais devagar agora, sentindo o vento cheirar a biscoitos de manteiga.

Quando chegou ao palácio, o Mordomo Bico-Fino estava à porta com uma toalha, como se estivesse pronto para qualquer coisa, até para uma tempestade de pudim.

— Alteza! Encontrou…?

Pimenta abriu o guarda-chuva e o Riso Real saiu, flutuando com cuidado, como se tivesse aprendido a andar sem correr. Ele entrou pela janela do salão do trono e encaixou-se num grande relógio dourado, onde sempre morou. O relógio soltou um “toc-toc” satisfeito, e o reino inteiro pareceu respirar melhor.

O rei, que tinha um bigode que tremia quando ele sorria, olhou para Pimenta.

— Minha filha, ouvi dizer que houve… confete com cheiro de sopa.

— Houve — confessou ela. — Eu apertei o botão. Eu errei.

Silêncio. Até uma armadura parou de bocejar.

Pimenta levantou as mãos, pronta para um sermão do tamanho de um dragão. Mas o rei deu uma risada pequena, bem na medida.

— Errar acontece. O importante é o que se faz depois do “ops”. E tu foste atrás do problema com coragem… e com um guarda-chuva bastante inteligente.

O Mordomo Bico-Fino, aliviado, deixou cair uma bolacha de tão feliz.

— Então… não haverá castigo?

— Haverá — disse o rei, com olhos brilhantes. — Um castigo educativo e muito chato: a Princesa Pimenta vai pendurar um aviso no corredor. Um aviso que diga a verdade.

Pimenta sorriu.

— Eu gosto de avisos. Principalmente os que eu escrevo.

Ela pegou um cartaz de papel grosso e escreveu com letra caprichada:

“SE DISSER ‘NÃO APERTAR', PERGUNTA PRIMEIRO ‘PORQUÊ'.

E SE APERTARES MESMO ASSIM… RESPIRA, RI UM POUCO, E CONSERTA.”

Depois, para garantir que o aviso durasse, ela levou-o à cozinha, onde a magia do forno secava tudo com cuidado. O cartaz saiu quentinho e bem seco, como uma bolacha gigante, só que sem migalhas.

Pimenta pendurou a affiche seca no corredor, bem ao lado do botão vermelho. O botão pareceu menos convencido.

E, naquela noite, quando o relógio do Riso Real deu “toc-toc”, ele soltou um risinho manso, como um segredo bom. Pimenta deitou-se e pensou, com o coração leve:

— Amanhã eu talvez não aperte. Talvez. Mas, se eu apertar… eu sei o caminho de volta.

E o Reino de Risalume, malicioso e bondoso, adormeceu a sorrir, devagarinho, como quem fecha um livro com cuidado.

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Algodão-doce
Doce fofo e branco, parecido com nuvem, feito de açúcar puxado.
Cócegas
Sensação que faz rir quando alguém toca uma parte sensível do corpo.
Pergaminho
Papel antigo e enrolado usado para escrever cartas ou anúncios importantes.
Confetes
Pequenos pedaços de papel colorido que se atiram em festas.
Candelabros
Objetos que seguram várias velas, geralmente pendurados ou sobre mesas.
Valsa
Tipo de dança lenta e elegante, com passos que giram em pares.
Emergência
Situação urgente que precisa de ação rápida para evitar problema maior.
Trampolins
Superfícies elásticas que fazem as pessoas ou objetos saltarem alto.
Reflexo
Imagem que aparece numa superfície brilhante, como água ou espelho.
Ondinha
Pequena onda ou movimento suave na água, mais fofo e delicado.
Affiche seca
Cartaz já seco, pronto para ser pendurado, sem ficar mole.
Cartaz
Folha grande com mensagem escrita, colocada para informar ou avisar.

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