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História sobre a Páscoa 7 a 8 anos Leitura 15 min.

A nuvem-ovo e o segredo da partilha

João e seus amigos participam de uma caçada de Páscoa onde nuvens em forma de ovos trazem surpresas que os ensinam sobre partilha e amizade.

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Menino de 8 anos, rosto redondo com sardas, cabelo castanho desgrenhado, olhar maravilhado, segura o coelhinho de pelúcia remendado Pompom enquanto observa uma nuvem-ovo dourada oval, com riscas pintadas, que desce lentamente deixando pétalas de luz como confetes; à esquerda, a mãe na casa, quarenta anos, cabelo castanho preso em coque, sorri e segura um tabuleiro de biscoitos; à direita, Lara, cerca de 7 anos, com tranças e meias listradas, ri e aponta para o céu; ao fundo, Tiago, cerca de 9 anos, de boné de super-herói, salta junto a um banco; próxima ao grupo, Sofia, cerca de 8 anos, cabelo preto curto, segura um cesto colorido; jardim pequeno com relva, um grande carvalho de raízes visíveis, guirlandas de papel entre a casa e a cerca, cestos de ovos decorativos nos bancos, tulipas e margaridas e uma mesa com limonada; atmosfera luminosa em cores pastéis saturadas, traços arredondados, composição centrada no menino e na nuvem-ovo prestes a tocar a relva. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

João estava deitado na grama macia do quintal, com as mãos atrás da cabeça e os olhos fixos no céu. Era manhã de Páscoa e o vento soprava leve, fazendo as folhas sussurrarem segredos. As nuvens, brancas como algodão, pareciam pintadas à mão. João sorriu porque, naquele dia, ele via ovos no céu. Ovos grandes, pequenos, pontilhados e listrados, todos flutuando como se o céu fosse uma cesta gigante.

“Olha, mamãe! Aquele é azul com bolinhas!” ele gritou, apontando com o pé para cima.

A mãe apareceu na porta da cozinha, ainda com um avental florido. Ela sorriu de volta, com chocolate no canto dos lábios — uma prova de que já havia provado um ovo antes do almoço. “São nuvens de Páscoa, João. Dizem que cada nuvem-ovo traz uma surpresa quando a gente acredita.”

João fechou os olhos por um segundo só para imaginar qual seria a surpresa. Ele gostava de imaginar. Ia ter sete anos na próxima semana, e as coisas eram sempre mais divertidas quando se podia imaginar algo mágico. Seu coelho de pelúcia, Pompom, ficava ali ao lado, com o olho remendado e o nariz desbotado. Pompom parecia escutar também.

“A gente pode colher nuvens?” perguntou João, num tom de brincadeira.

“Não com as mãos, meu querido,” respondeu a mãe. “Mas com o coração. É assim que as surpresas chegam.”

João riu, levantou-se e foi até a cerca para olhar o bairro. As casas estavam todas enfeitadas com fitas coloridas e ovos de papel pendurados. As vozes das crianças ecoavam. Em cada jardim havia uma pista de caça aos ovos, e isso deixava o dia brilhante como confete.

Capítulo 2

Na rua, o Clube dos Caçadores de Ovos já estava reunido. Eram amigos da escola: Lara, que sempre usava meias listradas; Tiago, com um boné de super-herói; e Sofia, que trouxe um cesto feito de papel colorido. João correu até eles, sentindo o coração bater como um tambor de festa.

“Prontos?” perguntou Lara, segurando um mapa desenhado à mão, cheio de corações e setas.

“Prontos!” gritaram em coro.

O mapa era misterioso, com pistas que levavam de uma árvore a um banco, de um canteiro de flores a uma pequena ponte. Cada pista tinha uma rima engraçada. A primeira dizia: “Procure onde o arco-íris descansa, lá a pista dança.” Eles riram e correram até o canteiro com flores que formavam um arco colorido. João pegou a pista com cuidado, como se fosse um tesouro.

“Vamos devagar e prestar atenção nas nuvens também,” disse João. “Acho que elas sabem de coisas que a gente não sabe.”

“Você andou lendo livros de magia?” perguntou Tiago, arregalando os olhos. João encolheu os ombros e sorriu. Talvez ele tivesse lido um pouquinho, ali, escondido debaixo da cama, só uns contos que a avó guardava numa caixa.

A caçada seguia cheia de risadas. Em cada ponto, além dos ovos de chocolate, havia bilhetinhos com pequenos desafios: cantar uma canção de coelho, contar uma piada que fizesse a maioria rir, ou fazer uma pose engraçada. João fez uma pose parecida com um pato e todo mundo riu tanto que Lara quase deixou o ovo cair.

Quando o sol ficou mais quente, eles se sentaram à sombra de um carvalho para dividir o lanche. A mãe de João trouxe biscoitos em forma de cenoura e limonada com hortelã. Enquanto mastigavam, João olhava para cima e viu uma nuvem oval que parecia exatamente com um ovo de páscoa pintado com listras douradas.

“Essa é especial,” sussurrou ele, apontando.

Sofia examinou com os olhos semicerrados. “Será que se a gente pedir por favor ela desce?” ela sugeriu, com aquele jeito de quem sempre acredita que o mundo pode ficar mais curioso.

João fechou os olhos e sussurrou um pedido pequeno e doce: “Seja lá o que for, venha nos ver. Traga uma surpresa para a nossa caçada.” Quando abriu os olhos, a nuvem parecia piscar, como se tivesse ouvido. Os amigos não notaram, estavam ocupados contando quantos ovos tinham.

“Vamos terminar a caçada antes do almoço!” proclamou Tiago, que sempre gostava de ser o líder corajoso.

Eles foram até o último ponto, um velho galho de árvore onde, segundo a rima final, “um tesouro de Páscoa se esconde sob o abraço da sombra”. João procurou e encontrou um ovo maior que os outros, envolto em papel brilhante e colorido. Quando o abriu, encontrou um bilhete: “Abra o coração e escolha partilhar.

João sorriu. Era um bilhete diferente dos que traziam chocolates. Era um bilhete que parecia feito de nuvem: leve e importante.

Capítulo 3

Depois da caçada, a festa continuou no quintal de João. Havia música, flores, pratos cheios e risadas que pareciam fitas dançando no ar. Adultos conversavam e as crianças brincavam, acostumadas a transformar pequenas coisas em grandes aventuras.

João sentou-se em um banco com Pompom no colo. Ele pensava no bilhete que tinha encontrado. “Partilhar” era uma palavra que sabia, mas agora sentia que tinha um sabor diferente, como quando se divide um pedaço de bolo e o gosto fica mais doce.

De repente, a nuvem-ovo do céu começou a descer com muita calma, como se tivesse escorregado por uma escada de vento. Todos olharam. A nuvem era a mesma de antes, listrada de dourado. Não chovia, mas pequeninas pétalas de luz pareciam cair dela, como confetes de brilho.

“Mamãe, olha!” João apontou, e a multidão virou o rosto. Alguns adultos sorriram, outros arregalaram os olhos com surpresa. Ninguém parecia assustado; todos estavam prontos para receber algo bonito.

A nuvem pousou no centro do gramado e, para espanto de todos, começou a se transformar. De dentro dela, surgiram pequenas coisas — não apenas chocolates, mas também cartas pintadas à mão, desenhos, pequenos brinquedos e, num cantinho macio, um ovo de madeira com um coração pintado.

Uma voz suave, como o som de folhas se encontrando, falou sem sair da boca de ninguém: “Páscoa é para compartilhar, e para lembrar que surpresas nascem quando a gente acredita.”

João sentiu calor no peito. Ele pegou o ovo de madeira e olhou para seus amigos. “Temos que dividir o que é mais precioso,” disse ele. “O que é precioso para mim é... o sorriso da gente quando faz algo junto.”

Lara pulou de alegria. “Então vamos criar surpresas para todo mundo!” sugeriu. Eles se uniram e, com a ajuda dos adultos, começaram a montar pequenas surpresas: bilhetes de amizade, desenhos com dedinhos coloridos, e mini-ovos de chocolate amarrados com fitas.

O processo inteiro foi uma festa de mãos dadas. Pessoas que mal se conheciam passaram a conversar enquanto pintavam. O avô de João contou uma piada sobre um coelho atrapalhado e todos riram tanto que a risada virou música. João viu que, ao criar para os outros, recebia de volta algo que não se comprava: alegria multiplicada.

Quando terminaram, colocaram as surpresas em cestinhas e saíram pelo bairro, tocando campainhas e distribuindo. Cada porta aberta trouxe um sorriso, um abraço, ou um obrigado sussurrado. Era como se a nuvem-ovo tivesse espalhado um perfume de bondade que deixou tudo mais leve.

Capítulo 4

No fim da tarde, voltaram ao quintal. As sombras eram compridas e o céu tingido de laranja. A nuvem-ovo já não estava mais, mas seu brilho parecia ficar nas mãos de quem havia dado ou recebido. João sentou-se num degrau, com Pompom no colo, e observou os amigos. Eles estavam cansados, mas felizes — as bochechas rosadas e os olhinhos alegres diziam isso mais do que palavras.

“Sabe, João,” disse a mãe, sentando-se ao lado dele, “a Páscoa é isso: também é olhar para as nuvens e ver possibilidades.”

João encostou a cabeça no ombro dela. “E dividir,” completou. “Mesmo se for só um pedacinho de chocolate.”

“Principalmente se for o último pedacinho,” respondeu a mãe com um sorriso brincalhão. João lembrou-se de quando um dia tinha dividido o último biscoito com Pompom — era uma história só deles, muito bem guardada.

Os amigos começaram a trocar histórias sobre as surpresas que tinham dado. Tiago contou que um senhor idoso ficou tão feliz ao receber um desenho que apertou a mão dele como se fosse um tesouro. Lara disse que a melhor parte foi ver um bebê bater palmas pela primeira vez por causa de um chocalho de papel. Sofia guardou o ovo de madeira que ela ganhou e disse que ia plantar uma sementinha dentro.

João acariciou Pompom e pensou nas nuvens-ovo. Ele decidiu que, no próximo ano, queria fazer algo especial: talvez pintar nuvens em papéis e pendurá-las nas árvores para que outras crianças também vissem ovos no céu. A ideia fez seu peito estufar de alegria como um balão.

A noite caiu devagar. As luzes foram acesas e as velas nos potes de vidro lançaram pontos de luz como pequenas estrelas em casa. Todos se reuniram em círculo no gramado, segurando as cestinhas que sobraram. Alguém puxou uma cantiga alegre, e outros se juntaram batendo palmas. Era uma canção simples sobre coelhos, nuvens e partilha.

No meio da música, João olhou para cima uma última vez. As nuvens eram agora finas como papel. Ele pensou em todas as pequenas surpresas do dia: risadas, bilhetes, ovos, e a nuvem que desceu. Sentiu-se cheio de uma paz quentinha, como chocolate derretido.

“Vamos sorrir juntos para fechar o dia?” perguntou a mãe, com uma voz macia.

“Sim!” responderam todos.

Eles sorriram. Não foi um sorriso tímido; foi um sorriso largo, com dentes à mostra e olhos que brilhavam. João sorriu para os amigos, para a mãe, para Pompom, e para o céu. Um sorriso que continha as gargalhadas da manhã, as corridas pela rua, as piadas do avô e o abraço que recebeu de um desconhecido feliz.

Quando o círculo se desfez, cada um voltou para casa com o coração leve. João segurou a mão da mãe e andou até o portão. Ainda olhando para o céu, sentiu alguém tocar seu ombro. Era sua avó, com um prato de bolinhos de Páscoa.

“Para o meu neto corajoso que olhou para as nuvens e trouxe alegria para a rua,” disse ela, piscando.

João recebeu o bolinho e deu um pedaço a Pompom, como num ritual secreto. Depois, deu um beijo na bochecha da avó e olhou para o céu mais uma vez. Uma nuvem minúscula, quase imperceptível, passava com formas arredondadas, como se sorrisse também.

Ele apertou a mão da mãe. “Obrigada por hoje,” disse, sincero.

“Obrigada por dividir,” respondeu ela. E no brilho suave do fim do dia, os dois trocaram um sorriso que dizia tudo: amor, alegria e a certeza de que surpresas acontecem quando a gente acredita.

João entrou em casa com o coração leve. No seu quarto, colocou Pompom na cabeceira, abriu a janela só para olhar as últimas nuvens e pegou o ovo de madeira que havia guardado como lembrança. Ele desenhou uma pequena nuvem com lápis de cor e escreveu ao lado: “Para acreditar, é preciso sorrir.”

Antes de apagar a luz, João pensou em todas as risadas da tarde. Ele imaginou nuvens de chocolate flutuando por aí, espalhando bilhetes de amizade. Fechou os olhos e, num pensamento que era quase um suspiro, desejou que no próximo ano a nuvem-ovo voltasse — e que trouxesse mais surpresas e mais sorrisos para dividir.

No silêncio do quarto, com a lua espiando pela janela, João sentiu uma paz doce. Ele dormiu pensando nas nuvens em forma de ovos e nas pessoas que conhecera. A última imagem antes de adormecer foi a de um céu cheio de pequenos ovos brilhantes, cada um guardando uma história. E no sonho, todas as histórias se encontraram numa festa de Páscoa eterna, onde cada sorriso era um convite para partilhar.

Na manhã seguinte, quando a mãe entrou para acordá-lo, João abriu os olhos e mostrou-lhe o desenho que fizera. A mãe sorriu e contou que, enquanto ele dormia, tinha encontrado algo mais: no centro do ovo de madeira havia uma pequenina frase escrita em tinta dourada. João leu em voz baixa: “O melhor chocolate é o da amizade.”

Eles sorriram juntos, e esse sorriso se espalhou pela casa como luz. João segurou a mão da mãe por um instante e, sem dizer mais nada, sabia que aquele era um sorriso que se partilhava. Então, andando devagar como quem guarda um segredo alegre, ele desceu para o café da manhã, pronto para mais uma Páscoa cheia de cor, risos e, claro, nuvens que pareciam ovos.

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Páscoa
Festa em que muitas famílias comemoram com ovos e chocolates.
Sussurrarem
Falar baixinho, como se fosse um segredo entre poucas pessoas.
Avental
Peça de pano que se usa para proteger a roupa ao cozinhar.
Remendado
Consertado com um pedaço de tecido ou costura para não ficar rasgado.
Canteiro
Lugar do jardim onde se plantam flores ou legumes.
Rima
Palavras que soam parecidas no final, usadas em poesias e pistas.
Carvalho
Uma árvore grande e forte, com folhas e tronco grosso.
Bilhete
Papel pequeno com uma mensagem escrita.
Partilhar
Dividir algo com outras pessoas para que todos possam ter.
Pétalas
Cada uma das folhas coloridas que formam uma flor.
Multiplicada
Quando algo aumenta e vira mais do que era antes.
Chocalho
Objeto que faz som quando se mexe, usado para brincar bebês.
Confete
Pequenos pedaços coloridos que se jogam em festas.

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