No meio da cidade, havia uma oficina cheia de coisas esquisitas e engraçadas. Lá dentro morava Lucas, um jovem inventor com cabelo despenteado e olhos brilhantes de curiosidade. Lucas tinha uma missão muito especial: queria transformar o “mais tarde” em “agora”. Ele não gostava de esperar para brincar, comer bolo ou ver as estrelas. Queria tudo, já!
Numa manhã, Lucas acordou com uma ideia maluquinha. Ele pegou seu chapéu de pensar, colocou no topo da cabeça e falou sozinho: “Chega de esperar! Vou inventar uma máquina de trazer o depois para o agora!”. E já foi correndo para a oficina.
Lá dentro, Lucas tinha caixas cheias de parafusos, molas saltitantes e colheres tortas. Ele começou a juntar tudo: uma panela velha virou base da máquina, um despertador sem ponteiros virou botão, e três colheres fizeram pernas fininhas. Lucas riu: “Pronto, máquina, fique de pé!”.
A máquina balançou, fez “plim” e “plam”, mas ficou de pé. Lucas apertou o botão. Nada aconteceu. “Hmm... talvez precise de uma pitada de suco de laranja!”. Ele derramou suco na máquina. Ela espirrou uma fumacinha cheirosa e soltou um pum de bolhas! Lucas caiu na gargalhada.
Tentou de novo: dessa vez, colocou uma meia colorida no motor. A máquina sacudiu, assobiou, e cuspiu a meia de volta. “Ainda não é agora!”, disse Lucas, rindo.
Então, Lucas pensou alto: “E se eu pedir ajuda?”. Chamou o passarinho Azul, que sempre espiava pela janela. “Azul, preciso trazer o depois para o agora. Ideias?”. Azul bicou no botão e piou: “Pi-piu! Piu!”. Lucas traduziu: “Talvez a máquina queira música!”.
Pegou um tamborim, bateu tum-tum e cantou: “Agora, já, já, venha cá!”. A máquina vibrou, tremeu e... nada. Mas Lucas nem ligou. Ele estava se divertindo cada vez mais!
De repente, lembrou do relógio cuco da vovó. Pegou o cuco, colocou em cima da máquina e apertou o botão mais uma vez. “Cucú!” – gritou o relógio. A máquina piscou luzinhas coloridas e soltou uma chuva de confetes. Lucas pulou de alegria! “Agora está funcionando!”.
Mas, ao olhar em volta, Lucas percebeu que, enquanto tentava trazer o depois para o agora, já tinha vivido um montão de agoras: riu, brincou, inventou e fez bagunça com Azul. “Acho que não preciso de máquina nenhuma”, pensou, sorrindo. “Brincar de inventar já faz o agora ser incrível!”.
Azul piou de novo, pousou no ombro de Lucas e os dois ficaram olhando as luzinhas piscando. Lucas piscou de volta. “Sabe, Azul, esperar pode ser divertido quando a gente inventa juntos”.
Com um último sorriso, Lucas desligou a máquina e guardou seu chapéu de pensar. Lá fora, o sol brilhava e o vento fazia cócegas nas folhas. Era hora de viver mais um agora, bem feliz e juntinho do seu amigo.
E assim, Lucas descobriu que o agora pode ser o melhor de todos, quando a gente usa a imaginação.