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História engraçada do reino encantado 9 a 10 anos Leitura 14 min.

A princesa do silêncio e a nota perdida

Uma princesa silenciosa que registra as memórias do reino em seu caderno se vê em uma aventura para recuperar uma nota musical perdida, contando com a ajuda de um luthier e uma orquestra improvisada em sua jornada. Juntos, eles enfrentam desafios e descobrem a importância da responsabilidade ao cuidar das melodias que trazem harmonia ao reino.

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Uma princesa alegre, com cerca de 10 anos, com longos cabelos dourados flutuando como raios de sol, veste um vestido brilhante em cores pastéis, adornado com flores cintilantes. Ela sorri maravilhada, segurando um caderno cheio de desenhos e anotações, enquanto observa um grupo de pombas cantoras dançando ao seu redor. Ao seu lado, um luthier de cerca de 60 anos, com uma barba branca sedosa e óculos redondos, está inclinado sobre um alaúde, suas mãos habilidosas acariciando as cordas e criando uma melodia animada. Um contrabaixo, um instrumento de madeira maciça, está próximo, com olhos pintados que parecem maravilhados com a música. O cenário é um magnífico ateliê de madeira, repleto de instrumentos musicais suspensos no teto, cores vivas e notas musicais flutuando no ar, enquanto uma grande janela deixa entrar a luz dourada do sol, iluminando a cena. A situação principal mostra a princesa e o luthier criando uma melodia mágica juntos, cercados por notas musicais que voam como borboletas, enquanto as pombas cantam alegremente, trazendo uma atmosfera de festa e criatividade a este ateliê encantador. reportar um problema com esta imagem

Era uma vez, num reino onde as nuvens faziam cócegas nas montanhas e as sombras contavam piadas para as árvores, uma princesa silenciosa que tomava notas no donjon. Ela escrevia tudo: o soluço do vento, o jeito que as lanternas piscavam de madrugada, os nomes das pedras que gostavam de rimar. Ninguém sabia por que ela não falava — alguns diziam que sua voz era tão preciosa que devia ser guardada em vidro; outros, que havia feito uma promessa ao silêncio quando era pequena. O certo é que seu caderno era mais falante que qualquer cortina: rabiscos, desenhos, pequenos mapas e receitas de calmaria.

No alto do donjon, onde o relógio cantava às horas como se estivessem em coro, a princesa mantinha um posto de responsabilidade. Era a registradora dos acasos do reino: se uma lua caísse de sono, ela anotava; se uma estrada mudasse de cor, ela desenhava; se um sapo começasse uma carreira de comediante, ela desenhava o roteiro. O povo gostava de saber que alguém guardava memórias. A princesa guardava com abolengo e um lápis que rangia como uma cadeira velha — rang, rang, rang — a cada nota que riscava.

Numa manhã de trombetas adormecidas, algo curioso invadiu o donjon. Era um sopro de risos — risos pequenos, saltitantes, cheios de pó de fada. Eles entraram pela janela e fizeram cócegas nos pergaminhos. As palavras levantaram voo, como pássaros de papel. A princesa acompanhou o balé com os olhos, e seu lápis fez ziguezagues apressados. Entre as notas que fugiam, um filete de melodia escapou: um tom longo, dourado, que deslizou pelo corrimão e desceu a escada como um rabo de cometa musical.

— Ahá! — exclamou o mordomo, que falava por todos porque ele falava demais. — A melodia do sino! Está à solta!

Os sinos do reino eram especiais; eles guardavam memórias da chuva, do riso das crianças e das receitas de bolo da avó do ferreiro. Se perdiam uma nota, o jantar podia ficar sem tempero e as plantas achavam que era hora de dormir. A princesa, que anotava tudo, colocou a mão no bolso e tirou um papel: “Rastreador de sons — passo 1: seguir melodia.” E silenciosa, como quem respira com a caneta, saiu do donjon.

O caderno do donjon

O corredor do donjon tinha retratos que cochichavam conselhos e tapeçarias que bocejavam. Cada passo da princesa soava como um metrônomo suave: tá, tá, tá. A melodia dançava lá embaixo, passando por janelas onde as cozinheiras ensaiavam coreografias com colherões, e pelas prateleiras onde os livros cochichavam "shh" uns para os outros. A trilha subia até a praça, onde o vento vendia balões, e desapareceu entrando na porta de um lugar que cheirava a madeira, cola e poeira de corda: o atelier do luthier.

O atelier era uma casa minúscula com violinos pendurados como galinhas de festa e bandolins que piscavam olhos-pestanas. O luthier, Mestre Cordão, era um senhor de vínculos soltos: usava avental com estampa de notas musicais e tinha as orelhas como conchas de respirar canções. Ele conversava com os instrumentos como quem chama primos para o almoço e batia palmas em ritmos que faziam as gavetas dançarem.

— Ora, ora! Quem traz o caderno falante? — saudou Mestre Cordão, com um sorriso que era uma chave de sol. — Vinde, princesa do silêncio! Ou lúteo-lábio de papel! — e deu tantas alcunhas que deixou uma partitura sem jeito.

A princesa, sem responder com palavras, mostrou seu bloco: um desenho com setas e o nome do som perdido. Mestre Cordão coçou a barba, que tinha notas presas como passarinhos.

— Hummm, fuga de melodia — murmurou ele. — Isso é caso para… Ah! O Alaúde Espirrado!

No fundo do atelier, sobre uma bancada coberta de limalha dourada, o alaúde espirrou. Espirrou de um jeito que fez plumas de pôr-do-sol saírem de sua caixa. Cada espirro soltava uma nota diferente — uma nota que fazia as panelas assoviar, outra que fazia as meias dançarem, e outra que, muito perigosa, fazia as árvores cochicharem segredos.

A princesa apontou para o espirro, riscou um circulo no caderno e acrescentou: "capturar, antes das panelas formarem banda". Mestre Cordão arregalou os olhos até ficarem como discos de música.

— Então peguemos as redes de catgut! — sugeriu ele, puxando uma gaveta cheia de moscas de borracha e fios sedosos. — E a máquina de prender notas! — ele anunciou, como quem apresenta um biscoito.

O Alaúde Espirrado

A máquina de prender notas era um aparato curioso: parecia uma mistura de pente, guarda-chuva e relógio de avô. Quando acionada, soprava uma brisa que cheirava a canela e enrolava notas, uma a uma, numa bolinha musical. Só que naquele dia, a máquina espirrou de riso e soltou faíscas de confete. Um violino bronco tocou um acorde que fez todo mundo pular como bolinhos de massa.

A princesa desenhou um plano com uma precisão de mapa do tesouro: Mestre Cordão tocaria uma nota de ancoragem no alaúde, o contrabaixo (que gostava de cochilar) acordaria com chá forte, e a princesa, com seu caderno, regeria a ordem das notas, apontando com o lápis como quem conduz uma orquestra muda.

— Prontos? — perguntou Mestre Cordão, batendo palmas curtas.

O contrabaixo bocejou, o alaúde espirrou e a máquina tentou assobiar, mas algo engraçado aconteceu: a máquina começou a imitar o riso e, em vez de enrolar notas, soltou um fio que se esticou como uma língua de gato e apontou para a saída do atelier. A melodia fugiu por esse fio até a rua, tecendo um caminho brilhante como um novelo de luar.

— Segui o fio! — escreveu a princesa, pegando seu lápis como um estandarte.

E assim, a trupe saiu pelo mercado, onde abacaxis cantavam em espanhol e chapéus faziam reverência, e seguiram o fio que brilhava, brilhava, brilhava, levando-os para os arredores do reino, rumo às torres.

A máquina de enredar notas

O trajeto até as torres passou por lugares extravagantes: um jardim onde as flores pulavam corda com as minhocas, uma ponte que trocava as vozes de quem passava — o padeiro ficou com voz de coruja e a coruja com voz de padeiro — e um campo onde as pedras jogavam damas com as formigas. Em cada parada, a princesa anotava: "ajudar a coruja", "lembrar o padeiro de pôr açúcar", "não esquecer o fio". Sua mão dançava, escrevia e puxava os outros para a ordem.

Em certo ponto, o fio musical se arremessou para cima, em direção às largas escadas que levavam às torres. Mas antes de subir, havia um desafio: um bosque de pombos cantores que exigia uma senha em rima para deixar passar. Os pombos gostavam de trocadilhos e prometiam atravessar apenas quem os fizesse gargalhar de forma apropriada.

— Quem vem com papel e sem voz? — coçou a cabeça um pombo com cartola.

A princesa sorriu em silêncio e escreveu uma rima em letras miudinhas. Mostrou ao pombo; ele leu com um olho e explodiu num risinho que fez pequenas notas saltarem de seu bico. Os pombos acharam a rima fabulosa, aplaudiram com as asas e abriram alas.

— Responsabilidade com rimas! — concluiu o pombo principal, com ar de juiz.

A escalada das torres foi um concerto de degraus que riam sob os pés e janelas que piscavam. A trupe subiu com calma — um degrau de cada vez, como quem sobe uma escadaria de compasso musical. Cada um levava um propósito: Mestre Cordão com suas ferramentas, o contrabaixo com seus sonhos de chá, e a princesa com seu caderno, que parecia crescer de tanto uso.

As escadas e os pombos cantores

No topo da torre, havia o grande Sino da Harmonia. Era redondo como fatia de mel e tinha gravações que contavam a história do reino em baladas. Quando o sino soava, as estações ajustavam os relógios e as colchas pescavam umidade da manhã. Mas agora, o sino estava sem uma nota — a nota que tinha escapado do alaúde. As cordas do sino tremiam como quem procura a sílaba perdida.

— Bem, bem — disse a princesa, escrevendo: "Ordem: encontrar a nota e deixá-la escolher o lar." — Ela sabia que a música não deveria ser aprisionada; apenas orientada. Responsabilidade não é fechar, é guiar.

Mestre Cordão montou sua pequena orquestra: violinos, bandolins, flautas que assobiavam em quartos, e até um pandeiro que fazia caretas. A princesa esticou o papel como uma partitura, desenhou setas, pausas e um grande coração no centro. Com o lápis como batuta, ela apontou. Os músicos olharam para as flechas, seguiram as marcações e tocaram.

No início, saiu um som trombeteiro que virou salada. Depois, um tango tímido que fez o guarda de pedra dançar em slow motion. A cada tentativa, a princesa corrigia com rabiscos amáveis: "mais lume", "menos cócegas", "ouvir a notinha". As notas, que eram levadas pelo vento como borboletas, começaram a ouvir. Elas voltaram, uma a uma, como se encontrassem um mapa desenhado de volta para casa.

Quando a última nota entrou no sino, houve um silêncio tão perfeito que parecia o segurar da respiração do mundo. O sino então deu um toque: plim! — e o som era um abraço. Não era só o reino que sorriu; mesmo as janelas se esticaram num bocejo de alegria. Tudo voltou ao lugar, com o tempero certo nas sopas e as plantas batendo palmas verdes.

Rumo às torres

A festa que se seguiu foi de risos em camadas: risos grossos, risinhos finos, risadinhas escondidas nas mangas. O rei, que gostava de discursos longos, ficou curto de palavras e agradeceu com um aceno que era quase uma valsa. O povo trouxe bolos que tocavam pequenas canções, e as crianças fizeram coro com facas de manteiga (sob supervisão, claro). Mestre Cordão ganhou uma medalha de madeira que tocava trilha sonora própria quando se enfeitava. Mas a maior recompensa da princesa foi um olhar: olhares de confiança, de quem confia a alguém a tarefa de lembrar as coisas importantes.

A princesa anotou tudo. Ela desenhou um selo no caderno: RESPONSABILIDADE — com um laço. Sabia agora que responsabilidade era como um fio forte: segura, mas maleável; que guiava as notas sem prendê-las. Com seu lápis, fez também um pequeno mapa das torres, marcando uma rota que dizia: "Sempre lembrar de subir, mesmo que seja só para olhar as nuvens." Ela acreditava que responsabilidade também era olhar para cima.

Ao cair da tarde, quando as sombras viravam histórias e as estrelas ensaiavam seus primeiros passos, a princesa subiu uma vez mais ao topo da torre. Pela janela, viu o reino todo se acomodando: as chaminés cozinhavam sussurros, as estradas dormiam com sapatos alinhados e as árvores contavam segredinhos para as raízes. O vento trouxe consigo uma nota pequena, como um cumprimento.

A princesa abriu o caderno, fez uma última anotação do dia e, com a mão tranquila, fez um gesto simples. Era um sinal — um sinal que sabia ser mais eficiente que palavra. Ela apontou para as torres, para onde os sinos moravam e as melodias sempre encontravam guarida. O gesto foi um convite e um aviso: cuidar é apontar para o lugar certo, é lembrar que há lugares que merecem ser vistos.

O sinal brilhou na janela como um reflexo de sol. Ninguém falou naquele momento; não era necessário. O reino inteiro pareceu entender. E se alguém perguntou mais tarde por que a princesa fazia tão pouco barulho, contaram que ela falava com o papel e que o papel falava de volta, com letra firme e gentil.

A noite desceu em veludo. A princesa fechou seu caderno, guardou o lápis que rangia e, calmamente, deixou um pequeno bilhete na mesa do donjon: "Hoje cuidei das notas. Amanhã, cuidaremos dos problemas menores. Sempre, com atenção." E antes de se retirar, voltou à janela, erguendo a mão num último gesto que era ao mesmo tempo comando e carinho.

Ela fez um sinal para as torres.

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Donjon
Uma torre ou estrutura alta em um castelo, onde muitas vezes se guardam coisas importantes ou se vive alguém importante.
Abigarrar
Misturar muitas coisas diferentes de maneira confusa.
Acaso
Algo que acontece por sorte ou por coincidência, sem planejamento.
Melodia
Uma sequência de notas musicais que formam uma música ou canção.
Método
Uma maneira organizada de fazer algo, seguindo um plano.
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Um grupo de pessoas que se juntam para fazer apresentações, como artistas ou atores.

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