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História de pequenos investigadores 9 a 10 anos Leitura 8 min.

A lanterna e o nó duplo

Uma lanterna curiosa investiga o desaparecimento do cartaz da festa na muralha, seguindo pistas como uma bolinha de lã azul e um nó duplo para desvendar o mistério.

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O personagem principal é uma pequena lanterna antropomórfica de metal envelhecido, olhos brilhantes e sorriso discreto, luz quente emanando dela enquanto segura um cartaz remendado; no centro, sobre a muralha. Lili, uma menina de 7 anos de cabelo castanho em rabo-de-cavalo com um grande laço azul, está alegre, ajoelhada à direita colando mini-laços coloridos na borda do cartaz. Ana, a costureira adulta, com avental manchado de linha e óculos redondos, rosto doce e atencioso, segura uma bobina de linha e mostra a Lili como fazer um nó duplo, ficando ligeiramente recuada à esquerda. Ao redor, crianças e vizinhos sorridentes aplaudem, alguns subidos em degraus baixos. O local é uma velha muralha de pedra cinza-bege com musgo verde nas juntas, bancos de madeira, um quadro de cortiça com alfinetes dourados e bandeirolas festivas; o céu é um pôr do sol alaranjado-rosado. Cena principal: reparo coletivo de um cartaz rasgado — a lanterna segura o papel, Lili cola os laços e Ana demonstra o nó, atmosfera calorosa, texturas de papel amassado, fitas acetinadas, linhas e nós, composição centrada em plano três-quartos para mostrar expressões e gestos. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1 — O aviso sumido

A lanterna caminhava com passos miúdos por entre livros empilhados. Tinha olhos que piscavam quando descobria algo novo e uma voz baixa que sussurrava pistas. Na cidade pequena, a lanterna era conhecida por resolver pequenos mistérios: um botão desaparecido, uma sombra que não se encaixava, um cheiro diferente na geladeira.

Numa manhã clara, enquanto passava pela praça, a lanterna viu um rumor de confusão junto ao quadro de avisos. Cartazes coloridos tremulavam com o vento. Pessoas cochichavam. Alguém havia escrito “procura-se” em letras grandes e depois tirado o cartaz mais importante: o aviso da festa de laço da muralha.

A lanterna aproximou-se, iluminou o quadro e ficou a observar os alfinetes vazios. "Quem tirou o cartaz?" pensou. Seus olhos brilharam de curiosidade. Pediu aos moradores que descrevessem o que viram. Cada relato trouxe um pedaço do quebra-cabeça: a sombra na rua, um fio de lã preso num galho, passos leves subindo a muralha antes do amanhecer.

Ela decidiu investigar. Antes de subir, olhou para o leitor e perguntou, sem palavras: "Você quer ajudar a descobrir onde o cartaz foi parar?" A lanterna mostrou os sinais: alfinetes soltos, lã no caminho, marcas de sapato na poeira. Era hora de juntar pistas.

Capítulo 2 — Pegadas na muralha

A muralha que rodeava a praça era alta e antiga, com degraus gastados e musgo verde entre as pedras. Subir até o topo exigia cuidado, mas a lanterna sabia caminhar devagar, segurando a luz para não assustar ninguém. No caminho, encontrou mais fios de lã, pequenos nós já desfeitos, e uma bolinha de lã azul enroscada num cano.

No topo, o vento contava histórias. Havia marcas de passos novos junto às ameias. A lanterna seguiu as pegadas que levavam até um cantinho onde as crianças costumavam amarrar fitas para os desejos. Lá, pendurado, estava um pedaço do cartaz: um canto rasgado, com letras que restavam formando "...laço..." e um desenho de mãos unidas.

A lanterna pensou: alguém tentou levar o cartaz pela muralha, talvez para colar em outro lugar. Mas por que? E quem deixaria sinais tão triviais como uma bolinha de lã azul? A lanterna checou suas próprias luzes — brilhavam mais forte quando pensava. Pediu ao leitor: "Qual pista parece mais importante — o fio de lã ou a bolinha azul?" A resposta ajudaria a decidir o próximo passo.

A lanterna seguiu a bolinha azul. A lã formava um rastro que descia pela lateral da muralha, como se tivesse sido arrastada até o chão. No final do rastro, perto de um banco, havia um nó pequeno, feito com pressa. Dentro do nó, um fio mais fino se destacava, com uma cor que a lanterna conhecia bem: a mesma cor das fitas que Ana, a costureira, usava.

Capítulo 3 — O ateliê da costureira

Ana recebeu a lanterna com um sorriso e um avental cheio de alfinetes. Seu ateliê cheirava a tecidos e biscoitos. Nos murinhos da janela, pendiam fitas e recortes. A lanterna mostrou o pedaço do cartaz e a bolinha azul. Ana ficou pensativa.

"Eu costuro fitas para a festa da muralha," disse ela. "Mas não tirei o cartaz." A lanterna notou que Ana não usava lã azul; suas fitas eram mais brilhantes. Porém, sobre a mesa havia um novelo de lã azul escondido dentro de uma caixa com restos de papel. Ana explicou: sua neta, Lili, tinha vindo brincar ontem e gostava de enfeitar coisas com lã.

A lanterna caminhou pelo ateliê com cuidado e encontrou um bilhete enrolado entre linhas: "Levo o cartaz para o galpão. Volto já!" O bilhete não estava assinado. A lanterna pensou que talvez Lili tivesse levado o cartaz sem avisar. Pediu ao leitor que imaginasse: "Se fosse uma criança que adorava laços, o que faria com o cartaz?" A resposta parecia clara — pregaria o cartaz num lugar especial.

Antes de sair, a lanterna viu algo brilhante no canto: uma fita com um laço bem feito, presa por um nó forte. O nó era peculiar, com uma volta dupla. A lanterna recordou o nó que encontrou perto do banco. Eles combinavam. Sem perder tempo, seguiu a trilha de laços até o galpão velho, onde os sons pareciam cantigas de carretéis.

Capítulo 4 — Laços e nós

O galpão era um refúgio de brinquedos, ferramentas abandonadas e um grande pano estendido como bandeira. Lá dentro, uma pequena figura pulava com excitação. Era Lili, cabelos presos por uma fita azul, rodeada por cartazes, incluindo o da festa. Ela colava mini-laços nas bordas, criando uma moldura que fazia o cartaz parecer um tesouro.

Lili explicou, entre pulos, que queria tornar o cartaz ainda mais bonito antes de mostrar à cidade. Tinha esquecido de avisar. A lanterna escutou e sentiu algo quente no peito: entendimento. Mas havia outro detalhe — o cartaz fora rasgado naquela esquina da muralha. Por quê?

A lanterna percebeu que alguém, ao tentar prender o cartaz com pressa, puxara demais e rasgara o papel. Lili tentou consertar com fita e nós. Ao reparar no novelo de lã azul e no nó duplo, a lanterna sorriu. Pediu ao leitor para observar: "O nó duplo é só um detalhe ou a chave para entender quem ajudou Lili?" A resposta veio fácil — alguém tinha ensinado Lili a fazer aquele nó.

Foi então que Ana entrou no galpão. Viu os laços, sorriu e contou como costumava ensinar nós duplos às crianças da rua. As peças se encaixaram. O cartaz não fora roubado; fora levado para enfeitar, rasgado sem querer e depois coberto de laços. Todos no galpão riram com alívio.

Para fechar o mistério, a lanterna sugeriu que todos trabalhassem juntos: consertar o cartaz, prender o anúncio de novo no quadro de avisos da muralha e fazer uma demonstração de laços para quem passasse. Era uma boa oportunidade para ensinar o nó duplo a quem não sabia.

No final, na luz dourada do entardecer, moradores e crianças subiram à muralha. A lanterna segurou firme o cartaz restaurado enquanto Lili e Ana faziam laços com cuidado. Para assinar o final da aventura, todos fizeram um grande nó duplo com um cordão colorido — um nó firme, bonito, que mostrava cooperação. A lanterna sentiu seus olhos brilharem mais do que nunca.

O nó foi apertado por mãos diferentes: pequenas e grandes, rápidas e cuidadosas. Quando o último laço foi dado, todos bateram palmas. O cartaz ficou perfeito, pregado no mesmo lugar de antes, com laços que contavam a história do que aconteceu. A lanterna olhou para o leitor e piscou: graças à ajuda e às observações, o mistério estava resolvido e a festa poderia acontecer.

E assim, com um nó bem feito, a praça ganhou não só um cartaz, mas um novo costume: compartilhar, ensinar e juntar as mãos para consertar o que se desfaz.

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Lanterna
Objeto que faz luz; aqui é um personagem que ilumina e investiga lugares.
Quadro de avisos
Painel onde as pessoas colocam notícias, cartazes e recados para a comunidade.
Alfinetes
Pequenos pinos usados para prender papel ou tecido num quadro ou tecido.
Muralha
Grande parede que cerca um lugar, usada para proteger ou separar.
Ameias
Partes recortadas no topo de uma muralha, onde se pode apoiar e olhar.
Novelo
Bola enrolada de linha ou lã usada para costurar ou fazer tricot.
Ateliê
Espaço de trabalho de quem faz arte, costura ou trabalhos manuais.
Galpão
Construção grande e simples, usada para guardar coisas ou trabalhar.
Refúgio
Lugar seguro onde se pode ficar protegido ou descansar.
Moldura
Armação que fica ao redor de um cartaz ou quadro para enfeitar.
Trilha
Caminho marcado por passos, pistas ou um rastro a seguir.
Rasgado
Quando um papel ou tecido foi partido ou abriu em pedaços.
Musgo
Plantinha verde e macia que cresce sobre pedras e solo úmido.

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