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História sobre a Páscoa 7 a 8 anos Leitura 14 min.

A caçada das cores da Páscoa

Sofia e a avó fazem uma caça aos ovos mágica cheia de cores, pistas e surpresas, acompanhadas por vizinhos e um gatinho chamado Migalha.

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Menina de 8 anos, Sofia, rosto redondo, sardas leves, cabelo castanho-claro em rabo de cavalo com presilha amarela, sorriso maravilhado, segura uma pequena cesta de vime com ovos coloridos que emanam pontilhados luminosos; avó (~70 anos) de cabelo grisalho em coque, óculos redondos, vestido floral em tons pastéis, segura a mão de Sofia e sorri, ligeiramente atrás; gato laranja chamado Migalha enrolado na cesta, pelo fofinho, olhos semicerrados, rabo erguido como uma bandeirinha; ambiente interno de cozinha-sala de jantar que se abre para um jardim: mesa de madeira clara com toalhas estampadas, guirlandas de papel e pequenos ovos decorados nas prateleiras, luz suave do crepúsculo pela janela, pétalas espalhadas no chão; cena principal: "dança das cores" — crianças e adultos em círculo com movimentos leves e circulares, fitas coloridas flutuando, ovos na cesta cintilando como lanternas, notas musicais desenhadas, pequenas estrelas e rastros de luz ao redor dos passos para reforçar o movimento. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

A pequena Sofia acordou com o cheiro de canela e chocolate pela casa. Ela pulou da cama, ajeitou a faixa do cabelo e correu até a cozinha onde a avó mexia uma tigela grande com cupcakes e um pote de casquinhas coloridas ao lado.

"Bom dia, minha estrelinha," disse a avó sorrindo. "Hoje é dia de preparar as surpresas de Páscoa."

Sofia bateu as palmas. "Posso ajudar? Por favor?"

"Claro! Mas primeiro, senta e escuta uma história. Tem sempre uma história quando chega a Páscoa." A avó fez sinal para a cadeira e Sofia sentou-se, balançando as pernas.

"Conta sobre o Coelho?" perguntou Sofia, com os olhos brilhando.

"Vou contar sobre uma caçada de cores e um segredo que só aparece quando acreditamos." A avó arrumou o lenço na cabeça e começou a contar com voz macia. Sofia ouviu cada palavra como se fossem pedacinhos de sol.

A casa estava enfeitada com guirlandas de papel e ovos pintados. Lá fora, o jardim parecia um mapa de tintas: flores rosas, amarelas, azuis, e pequenas cestas penduradas nas árvores. Sofia pensou que tudo aquilo parecia quase mágico. "Será que é mágico de verdade?" sussurrou.

"Você vai ver," respondeu a avó com um piscar.

Capítulo 2

A avó contou que, na noite antes da Páscoa, o vento traz cores especiais. "Elas se escondem nas casquinhas dos ovos e nos sapatos das crianças", disse. "Mas só se você acreditar, é que as cores se soltam e fazem pequenas travessuras."

"Que tipo de travessuras?" Sofia perguntou, inclinando-se para frente.

"Aquelas que deixam todo mundo rindo. Como transformar migalhas num corredor brilhante ou fazer os pintinhos dançarem um pequeno fandango." A avó fez um reboliço com a mão e both riram.

Sofia imaginou pintinhos usando chapéus minúsculos e começou a rir sozinha. "Eu quero ver!" ela exclamou.

"Então você precisa fazer duas coisas: ouvir com o coração e procurar pistas de cor." A avó entregou a Sofia uma cestinha de vime e um pequeno papel com desenhos: um coelho, uma meia-lua, e uma estrelinha.

Sofia segurou a cestinha com firmeza. "E se eu não encontrar as pistas?"

"Então você inventa uma pista bonita. Páscoa gosta de imaginação." A avó piscou.

Os dois saíram para o jardim. O sol aquecia o rosto de Sofia, e o vento brincava com seu cabelo. Elas seguiram um trilho de pétalas que pareciam ter sido espalhadas por mãos pequeninas. Embaixo de um arbusto, Sofia encontrou o primeiro ovo: azul com pintinhas amarelas.

"Olha!" Sofia apontou, e o ovo tilintou, como se contasse segredos. Ela pegou-o na cesta e sentiu uma sensação quente, como quando se toma chocolate quente.

"A primeira pista é a cor do céu quando sorrimos," disse a avó. "Agora procure um som."

Sofia fechou os olhos. Ouviu o zumbido das abelhas, o canto de um passarinho e, bem longe, um riso de criança. Abriu os olhos e encontrou um pequeno sino preso a um galho. Quando tocou, saiu um som ligeiro, como se fosse uma risada metálica.

"Encontrei!" ela gritou. "A pista do som!"

"Perfeito," disse a avó. "Vamos ao próximo."

Capítulo 3

Sofia e a avó acharam ovos escondidos entre as flores, dentro de jardineiras e até debaixo de uma almofada de pedra. Cada ovo tinha uma cor diferente e um cheirinho diferente: laranja lembrava biscoitos, roxo lembrava uva, e um verde cheiro de folhas frescas. Cada vez que Sofia colocava um ovo na cesta, as cores pareciam brilhar um pouco mais.

Em frente à fonte do jardim havia um ovo grande, quase do tamanho do punho de Sofia. Era dourado, com pequenas estrelas prateadas. Quando Sofia encostou a ponta dos dedos, ouviu a avó dizer: "Este é o ovo das festas. Ele guarda histórias de danças e risadas."

Sofia sussurrou: "Você já ouviu uma história dentro de um ovo?"

"Já," respondeu a avó. "Mas cada um dá uma história diferente a quem escuta."

Sofia inclinou-se, pôs a orelha no ovo como se fosse uma concha, e ouviu um sussurro. Era uma voz pequenininha que contava: "Quando a lua dança com o sol, a Páscoa faz um laço nos sapatos das crianças." Sofia sorriu. "Isso quer dizer que vamos dançar hoje?"

"Sim," disse a avó. "Mas primeiro, temos que descobrir um segredo menor. Repara nas sombras."

Sofia olhou para o chão. As sombras das árvores formavam desenhos estranhos, como letras enroladas. "Olha, parece um mapa!" ela disse.

"Pequenos mapas. Eles mostram onde as histórias gostam de esconder seus feitiços." A avó caminhou devagar, como se seguisse passos invisíveis.

Eles chegaram ao portão do jardim onde uma velha bicicleta estava encostada. A cesta da bicicleta estava cheia de folhas e, escondidos entre elas, havia dois ovos minúsculos. Sofia pegou-os; eram rosa e lilás, e brilhavam como se tivessem mini-luzes dentro.

"São ovos de riso," explicou a avó. "Quem encontra estes vai rir com facilidade durante o dia."

Sofia colocou um ovo no bolso e o outro na cesta. Sentiu uma alegria dançar no peito. "Posso abrir um agora?" ela perguntou, com os olhos arregalados.

"Só depois de escutar a próxima parte da história," respondeu a avó. E então contou como, quando as crianças brincam e compartilham chocolate, a Páscoa sorri e os enfeites começam a piscar como estrelas pequenas.

Enquanto caminhavam de volta, um gatinho alaranjado apareceu debaixo da cerca e começou a miar pedindo carícias. Sofia o abraçou e o gato ronronou tão alto que até as flores pareceram se inclinar para ouvir.

"Que nome tem ele?" perguntou Sofia.

"Chamaremos de Migalha," disse a avó. "Porque ele gosta de provar tudo."

Migalha saltou para a cesta de Sofia e encaixou-se entre os ovos coloridos. Sofia riu: "Ele é um mágico também!"

"Todo amigo que se junta a uma caçada deixa a aventura mais brilhante," disse a avó.

Capítulo 4

Ao voltar para a cozinha, Sofia e a avó encontraram a casa cheia de vizinhos: crianças com chapéus engraçados, primos, e a tia que tinha trazido uma jaqueta cheia de fitas coloridas. Havia música suave no rádio, e as mesas cintilavam com cestas cheias de chocolates e biscoitos.

"Agora vamos trocar histórias," anunciou a avó. "Cada um conta uma lembrança de Páscoa e, ao final, fazemos a dança das cores."

Sofia sentou-se em um banquinho e segurou firme a cesta. Um a um, as pessoas contaram memórias: o primo Pedro falou de um coelho que se escondeu no armário de toalhas; a tia Clara lembrou de cores que apareceram nas roupas de toda a família; uma vizinha falou de uma corrida de ovos que terminou numa gargalhada gigante.

"É a vez da Sofia," disse a avó.

Sofia respirou fundo e contou como seguiu o trilho de pétalas, como encontrou o ovo dourado e ouviu a voz dentro dele. Falou também de Migalha, do sino e do som que parecia uma risada. As palavras saíram simples e coloridas, e quando terminou, todos bateram palmas.

"Que linda história!" exclamou a tia Clara. "E olha que magia — cada ovo parece ter se acendido."

Os ovos na cesta de Sofia começaram a piscar com pontinhos de luz. Não era assustador; parecia que tinham acendido pequenas lanternas. Sofia sentiu o coração quentinho. "Será que posso abrir um agora?" ela perguntou de novo.

"Claro," respondeu a avó, com aquelas mãos que sempre sabiam o momento certo. "Mas lembre-se de dividir."

Sofia quebrou a casquinha do ovo rosa. Dentro havia um pedacinho de chocolate em forma de coração. Ela deu um pedacinho a Migalha, outro à avó e outro ao primo Pedro. Cada mordida trouxe um risinho, um pulo e uma piada.

"Chocolate que faz rir é o melhor," disse o primo Pedro, fazendo uma careta engraçada que fez todas as crianças caírem na gargalhada.

Depois de provar alguns ovos, as crianças começaram a improvisar uma pequena peça. Vestiram fitas, usaram colherões como microfones e fingiram ser coelhos que dirigiam ônibus feitos de caixotes. Sofia interpretou uma coelha corajosa que perdia os óculos e inventava histórias para os passantes.

No meio do riso, a avó levantou-se e falou: "Hora da dança das cores!"

Todos formaram um círculo. A música ficou mais viva, e as luzinhas dos ovos na cesta de Sofia começaram a rodopiar como vaga-lumes. "Fechem os olhos e deixem as cores guiarem os passos," disse a avó.

Sofia fechou os olhos e sentiu o ritmo como se fosse água morna batendo nos pés. As crianças começaram a dar pequenos passos de lado, girando devagar. A avó segurou a mão de Sofia, e juntas fizeram um passo leve para a direita, depois um pulinho para a esquerda. O primo Pedro inventou um passo que parecia um salto de sapo e todos riram.

"Olha!" gritou a tia Clara — as fitas nas jaquetas começaram a cintilar.

Sofia sentiu suas pernas leves como plumas. Ela começou a inventar passos pequenos, cheios de alegria: um giro, um salto baixo, uma rodinha com as mãos para cima. O coração dela batia feliz. Migalha corria em círculos entre as pernas das crianças, como se também soubesse dançar.

Quando a música diminuiu, a avó sussurrou: "Para terminar, um passo só seu."

Sofia abriu os olhos. Todo o círculo olhava para ela com sorrisos ternos. "Um passo que conte uma história," disse a avó.

Sofia pensou por um segundo. Lembrou dos trilhos de pétalas, do ovo dourado, do sino e da risada metálica. E lembrou do cheiro de canela na cozinha. Inspirou profundamente, colocou os pés juntos e fez um passo grande para frente, girando como se abraçasse o sol. No fim do giro, ela bateu palmas uma vez e levantou os braços como se estivesse segurando um ovo brilhante.

Todos aplaudiram. O passo era simples, mas dizia tudo: alegria, coragem, partilha e um pouco de travessura.

Quando a música terminou, a avó pegou a mão de Sofia e disse: "Esse foi o nosso melhor final de Páscoa."

Sofia olhou ao redor, viu rostos felizes, migalhas de chocolate nos cantos da boca e Migalha cochilando na cesta. A casa cheirava a biscoitos e memórias novas. Ela sentiu que tinha guardado um segredo bom — aquele tipo de segredo que se pode contar e que fica mais bonito com cada repetição.

"Posso guardar um ovo para amanhã?" perguntou Sofia, já sonhando com as cores do dia seguinte.

"Pode," disse a avó. "Mas lembra: o melhor da Páscoa é dividir."

Sofia pensou nisso, pegou o ovo lilás e colocou-o com cuidado numa caixa pequena. Antes de fechá-la, ela beijou o ovo e sussurrou: "Até amanhã." A caixa ficou na prateleira ao lado de outros tesouros.

A tarde virou crepúsculo azul e as luzes do jardim acenderam como estrelas de papel. As famílias começaram a se despedir, levando cestas, risadas e as histórias que tinham sido contadas.

Sofia, deitada no sofá com Migalha cochilando no colo, sentiu as bochechas quentes de tanto sorrir. A avó sentou-se ao lado e, baixinho, contou a última parte da história: "Toda Páscoa termina com um passo de dança. Ele guarda a alegria até a próxima vez."

Sofia fechou os olhos, imaginou as cores dançando ao redor do teto e, antes de dormir, fez o mesmo passo que havia inventado no círculo: um passo grande, um giro, uma palma. Sussurrou para o travesseiro: "Até a próxima Páscoa." E com um último suspiro de felicidade, adormeceu, com um pedaço de chocolate na mão e um sorriso que parecia um raio de sol.

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Tigela
Recipiente redondo usado para misturar ou servir comida.
Casquinhas
Pequenas cascas que cobrem ovos ou coberturas crocantes de doces.
Guirlandas
Decoração em forma de círculo feita com papel ou flores.
Jardineiras
Vasos ou estruturas onde se plantam flores e plantas.
Trilho de pétalas
Caminho feito com pétalas de flores pelo chão.
Tilintou
Som leve e repetido, como o de um sino pequenino.
Sussurro
Fala muito baixa, quase sem som, só para quem está perto.
Almofada de pedra
Pedra achatada que parece uma almofada onde se sentar ou apoiar.
Vime
Material flexível feito de ramos usado para trançar cestas.
Prateleira
Tábua fixa na parede onde se guardam objetos.
Crepúsculo
Momento do dia entre o fim do sol e a chegada da noite.
Cintilar
Brilhar com pequenas luzes que piscam devagar.
Ronronou
Som suave que um gato faz quando está contente.
Migalhas
Pedaços muito pequenos de pão ou bolo que caem ao comer.

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