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História sobre a confiança em si mesmo 11 a 12 anos Leitura 10 min.

Um passo de cada vez: o salto do Leo

Leo enfrenta o medo do salto na aula de ginásio e, com o apoio dos amigos e do professor, aprende que a coragem pode começar por dar só um passo de cada vez.

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Quatro crianças: Léo, garoto ~11 anos, cabelo castanho curto, rosto concentrado, no centro em pleno salto sobre uma barra baixa, joelhos levantados, roupa esportiva azul-claro e tênis brancos; Rafa, garoto ~11 anos, cabelo preto ondulado, sorriso tranquilizador, à esquerda de Léo pronto para apoiar, camiseta verde; Tomás, garoto ~11 anos, cabelo loiro, expressão dramática/divertida, à direita e recuado com a mão na boca, bolsa de esporte vermelha ao lado; Gui, garoto ~11 anos, cabelo castanho, olhar calmo, atrás de Léo fazendo gesto de ritmo com os dedos, camiseta laranja. Local: interior de ginásio escolar com piso de madeira envernizado, grandes janelas altas com gotas de chuva e luz dourada úmida, grande colchão azul sob a barra, cones laranja e linha branca no chão. Situação: salto bem-sucedido mas imperfeito — Léo no ar tocando levemente a barra, pouso iminente; amigos encorajando, rostos empáticos; composição centrada com silhuetas nítidas em tinta e lavados suaves de aquarela (azuis, verdes, ocres), texturas de madeira e tecido e pequenas salpicaduras de tinta para mostrar movimento e emoção. reportar um problema com esta imagem

Capítulo 1

O Leo contava passos como quem conta estrelas.

Um, dois, três… até ao portão da escola.

Naquela tarde, o chão cheirava a chuva antiga e as árvores pingavam devagar, como se o tempo tivesse sono.

— Hoje é dia — disse o Rafa, encostando o ombro ao dele. — Dia de gym.

O Tomás levantou o saco desportivo, que parecia pesado só de olhar.

— Se eu sobreviver aos abdominais, contem a minha história.

O Gui riu, mas com um riso baixo, daqueles que aquecem.

— A história do Tomás e o Abdominal Assassino.

Leo sorriu. Por fora, leve. Por dentro, um nó.

Porque “dia de gym” queria dizer outra coisa: a aula no ginásio, a prova de salto, o olhar dos colegas, o barulho das sapatilhas a riscar o chão.

Ele tinha treinado em casa, no corredor estreito do apartamento.

Três passos, impulso, salto sobre uma linha imaginária.

Três passos, impulso, salto… e tropeço.

Três passos… e medo.

Na mochila, além do equipamento, levava um bilhete dobrado da mãe:

“Um passo de cada vez. O teu corpo aprende. A tua cabeça também.”

No caminho, os quatro iam lado a lado, como se a rua fosse uma pista só deles.

E o Leo, sem dizer, decidiu uma coisa pequena:

Hoje vou tentar. Nem que seja só um passo.

Capítulo 2

O ginásio da escola tinha um som próprio.

Eco de vozes, bolas a bater, apitos que cortavam o ar.

Cheirava a madeira encerada e a desodorizante demasiado entusiasmado.

O professor Nuno estava no meio, com o cronómetro ao pescoço e um sorriso calmo.

— Meninos, hoje vamos trabalhar saltos e coordenação. Não é competição. É treino.

“Não é competição.” O Leo agarrou essa frase como quem agarra uma corda.

No fundo do ginásio, havia um colchão azul e, ao lado, uma barra baixa para saltar por cima.

Baixa… mas no olho do Leo parecia mais alta.

O professor explicou:

— Três passos, impulso, joelhos ao peito, aterragem suave. E, se falharem, levantam-se. Normal. Faz parte.

O Tomás sussurrou:

“Normal” é uma palavra bonita. Vou pedir para pôr no meu boletim.

O Gui respondeu:

— Põe também “aterragem suave”, porque a tua é mais “trovão”.

Rafa inclinou-se para o Leo:

— Queres ir comigo primeiro? Eu vou ao teu lado. Só para marcar o ritmo.

O Leo engoliu em seco.

— Pode ser.

Fizeram os três passos em conjunto, como numa dança simples.

Um-dois-três.

Impulso.

O Rafa saltou sem pensar.

O Leo… levantou os pés, mas a cabeça puxou-o para baixo.

A ponta da sapatilha roçou na barra. A barra mexeu. Quase caiu. Não caiu.

O Leo aterrou torto, joelho a tremer.

Sentiu o rosto a aquecer.

— Boa! — disse o professor Nuno, imediato. — Viste? Já não paraste antes. Isso é progresso.

Progresso. Uma palavra que não exigia perfeição.

Só exigia continuidade.

Capítulo 3

No intervalo seguinte, sentaram-se no banco de madeira junto às janelas altas.

O vidro mostrava o pátio cinzento e, lá fora, um pardal sacudia as penas molhadas como se reclamasse do tempo.

O Leo esfregava as mãos, tentando tirar de lá o tremor.

— Eu sinto que toda a gente olha.

O Gui apontou com a cabeça para um grupo do outro lado.

— Estão a olhar para a bola, não para ti. A bola é que manda aqui.

Tomás abriu a garrafa de água e fez uma cara dramática.

— Eu, pessoalmente, olho para o relógio. Ele é o meu inimigo.

Rafa ficou sério, sem perder a doçura:

— Leo, queres combinar uma coisa? Tu fazes só o primeiro passo. Só o primeiro. E nós fazemos o resto contigo.

— Como assim?

— Tu decides “vou”. O teu corpo faz o resto, mesmo que não seja perfeito. E, se não correr bem, tentamos outra vez. Sem castigo.

O Leo respirou fundo. Um cheiro leve a borracha e a madeira entrou-lhe pelo nariz.

Pensou no corredor de casa, na linha imaginária, no bilhete da mãe.

Pensou também numa coisa que nunca dizia:

Ele queria ser corajoso, mas achava que coragem era não ter medo.

E, afinal, talvez coragem fosse ter medo e ir na mesma.

— Está bem — disse, baixinho. — Eu faço o primeiro passo.

O Tomás levantou o punho, como se fosse um pacto secreto.

— O primeiro passo é o mais traiçoeiro. Depois, ele percebe que perdeu.

O Leo riu. Um riso pequeno. Mas verdadeiro.

E sentiu que o nó por dentro afrouxava um bocadinho.

Capítulo 4

De volta ao ginásio, o professor Nuno montou um circuito.

Saltos baixos, cones para ziguezague, uma linha para equilíbrio.

Nada parecia impossível… até chegar a vez de cada um.

Quando chamaram pelo Leo, o som do seu nome ecoou.

“Leo.” Pareceu grande demais para ele.

Ele aproximou-se da barra.

O colchão azul esperava, macio e paciente.

Rafa colocou-se ao lado, discreto.

— Primeiro passo — lembrou.

Gui, atrás, fez sinal com os dedos, como maestro:

— Um-dois-três, sem pressa.

Tomás cochichou:

— Se caíres, cai com estilo. Eu posso narrar.

O Leo quase respondeu, mas a garganta ficou seca.

Então olhou para a barra e decidiu falar consigo mesmo, como quem canta baixinho:

“Um passo.”

Só isso.

Primeiro passo.

O chão rangeu sob a sapatilha.

Segundo.

Terceiro.

Impulso.

Por um segundo, o ar ficou quieto.

Ele sentiu os joelhos a subir, sentiu o corpo a fazer o que sabia.

A barra passou por baixo como um pensamento que já não manda.

Aterragem.

Não foi perfeita. O pé esquerdo bateu forte. O corpo inclinou.

Mas ele não caiu.

O coração batia como um tambor feliz e assustado ao mesmo tempo.

— Muito bem! — disse o professor Nuno. — Agora, repara numa coisa: a tua aterragem pode ficar mais suave. Mas o salto aconteceu. A confiança também se treina.

Rafa deu-lhe um toque no ombro.

— Viste? O primeiro passo fez o resto.

O Leo olhou para a barra, depois para os amigos.

E, sem perceber como, sentiu vontade de tentar outra vez.

Não para provar nada a ninguém.

Só para sentir aquele segundo no ar, onde ele era capaz.

Capítulo 5

No fim da aula, o professor juntou-os em roda.

A luz do fim da tarde entrava pelas janelas e fazia riscas douradas no chão.

— Quero que cada um diga uma coisa que melhorou hoje — pediu ele. — Pode ser pequena. Pequena é boa.

Tomás falou primeiro:

— Eu… não me queixei durante dois minutos inteiros. Acho que é recorde.

Riram. Até o professor.

Gui coçou a nuca:

— Eu fiz o ziguezague sem derrubar cones. Normalmente, os cones fogem de mim.

Rafa pensou um instante:

— Eu consegui ajudar sem mandar. Só estar lá.

O professor assentiu, satisfeito, como quem vê uma semente a brotar.

O Leo sentiu a garganta apertar, mas era um aperto diferente, quase bonito.

— Eu… eu saltei. E… eu quero saltar outra vez.

Silêncio breve. Um silêncio bom.

Depois o professor Nuno disse:

— Isso é enorme, Leo. E é teu. Ninguém te pode tirar.

Na saída, os quatro voltaram a caminhar juntos.

A chuva tinha parado e a rua brilhava como se tivesse sido polida.

— Então, celebramos? — perguntou o Tomás. — Eu voto em celebrar com pão de queijo.

— Tu votas sempre em comida — disse o Gui.

— Porque comida nunca me desilude — respondeu Tomás, ofendido de brincadeira.

Rafa olhou para o Leo:

— Como queres celebrar?

O Leo pensou.

Não queria uma festa barulhenta.

Queria uma coisa simples, que coubesse no peito.

— Vamos até à passadeira e contamos os passos — disse ele. — Só até ao sinal. E depois… amanhã eu treino mais um bocado.

Foram contando, em coro, com vozes baixas:

Um, dois, três…

E cada número parecia uma batida de coragem.

Ao chegar ao sinal, o Leo parou.

Olhou em frente, para a rua que continuava.

Na cabeça, já existia um passo seguinte.

Pequeno. Claro.

Possível.

— Amanhã — disse ele, como quem guarda um segredo bom — eu tento a aterragem suave. Um passo de cada vez.

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Ginásio
Lugar grande onde se faz exercício e aulas de educação física na escola.
Cronómetro
Relógio que conta o tempo com muita precisão, usado em provas.
Coordenação
Capacidade de mover o corpo de forma organizada e controlada.
Aterragem
Ato de tocar o chão depois de um salto ou de estar no ar.
Desodorizante
Produto que se usa para esconder ou diminuir o cheiro do suor.
Sapatilhas
Calçado leve e confortável usado para correr e fazer ginástica.
Colchão
Peça macia que amortece quedas e protege quem cai.
Pátio
Espaço aberto na escola onde os alunos brincam no recreio.
Progresso
Melhora gradual, quando se fica melhor com prática ou treino.
Coragem
Força interior para enfrentar medo e tentar coisas difíceis.

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