O senhor Artur acordou cedo, com um sorriso enorme no rosto. Ele olhou pela janela e viu o sol a brilhar, os passarinhos a cantar e o seu gato, Bolacha, a espreguiçar-se na poltrona. O senhor Artur coçou a cabeça e disse bem alto: “Hoje vou inventar uma máquina nova! Vai ser uma máquina de fazer cócegas nas nuvens!”
Pegou no seu caderno de invenções e desenhou uma máquina com rodas coloridas, braços de mola e um guarda-chuva especial para alcançar as nuvens. “A máquina vai subir, subir, e dar cócegas nas nuvens para elas rirem e choverem risos!”, explicou ele a Bolacha, que piscou os olhos devagarinho.
O senhor Artur começou a procurar peças pela casa. Puxou meias velhas da gaveta — “Isto serve de elástico!” —, uma colher de pau da cozinha — “Braço de mexer nuvens!” —, e um chupa-chupa do pote — “Botão mágico para ligar tudo!”. Fez barulho, espalhou parafusos e resmungou: “Onde é que está o meu martelo saltitão?”
Bolacha miou, apontando com a patinha para debaixo da mesa. Lá estava o martelo, coberto de pó. O senhor Artur limpou, agradeceu e continuou a trabalhar. Prendeu tudo com fita colorida. Pôs molas de roupa nos cantos. E por fim, desenhou olhos sorridentes na máquina.
Quando tudo ficou pronto, o senhor Artur empurrou a máquina até ao jardim. “Vamos testar!”, disse alegremente. Carregou no botão de chupa-chupa. A máquina começou a pular, pular, pular — “Uiiii!” — até quase tocar nas nuvens.
De repente, as molas saltaram com tanta força que uma meia voou pelo jardim. O guarda-chuva abriu-se de repente, tapando o senhor Artur. “Oh-oh! Não era bem isto…” disse o senhor Artur, rindo-se muito. Bolacha deu uma risadinha de gato: “Miau-miau!”
A máquina girou os braços de colher de pau e fez cócegas no chão. O chão começou a rir baixinho: “Hi hi hi!” Apareceram formigas a dançar, minhocas a rodopiar e até um caracol deu uma cambalhota, todo contente.
O senhor Artur tentou de novo. “Agora vou conseguir!” Ele arrumou as molas, ajeitou a meia perdida e colocou o chupa-chupa de volta. Carregou outra vez no botão mágico. A máquina abanou, fez cócegas nas flores. As flores começaram a rir: “Ha ha ha!” Saiu um pólen saltitão, que fez espirrar uma borboleta. “Atchim!” E a borboleta ficou toda contente, a voar em círculos.
O senhor Artur sentou-se na relva com Bolacha. “Acho que a máquina decidiu fazer cócegas onde quiser!” O senhor Artur ficou a ver as flores e os bichinhos a rir, e Bolacha ronronou, encostando-se ao seu dono.
O senhor Artur sorriu. “Hoje não dei cócegas nas nuvens, mas fiz toda a gente cá em baixo sorrir. E isso também é uma grande invenção!” Bolacha concordou com um “miau” comprido e aconchegante.
O sol continuou a brilhar, e o jardim ficou cheio de risos e alegria. O senhor Artur prometeu a si mesmo: “Amanhã invento outra coisa divertida!” E, com Bolacha no colo, adormeceu tranquilo, embalado pelos risos suaves das flores e dos bichinhos felizes.