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História sobre a Páscoa 7 a 8 anos Leitura 11 min.

A cestinha que suspirava cores

Cecília, uma delicada cestinha de vime, deseja proporcionar aos irmãos Martim e Bia uma divertida caça aos ovos de Páscoa, usando indícios sutis para guiá-los em suas descobertas coloridas e cheias de alegria. Ao longo do domingo, a família compartilha risos, segredos e deliciosas surpresas que fazem a Páscoa se tornar um dia especial.

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Uma pequena cestinha de vime chamada Cecília, com alças delicadas como braços, irradia alegria e cores pastel. Está sobre uma mesa de madeira em uma cozinha iluminada, cercada por ovos de Páscoa pintados à mão. Martim, um menino de oito anos com cabelo despenteado e um sorriso travesso, está à esquerda da mesa, segurando um ovo verde brilhante. Bia, uma menina de sete anos com cachos dourados e olhos cintilantes, está à direita, rindo e apontando para um ovo azul escondido sob uma folha de manjericão. A cozinha é banhada pela luz da manhã, com raios de sol dançando através de uma janela aberta, iluminando potes de especiarias e flores da primavera. A cena captura o momento mágico da caça aos ovos, onde cada descoberta é um brilho de felicidade e cumplicidade entre as crianças e Cecília. reportar um problema com esta imagem

Primeira manhã de cores

Cecília acordou com o sol apoiado na janela como se fosse um beijinho. Era domingo de Páscoa, e a casa cheirava a pão quente e flores de alecrim. Cecília era uma cestinha de vime pequena e delicada, com duas alças que pareciam braços prontos para abraçar. Ela morava na cozinha, perto da porta, onde podia ouvir o riso dos irmãos Martim e Bia correndo pelo corredor.

Na noite anterior, a mamãe havia colocado dentro de Cecília ovos pintados à mão, bem macios, de chocolate, e também alguns ovos de madeira coloridos com mensagens. Cecília, que gostava de ouvir histórias e de guardar segredos, suspirou. Seus suspiros faziam o ar ficar levemente perfumado de canela, como se ela soprasse cores no ar. "Hoje eu vou ajudar", pensou com brilho no fundo do vime.

Martim, de oito anos, acordou primeiro e apareceu na cozinha com o pijama ainda dobrado nos joelhos. Bia, de sete, veio logo atrás, com os cabelos soltinhos e um sorriso que parecia bolo de mel. Mamãe sorriu para os dois e disse: "Este ano teremos uma caça aos ovos diferente. Sigam as pistas e encontrem as surpresas." Martim e Bia bateram palmas. Cecília estremeceu de alegria. Ela desejava, mais do que tudo, tornar aquele dia leve e cheio de cores.

A primeira pista estava no avental da mamãe: um desenho de coelhinho segurando um guarda-chuva de pétalas. Martim leu em voz alta a mensagem escrita no papel que vinha colado ao coelho: "Onde o sol descansa as plantas, o primeiro segredo se esconde entre as folhas." Bia correu para o jardim, com Cecília rolando na mente como um plano. O jardim era um mosaico de verde, com tulipas amarelas e um pequenino pé de manjericão que perfumava tudo.

No canteiro, entre as folhas cheias de orvalho, Bia encontrou um ovo verde brilhante. Dentro dele havia um bilhete: "Pinte o caminho com risos e siga o cheiro doce da manhã." Martim riu ao ouvir isso e já sabia que a próxima pista teria algo a ver com a cozinha. Cecília, que estava na bancada como se esperasse por ordens, sentiu-se importante. Ela suspirou um pouco mais forte, e uma nuvem de pó de açúcar pareceu flutuar por cima dos azulejos.

Passos coloridos

Na cozinha, havia vários potes de ingredientes com rótulos escritos à mão. O bilhete verde guiava até o pote de canela, onde estava escondido um ovo azul. "A cor do céu, a cor das nuvens, procure onde o silêncio cochicha histórias." Bia pensou: "Onde se cochicha histórias? Na estante de livros da sala!" Eles correram, puxando o tapete com as mãos, quase tropeçando de felicidade. Cecília, que sentia as vibrações das risadas, brilhou como se tivesse sido envernizada.

Entre os livros da estante, havia um pequeno mapa desenhado em tinta colorida. O mapa mostrava a casa como se fosse uma ilha de doces, com setas que passavam pela varanda, pelo armário de guarda-chuva e terminavam no velho carvalho do quintal. Martim segurou o mapa firmemente. "Vamos seguir as setas!", disse ele. Bia riu e pulou sobre a última reta do tapete, como se fosse uma linha de chegada.

No percurso, encontraram pequenas pistas: uma mecha de fita colorida presa no corrimão, um caramelo colado na maçaneta e um mini-ovo de chocolate escondido numa planta. Cada vez que encontravam algo, o coração de Cecília batia mais rápido. Ela sabia que sozinho um ovo era bom, mas as descobertas eram melhores quando eram pontes para o próximo sorriso.

Quando alcançaram o carvalho, o sol fazia círculos de luz nas folhas. Havia um buraco raso no tronco, onde alguém havia colocado um ovo laranja. Ao abrir, Martim leu: "Somente quem escuta com o coração encontra cores que cantam." Bia fechou os olhos e ficou em silêncio por um instante, como se estivesse ouvindo uma canção que só as crianças entendem. No silêncio, ouviram o tilintar distante de uma colher no prato — era a avó, na cozinha, preparando um pudim. A canção da colher parecia dizer: "Procurai onde a alegria se mistura com o doce."

Cecília suspirou de novo. Sua vontade de ajudar crescia tanto que ela sentiu o vime esticar como um sorriso. Convidou as duas crianças com um olhar, e sem que ninguém percebesse, uma estrelinha de pó dourado pareceu cair de sua borda. Eles seguiram até a cozinha, onde encontraram a avó sorrindo e segurando um tabuleiro com bolinhos. Nabaixo do tabuleiro, um ovo roxo estava escondido, com um bilhete que dizia: "Compartilhe um pedacinho e deixe a próxima pista no lugar onde os segredos dormem." Martim e Bia dividiram um bolinho e deixaram migalhas como pistas até o sofá, onde um esconderijo de almofadas tinha mais um ovo.

Segredos que brilham

O sofá era uma montanha macia de abraços. Entre as almofadas, um ovo amarelo sorria. Dentro dele havia um pequeno trapo com palavras bordadas: "Levem-me para o lugar onde as sombras desenham histórias à noite." Bia entendeu na hora — era o quarto, com a luminária que projetava estrelas no teto. Arrastaram a cestinha (ou melhor, imaginaram que a cestinha os seguia), e colocaram os ovos que já tinham encontrado dentro de Cecília. Ela se sentiu aquecida pelo contato com os ovos pintados e pelos dedinhos curiosos das crianças.

No quarto, o travesseiro guardava um presente especial: um ovo de madeira com um espelho colado nele. Refletia os rostos alegres de Martim e Bia em mil pedacinhos. No verso do espelho estava escrito: "A última pista precisa de um sopro: deixem que as cores ganhem asas." Bia então entendeu que o sopro de Cecília, aquele que fazia o ar cheirar a canela, poderia ser a pista final. "Cecília suspira cores", sussurrou Martim, como se revelasse um segredo. Bia aproximou a cestinha dos lábios e imaginou que a cesta pudesse falar.

Cecília, mesmo que não tivesse boca, quis com todas as suas fibras ser parte daquele sopro. Ela deu um suspiro tão leve que a luz da janela pareceu pintar faixinhas no chão. As faixinhas formaram um caminho suave de cor dourada que ia até a varanda. As crianças seguiram as faixas de luz, pegando as mãos uma da outra, e carregando a cestinha com ovos cada vez mais alegres. A sensação era de que até a casa respirava com eles, feliz.

O grande encontro

Na varanda, havia uma mesa pequena com uma toalha florida. Em cima, um guardanapo cheio de desenhos de coelhos. Debaixo do guardanapo, a última surpresa. Martim e Bia juntaram os ovos dentro de Cecília e levantaram o guardanapo como se levantassem um tesouro. Lá dentro, encontraram um ovo-branco, maior e mais suave que os outros. Quando o abriram, em vez de chocolate, havia um bilhete: "A Páscoa é feita de juntos. Abracem-se, contem um segredo e deem cor ao dia."

Os dois se olharam e, de repente, começaram a rir. Martim disse: "Eu gostei quando a Cecília suspirou e fez a luz." Bia contou que tinha ouvido o tilintar da colher e achou que era uma canção de fada. Eles se abraçaram, e Cecília, colocada no chão entre eles, sentiu o calor dos dois rostos. Mamãe e avó apareceram na varanda com uma travessa de ovos decorados e uma jarra de suco. A família inteira se juntou e compartilhou o lanche, os risos e as pequenas histórias que cada ovo havia guardado.

Durante a tarde, pintaram novos ovos com tintas e guardaram mensagens carinhosas dentro de alguns. Um para a amiga do bairro, outro para o vizinho que sempre regava as plantas quando saíam. A cesta, que antes só suspirava cores, agora sabia que as cores se tornavam mais fortes quando eram compartilhadas. As crianças colocaram um ovo especial dentro de Cecília com a palavra "obrigado" escrita em laços vermelhos.

Um suspiro que ficou

O dia se alongou como uma fita colorida. As sombras ficaram compridas, e as lâmpadas da casa acenderam como pequenas estrelas. Antes de dormir, Martim e Bia colocaram a cestinha no peitoril da janela para que ela pudesse olhar o luar. "Obrigada, Cecília", murmurou Bia, ainda com pó de tinta nas mãos. Martim assobiou baixinho uma música que tinham ouvido mais cedo. Cecília sentiu o ar da noite tocar seu vime. Ela suspirou, mas desta vez não foi só um suspiro — foi um suspiro cheio de memórias: passos pequenos, risadinhas, pedaços de bolo, o barulho da colher e o calor do abraço.

Na manhã seguinte, Cecília percebeu que algo havia mudado. As cores que antes só apareciam quando ela suspirava agora brilhavam um pouco mais dentro de seus vãos. Cada fio de vime lembrava-se de uma risada. Ela entendeu que seu trabalho não era apenas guardar ovos, mas guardar momentos. E esses momentos faziam a Páscoa ser um dia onde as cores dançavam mesmo depois do último pedaço de chocolate.

Martim e Bia cresceram um pouquinho mais com aquele dia. Levaram para a escola um ovo pintado da avó como se fosse um talismã de alegria. Contaram a história da cestinha que suspirava cores para os amigos, que acharam tudo mágico e pediram para que o próximo domingo tivesse mais pistas e mais cantos coloridos.

Cecília permaneceu na janela, tranquila, lembrando-se de cada passo, cada suspiro, cada olhar. Sempre que um novo domingo chegava, ela se enchia de vontade de ouvir novos segredos e de emprestar suas cores. Mas guardou, sobretudo, aquela certeza: que a Páscoa era um momento de juntar, partilhar e transformar simplicidade em festa. E quando a família se reunia, mesmo as coisas mais pequenas — um bilhete escondido, uma migalha amiga, um sopro de canela — eram suficientes para fazer as cores suspirarem outra vez.

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Cestinha
Pequena cesta feita para guardar coisas, que se pode carregar nas mãos.
Vime
Material feito de ramos finos e flexíveis, usado para fazer cestas.
Alecrim
Planta com cheiro forte, usada na cozinha para temperar comidas.
Avental
Peça de tecido que se usa na frente do corpo para proteger a roupa.
Manjericão
Planta com folhas verdes e cheiro forte, usada em molhos e comidas.
Orvalho
Gotas de água que aparecem nas plantas de manhã, quando está frio.
Azulejos
Peças de cerâmica que se colocam na parede ou no chão para proteger.
Canteiro
Lugar no jardim onde se plantam flores ou ervas.
Pó de açúcar
Açúcar muito fino e em pó, usado para polvilhar doces.
Tabuleiro
Prato grande e plano para levar comidas ou bolos.
Migalhas
Pedaços muito pequenos de pão ou bolo que caem ao comer.
Luminária
Objeto que segura uma lâmpada e ilumina um quarto.
Buraco raso
Fenda ou cavidade pouco profunda em algo, não muito fundo.
Tronco
Parte grossa e forte da árvore que sustenta os galhos.

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